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O exercício do amor ou o show da fé?







Rubinho Pirola



Sempre me perguntam porque não existem mais milagres como se via no meio dos cristãos.

Falta de fé, falta de oração, falta de ousadia, falta de jejum, respondem muitos dentre outras respostas para questão tão intrigante.

Noves-fora os tempos em que vivemos hoje em que nos é mais fácil (e rápido) tomar um remediozinho ao invés de pedirmos e esperarmos pela providencia divina, e da frieza espiritual do gênero humano, creio que o buraco é bem mais embaixo.

Arrisco-me a dizer que o que nos tem faltado é falta de amor. E, por isso mesmo, acho que os céus têm retardado alguns ditos milagres, para que nos exercitemos não em showzinhos particulares e exercícios teatrais (pra não dizer circenses) de cura nos nossos serviços e campanhas de fé e milagres. Afinal, se é pra curar, porque é que os doentes têm de vir às igrejas e não os ditos ministradores de cura irem aos hospitais e centros de terapia fazer o que devia ser a nossa obrigação cristã?

Porque não plantam eles à saída dos lugares sabidamente cheios de desesperados e sofredores de toda maleita?

A ordem não era pra que fôssemos até eles, de casa em casa curando os que sofrem? Então para que esses teatros do absurdo, onde as pretensas curas são a atração principal?

Acho mesmo que Deus deseja que nos exercitemos em outra prática. Na do cuidado aos sofredores, do alívio aos cansados, na nossa oferta para limpar-lhes as chagas, para que os carreguemos ao colo, que demos-lhes nós os banhos, que ocupemos-nos das suas roupas, e das suas refeições (até que lhes demos à boca!)...

Parece-me que hoje não queremos o benefício dos que sofrem, mas apenas a sua utilização como atrações. Queremos-lhes para os espetáculos (deprimentes, como os que assisto nas TVs por exemplo), num show que pretende reforçar a nossa necessidade de crermos - não a deles.

Cansei, como pastor, de ouvir pedidos de oração por enfermos, não porque via no que intercedia, o amor sincero e a dor tomada emprestada de outro, mas a intenção de não ser mais incomodado pelo doente e problemático.

Já não choramos a dor do outro, já não nos sensibilizamos pela necessidade alheia... Já não mudamos a agenda pelas suas necessidades. Já não nos desviamos do caminho para socorrer... Queremos é transferir a responsabilidade pra Deus. Queremos é nos vermos livres de trabalho.

Se o amor é o caminho sobremodo excelente, acho que não precisamos de mais shows, mas de mais trabalho...


"Curai os enfermos, limpai os leprosos..." Mt 10:8



Rubinho Pirola conspira no Genizah








 


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