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Homens que Marcam o Chão em que Pisam


Carlos Moreira

No último dia 25 de agosto, aos 82 anos, morreu Neil Armstrong, astronauta norte-americano, primeiro homem a pisar na lua em 1969 com a missão Apollo 11. Na ocasião, ele proferiu a célebre frase: “Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.”

De fato, há homens que parecem ter nascido para marcar o chão em que pisam. Eles são singulares, irrepetitíveis, únicos! Gente desta envergadura não se satisfaz em passar pela vida como turista, quer imprimir algo na história da humanidade, deixar seu nome entre os que realizaram coisas significativas uma vez que possuem o desejo de ir além do normal, do banal, do trivial.

Pois bem, pensando em reverenciar e imortalizar seus ídolos, a indústria do entretenimento de Hollywood criou a famosa Calçada da Fama, um passeio ao longo das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street na Califórnia que possui mais de 2.000 lajes com mãos e pés de celebridades do showbiz que foram honradas pela Câmara do Comércio.

Curioso, entretanto, é que só as “pegadas” que levaram ao sucesso, a notoriedade, ao performático, ao midiático, ao extravagante, ao inusitado, é que têm relevância e destaque. Pegadas nada mais são do que a história das pessoas “escritas” no chão da Terra, um caminho percorrido onde a poeira acumulada pelos anos esculpiu na alma aquilo que ajudou a construir narrativas pessoais.

Quando penso em tudo isto, lembro de Moisés, o hebreu que conduziu o povo de Israel do Egito até a Terra Prometida. Sim, tenho a impressão que o fato dele não entrar naquele lugar que fora prometido aos Patriarcas talvez tenha produzido uma imensa frustração. Diz o Texto Sagrado que ele apenas viu a terra de longe, e ali mesmo foi “tomado” pelo Deus de seus Pais, o que fez com que seu corpo jamais tenha sido encontrado.

Na sociedade hedonista em que vivemos, homens são reverenciados quando escrevem seus nomes nas “Calçadas da Fama”, ainda que por vezes esta calçada esteja nas “ruas da Lua”! Ninguém se atém as pegadas comuns daqueles que se levantam todos os dias para realizar coisas corriqueiras, tarefas de menor importância, gente que pisa na lama da favela para ir para o trabalho de metrô, às 5:00h. da manhã, que entra na fábrica para ser apenas mais uma peça na grande engrenagem que engole gente e devora o ser.

Pelas calçadas da vida há pegadas de gente boa, muitas delas sobrepostas, mostrando que o caminho de todos os homens é sempre o mesmo. São marcas que ficaram no “diário” daquele dia, na rotina anônima de cada um, pessoas despercebidas, desinteressantes, “astros” que não vendem livros, nem geram mídia, não produzem notícia, nem fazem a “roda” girar, e é pelo movimento desta “roda de moinho” que o dinheiro colhe o seu fruto.

Moisés caminhou 40 anos no deserto. Ele certamente produziu muitas pegadas, mas todas elas foram apagadas pelo tempo e pela areia do solo da Palestina. Elas não ficaram esculpidas senão na sua alma, pois caminhar no deserto faz as pessoas enrijecerem a pele e abrandarem o coração. O deserto não é local para empreender uma carreira de sucesso, é lugar para forjar homens de valor.

A história de Moisés, de certa forma, é semelhante com a minha; quem sabe, com a sua, talvez... Eu já andei muito pelo chão da Terra, mas todas as minhas pegadas foram apagadas pelo tempo, delas nada restou a não ser a lembrança de cada caminho que fiz, tanto os que me levaram a paz e ao bem, quantos os que se constituíram veredas de sombra da morte.

Por isso, quando for avaliar alguém, não o faça pelo simples fato dele ter ou não seu nome em “Calçadas da Fama”, lembre-se do que disse Clarice Lispector: “Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida”.

Às vezes, os grandes passos de um homem não são transmitidos em cadeia nacional de televisão, nem se notabilizam como os de Amstrong na Lua. Mas tais pegadas, feitas na poeira do chão da vida que se esvai, ao final de um dia comum, acabam por fazer toda a diferença na nossa história, são capazes de mudar não só nossos destinos mas, por vezes, o de muitos outros!

E assim, aprendi com o tempo que o caminho de todo homem deve ser sempre reverenciado e respeitado, pois só ele e Deus sabem o quanto foi difícil fazê-lo, e, ainda assim, ele o fez, não desistiu...


Carlos Moreira é Editor Assistente do Genizah e posta também na Nova Cristandade.


 

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