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Ô canseira!


Digão

Há poucas semanas atrás, vimos o espetáculo deprimente de uma dondoca abandonada pelo marido soltar toda sua amargura em rede nacional, acusando-o de macumbeiro – como se ela, à época das trevas do poder de seu ex-marido, também não tivesse se beneficiado dos resultados dos feitiços. 

Rosane Malta (ex-Collor) foi uma das responsáveis, se não a maior, pela quebra da finada LBA (Legião Brasileira de Assistência), órgão federal que deveria se voltar ao cuidado dos pobres, mas que não resistiu à sanha por dinheiro da ex-dama de Canapi. Como se receber R$ 18 mil de pensão fosse coisa vergonhosa, ela teve a cara de pau de desfiar sua inveja por uma amiga que recebe R$ 40 mil de pensão do ex, querendo algo parecido para si. O mais deprimente é ver que esta senhora, que tanto nos envergonhou no passado (quem não se lembra de suas gafes homéricas?), continua a nos cobrir de vergonha no presente, ao usar surrados jargões religiosos, como “jesuscidência”, que me fazem lembrar da Valnice Milhomens em um dia ruim.

Nesta semana, minha esposa me chama a atenção para um programa televisivo que apontaria para a votação do maior brasileiro de todos os tempos. Noves fora a pretensão e a falta de objetividade de um programa desses, tive que me sentar ao ver que, no meio dos elencados, estão RR Soares, Valdomiro Santiago, Edir Macedo e Silas Malafaia. Desses, apenas Romildo Ribeiro não foi mais lembrado que d. Hélder Câmara, que desempenhou papel profético muito mais relevante que os quatro cavaleiros do apocalipse evangélico tupiniquim. Nem vi menção, inclusive, a Miguel Reale, jurista que muito contribuiu para o entendimento e a aplicação do Direito por aqui. Se bem que, na companhia de Xuxa, Michel Teló e Luan Santana, é melhor nem aparecer mesmo...

Eis que, ontem, vi o vídeo em que uma garota de programa é praticamente achacada por um bispo da Universal, que pediu para ela, em troca da “decretação da cura” de um problema no fígado, sua contribuição para a construção do templo de Salomão, o que ela prontamente ofereceu, através do fruto da venda de si própria. Nenhuma palavra sobre a santidade do corpo. Nem mesmo aquela sanha pseudo-moralista que alegra hipócritas que, em suas neuroses e distorções de caráter, confundem comportamento moral com posicionamento político-ideológico, chamando todos os opositores de coisas absurdas. Não se tocou na questão da dignidade da pessoa humana. Nada foi dito sobre o verdadeiro templo do Senhor, que é o corpo do cristão. Nenhuma palavra de evangelização para uma moça que está francamente clamando por socorro. Não foi dito nada acerca do amor de Jesus por cada um de nós. Apenas a ênfase de que, se construíssemos a casa de Deus, Ele nos faria ricos.

Esses casos gritantes e aberrantes se mesclam às cotidianas pequenas decepções com gente que acha que servir a Deus é o mesmo que ser CEO (Chief Executive Officer) em uma empresa religiosa que usa o nome de “igreja”, ou que, abandonando os irmãos feridos à beira do caminho, está se mantendo puro e intocado para o seu “Noivo” (essa novilíngua evangélica de hoje beira o sexismo gay!). Tristezas com gente capaz de recitar os cinco pontos do calvinismo, ou talvez os pontos remonstrantes, mas incapaz de viver além do próprio umbigo. Esse caldo grosso e insalubre de religiosidade tóxica empesteia o ar em redor e envenena o coração. E é esse caldo grosso, e não a Graça do Crucificado, o que tem sido apresentado nos púlpitos brasileiros, em sua maioria.

Isso me faz chegar a algumas conclusões: 1) o protestantismo que aqui chegou no século XIX já morreu e foi enterrado em vala de indigente, pois nem chegou a ter um funeral digno; 2) o que se chama de “evangélico” nada mais tem a ver com o Evangelho, mas antes é uma manifestação cultural tipicamente brasileira, pródiga em misturar elementos a princípios conflitantes e, a partir desta dialética doutrinária, criar novas fés – o candomblé é o maior exemplo disso, com sua mescla de elementos do catolicismo e da umbanda; e 3) as doutrinas da Graça, tão preciosas para aqueles que vieram antes de nós, foram substituídas pelos frutos mais agressivos do individualismo. Ou seja, o espírito do mundo, contra quem João tanto nos alertou (1Jo 2.15-17), é hoje o paradigma existencial de grande parcela de brasileiros que afirmam amar a Deus.

Em outros tempos eu me descabelaria. Hoje o máximo que isso me dá é uma enorme canseira e enfado. Afinal, é um sistema alienado e alienante que subverte vidas. Mas também este enfado me dá paz. Paz porque o Senhor conhece os Seus (2Tm 2.19), que não se envolvem nessa coisa toda. Paz porque o julgamento purificador está próximo (1Pe 4.17), e as máscaras vão cair. Paz porque sei que meu Redentor vive (Jó 19.25), e um dia essa bandalheira toda se findará. Mas, até lá... ô, canseira!

Digão anda precisando de férias, para o Genizah






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