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O fetiche pela liderança


Digão

Desconheço outro grupo religioso/social que valorize tanto o papel da liderança como os evangélicos. Há uma enorme profusão de literatura a respeito, alguns bons, o restante ruim de doer. 

Temos seminários de liderança, MBAs no tema, encontros virtuais, summits gravados em DVD, institutos de consultoria. Particularmente nunca vi nada parecido no meio dos católicos ou dos espíritas, ou mesmo no grupo dos neoateus, tão ciosos de sua fé (no caso, fé no nada) como qualquer outro grupo religioso.

Todo mundo quer liderar alguma coisa. Como há líderes de jovens há um bom tempo, começou a surgir a liderança para idosos e a voltada ao público infantil; há a liderança para grupos de homens e grupos de mulheres; lideranças para casais e solteiros. O mais engraçado é que, mesmo havendo liderança para empresários, nunca vi nada parecido para proletários...

Neste frenesi pela liderança, a pergunta que fica é a seguinte: e quem é liderado? Ora, em nossos tempos em que se canta a vitória mas não a submissão, e onde todos buscam ser campeões mas não servos, o líder é a figura ungida de nosso imaginário. O liderado é o coadjuvante da vitória do líder neste mercado onde se vende o que não existe e se entrega uma ilusão. É nesse espírito que vemos as brigas mercadológicas onde se disputam corações, almas, bolsos e prestígio através da TV, literatura, rádio e internet.

O problema com isso tudo é que não há respaldo na Bíblia. A grande ênfase que há nas Escrituras não é a liderança, mas o serviço. Jesus nunca disse aos seus discípulos, “lidere!”, mas sim “siga-Me”. Tudo o que fazemos pelos filhos eleitos do Pai deve ser em nome dEle, portanto, em completa submissão. É em submissão ao Senhor que se prega honestamente a Palavra. É em obediência a Ele que a Bíblia é ensinada a pessoas desejosas de aprender dela. É seguindo-O que se aconselha pessoas machucadas e feridas na alma.

O ministério, portanto, não é uma função de liderança, mas sim de serviço e amor (Jr 3.15). Não podemos buscar uma posição de destaque na sociedade através do pastorado – e se caso esta posição nos seja acenada, devemos fugir dela, sob o risco de cairmos na cilada de satanás (Mt 4.8, 9), como vemos com muitos hoje em dia. Toda a glória que possa advir do pastorado deve ser exclusivamente destinada a Deus, e não a nós. O resto é apenas uma fogueira de vaidades carnais. 

Confunde-se deliberadamente pastorado com liderança, e misturar as duas coisas é querer misturar organismo com organização (conforme a diferença que Howard Snyder faz em “Vinho novo, odres novos”). O organismo, território propício para o surgimento dos servos, tem sido ofuscado pela organização, campo fértil para o surgimento de líderes. Mas a diferenciação entre essas duas realidades deve sempre ser enfatizada. É o que vemos no ministério de Jesus: apesar de freqüentar costumeiramente o templo (Lc 4.16), Ele desenvolveu Seu ministério independentemente do sacerdócio oficial, tendo, inclusive, autoridade e liberdade para questionar as idiossincrasias institucionais (Mc 7.1-13) que deturpam o ensino da Palavra. Jesus, portanto, quis forjar o caráter de servo em Seus seguidores, deixando o caráter de líder para ser forjado por Anás e Caifás.

A organização precisa de seus líderes. Mas o organismo requer pastores. A organização passa, mas o organismo tem a garantia de permanência (Mt 16.18). A organização é fruto puramente humano, enquanto que o organismo é fruto de Deus. A organização é impessoal, enquanto que o organismo é o coletivo dos filhos do Pai. Qual o papel seguiremos?




Digão já surtou lendo Rick Warren, aqui no Genizah






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