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A opinião de quem realmente interessa

por Zé Luís

Nem sempre é agradável ser considerado um cristão confuso. Na verdade, a gente se sente só, mas não chega a ser aquela solidão triste e melancólica.

Nem todo mundo enxergará em você um cristão quando não se usa o vocábulo correto, não usa frases formatadas para responder sobre aquele culto, ou não definir uma pregação como algo capaz de gerar poder, e nenhuma transformação. Não, eu não converso assim na minha casa, com meus familiares, nem entre os colegas de serviço. Por que agiria diferente em um ambiente onde – supostamente – estou entre irmãos que me amam?

Dia desses, uma convertida, frequentadora desses pequenos grupos de células – um esquema que lembra muito as Amways piramidais - recusou-se a entrar no assunto “bíblia” comigo: “gosto é de poder, dançar no Espírito...”. Um outro crente então, participante do grupo sentado a mesa na hora do intervalo de almoço, reconhecendo nela – por isso - cristã legítima, começou a evitar meus assuntos quando ajuntávamos o pequeno grupo de crentes que andava na hora do almoço: eles tinham uma opinião sobre meu credo, minha forma descontraída de falar do meu Deus, e isso – ao que tudo indicava – desclassificava minha alma para o hall dos ungidos.

Eles não conhecem bíblia, não sabem nada sobre homilética, hermenêutica, não fazem a mínima ideia do que foi a reforma protestante, ou o que realmente é necessário em um ritual cristão. Pentateuco, para eles, os escolhidos especiais de Jeová, pode ser confundida com alguma modalidade esportiva, e livros poéticos nada tem haver com Salmos, Jó, Cantares... mas com o mundano Fernando Pessoa e sua corja de entidades psicografadas. Pela Graça – assunto que eles também olham com estranheza – consegui guardar estas coisas em meu coração.

Eles gostam muito de testemunhar como o Senhor fez, e de quanto fará em sucesso e benção, profetizam alegremente as conversões de familiares amados, e decretam a derrota de quem os perseguem... mas quando se questiona a forma em que Deus está sendo tratado nessa intenção, o velho olhar condescendente, aquele ar de falsa piedade para com a minha vida, vem à tona:

“Tadinho – pensam, enquanto se entreolham – não teve um encontro com o Senhor ainda...”

E o Senhor, sempre ao meu lado, toca em meu ombro, e saio, caminhando sozinho pelas ruas, sinceramente sem me importar com o que eles pensam de mim.

Jesus, o “tal” Senhor com quem disse que eu andava, não precisava ser reconhecido pelas pessoas com quem andava, com aqueles que diziam amá-lo, ou mesmo seus inimigos: ao diabo, recusou revelar-se quando desafiado a saltar do alto de um pináculo, aos fariseus que o esbofeteavam, não disse palavra, assim como se calou diante de Pôncio ou Herodes. Diante de seus discípulos perguntou quem era, e só confirmou aquilo que o próprio Espírito revelara a Pedro.

Ele tinha seu testemunho, guardado no dia em que se batizou: “Esse é meu filho amado, em que me comprazo” disse a voz do próprio Deus, para quem estivesse ali para ouvir. Era o reconhecimento suficiente que precisava.

Era necessário o testemunho de mais alguém?

O que nos cabe é ouvir a opinião de quem realmente interessa, e Nele, ser transformado segundo Seu propósito, e não, ele não tem grandes interesse em me encaixar em cultos neurotizantes, que não priorizam aquilo que transforma o homem: ouvir a Palavra Dele.

A propósito: quando pessoas “ímpias” precisam saber sobre a Palavra, não procura-os: são inacessíveis, santos demais, esquisitices demais, não conseguem responder questões simples, mas muitos dos que são bem intencionados não desperdiçam o momento para tentar fazer um neófito, e arrastá-lo para o culto de sua comunidade “que fará coisas tremendas”.

Se alguém topa a estratégia? Funciona bem entre testemunhas de Jeová, mormons, nos centros de Umbanda, cartomantes, nas Raves, nos bares, prostíbulos, na propagação do uso da droga: a propaganda é a alma do negócio, por que não copiar o sistema de franquia.

Mas eles só queriam a resposta que a bíblia responde, e não se associar a um grupo que te ensinará a associar novos membros, inchando aquela comunidade de gente que – como ele - não conhece bíblia, mas só tem elogios – vazios - para o Senhor. Mas mesmo assim, seguirão sem resposta.

O que interessa é a opinião de meu redentor, apesar de ser esse cristão confuso segundo o conceito de quem, sendo crente convicto, teria que me amar mas não o faz. Ser dessa forma -lesadamente - gentil me faria sentir-se hipócrita, aquela coisa de ter uma máscara para cada ocasião, que não convém aos discípulos do Mestre.

A propósito: eis um rótulo que não recebo. E você, que anda dentro dos conformes e da lei, dentro do vocabulário certo e a oração certa: Qual a opinião de Deus sobre você?

O Zé colabora no Genizah, e assim como esse blog, nem sempre é bem visto pelos "ungidos de Jisuis"






 

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