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Ricardo Gondim anuncia recesso em virtude da crise



O pastor Ricardo Gondim publicou em seu blog neste sábado (09/06/2012) uma declaração de desagravo em função da forma pela qual  está sendo tratado por lideranças evangélicas desde que manifestou a sua opinião acerca dos direitos dos gays em entrevista para a revista Carta Capital.

Gondim constata o tratamento duro que segue recebendo de diversos grupos de evangélicos por conta das suas posições teológicas e afirma-se magoado com muitos dos amigos que julgava ter entre os crentes.

Gondim diz ter sido muito usado por evangélicos que no passado contaram com ele para abrilhantar eventos e revistas e que hoje lhe viram as costas. 


Segundo o pastor, o acumulo de ataques por ele sofridos torna o ar evangélico irrespirável.

Por fim, Gondim afirma ter enfrentado piquete à porta da Betesda de Fortaleza - igreja que considerava a sua "menina dos olhos". Diante de todos estes fatos,  abre recesso das redes sociais, "para trocar de pele".



A seguir a integra da declaração de Gondim:




Recesso – preciso de um tempo

Ricardo Gondim


Por mais de um motivo, ficarei sem escrever aqui e no tuiter. Vou me exilar de todas as redes sociais por um tempo.

Mais cedo ou mais tarde chega o tempo em que algum ciclo se fecha. Como preciso saber discernir a minha hora: chegou um momento decisivo em minha vida. Não escondo a minha profunda dor.

Fui cuspido, difamado e ridicularizado por quem acreditei ser parceiro. Meu coração sofreu além da conta.

Noto que me resta pouco tempo de vida -não sei quanto, mas estou consciente de que é pouco. Em Fortaleza, tive que enfrentar um piquete na porta da igreja que eu considerava a menina dos meus olhos.

Depois, oportunistas se sucederam em me esfaquear. Pessoas baixas se revezaram em colocar o meu nome entre os grande apóstatas da fé. A Betesda em Fortaleza praticamente implodiu. A princípio, sofri. Depois, preocupei-me com amigos, parceiros e discípulos. Eles sofriam as consequências de minhas posições. Embora eu nunca, em tempo algum, tenha vendido a alma ao sucesso, não bastou. As pedradas não cessaram.

Eu podia ser outra pessoa. Estou consciente de meus dons e talentos. Sei que poderia tornar-me famoso e disputado entre os maiorais do movimento evangélico. Mas, não sei explicar, preferi o caminho dos proscritos. E a minha história virou piada; fui arrastado ao charco.

Dei uma entrevista à revista Carta Capital (eu daria novamente, sem tirar uma vírgula) e os eventos desandaram. Antigos companheiros passaram a me evitar como um leproso. Reconhecer que homossexuais têm direito era um pecado incontornável. Contudo, prefiro o ódio de fundamentalistas e homofóbicos à falta de paz; quero poder deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de que defendi o que é justo.

Eu supus ter amigos entre os envangélicos. Enganei-me. Quando a revista Ultimato me defenestrou como articulista, não contei com cinco amigos que ousassem dar a cara a bater por mim. Nessa hora vi o quanto fui usado. Eu não passava de grife, ornando panfletos de eventos. Saí de casa, deixei meus filhos, esqueci meus pais, dormi em hotéis de quinta categoria, para dar credibilidade a conferências chinfrins.

Os amigos, que supunha de caminhada, se calaram. Estavam preocupados com eles mesmos na hora do meu linchamento.

Os meus verdadeiros amigos se resumiam aos poucos parceiros que sobraram na Betesda e me deram a mão. Só um punhado se solidarizou quando me viu arrastado na sarjeta. Alguns, para minha profunda decepção, se aproveitaram de vírgulas doutrinárias para jogar ainda mais querosene no fogo brando que fundamentalistas acenderam.

Na verdade, estou exaurido. Agora virou questão de saúde. Como não posso respirar, minimamente, o ar dos evangélicos não serve como terapia. Deixei de acreditar na grande maioria dos líderes, pastores, teólogos e missionários evangélicos. Não confio nos que se dizem pregadores da Boa Notícia do Nazareno; e isso é ruim. Depois de presenciar excrescências éticas, depois de ver-me roubado em direitos autorais, depois de usado e sugado não quero mais a piedade plástica e mentirosa dos que se sentem responsáveis pela salvação do mundo. A subcultura religiosa que me acalentou e me fez um homem bem sucedido agora me traumatiza. E quando a gente perde o respeito, acabam-se os argumentos.

Sinto que chega a hora de começar outro ciclo. Não sei como, mas para que aconteça, meu primeiro passo deve ser o exílio das redes sociais. Quanto tempo fico fora deste site e do tuiter, não sei. Mas, igual aos adolescentes quando querem acabar o namoro, digo: preciso de um tempo.

Resta-me a igreja Betesda, minha comunidade de fé na Avenida Alberto de Zagottis, 1000. Ali é minha cidade de refúgio. Continuarei liderando o pequeno rebanho de homens e mulheres que, apesar de toda a propaganda danosa, ainda se reúne para me ouvir nos domingos. Com eles, e por causa deles, continuo.

Saio das redes sociais por recomendação médica; mas, também, por bom siso: preciso procurar alguma caverna, e lá, trocar de pele.

Soli Deo Gloria









 
Ricardo Gondim 2967115109414302201

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