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Político da Igreja Batista da Lagoinha quer dispor de bem público para beneficiar sua igreja

Valadão e o seu "vereador de estimação"o Sr.  João Oscar (PRP)
Projeto do político mineiro pretende privatizar rua pública e ainda desalojar famílias humildes a fim de permitir a construção de um novo templo e estacionamento para a sua igreja. Onde está a ética cristã?


Danilo Fernandes


Desde os dias de meu primeiro curso de graduação - economia na UFRJ - quando me debrucei na obra de Max Weber, comecei a construir a minha esperança de um Brasil melhor que rompe com os laços da ética cartorialista, da indolência premiada e constrói uma sociedade cuja moral permita um desenvolvimento econômico e social, amparado no crescimento da influência da ética protestante.

A ideia de que as nações forjadas na ética cristã protestante – luterana, anabatista, anglicana e calvinista, em especial – e suas derivações terminaram por alcançar um padrão de desenvolvimento econômico superior e a distribuição de riqueza mais justa está subjacente na construção teórica principal da obra de Weber. Um ótimo livro avançando no tema é A Riqueza e a Pobreza das Nações, de David S. Landes. Nesta obra o autor tenta responder a questão "por que algumas nações são ricas e outras são pobres?' e apresenta, entre outros fatores a importância da ética cristã protestante na formação de uma realidade institucional e moral capaz de promover o desenvolvimento econômico. Entre outros artigos neste site mencionando esta obra, temos AQUI uma ótima resenha do livro da autoria do Rev. Antônio Carlos Costa.

A nossa grande tristeza é constatar que aquele espírito protestante, fruto da compreensão e exercício da verdadeira ética cristã reformada, que ainda se via claramente na igreja evangélica brasileira da década de 80, hoje não está nem sequer rarefeito, diluído entre o “novo povo evangélico", mas quando muito é pontual, subsistindo no território da exceção que confirma a "nova regra evangélica".

E o grande paradoxo desta catástrofe é constatar que ao abandonar a sã doutrina e a busca dos valores essenciais do cristianismo, da salvação, da mensagem da cruz, dos tesouros transcendentes, pela perseguição de um arremedo de cristianismo que subsiste na religião de barganha, na autoajuda e na “conquista” de benção materiais, o “novo evangélico”, se vê destituído da verdadeira herança de prosperidade econômica (neste mundo e para esta geração) - a real e verdadeira “teologia da prosperidade” - que é a conquista coletiva, e não individual, dos frutos do crescimento econômico, da justiça social e da solidez das instituições democráticas, todas refletindo a superioridade da ética cristã na sociedade.

A gênese do neopentecostalismo, no compasso das horas, no início da década de 70, ganhou rítmo de bola de neve na década de 80 e 90, perdeu o controle das práticas espúrias e foi o criadouro destes que hoje forjam a ética deturpada, maligna e mercantilista da maioria dos evangélicos brasileiros. A adição (ainda que inicialmente pueril, como o veneno dos inocentes) da prosperidade financeira pessoal na equação principal da Cruz nos trouxe a este cenário degradante e nos está a negar a herança de uma sociedade baseada nos valores de Cristo.

A nossa justiça, os nossos políticos e a prática dos negócios neste país exibem a moral derivada da ética cristã protestante? Refletem o crescimento da população evangélica, na teoria, portadora da ética cristã? Lamentavelmente, não. Muito ao contrário, somos envergonhados como cristãos, todos os dias, ao observar os escândalos provocados pelo comportamento da maioria dos evangélicos alçados a posição de liderança nas instituições nacionais. Hoje mesmo, tive a infelicidade de ser apresentado a mais um exemplo triste da superficialidade dos propósitos e da ausência de caráter da maioria dos políticos “ditos” evangélicos – segundo o FICHA LIMPA, o grupo mais FICHA SUJA do Congresso Nacional.

Com base na ética protestante, o que poderia se esperar de um político evangélico seria grandeza de propósitos, levando a persecução dos mais altos ideais do bem comum - um testemunho da reserva moral cristã.  Contudo, lamentavelmente, o que se vê são procuradores da causa egoísta de seus guetos evangélicos, advogados de causas paroquiais, que não interessam em nada à sociedade como um todo e nem de longe são capazes de qualquer vislumbre da onda transformadora que é a ética cristã protestante, quando verdadeiramente areja uma sociedade.

No site de Mariel Marra, vejo mais este exemplo da pequenez do político evangélico típico – mais paroquial, coronelista do que o mais ímpio dos políticos.

Ali, vemos o vereador de Belo Horizonte (MG) João Oscar (PRP), membro da (e eleito pela)  Igreja Batista da Lagoinha fazer aquilo que quase todo político evangélico faz: defender os interesses do líder da denominação que o elegeu, sendo que outros, ainda aproveitam a “hora do recreio” para se envolver em algum escândalo de corrupção.

É de sua autoria o inusitado projeto subvertendo o conceito de bem público a fim de beneficiar a Igreja Batista da Lagoinha, que pretende ampliar seu templo, com um novo estacionamento a ser construído em uma RUA PÚBLICA onde, inclusive, residem pessoas em imóveis perfeitamente regularizados e que se aprovada a decisão terão destino incerto. Vizinhos INVISÍVEIS, por mais de 50 anos, da "ensimesmada" comunidade evangélica.

Ferindo o principio da moralidade, norteador da administração pública e o conceito mais básico do que venha ser um bem público, isto é: um bem público de uso comum do povo, os quais, são, por natureza jurídica, considerados bens indisponíveis, ou seja, não podem ser objetos de venda, permuta, doação, etc. o vereador pretende expropriar o que pertence ao povo para viabilizar a construção de um estacionamento de sua igreja e, por tabela, ainda irá desapropriar o lar de diversas famílias humildes.

Encravada em meio a uma enorme comunidade carente há 50 anos, a Lagoinha testifica que uma igreja de 50.000 membros, antes de promover a mudança radical em seu entorno, sendo sal e luz e levar à frente a missão integral da igreja, sequer consegue enxergar a miséria que lhe cerca e a seus vizinhos mais próximos.  Este não é "evangelho" capaz de causar mudança radical na sociedade. Não muda nem um quarteirão. Na Lagoinha, Jesus anda de BMW  e está se lixando pra os seus vizinhos miseráveis.

Leia os detalhes no site do Mariel Marra e assista a reportagem da TV Alterosa. 

A cada dia que passa, para uma parcela maior da sociedade "evangélico" se torna sinônimo de gente sem caráter, hipócrita, dada a corrução e que exerce a sua cidadania de forma corporativa, contra o interesse público, enquanto busca impor os seus valores culturais à sociedade. Em função disto, corremos o risco (com muito merecimento) de perseguição. E não por conta do Evangelho, o que nos é motivo de alegria e galardão, mas em função do péssimo testemunho dado pelos lobos travestidos em nosso meio. 












 

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