681818171876702
Loading...

O fetiche por números


Digão

Conta-se que, na campanha para sua eleição, Bill Clinton ouviu de James Carville, seu assessor: “é a economia, estúpido!”. Isso porque George Bush (pai) havia quebrado os EUA, bem como faria seu filho em dois desastrosos mandatos, mas ainda assim Clinton não sabia o ponto fraco de Bush a ser atacado. O ex-presidente ouviu a fala de Carville, ganhou duas eleições, faturou a estagiária e o resto é história.

Creio que Carville foi ouvido por bem mais gente que Clinton. Na verdade, o fenômeno de inchaço (e não crescimento) de igrejas evangélicas atende mais a um chamado por faturamento e manutenção de um sistema desumanizante do que ao amor de Deus pelo mundo perdido. Além da economia, é também a satisfação da sede de poder vinda de pessoas compromissadas unicamente consigo mesmas. 

Para comprovar, é só ver no que se transformaram as famosas “Marchas para Jesus”: um verdadeiro “carnaval gospel”, com direito a trios elétricos, abadás e protótipos gospel da Ivete Sangalo. Porém, espetáculos deprimentes como as Marchas (e outros eventos igualmente deploráveis, inclusive nas igrejas históricas) mostram apenas como é rasa, superficial e egoísta a mensagem apregoada Brasil afora, mensagem essa que ridiculariza o que a Bíblia diz e que deforma pessoas, em vez de transformá-las para a glória de Deus.

O rei Davi certa vez pagou caro por ter tentado entrar nesse fetichismo numérico, em vez de confiar exclusivamente em Deus. A Bíblia relata que o rei resolveu saber o tamanho de seu reino, recenseando todo o povo (2Sm 24.2). Isso porque, de acordo com os princípios monárquicos, qualquer homem poderia ser arregimentado para o exército do rei (1Sm 8.11-18). Davi tencionava, portanto, aumentar seu poderio bélico e tentar resolver seus problemas somente por si, sem depender tanto assim de Deus – Joabe, ao que parece, percebeu seu intento (v. 3), assim como o próprio Deus. Porém, diferentemente do que ocorre hoje em dia, Davi se arrependeu de sua loucura (v. 10), sendo obrigado a escolher três punições, das quais escolheu a menos letal (vv. 14, 15).

De nada adianta enchermos os templos de pessoas vazias de Evangelho e elas permanecerem vazias. Elas apenas preencherão esse vazio com crendices e ritos pagãos. Foi assim quando Constantino oficializou o cristianismo como religião oficial do império romano, e assim está acontecendo agora. É necessário encher primeiro as pessoas com o Evangelho do Crucificado, extirpando de vez a mensagem necrosante da do falso evangelho pós-moderno, que se apresenta ora como a prosperidade sem Deus e com Baal, ora como a mensagem neoliberal de um deus idiotizado e impotente, que só sabe chorar à beira do caminho. É necessário que as pessoas que se achegam aos templos abandonem sua egolatria e passem a buscar a santidade real e verdadeira que somente é alcançada pela graça através da ação do Espírito, e não através de barganhas cósmicas e “blefes” metafísicos. E é necessário que os dirigentes desses megatemplos abandonem seu papel de gerenciamento de multidões e passem a pastorear indivíduos. Assim, em vez de seguirem o lema “é a economia, estúpido!” de Carville, passem a seguir a chamada “é a Graça, meu amado!” vinda do Pai.



Digão anda avesso a essa "numerologia" toda, aqui no Genizah






religião 7632690834003825337

Postar um comentário

Página inicial item

Siga por e-mail