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Caminhado na Graça com os crentes de Uberlândia no Tribal Generation

Danilo Fernandes


Eu sou econômico nas amabilidades. Sou carioca, mas mineiro de alma: Desconfiadíssimo! Lavado e enxaguado em grandes  decepções com líderes da igreja evangélica brasileira, não sou dado a jogar confetes.

Eu também não falo crentês. Quem me conhece pessoalmente, ou é leitor de Genizah sabe disto. Eu não falo crentês porque a maioria das expressões idiomáticas, chavões, saudações e cortesias adotadas pelo povo evangélico ou estão saturadas de uma teologia fantasiosa, triunfalista, ou carregam grande dose de hipocrisia – como quando as expressões e as cortesias, em especial, estão impregnadas no discurso, mas distantes da prática e do coração. Ou desenhando, para o entendimento geral: já vi crente mandar crente para aquele lugar, iniciando a frase com “tá amarrado, meu querido” e fechando com “em nome de Gizuz!”.

Hoje, contudo, abro duas exceções de uma só canetada (ou digitada, risos). Vou falar “crentês” aos borbotões entre muitas declarações de grande entusiasmado e contentamento na seara de irmãos meus em Cristo.

Há algumas semanas tive a honra de ser convidado para participar do evento Tribal Generation Global 2012, acontecido este ano em Uberlândia, Minas Gerais. O Tribal Generation é um movimento social que tem por objetivo estabelecer relacionamento entre pessoas, grupos, tribos urbanas e organizações que desenvolvem trabalhos de mobilização de grupos sociais visando a sua integração social, a vivência cidadã, numa perspectiva cristã não religiosa sectária ou exclusivista, para a melhoria do bem estar social e da qualidade de vida na comunidade onde estão inseridas. O TG quer ajudar a igreja a descobrir como alcançar a multifacetada sociedade da pós-modernidade com o Evangelho, a ser relevante e preparar-se para pastoreá-la. Por isso. O TG é o fórum vibrante que é!



O TG está presente em diversos países e organiza uma série de eventos e encontros mundo afora. No Brasil já tivemos alguns e este ano o evento global foi aqui. Neste último TG Global, aconteceu um encontro de líderes, seguido do evento principal com duração de quatro dias, aberto ao público em geral. De dia, aconteciam oficinas e seminários tratando de temas relacionados a tribos urbanas, arte cristã, música, tendências, etc. e os painéis e palestras abordando o tema deste ano: “Redescobrindo o caminho de nossos pais”. De noite, shows de música cristã de altíssima qualidade.

Eu participei de um dos painéis, sobre rumos da igreja e apresentei, em primeira mão, o resumo executivo de uma pesquisa do BEPEC sobre desigrejados. Em outro dia, palestrei sobre ativismo nas redes sociais e a importância da capacitação das populações oprimidas e de missionários na produção e divulgação de conteúdo via internet.

Aprendi muito com gente muito fera que levou ao evento uma perspectiva cristã encorajadora e “fora da caixa”. Além do nosso amado Ariovaldo Ramos, que sempre nos presenteia com algo precioso, tive a grata surpresa de ouvir, pela primeira vez, vozes que muito me impressionaram e que espero ter a oportunidade de ouvir novamente: Ariovaldo Jr, Eddie Fernandes, João Tito, Olgálvaro Jr e Paulo Jr, que tirou o meu fôlego algumas vezes! 



Leitores, está turma merece uma “googada”! Grandes profetas!

E a música também era da melhor qualidade: Resgate, Palavrantiga, Oficina G3, Pingodagua, Daniela Ferr e muito mais.

O Tribal Generation é um movimento supra denominacional. Líderes de diversas comunidades brasileiras e estrangeiras participam e o público, embora predominantemente jovem, é 0-80. O TG atrai crentes de tudo quanto é lugar e diversas denominações. É um evento onde tipicamente se formam caravanas para a participação e as pessoas, em geral, se envolvem intensamente, imersas nas atividades e na comunhão.



Organizando o evento no Brasil está a igreja Sal da Terra, uma comunidade vibrante que só em Uberlândia tem 49 igrejas e está presente em diversos estados. Sobre o que vivi por lá, há coisas que dizem muito da comunidade Sal da Terra, outras do Tribal e outras ainda da gente que veio de outras tantas comunidades mundo afora para aprender e ter comunhão neste encontro tão especial. Então, sem mais delongas, digo, para o espanto de quem me conhece:

- Deus falou comigo PODEROSAMENTE.

Falou, mexeu, impactou, pintou os canecos, como queiram... Nestes dias de Uberlândia desabei de emoção algumas vezes, derrubei o queixo de espanto outras e brindei a existência cristã, como poucas vezes, nos encontros especialíssimos que tive por lá com gente de toda a parte.

O que eu vi de especial?

Amor

Vou dizer com todas as letras: Conheci poucas comunidades tão amorosas. Amor sem hipocrisia! Até para puxar a orelha, se necessário. Beijos e abraços aos borbotões... Eita povo carinhoso! Senti calor por lá e não apenas do povo do Sal da Terra! De todas as comunidades que estavam ali. Amor contagia e o povo de Uberlândia soltou uma bomba biológica de Amor naqueles dias.



Oração

Eu visito, em média, umas cinco comunidades diferentes por mês. Não conheço, nunca vi, nem mesmo nas comunidades que escolhi para congregar em algum ponto da vida, um povo que tenha tanto apreço e dedicação pela oração como este que conheci em Uberlândia. Durante o evento, de dia ou de noite, a qualquer hora e em qualquer espaço onde estivessem acontecendo atividades era varrer lugar com os olhos e encontrar grupos orando. No evento, havia até mesmo uma barraca especialmente montada para a oração e um grupo de intercessores sempre a disposição de quem por lá fosse - eu vi gente orando ali até já tarde da noite, enquanto aconteciam os shows mais disputados.

Sempre que pude, me acheguei dirigindo-me a Deus na companhia destes irmãos e foi especial. Eu sei que alguns irão dizer: - Orar? Na minha igreja o povo ora também! Que bom, meu irmão! Dê glórias ao Pai por poder ter comunhão em uma comunidade que ainda exercita oração, pois o que eu vejo por ai não é bem isto não. Em geral, são orações orquestradas e genéricas durante os louvores, o povo assentindo, o coração distante... 




Serviço

Eu fui para o evento sem conhecer as pessoas de lá. Na verdade, foi tudo meio de supetão, decidido poucos dias antes do início. Da comunidade, conheço o Rubinho Pirola, que lá não estava e hoje reside em São Paulo e o Ariovaldo Jr., mas apenas de blogosfera cristã, nunca o tinha visto pessoalmente. De maneira que fui “navegando às escuras por lá". E quando chegava a um ambiente qualquer, aonde se prestava algum serviço, não sabia quem eram as pessoas ali, se pastores da Sal da Terra ou de outra igreja, ou palestrantes, ou diáconos, ou voluntários... Em um dos meus primeiros contatos, chego a um ambiente onde se cuidava de acomodações para visitantes – um número grande de membros da igreja Sal da Terra abriu suas casas para hospedar pessoas vindas para o evento. Ali havia gente dedicada a “costurar” esta necessidade. Eu entrei no local buscando outra coisa (uma tomada). O que me surpreendeu foi descobrir que a pessoa que estava mais dedicada ao serviço por ali era, ninguém menos, do que o coordenador do evento. E depois dali, a cada lugar que fui, onde se visse alguém se desdobrando muito em servir, entre estes, estava um pastor da Sal da Terra. Em todo o lugar, encarando qualquer parada, estavam lá os pastores servindo! De maneira que passados quatro dias, quando precisei de transporte para deixar o evento mais cedo e não reconheci quem pudesse me ajudar, logo passei os olhos para ver quem estava mais atarefado no ambiente e fui direto esta pessoa e, claro, era um pastor da comunidade. Falo da minha necessidade e este logo me diz: “- Vá até a sala tal que lá estará Fulano, hoje, encarregado destes transportes”. Eu fui e, chegando lá, em uma sala cheia de gente não tive a menor dificuldade de descobrir quem era o pastor!



Confesso que isto me surpreendeu bastante. Por que vi vontade de servir na prática, teoria à parte. E percebi o que este estilo de liderança produz: Uma comunidade dedicada ao serviço. Nunca. Nunca mesmo! Vi uma comunidade tão dedicada a um evento. Tinha-se a impressão que Uberlândia inteira estava dedicada ao TG. A comunidade da Igreja Sal da Terra realmente tomou para si a responsabilidade de fazer um grande evento e receber os visitantes de fora da cidade (em número considerável) da melhor maneira possível. E foi conversando com uma pessoa muito simpática que me deu carona em um dos dias, que fiquei sabendo que os pastores da Igreja Sal da Terra recebem uma tolha na cerimônia de sua ordenação, um símbolo do serviço. Que alegria ver que a prática testifica para além do simbolismo. Glória a Deus!



Coração no lugar

Eu sou observador. Faz parte da minha formação pessoal e profissional. E, com isto, carrego uma boa dose de curiosidade e criticismo (como vocês todos sabem, risos). Então, não escrevo estas coisas afiançado somente no que fizeram questão de me mostrar, mas também com base naquilo que procurei saber, dirigido pelo entusiasmo das coisas que eu via. E o que logo salta aos olhos de qualquer observador mais atento é a prioridade que a liderança da Sal da Terra consagra às pessoas, sobre qualquer outra prioridade deste mundo. Menos investimento em tijolo e mais investimento em vidas. O resultado é evidente.

Em poucos lugares se observa tamanho investimento na capacitação de pessoas para o envio, para a formação dos pastores e da juventude da comunidade. Valendo a mesma coisa para o entorno da comunidade. A Sal da Terra leva a missão integral da igreja seriamente.

Eu cheguei em Uberlândia em um voo muito atrasado. Depois fiquei sabendo, que alguém da igreja me esperou por bastante tempo no aeroporto. Eu não sabia desta generosa cortesia e, ao chegar quase duas horas depois do previsto, logo tratei pegar um taxi. E, depois, vi propósito nisto. Do taxista (que não era membro da igreja) quando informei o meu destino e o motivo da viagem (o mineiro gosta de prosear com as visitas, risos), ouvi: O povo daquela igreja é muito 'prestimoso'. Amparam muito uma comunidade carente próxima de minha casa”. "Eu soube que são mesmo prestimosos", viria eu mesmo a pensar, passados dias em Uberlândia, sempre ouvindo bons testemunhos. 

A minha surpresa maior se deu quando acompanhei um grupo de discussão de jovens e adolescentes. Fiquei eufórico ao ver meninos e meninas motivados e envolvidos com evangelismo e a ação social e ainda mais embasbacado ao saber do investimento que a comunidade faz para capacitá-los.

Aqui e ali soube de grupos de jovens indo a Europa e até África em experiências de missão que certamente mudarão as suas vidas e as vidas que serão abençoadas por suas vidas. 



Crentes diferentes, mas tão iguais!

Em dada noite daqueles dias, tive a oportunidade de dividir um momento "abençoado, edificante, tremendo, impactante, glóriaaDeus!" com o Pr. Olgálvaro Bastos Jr., da Igreja Sal da Terra de Uberlâdia, a quem tinha sido apresentado no dia anterior. Começava um dos shows, quando ele me perguntou o que eu estava achando do evento, em meio ao som alto das guitarras, peguei em seu ombro e falei com as mãos em concha em seus ouvidos e logo já nos abraçavámos forte, como velhos conhecidos:

- "Quando eu fui convidado a participar do Tribal Generation, alguns me disseram que eu iria encontrar um bando de crentes DIFERENTE -as tribos urbanas, a galera do Rock e do tattoo, estas coisas... Então eu vim de lá com este 'preconceito' e, para a minha surpresa, em poucos lugares tive o privilégio de conhecer um bando de crentes tão IGUAIS... A Jesus" e, completei: “O Senhor é contigo, meu irmão! As ovelhas reconhecem o seu pastor e o pastor tem em conta cada uma de suas ovelhas. Quem vê a um, vê a outro. Exemplo é tudo. Eu não te conhecia, mas pelo rebanho se reconhece o pastor. Que comunidade abençoada (e, principalmente, abençoadora) eu vejo aqui em Uberlândia! Obrigado por ter me convidado!”

Choramos os dois,  emocionados. Quem está na luta sabe.


De muitas formas, para além do Tribal Generation, conhecer esta comunidade me encheu de esperança: É uma igreja mostrando a quem os conhece que eles são mesmo sal e não querem ficar no saleiro. Sabem que são (E somos todos os cristãos!) o Sal da Terra.




Danilo Fernandes serve mal e porcamente como editor deste Genizah que recebe 50.000 evangélicos por dia e quer aprender o beabá do serviço cristão com quem sabe fazer muito melhor.






 

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