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O silêncio de Deus e a teimosia humana

Imagem: Wicia Q

Zé Luís

Fácil é dar explicações sobre qualquer situação ou assunto, mesmo sem ter domínio sobre tal.

Posso explanar sobre coisas que realmente não sei a ponto de convencer meu ouvinte que aquilo é uma verdade absoluta e irrefutável, a não ser que o mesmo já tenha sido, de alguma forma, convencido sobre estas questões pendentes e possua uma resposta que eu julgue mais plausível. Nesse caso, sou eu quem absolverá a nova conclusão, se tiver coragem – ou mesmo humildade – suficiente para repensar meus conceitos.

Ateus alegam que um homem inteligente e ousado sempre chegará a conclusão que Deus não existe, já que desafiaram a – suposta - autoridade máxima do Universo, falando horrores sobre a mesma e esta, simplesmente, não se pronunciou: “Um mundo sem Espírito é a única conclusão correta.”

“Se esse deus é onipotente – tudo pode – e é um deus bom, mas coisas ruins acontecem, de duas, uma: ou ele não pode tudo, ou não é bom.” é frequentemente usado, o que me deixa curioso: se ele é ateu, para que voltar tanto ao assunto? Se você crê em Papai Noel, me desculpe: eu não. Mas não faço de minha vida uma cruzada contra isso, como as injustiças cometidas pelo “bom velhinho” quando não deixa presentes nas favelas por falta de chaminé. “Santa Claus não pratica justiça social”, esbravejaria contra alguém que não existe.

Já ouvi muito sobre esse silêncio de Deus em nossas vidas, C.S.Lewis lamenta e protesta contra isso quando sua amada Joy sucumbe ao Câncer. Qualquer professor de Teologia informará sobre os 400 anos de silêncio entre o Velho e o Novo Testamento.

Jesus silencia diante de seus agressores, como ovelha muda. Diante da turba que se prepara para o apedrejamento da adúltera nada pronuncia, Ele próprio cala a turbulenta tempestade que apavora seus seguidores; Em oculto viveu até a vida adulta.

Ouvi certa vez - Cassiane se não me engano – que quando Ele está em silêncio é por que está trabalhando. Creio que o Mestre, quando separa um espaço na eternidade para cuidar de cada um de nós separadamente, usa o “calar” como poderosa ferramenta em nossa formação, por mais que isso nos seja incompreensível e doloroso.

Talvez entendamos melhor o silêncio quando nos deparamos com a teimosia. A teimosia faz com que pessoas se mantenham firmes em suas opiniões, independente da clareza dos argumentos, por mais óbvios e claros que sejam. Nem todos são teimosos compulsivos: alguns permanecem em sua posição por conta da arrogância daquele que tenta convencê-lo que deve fazê-lo (As igrejas estão cheias destes senhores da razão: pergunte àquele a quem tentaram “evangelizar” na marra! O prejuízo ao Reino é incalculavel).

Desde a queda, estamos contaminados com o conhecimento do Bem e do Mal, precário e parcial, e por isso julgamos como quem tem critérios suficiente para isso, tendo sempre o que opinar a respeito de coisas que nem temos ideia do que se tratam.

“Não discuto com loucos, crianças e bêbados...” é uma filosofia pessoal, embora todos os três tipos sempre me provoquem ao ponto de querer falar-lhes coisas duras. Mas de que adianta? Uma criança não tem experiência para entender o meu “não”, um louco – assim como o ébrio – tem seu juízo comprometido: vale o tempo gasto numa linha de raciocínio que ele não entenderá?

Dessa forma, o silêncio Divino é obviamente esperado e precioso, totalmente compreensível. O que um dentista pode dizer enquanto um dente que apodrece em nossa boca é removido, mesmo quando não há anestesia que minimize a dor?

Afirmar ser o silêncio uma prece pode ser um pouco demais, mas economizaria – e muito – a exposição de nossa imbecilidade.

“Até o idiota, quando calado, passa por sábio”




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