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No Princípio

Digão



No Princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele é a razão da existência do universo; sem Ele, nada do que existe hoje existiria. O Verbo é a luz dos homens; feito gente, o Verbo habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, a glória do Unigênito do Pai. O Verbo sofreu nossa morte para que vivêssemos Sua vida e nos chamou para sermos filhos do Pai.

O Verbo foi pregado, proclamado, vivido, testemunhado. Por causa do Verbo, muitos sofreram mortes atrozes, como Jon Huss, ou foram duramente perseguidos, como Wycliffe. O Verbo foi traduzido para a língua do povo, como fez Lutero, para que o povo tivesse conhecimento do Verbo. O Verbo impulsionou servos para fora de sua zona de conforto, trazendo-os a terras de gente com uma língua estranha aos seus ouvidos, como o português. Pentecostais, como Gunnar Vingren e Daniel Berg, ou históricos, como Robert Kalley e Ashbel Simonton, deixaram tudo para trás para viverem o chamado do Verbo no Brasil. Católicos, como Francisco Xavier, e metodistas, como Hudson Taylor, foram para a Ásia (Japão e China, respectivamente) atendendo ao chamado do Verbo.

Mas hoje não é mais o Verbo. Hoje é a Emoção. Ela toma conta de tudo. É o paradigma existencial de um crescente grupo social que se denomina “evangélico”, mesmo que o Evangelho lhes seja apenas uma pálida sombra de algum tempo imemorial. O Verbo precisa ser examinado, meditado, pensado; já a Emoção, como o crack, tem efeito imediato; e, como o crack, exige cada vez mais uma dosagem maior.

A Emoção deixa o Verbo de lado, ou então manipula o Verbo ao seu bel prazer. A Emoção não se furta de fazer com que seus pregoeiros se ridicularizem na frente de uma congregação confortavelmente anestesiada, mandando beijos para alguma entidade mítico-cósmica a quem chamam de “Jesus”, apesar de não guardar nenhuma semelhança com o Jesus da história e da fé. A Emoção traz euforia plena e imediata; ao contrário do Verbo, a Emoção não exige arrependimento, mudança de vida ou conversão; apenas um salto de fé kierkegaardiano e um embotamento de todo senso crítico que possa comprometer o mistério da Emoção que se desenrola. A Emoção seqüestra os significantes da fé protestante e lhes atribui novos significados, sem que haja protesto. Se para Descartes o axioma básico era “penso, logo existo”, para a Emoção e seus seguidores o paradigma é “Fico eufórico, então que se dane o resto”.

No Princípio era o Verbo. Hoje é a Emoção. Mas não vivemos no Princípio. Vivemos no Fim.



Digão se emociona ao ver as bobagens ditas nos púlpitos hoje em dia, para o Genizah










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