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Crente dá trabalho

Hélio Pariz

Outro dia, um irmão em Cristo me contou que gostaria de fazer um curso universitário, mas não pode porque, no seu trabalho, ele tem apenas hora para entrar, mas nunca para sair do emprego.

Ele chegou a discutir a questão com o seu patrão, que se diz evangélico, mas este lhe disse que não abre mão do funcionário ficar à sua disposição para qualquer eventualidade negocial que surja no fim de tarde ou começo da noite.

Além do claro e desavergonhado desrespeito às leis trabalhistas, o patrão evangélico ainda disse ao seu (ocasionalmente subalterno) irmão em Cristo que “não quer servir de trampolim para que seus empregados estudem e assim arranjem uma ocupação melhor”, mesmo que tenha que retê-los indevidamente até mais tarde só para podar as suas asas.

Tudo indica que o patrão segue um certo “evangelho” que manda ser próspero às custas dos direitos e do dinheiro dos outros, sem se importar com os sonhos alheios nem com a felicidade de quem fiel e honestamente lhe serve.

Muito provavelmente, anestesiado que está pelo discurso da prosperidade gospel, o patrão ainda não teve oportunidade de ler o que Paulo escreveu em Colossenses 4:1
Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e equidade, sabendo que também vós tendes um Senhor no céu.
Tampouco aprendeu algo – numa área mais de serviço cristão - com o que João Batista destemidamente disse aos seus discípulos que estavam enciumados do ministério que Jesus acabara de iniciar:
João 3:30 - É necessário que ele cresça e que eu diminua.
Visto pelos atuais crentes da prosperidade, o trampolim desse tal de João Batista está mais para salto ornamental do que um mergulho profundo na Bíblia.

Resta saber que nota lhe dará o Seu Senhor que está no céu...

Para que não digam que não incluí as flores e os espinhos no mesmo pacote, também tenho outro irmão em Cristo que é um empresário que hoje tem uma ampla rede de distribuidores dos produtos que comercializa.

Conforme o negócio foi prosperando, ele sentiu a necessidade de contratar mais representantes comerciais e imaginou que não só poderia como deveria dar preferência a irmãos em Cristo para exercer o ofício.

Qual não foi a sua surpresa, entretanto, ao perceber que eram justamente esses “irmãos” aqueles que mais lhe davam dor de cabeça, ao desviar mercadorias e prestar contas desonestamente.

Talvez os representantes evangélicos estivessem fazendo uma interpretação muito literal e particular da parábola do mordomo infiel (Lucas 16:1-13), aquela que Jesus termina dizendo que “não podeis servir a Deus e às riquezas (Mamom)”.

O empresário ficou profundamente decepcionado e constrangido com os pequenos Judas da era gospel, e passou a contratar empregados que tivessem um bom currículo e, sobretudo, nenhuma informação desabonadora, independentemente de que fé professavam.

Esses representantes de Mamom provavelmente também se desviaram da carta de Colossenses, em que Paulo aconselha (capítulo 3, versículo 22):

Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo somente à vista como para agradar aos homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor.
Tampouco se preocupam com os ais de Habacuque ou com a advertência de Deus em Ezequiel 22:13: “Eis que bato as minhas palmas com furor contra a exploração que praticaste” (ou “lucro desonesto” numa versão mais antiga).

Tempos bicudos estes em que vivemos. Se, como evangélicos, dizemos que a Bíblia é a nossa única regra de fé e de conduta, é de se perguntar: quando o Filho do Homem voltar, porventura achará fé na Terra (Lucas 18:8)?









Pois é, mano Hélio, Eu tenho um amigo que diz: administrar uma carteira de clientes crente é como andar de montanha russa: Muita emoção! Vai dai, que quando Malafaia devolveu o troco da marcha pra gizuz, ao prefeito, no meio da praça, na frente de 300 mil pessoas, justificando "crente é honesto", eu quase tive uma síncope gargalhante, risos. Crentes de verdade são! Mas são tão poucos....  Danilo



 

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