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Confissões, omissões e dor sem fim no caso Etan Patz

Hélio Pariz

Na manhã do dia 25 de maio de 1979, o garotinho Etan Patz estava muito feliz, como na foto ao lado, no colo de sua mãe. 


Era a primeira vez que seus pais o deixavam andar sozinho por duas quadras até a parada do ônibus que o levaria à escola. 


Só que o menino de 6 anos de idade sequer chegou ao ponto e nunca mais voltou para casa.

O estranho caso aconteceu no bairro do SoHo, em Manhattan, Nova York. Sua família (de origem judaica) nunca mais mudou de lá, na esperança de que um dia ele retornasse pela porta tão saudosa de sua infância perdida. Lamentavelmente em vão.

A tragédia da família Patz foi um dos casos mais rumorosos de desaparecimento infantil nos Estados Unidos, senão o maior. O seu sumiço misterioso, ao menos, marcou o início da organização de vários movimentos de busca de crianças desaparecidas ao redor do mundo.

O rosto de Etan foi um dos primeiros pedidos de socorro a estampar as caixas de leite que, a partir dali, passaram a acompanhar os cafés da manhã de milhões de famílias americanas.

Exaustivas investigações foram feitas e a sociedade norteamericana se envolveu como um todo na busca de Etan, a ponto de - em 1983 - o então presidente Ronald Reagan ter estabelecido o dia 25 de maio como o Dia da Criança Desaparecida no país.

Apesar de todos os esforços, o caso nunca foi esclarecido. Bem, nunca até o último dia 24 de maio de 2012, quando a polícia de Nova York informou que Pedro Hernandez, hoje com 51 anos de idade, confessou ter assassinado o garoto.

Na época, Hernandez tinha 18 anos de idade e trabalhava numa loja de conveniência do lado da casa da família Patz, e num acesso de loucura (segundo alega) teria sentido um desejo incontrolável de matar, e Etan foi a vítima estrangulada de seu surto assassino. Ele teria ainda guardado o corpo do garoto para depois jogá-lo no lixo.

Esta história macabra ganha trágicos contornos religiosos quando vem a público a informação do The Wall Street Journal de que Pedro Hernandez teria confessado (genericamente) o assassinato de uma criança a um grupo de oração da Igreja de Santo Antônio de Pádua, em Camden, New Jersey, no começo dos anos 1980, entre os quais estavam alguns membros de sua própria família.

Ocorre que, se é que esta confissão existiu, ninguém lhe deu valor à época. E havia 50 pessoas no tal grupo de oração, fato que está gerando enorme controvérsia nos meios católicos e jurídicos dos EUA, em que se discute filigranas legais e teológicas sobre se estende ou não a leigos o direito do padre católico de manter o segredo da confissão.

Por outro lado, juristas também questionam a confissão de Pedro Hernandez do ponto de vista processual, já que ele teria um histórico psiquiátrico considerável, e ninguém descarta a hipótese dele ter forjado uma farsa, o que é uma hipótese bastante improvável já que ele realmente trabalhava na loja de conveniência na época do crime.

O fato é que, de confissão em confissão e de omissão em omissão, rios de lágrimas ainda rolarão por baixo da porta da saudade de Etan Patz. Que, ao menos, seus pais possam chorar seu pequeno anjinho em paz.





 

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