Uma Vida que Cabia num Tanque

Carlos Moreira

Toma-se banho por muitos motivos: por higiene, por questões religiosas, por prazer ou ainda com finalidades terapêuticas. Os hindus banhavam-se no sagrado Rio Ganges para se purificarem. Os gregos adotaram o banho como possibilidade saudável e prazerosa. Os turcos, em suas saunas, introduziram na água ervas aromáticas e os Egípcios entregavam-se aos cuidados do deus Thot, devotado a medicina. 

Mas foi entre os antigos romanos que o banho notabilizou-se. Para eles o assunto era sério, tratava de higiene, uma questão de Estado. Onde estiveram os romanos, construíram termas, pois, ir a elas, era bem mais do que se banhar em águas, mas, sobretudo, estar num ambiente em que se apresentavam poetas, se ouvia boa música, se falava das últimas notícias, ou seja, desfrutava-se de prazeres imperiais. 

Há uma casa de banhos descrita na bíblia sagrada. Mas, diferentemente do ambiente prazeroso e inspirador das termas romanas, ela era um local de sofrimento, de dor, de solidão e de morte. Nesta casa não havia divertimentos, nem poesia, nem canções. Contudo, conforme a descrição de João, neste local de horrores um encontro improvável aconteceu. Nele, um homem enfermo, desenganado da vida, deparou-se com Jesus e, a partir de então, sua existência nunca mais foi à mesma. 


Pense comigo: o que faz alguém se arrastar durante trinta e oito anos, dezenas, centenas de vezes para mergulhar em um tanque, mesmo sabendo que seu intento será frustrado, pois outros irão correr a sua frente? Numa resposta simplória, você poderá dizer que ele queria ser curado. Este era o motivo, a razão de tamanha perseverança. Será mesmo?


O tanque de betesda era uma casa apinhada de gente, um lugar de sofrimento, de dor e de morte, um local para a escória, os doentes, os feridos e desesperançados. Tratava-se do último recurso, o paradeiro derradeiro da existência, a opção final. As pessoas ficavam ali por anos, agonizando, sem amparo, sem afeto, sem nenhum tipo de assistência e, por fim, morriam. 

Aprendi que existe um enorme perigo na agonia e na dor prolongadas porque este estado dissolve a alma, tritura as emoções, desconstrói a esperança e, por conta disto, leva-nos, mais cedo ou mais tarde, a desistir da vida. Nós não nos apercebemos, mas, não raro, inconscientemente, somos compelidos a acariciar o sofrimento, acolhermos as nossas mazelas de tal forma a, simplesmente, irmos levando a vida, “abraçarmos” a dor. “Viver é sofrer”. O acumular do sofrimento que se interpõe em nossa caminhada acaba nos arrastando, existencialmente, para um “tanque de betesda”. E o tempo passa, as dores se aprofundam, as tristezas se acumulam, e vamos ficando ali, amargurados, machucados, sofridos, solitários, aguardando que, um dia, quem sabe, algo sobrenatural nos alcance e nos resgate de volta para a vida. 

Tenho encontrado muitos assim, deitadas à beira de um “tanque de betesda”. Pessoas cuja enfermidade física, emocional ou espiritual já tatuou-se na alma, alojou-se no ser, amalgamou-se a consciência. Para tais pessoas, é impossível voltar a ver-se sem este “aleijão”, sem esta “deformidade”. Mas Jesus, a partir do texto, nos dá 3 motivos para pensarmos diferente.   

O primeiro é que Ele está identificado com o sofrimento humano. Se você prestar atenção no texto, verá que, inicialmente, Jesus estava em uma festa em Jerusalém. Sim, circulava entre risos, pessoas cheirosas, boas conversas, boa comida, alegria e prazer. Mas, de repente, sem qualquer explicação, largou tudo, andou cerca de 3 quilômetros e entrou em um outro tipo de ambiente, num lugar onde as expressões eram outras, o aroma era outro, as motivações eram outras. Era o tanque de betesda, uma casa de morte, de gemidos, de gente agonizando.

Quero lhe dizer algo: Jesus largou a festa para ir de encontro à aflição, abriu mão de sua divindade para encarnar como homem, esvaziou-se a si mesmo para ser reconhecido em figura humana – carne, sangue, suor e lágrimas – abandonou a eternidade para entrar na história, abdicou da vida para ir de encontro à morte, largou a glória para estar na cruz e, por conta disto, de tão identificado que está com nossas misérias, deixará qualquer coisa para abraçar aquele de coração quebrantado e espírito contrito. 

O segundo motivo é que Jesus está compromissado com as pessoas de forma individual. Naquela casa havia milhares de pessoas, umas apertando-se contra as outras. Mas, naquele dia, Jesus tinha um encontro marcado com aquele homem. Não havia uma noite que ele não sonhasse em ser restaurado, mas a desesperança havia tomado trono no seu coração. Suas lágrimas já haviam secado. 

Aquele encontro, todavia, estava marcado desde a eternidade. Sim, Jesus quer encontrar-se com todo aquele que deseja levantar-se de seu “leito de enfermidade”, pois Ele quer salvar o caído, o perdido, o excluído, quer sarar feridas, apaziguar consciências, reconstruir interiores, dar prazer e significado aos nossos dias. Muitos estavam ali naquele local, mas apenas aquele homem sonhava em ser mais do que curado, ele queria ser salvo! Os outros esperavam o “sobrenatural”, o “anjo” que movia as águas, mas aquele homem aguardava a redenção de seus pecados e, por isso, foi contemplado. 

O último motivo que desejo lhe expor é que o sacrifício de Jesus é suficiente para todos, mas eficiente apenas para os que crêem. Ao encontrar aquele moribundo, naquele dia, o Galileu lhe fez uma pergunta absurda: “queres ser curado?”. Ora, havia trinta e oito anos que aquele homem sentia o coração agitado quando o vento ficava mais forte, e gritava por alguém que o levasse até a água. Durante trinta e oito anos ele se arrastou com sofreguidão até a beira do tanque, mas outros chegavam primeiro e tiravam a sua oportunidade. Em trinta e oito anos ele guardou apenas um sonho: andar com vigor pelas ruas de Jerusalém, voltar a sentir-se inteiro, integral, íntegro. 

Aí, de repente, o Deus-Homem o encara na inteireza de quem ele é, com seus desejos e fracassos, sonhos e frustrações. Sim, apenas um olhar foi suficiente para Jesus desvendar tudo o que se passava em sua alma, algo como um “scanner” sobrenatural o varreu de cima a baixo, discerniu toda sua vida, nada pôde ficar encoberto, escondido, tudo foi revelado; medos, dores e dramas. “Queres ser curado? Sim quero! Então levanta-te, toma o teu leito e anda!”. 

Eu creio que todos nós almejamos por encontrar um “tanque de betesda”, um lugar onde possamos nos chegar e nos lavar das nossas imundices, um ambiente que produza em nós paz, liberdade, saúde e bem. É bem provável que, “a esta altura do campeonato”, você já saiba que a vida não é uma terma romana, com águas relaxantes, nem tão pouco uma casa turca, com aromas e perfumes. Não. A vida está mais para “betesda” do que para qualquer outra coisa.


No fundo, parece que todo ser humano vive a beira deste “tanque”, em busca deste encontro. O mesmo Jesus, todavia, que buscou aquele homem no fundo do poço, deseja hoje encontrar você, estejas onde estiveres, mergulhado no mais profundo abismo, esquecida num quarto de apartamento, drogado numa esquina de uma metrópole, prostituída num quarto de motel, afundado em dívidas ou largada da família e dos filhos. Saiba, aquele mesmo olhar ainda anda por aí, apenas desejando encontrar um outro que lhe corresponda e uma voz que lhe diga: “Sim, Senhor, eu quero ser curado!”.


Carlos Moreira é culpado por tudo o que escreve. Já agonizou na beira de um destes tanques da vida, mas foi salvo por Jesus Cristo, seu Senhor. Ele escreve para o Genizah e para a Nova Cristandade.


 



Os sem senso e os com senso


Eduardo Rosa

Diz o insensato no seu coração; não há Deus” Sl 14:1

Vivemos em um país no qual o prefixo sem se tornou muito conhecido. Temos os sem-terra, os sem-teto, os sem-carro, os sem-educação, os sem-justiça, os sem-celular, os sem-comida, os sem-vergonha, os sem-escrúpulos... 

A bíblia fala de um outro grupo de sem: os sem senso, ou in-sensatos, os sem juízo.

O in-sensato, biblicamente falando, não é sinônimo de débil mental. O insensato não é  um louco no sentido em que conhecemos hoje. O insensato pode ser alguém muito inteligente, com uma sólida formação acadêmica, diplomas espalhados por toda parede, pode ser alguém famoso, até mesmo um formador de opinião. O insensato não é alguém que não estudou e nem sabe falar uma outra língua. Insensato não é sinônimo de pobreza economica-social e cultural. Na bíblia, insensatez é o mesmo que pobreza espiritual. Não se trata de razão, mas de fé.

O sem-senso é aquele que diz no seu coração: “Não há Deus”. O in-sensato é aquele que mata Deus no fundo do seu coração, que faz da sua alma um túmulo de Deus. Então são os ateus que são insensatos? Não somente. Podemos ser o mais crentes de todos os homens e mulheres e ainda assim em alguns momentos agirmos como se Deus não existisse. Sabe qual é a principal diferença de um ateu, um incrédulo e um crente incrédulo? O ateu diz com a boca que Deus não existe. O incrédulo não diz com os lábios, mas desconfia com o coração de que Deus, apesar de não existir para ele, é capaz de fazer isto ou aquilo. O crente incrédulo é aquele que afirma Deus com os lábios e na vida prática age como se ele não existisse. No fundo ateísmo e  incredulidade tem raiz na indiferença. Todas as vezes que somos indiferentes a Deus, a sua pessoa, a sua ação, a sua palavra, estamos sendo ateus ou incrédulos em alguma medida, ainda que nos achemos o mais crente de todos os seres humanos.

Tentar matar Deus é cometer suicídio espiritual. Abandonar a fé em Deus, é como cortar o cordão umbilical que nos liga ao único ser capaz de realmente alimentar nossa alma. Agir pelas nossas próprias forças, estribados no nosso próprio entendimento, embassados na nossa visão, no nosso conhecimento, é dizer no fundo do coração: não há Deus, pois, na prática, o que existe para mim sou eu e minha capacidade.

Na ingênua idéia de não querer incomodar Deus com coisas pequenas e achar que temos nós mesmos de cuidar delas, somente pedindo a Deus coisas realmente importantes, é também uma outra maneira de dizer: não há Deus, pois se eu tomo conta das coisas pequenas, então Deus não existe para elas. Deus é o Deus das grandes decisões e das pequenas escolhas. Ele é o Senhor de toda grandeza e o dono de todas as partículas. Ele está interessado em tudo na minha vida, daquilo que eu julgo como sendo mais importante e daquilo que acho ser pequeno demais. Quando se trata de mim e de você, nada é tão pequeno que Deus possa não estar interessado. 

Hoje é o dia criado por ele para que de novo encontremos o senso perdido.. Que Deus derrame sobre nós uma imensidão de fé, para que possamos fazer parte do grupo dos com-senso, os justos, pois que estes vivem pela fé.



EDUARDO ROSA PEDREIRA é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e professor da Fundação Getúlio Vargas.  Em Amai-vos Divulgação Genizah





Valadão: Gosto muito de você leãozinho...


Ana Paula e a sua fixação felina.





Darwin e heresias

Nilton Bonder 

Reportagens sobre o criacionismo neste bicentenário de Darwin expuseram visões inquietantes da religião.

A tentativa de corromper o intelecto humano para conter crenças e superstições é o maior desfavor que se possa fazer à religião e à espiritualidade, uma verdadeira heresia.

A leitura fundamentalista do texto bíblico não pode sequer ser considerada literal, mas política. Baseia-se mais no corporativismo e no monopólio do absoluto do que em qualquer compromisso com a verdade.

Uma corrupção inaceitável ferindo preceitos do próprio texto que condena a superstição e a feitiçaria — o desejo de manipular a realidade para conter uma vontade particular. Essa realidade particular, esse mundo partidário e incontestável, não se sustenta na experiência dos próprios fiéis exigindo esforço em práticas para obscurecer discernimento e sensibilidade.

Para tal faz-se mau uso da fé que acaba em mãos humanas servindo a pretensões de controle e poder.

O texto de Gênesis diz literalmente que o Universo não se fez de uma vez. Eras sucederam a novas eras.

Há um trabalho de separar luzes de escuridão, águas de cima e águas de baixo. Há expansões e contrações, secos e molhados. Só no quarto dia é constituído o luzeiro maior que governa o dia e o luzeiro menor que governa a noite. Se o sol não existia nos primeiros três dias, então de que dias estamos falando? Com certeza, não se trata do período de rotação completa da Terra sob seu eixo ou o tempo de 24 horas.

“Dia” quer dizer um “período” e por seis períodos demorou para ser formado este mundo como nós o conhecemos.

Este Universo existe há 5.769 anos (desde Adão) e mais sete eras. Seis eras de profunda instabilidade e transformação — de trabalho — e uma era de adaptação — de pausa. Adão representa a matriz do homem moderno que rompe com a ancestralidade primitiva. É o homem que conhece através de sua consciência a vergonha, a responsabilidade, a culpa, a solidão, a morte e noção de Deus. Adão e Eva são os pais de nossa cultura. A heresia não está no carbono 14 e sua capacidade de datar o passado, mas na leitura doutrinária do texto. Para um bom literalista o texto sequer diz que a Criação foi única. Be-reshit, a palavra que abre o texto do Gênesis, tem tradução literal “Num Início”, indicando que outros mundos podem ter existido anteriormente. Há na Bíblia elementos claros de evolução já que a criação é gradual: ervagem, árvores, peixes, répteis, aves, répteis terrestres, quadrúpedes e, por último, o humano. Certamente distinto de Darwin para quem a evolução se trata de um processo mecânico de ajustes na história das espécies, enquanto que a Bíblia pressupõe uma intencionalidade divina.

Mas a Bíblia não tem pretensões de ser um manual eterno da ciência, e sim da consciência. Sua grande revelação não é como funciona o Universo e a realidade, mas como se dá a interação entre criatura e Criador. Seu tema maior é outro: a revelação de que o Universo tem uma identidade, um Self. Essa é a primeira palavra dos Mandamentos — “Eu”. Da mesma maneira que nós em nossa superfície somos uma colcha de retalhos — aglutinando discrepâncias e contradições — e mesmo assim temos um “eu” que a tudo integra, também o Universo com todas as suas aparentes injustiças e descontinuidades também tem um Self. Assim como o nosso “eu” é invisível e não verificável, este “Eu” do Universo só se faz perceptível no que Martin Buber cunhou como o encontro do “Eu-Tu”. É possível que tudo que reconheça em si um “eu”, por mais ilusório e distorcido que este seja, percebe este Tu cósmico. Trata-se do encontro do “eu” particular com o “Eu” do todo. O Self da parte que se vê responsabilizado diante do Self do todo e anseia tê-lo como norte, como esperança. Mas esse encontro será sempre de ordem transcendental e nunca de forma tacanha como a leitura fundamentalista propõe.

Talvez a insistência em prosseguir com estas leituras heréticas realmente consiga provar Darwin como errado. Isso porque a sobrevivência de visões tão retrógradas acabará cabalmente demonstrando a existência não só de processos bem-sucedidos de evolução, mas também de involução.


Nilton Bonder, ordenou-se Rabino, pelo Jewish Theological Seminary, N.Y, em 1987. Escreveu 14 livros vários deles best-sellers no mercado editorial brasileiro e estrangeiro. Site: (http://www.cjb.org.br/)   Em Amai-vos    Divulgação Genizah      




ADULTÉRIO: EVITANDO UMA REAÇÃO QUíMICA




Nélio DaSilva


O adultério tem invadido a nossa sociedade com uma força jamais anteriormente conhecida. O assunto é inevitável. Televisão, cinema e canções tem explorado com maestria as tramas desenvoltas num relacionamento triangular. Há não muito tempo atrás, Calvin Klein lançou a sua famosa fragrância “Eternity” (eternidade), apostando com este nome na duração do seu produto. Atualmente, ele também está vendendo como nunca a sua nova fragrância “Escape” (fuga), insinuando com este nome a fragilidade das relações traduzidas nas famosas escapadas fora do casamento.

Os escândalos de ordem social não são mais apenas prerrogativas de jornais baratos e sensacionalistas. Em anos recentes, até mesmo as publicações denominadas “responsáveis”, tem penetrado nos enlameados escândalos de famílias famosas. A imprensa mundial não vinha dando tréguas aos membros da família imperial inglesa, fazendo com que Charles e Diana, Andrew e Fergie se tornassem foco da atenção mundial. O record de audiência na TV inglesa foi alcançada pela chamada “Confissão de Diana”, quando praticamente a Inglatera parou para ver e ouvir a princesa do coração do povo falar sobre o seu problemático relacionamento com Charles, a presença de Camila, a outra de Charles, e o seu próprio envolvimento sexual com uma outra pessoa.

Pouco tempo depois disso, impossível esquecer, Lady Di faleceu tragicamente em acidente de carro, em Paris, junto a seu mais recente namorado, propiciando audiência ainda maior, não só na TV inglesa, mas na mídia mundial.

Uma recente pesquisa sobre adultério publicada em uma revista americana de psicologia, demonstrou que 92% dos entrevistados acreditavam que a monogamia é algo de “grande importância”. Porém, 45% dessas mesmas pessoas admitiram o seu envolvimento em uma relação ilícita, com a quebra dos seus próprios votos matrimoniais.

Ao escrever esse artigo tenho que lhe confessar um incômodo dentro de mim. Certamente, existem várias razões para isso, e, talvez, uma das mais fortes é o fato de estar com 46 anos de idade e acabar de ler um livro que muito impactou a minha vida. Meia Idade é um livro no qual o autor descreve que existe um tempo em nossas vidas onde necessariamente, o que temos que fazer é refletir sobre a nossa caminhada nessa existência. Temos de examinar por onde vimos andando, onde estamos hoje e para onde estamos indo. Um tempo de avaliação e retomada de direção. A leitura deste livro fez com que reacendesse em mim um desejo mais intenso de terminar bem a minha carreira.

Não faz muito tempo, recebi a noticia de que um pastor amigo, um homem de notáveis talentos, teve subitamente o seu ministério e a sua vida arrasados por um envolvimento em adultério. Seu ministério está literalmente destruído, seu nome enlameado, sua própria saúde abalada e a família em frangalhos. Histórias como essa tem se repetido centenas de vezes dentro da comunidade cristã e, confesso, o meu coração se quebra todas as vezes em que ouço algo assim.

Estou absolutamente convencido de que, se por um lado essas noticias nos apanham de surpresa, por outro, sei que houve todo um processo sendo desenvolvido, possivelmente ao longo de muitos anos. Também estou convencido de que, para cada líder cristão famoso que cai ao longo do caminho sob o escrutínio da mídia, existe uma quantidade enorme de outros totalmente desconhecidos que estão se afastando voluntariamente, ou estão sendo banidos dos ministérios em função da impropriedade na área sexual.

Meus anos de ginásio me ensinaram alguma coisa sobre reação química. Aprendi: quando certas substâncias entram em contato com outras, fatalmente haverá uma reação. Num pequeno laboratório da minha escola em Lins, estado de São Paulo, quase provoquei um acidente de proporção considerável, ao misturar dois ingredientes que não poderiam jamais se tocar. Tenho aprendido desde então, que, de um modo geral, as pessoas não respeitam as leis químicas mais do que eu, nos meus dias como estudante ginasial. Elas misturam voláteis ingredientes sem dar o devido tempo para avaliar as conseqüências. Muitos casais não compreendem que uma reação química pode ocorrer quando um dos cônjuges se relaciona com alguém que não seja o seu próprio. Por favor, não me interprete mal. Não estou me referindo necessariamente a uma atração sexual. Estou me referindo a uma reação de dois corações, uma química que envolve duas almas. É o que chamo de adultério emocional. Uma intimidade com o sexo oposto além da fronteira do casamento. Adultério emocional é uma infidelidade do coração. Quando duas pessoas começam a falar das suas lutas íntimas, das inquietações dos seus corações, suas dúvidas e incertezas, é bem possível que elas estejam compartilhando as suas próprias. Sabemos, Deus estabeleceu que tal relação fosse somente compartilhada dentro do relacionamento conjugal.

Há algum tempo atrás, um pastor me confessou: - “Já não amo minha esposa, estou apaixonado por uma moça da minha igreja.” Olhei nos olhos daquele companheiro da mesma maneira como tenho olhado detidamente nos olhos de muitos outros com quem tenho conversado abertamente sobre essa matéria. Eu tenho descoberto que, na maioria dos casos, um relacionamento adúltero teve início em um encontro casual dentro da própria igreja. Uma reação química toma lugar. Ele fala da sua frustração em casa, ela compartilha uma reação similar e em pouco tempo as emoções passam a ricochetear com uma rapidez intensa, e corações passam a experimentar uma ligação emocional irresistível.

Via de regra, o adultério não se dá por acaso. Antes, há uma história, norteada por passos claros e definidos. Você pode estar convergindo em direção a um adultério quando os seguintes passos são dados:

* Você tem uma necessidade que o seu cônjuge não está preenchendo. Necessidade de atenção, aprovação ou afeição. Se um desses requisitos não são preenchidos, um dos cônjuges então começa a buscar em alguém, ainda que inconscientemente, a satisfação de uma destas brechas.

* Você começa a se sentir mais confortável em se “abrir” com alguém que não seja o seu cônjuge. As dificuldades do dia são compartilhadas com certo prazer em um almoço, um encontro, uma carona no carro ou através de correspondência, via e-mail, etc.

* Você começa a falar com alguém sobre problemas e frustrações que tem vivido com seu cônjuge.

* Você começa a procurar razões para justificar esta sua relação de proximidade com uma outra pessoa, a fim de se sentir mais confortável com sua consciência. Neste processo de auto justificação, você inclusive busca razões espirituais que justifiquem suas atitudes, tais como: é da vontade de Deus falar honesta e abertamente com uma outra pessoa cristã.

* Você começa a sentir um intenso desejo de estar perto desta pessoa.

* Você esconde do seu cônjuge o relacionamento que está tendo com essa pessoa, ainda que o processo esteja somente em nível de conversa.

Quando você se encontra conectando-se com uma outra pessoa que não seu marido ou esposa, certamente já iniciou-se uma jornada que freqüentemente termina em adultério ou divórcio. A questão porém, é: como você pode se proteger e guardar-se puro num contexto desses?

1 - Tome Precauções
Certo pastor viu-se atraído em seus pensamentos por uma jovem funcionária da sua igreja. Depois de meses de racionalizações, ele finalmente admitiu a si mesmo que estava constantemente buscando razões para se encontrar com aquela pessoa. Ele resolveu assumir a seguinte postura: “Eu só me encontrarei com ela quando for apenas e estritamente necessário, e gastarei apenas um tempo mínimo. Só nos encontraremos no escritório, e tanto quanto possível na companhia de outras pessoas.” Com o passar de alguns meses, seu relacionamento com aquela pessoa voltou ao estado original, um relacionamento saudável, da mesma maneira como para com outras colegas de trabalho.

Algumas precauções dentro deste processo devem ser incluídas, até mesmo posições mais radicais, como por exemplo as de Rick Warren, um dos mais bem sucedidos pastores dos Estados Unidos. Após assistir a tantas quedas morais, Rick se sentou e escreveu os Dez Mandamentos para a sua equipe de trabalho.

1 - Não visitar pessoas do sexo oposto a sós.
2 - Não aconselhar pessoas do sexo oposto a sós no escritório.
3 – Não aconselhar pessoas do sexo oposto mais de uma vez sem a presença do cônjuge.
4 - Não tomar refeições a sós com pessoas do mesmo oposto.
5 - Não beijar pessoas do sexo oposto ou demonstrar atos de afeição que possam ser questionados.
6 - Não discutir detalhes de dificuldades de ordem sexual com pessoas do sexo oposto, quando em aconselhamento.
7- Não discutir detalhes de problemas de ordem sexual do seu casamento com pessoas do sexo oposto.
8 - Muito cuidado ao responder cartões, cartas ou bilhetes a pessoas do sexo oposto.
9 - Faça da sua secretária a sua protetora aliada.
10 - Ore pela integridade moral de outros membros da equipe.

Estas posições certamente podem nos levar a suspeitar de toda e qualquer relação com o sexo oposto, o que nos criaria perspectivas doentias. Um simples beijo no rosto, ou qualquer ato de afeição, não pode estar envolta o tempo todo dentro de precauções. O excesso de precaução pode nos levar a desenvolver uma mente maldosa, que vê o pecado a que buscamos evitar nos gestos mais simples. Em que pese tudo isso, essas precauções devem nos chamar a atenção para cuidarmos melhor desta área de nossa vida.

Dietrich Bonhoeffer, em seu livro, “Tentações” declara: Quando a cobiça assume o controle, Deus se torna irreal para nós. Bonhoeffer está absolutamente correto. Quando cobiça e paixão sexual ilícitas passam a nos consumir, ao mesmo tempo, Deus passa a ser uma presença opaca, distante e irreal. Surgem as racionalizações, nos tornamos insensíveis a uma tragédia que pode estar prestes a tomar lugar.

Estou convencido de que o primeiro passo a ser tomado, com o objetivo de derrotar a tentação sexual, é simplesmente fugir dela. Creio que exatamente isso que Paulo estava comunicando a Timóteo quando lhe disse imperativamente: “Foge das paixões da mocidade” (II Timóteo 2:22) A mesma recomendação foi dada à igreja em Corinto: “Fugi da impureza!” Em outras palavras: não se coloque numa posição na qual tenha de testar sua própria resistência. Excelentes ilustrações destes momentos de tentação seriam:

Capítulo I
“Andei por uma rua. Havia um buraco profundo na calçada. Caí dentro do buraco. Estou perdido. Não tenho nenhuma ajuda. Porém, a culpa não é minha. Vai levar muito tempo para eu sair daqui.”

Capítulo II
“Andei pela mesma rua. Havia um buraco profundo na calçada. Fingi que não vi. Caí novamente. Não posso crer que estou no mesmo lugar, mas a culpa não é minha. Vai levar muito tempo para eu sair daqui.”

Capítulo III
“Andei pela mesma rua. Havia um buraco profundo na calçada. Vejo que o buraco está ali. E, ainda assim eu caio dentro dele. Isso se tornou um hábito. Meus olhos estão abertos. Sei onde estou. A culpa é minha. Vou sair daqui imediatamente.”

Capítulo IV
Andei pela mesma rua. Havia um buraco profundo na calçada. Eu passei de lado.”

Capítulo V
“Fui por uma outra rua.”

Tenho conversado com alguns líderes que caíram em adultério, e eles, de um modo geral, tem expressado uma certa surpresa em relação a como tudo aconteceu. Falam como se tivessem sido levados por uma irresistível força da natureza.

Porém, é bom lembrar, ninguém cai em um precipício se mantiver uma distância segura. Mas, ao invés disso, eles se chegam cada vez mais ao abismo, até o momento onde o perigo acaba se tornando uma ameaça mortal.

2 - Preste Contas da Sua Vida a Alguém.

Talvez esta seja a área que mais se fala e menos se pratíca. No meu contato com líderes cristãos, tenho chegado a uma conclusão: quanto mais proeminentes se tornam, mais necessidade tem de se prestar contas da sua vida. Porém, infelizmente, é o inverso que ocorre. À medida que a igreja cresce, ou o ministério se expande, freqüentemente o líder passa a conhecer as pessoas num nível ainda mais superficial, com os que estão ao seu redor assumindo o seguinte raciocínio: “Quem sou eu para questionar se a decisão que ele está tomando é a melhor ou não?” O fato é que muitos pastores, em igrejas pequenas, também se sentem isolados e solitários no que se refere à tentação na área sexual.

Já faz alguns anos que estabeleci um sistema de prestação de contas da minha vida a um grupo de reduzido de companheiros. Eles são meus amigos e estamos comprometidos uns com os outros nos “regozijos e sofrimentos”, (I Cor.12:26). Nos abrimos, falando sobre o estado espiritual de nossas vidas. Compartilhamos alegrias, lutas e tentações. Confesso que nem sempre é agradável receber o telefonema de um deles, questionando uma determinada área de minha vida pessoal. Mas é compromisso com Deus e com eles ser aberto, vulnerável e transparente. Afinal, estes indivíduos, dentro do Corpo de Cristo, são instrumentos de cura para a minha própria vida.

Estou absolutamente convencido de que a arma mais eficiente que o inimigo tem em suas mãos é a de manter os cristãos distantes uns dos outros. Quando não prestamos contas da nossa vida a alguém, quando não mais falamos sobre as questões que realmente afligem a nossa alma, passamos a viver a síndrome de ilha, e fatalmente nos tornamos vulneráveis a uma série de mazelas. Tiago estava absolutamente correto quando afirmou: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados.” (Tiago 5:16).

Aprendi há muito tempo atrás, que, para ser vitorioso na vida cristã, não apenas preciso da ação do Espírito Santo, mas também da ajuda dos meus amigos. Preciso, indispensavelmente, do poder do Espírito Santo, mas também da confiança e do amor de alguns irmãos que possam me fazer perguntas difíceis como: - “Nélio, você está investindo tempo em Deus? Como vai a sua vida mental (pureza)?; Tem abusado do seu poder como líder?; Tem andado em obediência a Deus; Tem mentido prá mim, em algumas das perguntas anteriores que lhe fiz?”

Howard Hendricks, há alguns anos atrás, afirmou que, segundo sua observação ao estudar um grande número de líderes que fracassaram moralmente, existem três denominadores comuns, e pelo menos um deles está presente em cada caso estudado:

1) Esses indivíduos não gastavam tempo com Deus
2) Não prestavam contas da sua vida
3) Eles nunca imaginaram que isso poderia acontecer com eles.

Quando me deparei com essa afirmação, confesso, me apavorei. Inicialmente, meu raciocínio foi:


- “Ei! Tenho uma esposa maravilhosa, tenho um bom casamento, amo a Deus, isso nunca poderá acontecer comigo.” Porém, me dei conta de que existem muitos companheiros que amam tanto a Deus como eu, estão servindo a Deus de uma maneira muito mais eficiente do que eu e, ainda assim, em algum tempo, em algum lugar, eles caíram. Ao pensar nisso, acabei me transformando num covarde. Tenho um temor tremendo de uma queda moral e não me envergonho de admitir. E, como fruto desta reflexão, quero lhe dar o terceiro passo prático de como evitar uma química errada.

3 - Considere o exorbitante preço da queda.

Todas as vezes em que me sinto particularmente vulnerável a uma tentação de ordem sexual, começo a “ensaiar” na minha mente quais seriam as conseqüências desta queda. Tenho pensado em algumas delas:

• Ferir o Senhor, que me redimiu, e trazer o Seu nome à lama.
• Ter que um dia olhar na face do Senhor Jesus, o Justo Juiz, e responder pelas minhas ações.
• Seguir os passos daqueles que caíram e tiveram os seus ministérios destruídos.
• Causar uma dor incalculável à Tereza, minha grande amiga e leal companheira.
• Ferir os meus amados filhos Léo, Marcus e Michael.
• Arrasar a minha imagem e credibilidade diante dos meus filhos e anular totalmente meus esforços de ensiná-los a obedecer a Deus (Por que obedecer um homem que nos traiu e à nossa mãe?). Certamente, assim raciocinariam.
• Se a minha cegueira persistir ou minha esposa for incapaz de me perdoar, talvez venha perder minha esposa e filhos para sempre.
• Perder o respeito próprio.
• Adquirir um tipo de culpa terrivelmente difícil de ser anulada (Ainda que Deus me perdoe, eu me perdoaria?).
• Memórias que para sempre permeariam minha mente e que seriam uma constante ameaça na intimidade com minha esposa.
• Perda de anos de investimento em treinamentos e experiências adquiridas ao longo do tempo. Talvez permanentemente.
• Prejudicar consideravelmente o trabalho de outros fiéis homens de Deus na minha cidade.
• Trazer um grande prazer e satisfação a Satanás, o grande inimigo de Deus e de tudo que é bom e puro.
• Dificuldades para sempre com a pessoa que cometi adultério.
• Possíveis conseqüências físicas de doenças venéreas ou mesmo a AIDS. No caso de AIDS, a possibilidade de infectar a minha esposa e ser o causador da sua morte.
• Possibilidade de uma gravidez que resultaria para todo o sempre numa lembrança do meu pecado.

Eu espero que a crua e franqueza demonstrada neste artigo tenha sido de algum benefício a você. Não me foi fácil articular esta matéria e fazer frente a este tópico. Porém, meu compromisso pessoal é o de ser honestos e íntegro na análise de meus erros e acertos.

Estou também perfeitamente consciente de que muitos, lendo este artigo, são imaculadamente inculpáveis na área de fidelidade conjugal. Porém, para aqueles que estão em luta nessa área, deixe-me compartilhar essa analogia: imagine uma pessoa que esteja lutando contra o vicio do jogo. Ela já prometeu a Deus que não irá mais a um Cassino, situado em Campinas, por exemplo. Está dirigindo o seu carro vindo do Rio de Janeiro para São Paulo. Chega a um ponto da estrada que ela vê a indicação de saída para a estrada que a conduzirá a Campinas. Imediata e espontaneamente, ela toma a saída que dá acesso à cidade e passa a circular em frente aos cassinos. Essa pessoa ainda não cometeu o pecado, mas o coração de Deus já está sofrendo com aquela atitude.

Se você está próximo demais de alguém de quem não deveria estar, e sabe que sua resistência está nas últimas, mas, ainda assim, tenta se convencer de que tem o controle da situação, então, por favor, ouça: humilhe-se diante de Deus, ajoelhe-se, fale com o Senhor, confesse o que realmente está se passando com o seu coração.

Deus está pronto para restaurá-lo e, sabemos, é o Senhor que nos convida ao caminho da restauração. Todos nós estamos em meio a uma batalha. Deus está lhe convidando a uma vida bem sucedida. Uma vida bem sucedida não consiste necessariamente em ser pastor de uma grande igreja, escrever livros e ser mencionado na galeria dos famosos líderes da atualidade. A minha definição de vida bem sucedida é a seguinte: Ser bem sucedido é gozar do amor e do respeito daqueles que estão mais próximos de mim.

Todos nós vivemos, quase todo tempo, sob o risco de fazer o que fiz no laboratório do meu ginásio. Vivemos com a constante possibilidade de criarmos uma reação química capaz de explodir nosso casamento, nossa família e nosso ministério. De fato, estamos diante de uma grande batalha. Uma batalha impiedosa e estratégica, que nem mesmo Alexandre ou Napoleão jamais enfrentaram. Temos que, de uma vez por todas, compreender que ninguém pode se preparar para uma batalha que não é conhecida, e muito menos sairmos vitoriosos de uma batalha para a qual jamais nos preparamos.



Nélio DaSilva
Coordenador Nacional - Homens de Valor
Mocidade Para Cristo - Brasil





Como preparar sua igreja para lidar com as demandas de nossos dias? Inscreva-se no Congresso Vida Nova e descubra!

Desde 1962, Edições Vida Nova mantêm a tradição de difundir o conhecimento teológico, equipando a igreja com ferramentas necessárias para o cumprimento de sua missão. O desejo é suprir as necessidades da igreja não apenas através da publicação e veiculação de obras de grandes autores nacionais e internacionais. Ao longo dos anos, outras iniciativas têm sido propostas e disponibilizadas, visando a prover conteúdo para discussão e amadurecimento da teologia no Brasil.

A 8º edição do Congresso de Teologia Vida Nova acontece entre os dias 13 e 16 de março de 2012, no Hotel Majestic, em Águas de Lindoia, São Paulo. E apesar dos meses que ainda faltam para o evento, visando favorecer os participantes, a edições Vida Nova já abriu as inscrições para os interessados em acompanhar os quatro dias de seminários com consagrados teólogos da atualidade.

Os congressistas que pagarem a participação com antecedência, até o dia 30 de novembro deste ano, têm desconto de 5% e ainda poderão pagar em até 10x sem juros no cartão. (Inscrições pelo site: (www.vidanova.com.br/congresso8)

Os Editores de Genizah congratulam Edições Vida Nova pela excelência desta iniciativa e agradecem pela oferta especial concedida aos seus aos seus leitores, como apresentamos a seguir:





Bem-aventurados os mansos



No encontro das Alianças
Com as bem-aventuranças
Falava o Mestre amado
Aos seus e pra multidão
No encontro da Lei com a Graça
Sem gritos nem ameaça
Seu gesto e seu recado
Tratavam de mansidão
E num país subjugado
Aprouve ao Mestre amado
Bem-aventurar os mansos
Porque a terra herdarão
Que terra seria essa?
Que preciosa promessa?
A pátria de seu descanso?
Espécie de céu no chão?

O manso sabe o segredo
De renunciar sem medo
Aos ícones deste mundo
Tão passageiro, tão vão
E nem mesmo o dedo em riste
De um mundo espantado e triste
Assusta por um segundo
O manso em adoração

Pois Cristo, o Senhor de tudo
Igual um Cordeiro mudo
Sem honra seguiu, sem nada,
Pra cruz, nossa salvação
Mas nem essa morte inglória
Barrou a sua vitória
E a Vida ressuscitada
Triunfou em ascenção

E assim o manso caminha
Na fé que o Mestre tinha
Que o amor do Pai tudo encerra
Sob sua bondosa mão
E mansamente se entrega
E a mansidão ele prega
Pois mesmo ao pisar a terra
Seu pé não se prende ao chão


Wolô (23 de setembro de 2009)





(*) Wolodymir Boruszewski (Wolô), Engenheiro Aeronáutico e presbítero da Comunidade de Jesus, São Paulo. Compositor de música cristã, com 4 trabalhos gravados (conheça aqui). 




Crente pra cachorro





Deus, trade mark



Rubinho Pirola


"Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto:
que o poder pertence a Deus."
Sl 62:11


Para mim, nada há mais presunçoso que alguém crer que tem a marca registrada de Deus, com um copyright acoplado ao Seu nome.

Na Igreja de Roma, na católica evangélica (reformada, pentecostal, neo-pentecostal...), ou até entre os não cristãos, vê-se isso.

Fora dai, Ele não fala. É um deus reduzido à boca da criatura, do barro, na linguagem figurada de Jeremias.

Se essa boca humana não falar, Ele não fala. Se, na sua conveniência, a boca quiser falar, então Ele diz algo (até besteiras, muitas vezes). Mas, sem ela, Deus está limitado, calado, mudo.

Gosto e refletir na experiência de Pedro, na casa de Cornélio (até antes de chegar a ela), em Atos 10, em como o apóstolo, assustou-se por descobrir algo que nós, na nossa arrogância temos dificuldade em perceber: Deus fala e age com quem e onde bem entender. E não fica vermelho se na nossa petulância, achamos que Ele não devia fazê-lo.

Um sujeito (ou sujeitinho, segundo a visão preconceituosa do judeuzão cristianizado), um cara que estava "do outro lado", um ímpio, um idólatra, que não podia ter conhecido Deus e a revelação (que chegou a Pedro pelos céus, como afirmou Jesus), nem as suas orações ouvidas por Deus, ou um estilo de vida que agradava os céus e mais: nem a visita de um anjo, como recebera (coisa que muito cristão pagaria todos os dízimos, ofertas e obrigações todas para ver um, com penas e tudo)!

Talvez por isso, nós tenhamos essa vaidade toda em tentar destruir toda a revelação que as pessoas nos dizem ter de Deus para, só depois, apresentá-las o "meu Deus", "o único e verdadeiro Deus".
Queremos destruir primeiro tudo, para só então - se o infeliz concordar (nessa altura, não há ponte de comunicação que resista!) - apresentar-lhe "o nosso Deus" com marca registrada e declaração de posse em nosso nome.

Como afirmou certa vez o meu amigo Caio, mais ou menos assim: "Se quisermos aprisionar o Espírito de Deus, Ele agirá. Na ilegalidade, mas vai agir", é impossível impedirmos Deus de agir e mover-se na vida de quem quer que seja.

Afinal das contas, Deus não é evangélico. Nem católico-romano. Ele é Quem é. O grande Eu sou. E age. E fala. Até através de mulas. Ou de nós!



Rubinho é co-resposável por esta subversão de Genizah.


 



A modernidade e as amplas prateleiras do mercado religioso

Ed René Kivitz

O aspecto mais relevante do novo cenário religioso no Brasil revelado pelas pesquisas recentes é o surgimento de uma nova personagem: o religioso não institucionalizado, que busca uma experiência de espiritualidade não tutelada pelas hierarquias das religiões formalmente organizadas em termos de dogmas, rituais e códigos morais. Vivemos os dias da religião sob medida, montada por consciências individuais que misturam os ingredientes disponíveis nas prateleiras do mercado religioso.

O sociólogo Otto Maduro define religião como “conjunto de discursos e práticas referentes a seres superiores e anteriores ao ambiente natural e social, com os quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação”. As ciências da religião sugerem que as religiões se estruturam com base em dogmas, rituais e tabus, isto é, crenças adotadas como verdades inquestionáveis, celebrações litúrgicas em homenagem e devoção às divindades, e regras de comportamente moral que acarretam benesses ou maldições. A modernidade não conseguiu acabar com a relação de dependência e obrigações, pois o ser humano é essencialmente assustado com a ideia da morte, atormentado pela sua finitude, encurvado pelo peso de uma culpa ancestral, apovarado ante o mistério da imensidão do Cosmos, e perdido em termos de sentido para a existência. Por essa razão, buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante disso que Rudolf Otto chamou de mysterium tremendum, a que damos o nome de Deus.

Mas a modernidade destruiu, sim, a religião como sistema de dogmas, rituais e tabus. O conceito de modernidade nos remete à segunda metade do século XVIII, com a revolução industrial – capitalismo, ciência e técnica, urbanismo, desenvolvimento ilimitado, e a revolução democrática sensível aos direitos humanos, e principalmente ao conceito de indivíduo e ao descobrimento da subjetividade, que afirma a consciência individual acima de qualquer autoridade, e liberta o indivíduo de sua dependência das instituições sociais, inclusive e principalmente religiosas.

Este ideário moderno exige dois outros aspectos da individualidade: a autonomia e a racionalidade. Autonomia – a lei em si mesmo, fala da capacidade do indivíduo agir movido e orientado por sua própria consciência, assumindo, portanto, a responsabilidade pelos seus atos. Implica todo poder normativo subordinado à consciência individual, e conseqüentemente a rejeição de todo poder arbitrário e dogmático, quer seja ele representado por um Estado ou governo, uma ideologia ou religião, ou mesmo uma divindade ou em última instância Deus. O princípio cartesiano “penso, logo existo” explica o Iluminismo como esclarecimento racional, em oposição ao dogmatismo fundamentalista e obscurantista.

O resultado desse processo é que a modernidade, apesar de avanços significativos – o pluralismo ideológico, a abrangência da educação, a superação da superstição e a emancipação da ciência, também significou racionalismo, individualismo, humanismo e secularismo – a religião fora do espaço público e o universo vazio do divino e do sagrado. A modernidade deu origem a “ismos” tão opressivos e escravizadores das consciências e das massas quanto os “ismos” religiosos contra os quais se levantou.

A verdade é que os avanços da ciência, da técnica e da razão, que em tese deveriam construir um mundo melhor, promover a justiça e a paz, e apontar caminhos para a felicidade e a realização existencial do ser humano, de fato fizeram água. O saldo da modernidade é o rompimento com as instituições sociais religiosas e o abandono da pessoa humana à sua própria consciência e à mercê de sua liberdade. Mas ainda carregando no peito as mesmas questões que afligiam nossos antepassados. O vazio do universo implicou também um vazio de sentido (niilismo) e um vazio de critérios morais para ordenação da vida. Essa é uma das compreensões possíveis à denúncia de Fiódor Dostoiévski: “Se Deus não existe tudo é permitido”. Eis porque a experiência religiosa tutelada pelas religiões institucionalizadas se esvaziou, mas a busca pelas dimensões da espiritualidade cresce a olhos vistos.

O rebote da modernidade é a chamada pós modernidade – ou hiper-modernidade, alta modernidade, modernidade tardia, modernidade radicalizada, modernidade líquida, seja lá como quiser chamar. O tempo se encarregou de desmascarar as pretensões da razão humana e fez as vezes dos profetas e sábios místicos que sempre insistiram em afirmar que a realidade é distante e profunda, e que o universo esconde mais mistérios do que é capaz de descernir a “vã filosofia”. O mundo atual se explica mais pelo recrudescimento dos fundamentalismos religiosos do que pela ausência de religião. Em resposta ao relativismo e ao niilismo moderno, a religião ressurge na pós modernidade com uma força avassaladora.

Ainda que afetados por interesses geopolíticos e econômicos, o conflito entre Ocidente e Oriente não pode ser entendido nem terá solução sem uma clara comprensão das forças e implicações do embate entre o Cristianismo e o Islamismo como matrizes de sentido para as civilizações que sustentam. Alguns dos mais relevantes debates contemporâneos, quer sejam científicos, éticos, políticos ou econômicos são travados na arena religiosa: criacionismo versus evolucionismo como teoria a ser ensinada nas escolas, o aborto como questão moral ou de saúde pública, e os direitos civis dos homossexuais e as controvérsias ao redor das leis contra a homofobia, são exemplos recentes de conflitos entre os que acreditam na prosperidade social atrelada ao retorno aos valores religiosos da tradição judaico-cristã contra aqueles que defendem um estado laico e secular.

Assim como em muitos de seus intentos, a modernidade fracassou também em acabar com a religião. A racionalidade científica e o secularismo obviamente não conseguiram provar que Deus não existe, pois Deus não é variável epistemológica, isto é, Deus não é passível de verificação em testes de laboratório. Mas a modernidade conseguiu ainda que temporariamente desferir um duro golpe nos representantes de Deus, notadamente as instituições religiosas e seu clero. A experiência religiosa já não se resume à obediência cega aos dogmas e à hierarquia institucional. A sociedade moderna não abandonou Deus, mas colocou seus intérpretes e seus representantes coletivos sub judice. Deixou de lado as tradições e seus necessários hábitos, costumes e crenças. E partiu para uma viagem pessoal e particular rumo à religião privatizada e a uma experiência de fé à la carte.

As massas decepcionadas com a modernidade e suas promessas voltam a correr para as categorias do sagrado, do transcendente, e do divino. Nos países do chamado terceiro mundo a religião nunca saiu de moda. Conceitos como modernidade e pós modernidade passam longe dos dilemas de quem vive na pobreza e na miséria extrema. Os resultados das últimas pesquisas a respeito do cenário religioso no Brasil indicam que com sua mensagem que enfatiza o poder do Espírito Santo e a interferência de Deus no cotidiano das pessoas, as igrejas evangélicas crescem sem parar. Motivados pela busca de solução para seus problemas pessoais e dificuldades de inserção na sociedade, as massas se convertem à esperança prometida pela religião. As pessoas trocam de religião ou de credo em virtude de questões como desemprego, doenças na família, problemas conjugais, perdas significativas e sofrimento intenso, e também e principalmente a solidão e a necessidade de sentido existencial. Quem não tem para onde correr, corre para Deus. Os que sabem disso e não têm escrúpulos em se aproveitar da fragilidade de quem sofre são protagonistas de um processo nefasto que mantém acesa a fogueira da religião entendida no pior de seus sentidos.

O atual retrato da fé permite a afirmação de que, se é verdade que as instituições religiosas estão abaladas, Deus continua vivo como sempre, e adorado – ou idolatrado – como nunca.


[Publicado originalmente no jornal Valor Econômico, 14 de outubro de 2011]

Divulgação Genizah


Em outras palavras, quem não tem colírio usa óculos escuros...





Duas amigas, um passeio de barco e um encontro fantástico


No início tudo parece apenas um dia adolescente, fotos feitas para um álbum de rede social. Uma aventura de barco a uma pequena ilhota em um dia nublado.

De repente, a natureza surpreende com uma revoada poética, numa dança aérea rara para reles seres urbanos...como eu...





Festival das Maravilhas



Passei mal!




Não sou melhor do que ninguém

 Manoel dC

Reflexões de um peregrino na véspera de seu aniversário.

Não sou melhor do que ninguém. Sou um simples passageiro do tempo, nada mais. Um sobrevivente que luta sofregamente pela vida, “carregando no costado” 53 anos, um pouco mais de meio século de existência. Sinto-me um peregrino a caminho do céu, que se vê muitas vezes, anacrônico, inadequado e perdido no mundo, como no meio de densa tempestade de areia no deserto da vida, me vendo às vezes sem direção, sem norte e sem companhia, mesmo rodeado de gente querida que me estime muito.

Não sou melhor do quer ninguém. Vejo-me como um cristão comum em meio a milhões de outros inconformados, um profeta fora de lugar, um provocador de inquietações, com certa dosagem de subversão para conspirar contra o status quo da religião legalista e contra a injustiça na sociedade enfermiça.

Não sou melhor do que ninguém, por isso minha teologia é inclusiva e graciosa, não contendo o teor triunfalista dos que levantam a bandeira da versão gospel do “corpo fechado”, baseada na hermenêutica capenga que interpreta o “caiam mil ao meu lado, não serei atingido” do salmo 91 como o cristão sendo uma espécie de super-homem inatingível e “os outros” que tropecem e caem no inferno.

Como não sou melhor do que ninguém, minha teologia passa pela Graça Comum que admite que Deus faz nascer o sol sobre justos e injustos, bem como também, por inferência, faz cair a chuva e as nuvens sombrias sobre todos, indistintamente, incluindo a enfermidade, a morte física e toda dor que isso implica.

Não sou melhor do que ninguém
. Assim, sou um cristão que em nada se sente especial em relação aos outros romeiros que vagueiam pelo vale árido que é esse planeta chamado Terra. E caminhando passo a passo ao lado desses milhões de valorosos companheiros de mochila, mesmo dotado de equipamento de segurança e bússola de orientação, ainda sim, posso ser alvejado por meteoritos de dificuldades que me infligem dor, dúvidas, choro e angústia junto com meus outros companheiros de crepúsculo.

Não sou melhor do que ninguém
, por isso, confessando minha vulnerabilidade, e se não fosse a ação libertadora e soberana do Senhor Jesus na minha vida, posso ser contagiado por qualquer um dos milhões de vírus e bactérias invisíveis que permeiam o ar como qualquer outro mortal, e ser acometido por enfermidades as mais variadas, mesmo aquelas que fazem estremecer o corpo e arrepiar a espinha cervical de qualquer um.

Não sou melhor do que ninguém
, e posso ser surpreendido por acidentes nas ruas ou estradas como qualquer um, ser assaltado nas calçadas, passar por qualquer tipo de coerção física ou moral, igualzinho a qualquer pessoa que vive nesse tempo de violência generalizada e receber todas as consequências que resultam de uma cidade socialmente necrosada e o que isso possa acarretar, como cidadão que mora aqui.

Não sou melhor do que ninguém, portanto admito minha limitação cultural, intelectual, espiritual e econômica, que não tenho todas as respostas na ponta da língua, que ainda não tenho casa própria, e que não viajei pelos principais países do mundo e nunca pus os pés na Terra Santa. Não estou vinculado a nenhuma denominação histórica, e não tenho aval de nenhum figurão denominacional que me dê qualquer segurança futura ou garantia de suporte que me venha a ser confortável no presente.

Sinto-me e quero continuar me sentindo como um cidadão comum que dependa exclusivamente da graça de Deus. E quero continuar assim.

Não sou melhor do que ninguém
. Por isso, quero dar passos decididos adiante, tendo uma postura de quem espera a morte inevitável com serena certeza do porvir com Jesus, mantendo a reverência, a esperança e a alegria, antevendo a eclosão do raiar de um novo dia, e a abertura do portal que me transportará para a eternidade para sentar à mesa, na presença de Jesus.

Não sou melhor do que ninguém, e por causa disso, tenho e preciso de pessoas ao meu redor que me amam, me apoiam e me acolhem. Li essa semana um livro de Jo Nesbø que dizia em um diálogo que o problema não é eu me sentir só no mundo, mas não ter ninguém no mundo, que se importe comigo. E amigos verdadeiros que se importam comigo de fato são raros, mas eu os tenho...

E como não sou mesmo melhor do que ninguém, por fim compartilho com meus amigos os meus parcos pertences, o pouco que carrego em minha mochila de peregrino: sementes de grão de mostarda para quem quer conspirar pelo Reino junto comigo, mantas de acolhimento R15, um abrigo no coração, e mantimentos de esperança, força de vontade e fé que nos darão alento renovado e novas forças para continuar a jornada, e avançar mais um pouquinho o Reino, e contando com a ajuda imprescindível do Espírito Santo, junto com meus companheiros de caminhada, prosseguir assim, enquanto Deus nos conservar com vida.




Mano é um queridão e nos honra com a sua amizade. Parabens!




Spray Nova Aliança - o fim da praga dos gafanhotos.


Contra o DEVORADOR, spray vermelho carmesim Nova Aliança. Substituindo o terror e a barganha pelo Amor desde 33 Dc.


Thiago Fonseca é colaborador do Genizah





O que Cristo tem a ver com esse cristianismo...



Levi Bronzeado


O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que, no tempo da igreja primitiva se entregou ao Imperador Constantino em troca de cargos e isenção de impostos -, costume esse, que felizmente para uns e infelizmente para outros, ainda hoje reina?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que, no tempo do imperador Justiniano fomentou perseguições, revoltas e guerras por causa do culto às imagens de esculturas, ─ que ainda hoje, alguns praticam para gáudio de seus próprios “egos”?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que, para cristianizar e escravizar os povos do Ocidente fez do Rei Carlos Magno, seu chefe espiritual ─, cujo ideário ainda se mantém intacto na esdrúxula politicagem atual?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que introduziu as Cruzadas, para em duzentos anos de guerra, praticar roubos e crimes em nome de Deus ─, semelhante a nossa história de D. João VI para cá?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que promovia execuções públicas para concretizar sua intenção de intimidar o povo no tempo das grandes inquisições ─, que de forma escamoteada ainda predomina entre nós?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que fez do judeu convertido Tomás de Torquemada um sanguinário implacável, o qual em defesa da fé jogou dez mil à fogueira. ─ Fogueira essa, hoje, representada pelo submundo dos desvalidos e marginalizados do nosso imenso país?

O que o Cristo tem a ver com esse cristianismo que prendeu e torturou Galileu, só porque ele afirmou, com comprovação científica, que o sol e não a terra, era o centro do nosso sistema planetário ─ fato que ainda hoje faz da ciência a maior inimiga da religião?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo, que no Brasil, a troco de civilização, escravizou os nossos antepassados com um espúrio catecismo imposto a ferro e fogo, e que hoje, com um outro nome (doutrina) ─, faz o mesmo papel?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que reconstruiu os muros da intolerância entre as nações ─, e continua até hoje, através dos massacres ideológicos dos paises de primeiro mundo, contra os de segundo e terceiro mundos?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que restaurou o véu do templo, para ali, tentar falar com Deus sem a intermediação do seu Filho ─, como fazem algumas seitas que não quero revelar os nomes?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que faz propaganda enganosa de curas, diariamente, com horário pré-estabelecido nas emissoras de televisão?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que estimula e exalta os instintos arcaicos dos indivíduos, levando-os, por fim, a uma histeria coletiva grotesca ─, que muitos acreditam ser o mesmo poder que desceu sobre os que estavam reunidos em Jesusalém no dia de Pentecostes ─ acontecimento registrado no livro de Atos dos apóstolos?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que reedita a Sua crucificação ─ ao substituí-Lo por amuletos e réplicas desrespeitosas dos símbolos judaicos, numa heresia nunca vista nos últimos tempos?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que leva multidões de incautos, sem sabedoria, a se reunirem para sessões de quebra de maldições em praça pública ─, invalidando o sacrifício d’Aquele que se fez maldição por nós?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que deturpa o sentido dos versículos bíblicos ─, ao afirmar que, se o crente não possui tudo o que o vil deus Mamon oferece, é porque está em pecado?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que faz da Bíblia o livro mais vendido no mundo ─, para simplesmente ser carregada por muitos, em procissões, como imagem de escultura?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que prega e “emprega” ─, mas evita ao máximo, que as almas se disponham a comprovar através do estudo, se o que se alardeia é correto ─ como fizeram os de Beréia?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo que divide os crentes em duas classes ─ os de primeira classe são os que têm o dom de glossolalia, e os de segunda classe são aqueles comedidos que só falam o seu idioma pátrio?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo, que de forma engenhosa e sutil, continua nos nossos dias iludindo a muitos ─ com seu discurso hedonista, recheado de atraentes guloseimas que empanturram o corpo e enfraquecem o espírito?

O que Cristo tem a ver com esse cristianismo de pífios espetáculos e práticas escandalosas, cujos líderes promovem disputas engalfinhadas para se apoderar do farto comércio do “butim gospel”?


NA REALIDADE, MEU IRMÃO, CRISTO NÃO TEM NADA A VER COM ESSE SIMULACRO DE CRISTIANISMO, QUE VEM SENDO DIFUNDIDO DESDE OS TEMPOS MAIS REMOTOS ─ PELOS QUATRO CANTOS DA TERRA.





Ensaio por: Levi B. Santos
Guarabira, 11 de março de 2009
Título Original - Que cristianismo é este meu irmão?



Uma história de fé e traição


Bráulia Ribeiro

Estou freqüentando uma igreja bem antiga na cidade de Kailua onde moro. A igreja foi a primeira fundada em 1820 pelos primeiros missionários. A história de missões nas ilhas Sandwich, como o Havaí era conhecido na época, é uma daquelas que nos maravilha e horroriza ao mesmo tempo. Maravilha porque nos faz perceber como a eternidade se sincroniza com a história humana de maneira precisa e extraordinária. Horroriza porque mostra o quanto nós humanos somos capazes de corromper os planos tão perfeitos de Deus.

Antes da chegada dos ingleses o povo nativo viva massacrado debaixo de um sistema de castas parecido com o da Índia. As linhagens nobres e sacerdotais oprimiam o povo com um código religioso que punia qualquer infração por mínima que fosse com a morte. Pessoas eram jogadas aos tubarões ou no vulcão. O sistema de kapu punição da quebra da lei com sacrifícios humanos, não é original daqui. Foi trazido por navegantes Taitianos alguns séculos antes da chegada dos missionários. No século XIX o rei Kamehameha conseguiu através de muito derramamento de sangue estender seu reinado para todas a ilhas. Quando finalmente reinou a paz a esposa favorita de Kamehameha, Rainha Kahumano cochichou em seu ouvido:

- Querido, é tempo de acabarmos com o kapu e dar paz ao povo.

O rei concordou e o povo havaiano fez uma coisa reconhecida como inédita pelos antropólogos. Eles eliminaram a própria religião. Não mais kapu, não mais sacrifícios humanos à deusa Pele, que é a lava do vulcão ou aos outros deuses. O estranho é que não substituíram o kapu com nada. Não conheciam mais nada. Haviam lendas no entanto que falavam de uma caixa preta que um dia seria entregue ao rei. Esta caixa iria conter a revelação que seria seguida pelo povo havaiano. Em 1820 os primeiros missionários aportam na baía de Kailua na Big Island. Eles ancoraram exatamente onde antes estava erigido um dos altares em que pessoas eram sacrificadas.

Felizes os missionários saltaram do barco com um novidade. Uma bíblia já traduzida na língua havaina. O trabalho havia sido feito por um havaiano que anos antes escapou da morte fugindo do kapu num barco inglês. Este havaiano era o jovem Henry Opukaha’ ia.

Henry com a idade de 16 anos embarcou num navio que o levou ao redor do mundo até aportar em Nova York. Henry era inteligente e apesar de amar seu povo sonhou com uma terra melhor durante as perseguições implacáveis do Kapu. De Nova York Henry foi morar com o capitão do navio em Connecticut. Com sua família aprendeu um pouco de inglês, aprendeu a ler e começou a conhecer o Deus cristão se tornou uma maravilhosa alternativa pra terrível religião da ilha. Por alguns meses Henry trabalhou como empregado itinerante em fazendas ainda falando um inglês rudimentar mas com uma sede imensa de conhecer mais.

Até que um dia se viu na escadaria da universidade de Yale em New Haven. Ali ele entendendo que aquele era um local de ensino, chorou pensando em como seria bom estudar mais para poder voltar e ajudar seu povo. Um outro jovem passava por ali no momento e o viu chorar. Era o filho presidente da faculdade e quando ouviu a história de Henry o levou a seu pai que terminou por adotá-lo.

Henry então se tornou o primeiro havaiano a se tornar doutor em línguas, a descrever a gramática da língua e compor um dicionário. E por causa da influência de fé que recebeu das famílias americanas se tornou um apaixonado tradutor da Bíblia. Seu sonho era voltar ao Hawaii com a bíblia traduzida. Infelizmente Henry contraiu uma febre tifóide e morreu em 1818 aos 26 anos de idade.

Depois de sua morte as memórias escritas por Opokaha’ia se tornam um pequeno bestseller entre jovens cristãos. Um grupo de 14 jovens inspirados por ele se dedicam a missões e embarcam para o Havaí. Em 1820 eles aportam pela primeira vez na maior ilha do arquipélago, bem no lugar onde um ano antes o rei Kamehaha havia destruído um dos templos onde se realizava o sacrifício humano.
Os missionários desembarcaram com uma caixa preta nas mãos. Era a bíblia em havaiano traduzida pro Opukaha’ia. O tempo de Deus não podia ser mais perfeito. O povo estava pronto para receber a Palavra e em poucos anos todas as ilhas abraçam o novo Deus que ama e que dá um cordeiro em substituição ao sacrifício humano. Um dos maiores avivamentos da história varre as ilhas. Quase toda a população adulta aprende a ler, e um terço da população se torna cristã.

Quem dera que a história terminasse assim. Não termina. Uma geração passa, depois a outra. Os netos dos missionários muitos deles criados nas ilhas completam os estudos, mas voltam para fazer negócios. O Havaí passa a ser um grande produtor de açúcar e muitas da fazendas pertenciam a eles.

A história daí em diante se transforma numa destas a que já estamos acostumados. O Havaí naquele tempo era um reino governado por uma jovem rainha chamada Lili’uokalani. A corrupção e sede de poder toma dos negociantes e eles formam uma sociedade secreta para trair a rainha e subjugar o reino. Se auto denominam o Clube dos Meninos Missionários. Por serem brancos recebem o apoio do governo americano para a traição que planejam contra a rainha. Apesar da grande inferioridade numérica, eram 400 brancos e mais de 40 mil havaianos, a ameaça do exército da grande potência intimida a rainha que acaba entregando o reino para evitar um banho de sangue.

Os havaianos hoje são minoria na sua própria terra. No governo Bill Clinton os Estados Unidos se desculparam pela traição perpetrada contra a nação. Mas e daí? Oramos hoje por um novo Clube de Meninos Missionários que restaure o mal que foi feito contra este povo.

Fica a pergunta, como os heróis missionários geraram netos que que foram capazes de cometer uma traição tão grande contra um povo que deveriam amar? Como os valores familiares se deterioraram tanto a ponto de justificar o roubo de um país? Como Mamon substituiu o Cristo do sacrifício? Não sei. Só sei que temo por meus filhos, e netos.



Bráulia Inês Ribeiro é colaboradora do Genizah, pois subversiva ela já é desde criança! 
Bráulia também tem um blog na Revista Ultimato: Conheça! 




Darlene Zschech no sorteio Genizah - @SonyMusicGospel



Mais um sucesso do casting internacional da Sony no sorteio do Genizah. Desta vez a Sony Gospel nos oferece dois (2) exemplares do último álbum Darlene Zschech “You Are Love” - CD solo de Darlene, mais conhecida por fazer do Hillsong. Este álbum tem tudo para agradar os fãs. É um trabalho mais intimista e foi feito com muita dedicação de Darlene. O objetivo não é fazer algo próprio. Eu sou um mordomo do dom que está na minha vida. Minha experiência de conhecer o Pai vai sair em tudo o que faço. Eu não sinto que tenho de prová-la ou explicá-lo demasiado. Eu só tenho que sair e falar para as pessoas , fazê-las cantar e adorar junto comigo. E com a graça de Deus, eu vou fazer o meu melhor”, disse a cantora. A seguir o clip da faixa Worthy Is The Lamb:






Vai ficar de fora? 


Serão dois sorteados.

E os CDs serão entregues em sua casa, sem despesas, pela SONY!

Para participar basta CURTIR a página do Genizah no FACEBOOK e se cadastrar no link da promoção. 


O Sorteio e o cadastramento serão feitos pelo sistema SORTEIE-me. Não tem treta! Sorteio aleatório powered by Randon.ORG! Não esqueça de CURTIR a página!


Clique no link abaixo para participar:



Se você já curte a página do Genizah, (continue seguindo que esta página é uma bença e há sorteios todas as semanas), basta visitá-la e se cadastrar na aba de promoções:

 


A promoção se encerra na próxima segunda-feira, dia 07 de novembro de 2011, quando será realizado o sorteio. A divulgação dos contemplados será feita neste post e na página do Genizah no Facebook.


ENCERRADO



LINK DO SORTEIO

http://sorteie.me/fb/4lJ

CONTEMPLADOS

  1. Patricia Amorim Bispo
  2. Thiago Gonçalves









Carol Celico se arrepende de ter adorado o deus mauricinho da Renascer



Em 2009 Genizah publicou uma matéria que repercutiu bastante e foi motivo de críticas pesadas dos fiéis da Renascer ao site.

Seguindo a linha do Genizah, a matéria tinha o título sarcástico: A "pastora" patricinha de um "deus" mauricinho!

Tratava-se de Carol Celico, a esposa do jogador Kaká, então recém-nomeada pastora, em ato tresloucado do casal Hernandes no esforço de manter sob seu controle o jovem casal, o maior ativo de promoção da claudicante organização religioso-financeira-criminosa.

Entre dezenas de bobagens teológicas, causando horror aos evangélicos tradicionais, incluindo altas doses de legalismo e os pilares do triunfalismo da confissão positiva, a então ingênua Celico fez afirmações sobre o contrato milionário de seu marido com o Real Madri dando a este a conotação de um milagre Deus, o que acabou provocando a revolta em muitas pessoas. Ela disse algo do tipo: Deus desviou os recursos da economia, alimentando a crise mundial de 2008-2009, e deu dinheiro ao Real Madrid para contratar seu marido - um tipo de redistribuição de renda pra lá de heterodoxa.

 Em recente entrevista, Carol Celico lamentou ter dado estas declarações:

“Me arrependo profundamente dessa declaração. Escutei de uma pessoa e repeti”, disse.

Leia a matéria a assista ao vídeo aqui: A "pastora" patricinha de um "deus" mauricinho!

 Há alguns meses o casal rompeu com a Renascer e, novamente, fizemos uma matéria bem humorada sobre o assunto:


De uns tempos para cá, Celico andou se envolvendo com alguns projetos de conotação espiritual em DVD e, dizem as boas línguas, pretende lançar um livro. Não duvido nada. Toda esta especulação e plantação de matérias a seu respeito, em especial relativamente a sua “reabilitação”, digamos assim, da forma como tem sido feita, tem cheiro e rastro de assessoria de imprensa... Mas isto é outro assunto, despertando mais o interesse entre as figuras carimbadas do nosso mercado editorial.

O fato é que Carol Celico quebrou o silêncio e falou da saída do casal da Igreja Renascer, em recente entrevista à revista Istoé. A ex-pastora afirmou que cresceu e aprendeu com os erros cometidos: “Não penso mais como aquela Carol, mais imatura, influenciável. Quero seguir o meu caminho com as minhas próprias pernas. Esse foi o motivo pelo qual saí da Renascer”.

Carol também falou de sua relação com sua mãe, Rosângela Lyra, católica, com quem teve sérios atritos durante sua estada na Renascer.

Ela quis me proteger da Renascer. Tentou me afastar da igreja, mas sempre que ela tentava, eu entrava mais e mais. Cheguei a jogar fora as coisas dela de santo, a quebrar uma pulseirinha. Me envolvi completamente, fui fanática”, revelou.

Foi um baque perceber que estava querendo agradar mais a pessoas do que a Deus. Olhando as atitudes dos meus líderes, percebi situações em que a palavra não condizia com a atitude. Na igreja, eu era superheroína da fé, superpastora, mas chegava em casa tratava mal a pessoa que trabalhava para mim”, afirmou Carol.