A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deste ano terá um trio elétrico da
Igreja Anglicana do Brasil. É a primeira vez que uma igreja participa
oficialmente do evento, que ocorrerá no próximo dia 26, um domingo.
Beltrame é leigo P. S. Trindade
A expectativa dos organizadores da 15ª versão da parada é de que 3,1
milhões de pessoas percorram a avenida Paulista, no maior evento do
mundo desse tipo.
O tema deste ano faz referência a uma citação bíblica: “Amai-vos uns aos
outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01”. Trata-se de
uma lei paulista que pune a discriminação a homossexuais.
Ester Lisboa, que cuida da participação da igreja na parada, disse que o
nome do trio elétrico provavelmente será “O amor lança fora todo o
medo”. Afirmou que o veículo será acompanhado por cerca de 200 pessoas,
entre as quais, além de anglicanos, protestantes, anglicanos,
metodistas e luteranos. Ideraldo Beltrame, presidente da Parada, é
anglicano, sociólogo e Doutor em Saúde Pública. Ministro Leigo da Paróquia da Santíssima Trindade – São Paulo/SP. Membro de INERELA - um movimento global de líderes religiosos vivendo e convivendo com HIV/Aids.
Missionária Lanna Holder e Pastora Rosania Rocha Inauguram a Comunidade Cristã Cidade de Refúgio em São Paulo: A primeira igreja brasileira dirigida por um casal de lésbicas e orientada para o público LGBT
Lanna Holder e a sua companheira Rosania Rocha vivem juntas, como casal, desde que Lanna Holder assumiu (novamente) a sua homossexualidade desfazendo, mais uma vez o seu testemunho.
Lanna Holder foi o meteoro pentecostal do final da década de 90 e início dos anos 2.000. Surge oferecendo um testemunho de ex-drogada, ex-lésbica e outros exs que juntamente com o seu carisma foram o sucesso dos Gideões de Camboriu. “Com apenas 12 anos de idade conheci o lesbianismo. Aos 17, fui a uma boate gay e tive a minha primeira intimidade sexual com mulher. Logo depois desse acontecimento, saí de casa para morar com uma mulher 12 anos mais velha do que eu”
“Foi no dia 12 de dezembro de 1995, aos meus 21 anos. Larguei todas as minhas práticas imediatamente. Pedi à minha mãe, que ligasse para a minha ex-companheira e avisasse que eu não iria mais voltar, pois havia me convertido. Milagrosamente o álcool, as drogas e o homossexualismo ficaram para trás.
Em 2002, o escândalo. As notícias davam conta de que Lanna se envolvera com a dirigente do louvor da World Revival Church – Assembléia de Deus de Boston, nos Estados Unidos, e estava mantendo um relacionamento homossexual. O incidente caiu como uma bomba e se transformou em um choque para muita gente, sobretudo as multidões que lotavam os eventos onde ela pregava e consumia vorazmente as fitas e vídeos com suas mensagens. Lanna Holder é acusada de continuar mantendo as suas práticas homossexuais o que culmina na confissão. O resultado foi o fim de seu casamento com missionário Samuel Davi de Souza.
Segundo matéria da revista Eclésia:
A bem da verdade, o caso homossexual era uma recaída. Lanna tornou-se famosa no Brasil e no exterior graças ao seu testemunho de conversão, que incluía, justamente, a libertação de uma vida promíscua, marcada pelo uso de drogas e pelo lesbianismo. Porém, àquela altura, a falta de informações gerou uma profusão de boatos. Ferida e com o ministério destruído, Lanna admitiu a queda e sumiu dos holofotes e dos púlpitos. Seu nome virou assunto das rodinhas de porta de igreja depois dos cultos. Abandonada pelos que a incensavam – inclusive, boa parte da imprensa evangélica, que depois do ocorrido deixou seus leitores sem notícias –, ela foi entrevistada por ECLÉSIA em janeiro de 2003 e abriu o jogo, falando do caso, das dificuldades financeiras devido à interrupção das ofertas, da insatisfação conjugal e da hipocrisia de muitos pastores.
Passados seis anos de silêncio, Lanna Holder está de volta. Desde meados de 2007, ela já havia retomado as pregações nos Estados Unidos e, nos meses de setembro, outubro e novembro, esteve ministrando na Europa e no Brasil, ocasião em que recebeu novamente a reportagem de ECLÉSIA. Lembrou os problemas do passado, como a loucura de ter que pregar quase todo dia para manter a viabilidade financeira do ministério e atender aos interesses das lideranças que lhe franqueavam o púlpito. Admitiu novamente o caso homossexual que durou cinco meses e pôs tudo a perder – embora, como faz questão de dizer, tenha sido aconselhada por diversos pastores a manter o bico fechado e continuar seu trabalho nas igrejas como se nada tivesse acontecido. “Disseram que seria muita burrice minha admitir tudo”, lembra.
Ela garante que, dos tempos dourados, nada lhe restou. O casamento com o também missionário Samuel Davi de Souza acabou. O dinheiro também. Sobraram apenas dívidas. E muitas. Lanna conta que sua prioridade passou a ser o sustento do filho, Samuel David Holder de Souza, e o acerto com os credores. Diferente do que foi dito na época, que ela teria fugido do Brasil por causa das dívidas, garante que nunca foi esse seu pensamento ao fixar residência nos Estados Unidos. “Mas não tinha clima para ficar aqui. Além do mais, lá, ganharia mais”, explica. Trabalhou durante um bom tempo com o que aparecia: limpeza, entrega de pizza, serviços administrativos, pintura de paredes. Lanna Garante que já acertou quase tudo com os credores.
Em busca do anonimato, a princípio ela decidiu não freqüentar mais igrejas brasileiras nos Estados Unidos. Ia a cultos de americanos para não ser reconhecida e para evitar “profetas” que lhe apontavam o dedo e falavam que Deus ia matá-la ou levaria seu filho como uma espécie de castigo pelo pecado cometido. Mas era preciso lutar contra os desejos, que, reconhece, teimavam em lhe assaltar. Chegou a participar de reuniões de cura interior e quebra de maldições, mas a inclinação homossexual continuava latente. Conseguiu vencer os desejos aos poucos, principalmente graças ao apoio da pastora Márcia Cunha e do pessoal da Igreja Batista Emanuel, que foram bombardeados por terem acolhido Lanna. “Disseram que era uma igreja de gays porque estavam me ajudando”, diz ela.
A bem da verdade, o caso homossexual era uma recaída. Lanna tornou-se famosa no Brasil e no exterior graças ao seu testemunho de conversão, que incluía, justamente, a libertação de uma vida promíscua, marcada pelo uso de drogas e pelo lesbianismo. Porém, àquela altura, a falta de informações gerou uma profusão de boatos. Ferida e com o ministério destruído, Lanna admitiu a queda e sumiu dos holofotes e dos púlpitos. Seu nome virou assunto das rodinhas de porta de igreja depois dos cultos. Abandonada pelos que a incensavam – inclusive, boa parte da imprensa evangélica, que depois do ocorrido deixou seus leitores sem notícias –, ela foi entrevistada por ECLÉSIA em janeiro de 2003 e abriu o jogo, falando do caso, das dificuldades financeiras devido à interrupção das ofertas, da insatisfação conjugal e da hipocrisia de muitos pastores.
Passados seis anos de silêncio, Lanna Holder está de volta. Desde meados de 2007, ela já havia retomado as pregações nos Estados Unidos e, nos meses de setembro, outubro e novembro, esteve ministrando na Europa e no Brasil, ocasião em que recebeu novamente a reportagem de ECLÉSIA. Lembrou os problemas do passado, como a loucura de ter que pregar quase todo dia para manter a viabilidade financeira do ministério e atender aos interesses das lideranças que lhe franqueavam o púlpito. Admitiu novamente o caso homossexual que durou cinco meses e pôs tudo a perder – embora, como faz questão de dizer, tenha sido aconselhada por diversos pastores a manter o bico fechado e continuar seu trabalho nas igrejas como se nada tivesse acontecido. “Disseram que seria muita burrice minha admitir tudo”, lembra.
Ela garante que, dos tempos dourados, nada lhe restou. O casamento com o também missionário Samuel Davi de Souza acabou. O dinheiro também. Sobraram apenas dívidas. E muitas. Lanna conta que sua prioridade passou a ser o sustento do filho, Samuel David Holder de Souza, e o acerto com os credores. Diferente do que foi dito na época, que ela teria fugido do Brasil por causa das dívidas, garante que nunca foi esse seu pensamento ao fixar residência nos Estados Unidos. “Mas não tinha clima para ficar aqui. Além do mais, lá, ganharia mais”, explica. Trabalhou durante um bom tempo com o que aparecia: limpeza, entrega de pizza, serviços administrativos, pintura de paredes. Lanna Garante que já acertou quase tudo com os credores.
Em busca do anonimato, a princípio ela decidiu não freqüentar mais igrejas brasileiras nos Estados Unidos. Ia a cultos de americanos para não ser reconhecida e para evitar “profetas” que lhe apontavam o dedo e falavam que Deus ia matá-la ou levaria seu filho como uma espécie de castigo pelo pecado cometido. Mas era preciso lutar contra os desejos, que, reconhece, teimavam em lhe assaltar. Chegou a participar de reuniões de cura interior e quebra de maldições, mas a inclinação homossexual continuava latente. Conseguiu vencer os desejos aos poucos, principalmente graças ao apoio da pastora Márcia Cunha e do pessoal da Igreja Batista Emanuel, que foram bombardeados por terem acolhido Lanna. “Disseram que era uma igreja de gays porque estavam me ajudando”, diz ela.
A segunda volta
Em 2007, a missionária ensaia um retorno aos púlpitos: “Sei que pequei. Não me orgulho disto e estou trabalhando minha restauração com Deus”, desabafou. Lanna colocou no ar um site dedicado ao seu recomeço ministerial e passou a comercializar DVDs com suas velhas mensagens e outras novas. Sabe-se que a missionária andou recebendo o apoio de diversos assembleianos ligados aos Gideões de Camboriu e foram abertas portas para que voltasse a pregar em certo císrculo restrito de alguns ministérios da AD. Chegou, inclusive a receber uma carta de recomendação de um ministério, antes ligado à AD, o que lhe ajudou a abrir portas - veja ao lado. Contudo, o retorno não foi capaz de lhe encher a agenda.
No início de 2010 Lanna Holder concede entrevista para um site LGBT, dando conta de sua opção, sem que o fato, contudo, tenha gerado grande repercussão no meio evangélico. Ao que parece, para a maioria, Lanna Holder seguia enterrada no passado.
A companheira assume
Cantora e pastora Rosânia em entrevista a site gay
O interesse ressurge com a entrevista de Rosânia Rocha, agora sua companheira assumida. A cantora e pastora Rosânia Rocha concede entrevista para o site LGBT cristão – Ex-hetero, onde assume sua união com Lanna e a sua opção sexual.
A seguir um trecho da entrevista:
Imagem do Facebook de Rosânia
Blog Ex Hetero:Como foi que sua família e amigos reagiram quando souberam de sua sexualidade? Como eles te tratam hoje? Você precisou de apoio psicológico nesse processo?
Rosania Rocha:Os que eram meus amigos mesmo ficaram do meu lado (risos), quanto a minha família, sempre respeitamos uns aos outros, nunca fomos de muito grude (risos) sempre fomos diretos no que pensamos e ninguém entra na vida do outro... cada um reagiu como lhe devia. Me tratam normalmente, e estamos juntos sempre que podemos. Quanto a apoio psicológico, eu sempre tive pé no chão , eu sempre me achei muito pronta para ser verdadeira não só neste assunto mas em tudo que me rodeia... tipo assim, fui lidando com tudo naturalmente sem culpar ninguém, nem a mim mesma... sabia que não era por ai.
Como foi enfrentar a comunidade evangélica após o escândalo que envolveu você e uma grande pregadora do meio gospel. Houve ajuda ou rejeição? Alguém te estendeu apoio? Quem?
Isto sim foi difícil, porque eu amava aquele ministério do qual eu era membra a dez anos... construi junto aquela história e amava aquelas pessoas todas... fui rejeitada sim , claro é de praxe né? O ser humano se acha no direito de julgar e achar que sabe tudo! Mas recebi de pessoas que nunca imaginava , nem conhecia, apoio e isto foi o suficiente naquela época! Mas apoio mesmo, tive do meu irmão mais velho, ele foi naquele momento o único que lutou por mim, no sentindo de que eu me encontrava totalmente sem chão, ele foi meu amigo meu pai, meu irmão. E comprou minha briga que na época não foi pequena , mas isto é outra história! :)
Rosânia em ensaio fotográfico para o DVD
Você chegou a se submeter a algum tratamento de reversão sexual? Em algum desses movimentos de “libertação para gays” como a Exodus Internacional, que é bastante popular nos EUA, ou algum similar? Se sim, como foi essa experiência e como passou por ela?
Sim, (risos) eu tentei de tudo para sentir aceitação e paz novamente e por isso busquei os tratamentos que me “curassem” ou me “libertassem” seja qual fosse a suposta solução! Queria que me olhassem como antes, pois na minha mente eu era a Rosania de sempre, lutadora, verdadeira, amiga, falha, todavia eu mesma! Tentei a cura interior, regressão, quebra de maldição, desligamento de alma, quebra de vínculo e o que podia me ser oferecido como solução, afinal eu fiquei a mercê de tudo, uma vez que me vi sozinha e não entedia nada sobre isto mas queria ser o que esperavam de mim. O que fez a diferença naquele momento foi eu sempre ter muita intimidade com Deus, o que me era indispensável desde pequena. E foi na lembrança do que havia vivido que naquele momento em meio a tudo aquilo eu me permitir ser conduzida por Ele, por entender que somente Deus tem o poder de efetuar em minha sua vontade. Assim fui aprendendo, crendo que se Ele quisesse o faria, principalmente ao enxergar em mim o anseio de agradá-Lo.
Como e quando você ampliou sua visão espiritual para a teologia inclusiva? Foi difícil esse processo? Precisou quebrar seus próprios tabus e preconceitos?
Foi um processo diário que gradativamente ampliou-se através de cada experiência diária e continua.
Não vejo diferença no cristão, o CRENTE EM JESUS é crente e pronto! E no mais a mais, no que eu acredito não mudou nada ,continua sendo o mesmo JESUS que salva , liberta e leva para o céu sem fazer acepção de pessoas, acolhe a todos que vem ate Ele e eu tenho sua GRACA que é abundante sobre mim! Sem dúvidas o processo foi dia a dia, mesmo porque nunca fui preconceituosa, mas quanto a tabus, sim aqueles que vc nem entende direito, mas esta lá só porque todo mundo vê, sabe como? Porém no momento de reagir, eu soube em Deus encontrar o caminho sem desesperar e isso eu sei é uma jornada constante!Somos todos inacabados e sempre no processo de aprendizado e crescimento.
Tio Chico e o "não caso" com a Xuxa
Não sabemos se por coincidência ou armação de assessoria de imprensa, nos últimos meses, a missionária Holder, até então sumida da imprensa, ressurge com declaração negando as acusações do pastor (?) Francisco (ex-bruxo Tio Chico) de que teria sido amante da apresentadora XUXA:
Julgo o que seria, caso eu houvesse falecido no acidente de carro que sofri há um ano atrás? Se em vida ele tem ousado dizer que eu tive um caso com a Xuxa, o que não diria para acrescentar sensacionalismo falso à minha história? Assim venho por meio desta nota, desmentir o testemunho do Pastor Francisco (se é que o posso chamar assim!), ao qual foi por mim procurado há cerca de três meses atrás para esclarecimentos, porém o mesmo negou com veemência que tenha feito tal afirmativa.
Minha tristeza é saber que ele esteja usando de acontecimentos do passado (meados de 1999 a 2000), quando esteve na época pregando na igreja do meu ex-sogro e hospedado por um dia n meu apartamento em Guarulhos, para abusar com maldade do ocorrido, alegando que na ocasião eu tenha lhe dito que tive um envolvimento com a Xuxa!
A nova comunidade
Nesta esteira de notícias, artificial ou não, surge a promoção da inauguração da comunidade evangélica dirigida por lésbicas. A comunidade foi inaugurada neste primeiro final de semana de junho com grande público. Abaixo, o vídeo–convite disponível no site da Cidade de Refúgio. Uma comunidade cristã inclusiva localizada na Avenida São João, 1600 - Centro, São Paulo.
Além da Cidade de Refúgio também será inaugurada a ong Mãos em Ação que pretende estender as mãos a todos quanto sofrem ou sofreram todo tipo de trauma de ordem psíquica, física ou mental e emocional de cunho homofóbico.
Entre outras declarações constantes no site (http://www.jesuscidadederefugio.com/ ), as fundadoras apresentam o propósito da Cidade de Refúgio:
A CIDADE DE REFÚGIO está pronta, chegamos ao fim das reformas e das obras, os projetos que foram gerados no coração de Deus, nasceram em nossos corações, e em tempo hábil para dizermos que foi um fruto concebido sob circunstâncias sobrenaturais. Alguns de nós passaram anos gerando, gerando sonhos e enquanto gerávamos podíamos sentir a alegria de romper a esterilidade, as impossibilidades de uma lei severa e desprovida de misericórdia, que trazia consigo os maus presságios de um futuro sem esperança e uma eternidade sem GRAÇA!
Este fim de reforma extrai agora de todos nós envolvidos o urgente anseio de começar a reformar VIDAS! Fomos concebidos sob essa expectativa e não vacilaremos em prosseguir para o ALVO que nos está proposto pelos céus, sob todos os aspectos e circunstâncias nascemos sob a irrefutável convicção de que este propósito é inegociável.
Não nascemos com a perspectiva de levantarmos uma bandeira, mas com a missão de termos a Ele como a nossa única bandeira. Uma igreja que ama a todos e não exclui a ninguém, que anseia ser UM LUGAR AOS ESCOLHIDOS, pela convicção de que Deus não faz acepção de pessoas.
[...]
Que nasça a CIDADE DE REFÚGIO, e que venham os outros REFÚGIOS, afinal na chegada de cada um deles damos a luz aos nossos sonhos, rompemos as impossibilidades e a esterilidade. Que este ano seja o ano dos que insistiram em sonhar, e que as lagrimas da perseverança hoje sirvam pra regar os RAMOS NOVOS.
Nele em quem damos frutos!
Lanna Holder e Rosania Rocha
Abaixo, o vídeo-convite feito por Lanna Holder para a inauguração de sua igreja:
Genizah entrou em contato com a missionária Lanna Holder afim de obter uma entrevista. Quem atendeu o telefone foi a Pastora Rosânia Rocha que nos passou a Lanna Holder. Lanna afirma estar preparada para a salva de críticas, mas nos promete a entrevista para breve. Confirma o relacionamento estável com a pastora Rosânia e informa que o culto inaugural foi um sucesso.
Seguem trechos da entrevista com Lanna Holder publicada na revista Eclésia de janeiro de 2009 feita após a sua segunda recaida e nova retomada. Ou seja, atual re-re-re-caída já é rotina. E sua atual companheira é a mesma Pastora Rosania que a mesma conheceu nos Estados Unidos, esta por sua vez, casada na época.
A volta, depois da queda
Marcos Stefano
Jornalista da revista Eclésia
A missionária Lanna Holder, afastada do ministério de pregadora itinerante por um escândalo homossexual, está de volta aos púlpitos e se considera restaurada pelo Senhor
Ela garante que, dos tempos dourados, nada lhe restou. O casamento com o também missionário Samuel Davi de Souza acabou. O dinheiro também. Sobraram apenas dívidas. E muitas. Lanna conta que sua prioridade passou a ser o sustento do filho, Samuel David Holder de Souza, e o acerto com os credores. Diferente do que foi dito na época, que ela teria fugido do Brasil por causa das dívidas, garante que nunca foi esse seu pensamento ao fixar residência nos Estados Unidos. “Mas não tinha clima para ficar aqui. Além do mais, lá, ganharia mais”, explica. Trabalhou durante um bom tempo com o que aparecia: limpeza, entrega de pizza, serviços administrativos, pintura de paredes. Lanna Garante que já acertou quase tudo com os credores.
Em busca do anonimato, a princípio ela decidiu não freqüentar mais igrejas brasileiras nos Estados Unidos. Ia a cultos de americanos para não ser reconhecida e para evitar “profetas” que lhe apontavam o dedo e falavam que Deus ia matá-la ou levaria seu filho como uma espécie de castigo pelo pecado cometido. Mas era preciso lutar contra os desejos, que, reconhece, teimavam em lhe assaltar. Chegou a participar de reuniões de cura interior e quebra de maldições, mas a inclinação homossexual continuava latente. Conseguiu vencer os desejos aos poucos, principalmente graças ao apoio da pastora Márcia Cunha e do pessoal da Igreja Batista Emanuel, que foram bombardeados por terem acolhido Lanna. “Disseram que era uma igreja de gays porque estavam me ajudando”, diz ela.
Lanna Holder diz que havia decidido não pregar mais. Manteve a decisão até 28 de julho de 2006, quando um acidente de carro quase lhe tirou a vida. Passou 42 dias internada e sofreu nove cirurgias. Entre os muitos ferimentos, teve o peito esmagado, perfurações nos pulmões e no fígado e hemorragias internas causadas pela fratura das costelas, além de um trauma cardíaco. O coração passou a funcionar com apenas 20% da capacidade. A previsão dos médicos não era nada boa: no mínimo, ela precisaria colocar um marca passo. Naquele momento, conta, percebeu que Deus queria chamar sua atenção. “Falei com o Senhor que faria sua vontade, e não a minha. E pedi que, caso fosse do seu agrado que eu voltasse a pregar, que meu coração se recuperasse e eu não precisasse passar pela operação. Em quatro meses, o coração estava perfeito”, conta a missionária.
A bem da verdade, o caso homossexual era uma recaída. Lanna tornou-se famosa no Brasil e no exterior graças ao seu testemunho de conversão, que incluía, justamente, a libertação de uma vida promíscua, marcada pelo uso de drogas e pelo lesbianismo. Porém, àquela altura, a falta de informações gerou uma profusão de boatos. Ferida e com o ministério destruído, Lanna admitiu a queda e sumiu dos holofotes e dos púlpitos. Seu nome virou assunto das rodinhas de porta de igreja depois dos cultos. Abandonada pelos que a incensavam – inclusive, boa parte da imprensa evangélica, que depois do ocorrido deixou seus leitores sem notícias –, ela foi entrevistada por ECLÉSIA em janeiro de 2003 e abriu o jogo, falando do caso, das dificuldades financeiras devido à interrupção das ofertas, da insatisfação conjugal e da hipocrisia de muitos pastores.
Passados seis anos de silêncio, Lanna Holder está de volta. Desde meados de 2007, ela já havia retomado as pregações nos Estados Unidos e, nos meses de setembro, outubro e novembro, esteve ministrando na Europa e no Brasil, ocasião em que recebeu novamente a reportagem de ECLÉSIA. Lembrou os problemas do passado, como a loucura de ter que pregar quase todo dia para manter a viabilidade financeira do ministério e atender aos interesses das lideranças que lhe franqueavam o púlpito. Admitiu novamente o caso homossexual que durou cinco meses e pôs tudo a perder – embora, como faz questão de dizer, tenha sido aconselhada por diversos pastores a manter o bico fechado e continuar seu trabalho nas igrejas como se nada tivesse acontecido. “Disseram que seria muita burrice minha admitir tudo”, lembra.
Ela garante que, dos tempos dourados, nada lhe restou. O casamento com o também missionário Samuel Davi de Souza acabou. O dinheiro também. Sobraram apenas dívidas. E muitas. Lanna conta que sua prioridade passou a ser o sustento do filho, Samuel David Holder de Souza, e o acerto com os credores. Diferente do que foi dito na época, que ela teria fugido do Brasil por causa das dívidas, garante que nunca foi esse seu pensamento ao fixar residência nos Estados Unidos. “Mas não tinha clima para ficar aqui. Além do mais, lá, ganharia mais”, explica. Trabalhou durante um bom tempo com o que aparecia: limpeza, entrega de pizza, serviços administrativos, pintura de paredes. Lanna Garante que já acertou quase tudo com os credores.
Em busca do anonimato, a princípio ela decidiu não freqüentar mais igrejas brasileiras nos Estados Unidos. Ia a cultos de americanos para não ser reconhecida e para evitar “profetas” que lhe apontavam o dedo e falavam que Deus ia matá-la ou levaria seu filho como uma espécie de castigo pelo pecado cometido. Mas era preciso lutar contra os desejos, que, reconhece, teimavam em lhe assaltar. Chegou a participar de reuniões de cura interior e quebra de maldições, mas a inclinação homossexual continuava latente. Conseguiu vencer os desejos aos poucos, principalmente graças ao apoio da pastora Márcia Cunha e do pessoal da Igreja Batista Emanuel, que foram bombardeados por terem acolhido Lanna. “Disseram que era uma igreja de gays porque estavam me ajudando”, diz ela.
Nesta entrevista, Lanna fala sobre essas mudanças e sobre seus planos para o futuro. “Sei que foi o Senhor quem me chamou. Por isso, não posso parar, mesmo com tantas críticas que venho sofrendo. Sei que a glória desse segundo momento será muito maior”, garante. Os objetivos ministeriais incluem a abertura de uma base na Europa ou nos EUA e outra no Rio de Janeiro. “Depois, começar um trabalho para auxiliar pessoas que enfrentem o mesmo problema que eu, ao da homossexualidade.” Ao lado dela, a mãe, Elizabeth Marinho, que também se define como missionária, admite as dificuldades. “Fico impressionada com tantas mulheres que vêm e dão em cima dela na cara dura”, espanta-se. “Os homens, não; são todas mulheres, até irmãs. Parece algo feito para tentá-la mesmo”, reclama.
Depois de tudo o que passou, Lanna parece mais compreensiva em relação a quem enfrenta problemas nesta área, um dos maiores tabus do segmento evangélico. “Sempre me perguntam se estou ‘curada’ de vez, como se a homossexualidade fosse alguma doença”, comenta. “Sou completamente honesta quando me indagam sobre cura ou libertação neste aspecto: estou em processo de cura. Algumas pessoas conseguem ser libertas de uma vez de tudo. Outras, não; permanecem com trejeitos e vontades, como se fosse uma compulsão que precisam vencer diariamente”, diz, numa honestidade que deixaria desconcertados muitos de seus admiradores. “É o meu caso – não me sinto mais vulnerável, mas se fosse esperar toda inclinação desaparecer completamente, nunca voltaria a ministrar.” Para ela, as lideranças das igrejas não sabem lidar com o problema e espiritualizam demais o assunto. Afinal, como pessoas batizadas no Espírito Santo podem estar endemoninhadas?”, questiona. “Mas é mais fácil ferir as pessoas e fechar as portas da graça do que abri-las”, encerra, em tom grave.
ECLÉSIA – Como você define sua situação espiritual hoje?
LANNA HOLDER – Hoje eu vejo que tudo colaborou para que eu crescesse espiritualmente e aprendesse com Deus. O que me aconteceu serviu para que eu descobrisse os verdadeiros amigos que eu tinha, para que eu conseguisse rever os meus conceitos a nível de integridade, de caráter, de valores pessoais e aquilo que realmente atraía as pessoas até mim. Quando nos estamos no alto do monte, todos são amigos – e muitos dizem que são nossos amigos mesmo sem nos conhecer, só porque temos um nome. Desci ao vale, e lá descobri os verdadeiros amigos, os verdadeiros valores, e me tornei uma pessoa melhor do que era. O Senhor transformou as maldições em bênçãos; hoje, sou uma pessoa mais madura, tenho mais consciência do que quero e estou com os pés firmados em um propósito. Eu estou vivendo à luz da Palavra e caminhando no propósito que Deus tem para a minha vida.
E qual é esse seu propósito?
O mesmo que eu tinha desde que recebi o meu chamado, após a minha conversão – o propósito de ganhar almas para o Senhor. Deus me deu o dom da palavra, é o que eu sei e faço com prazer e alegria. Pregar o Evangelho satisfaz e preenche a minha alma e alegra o meu espírito, dando-me um sentimento de satisfação espiritual. E o meu propósito é independente de qualquer coisa; eu não vou abrir mão do meu ministério, daquilo que o Senhor me concedeu. Ainda que as igrejas e os ministérios fechem suas portas para mim, vou seguir até o fim esse propósito, que é o de pregar a Palavra de Deus.
Como tem sido a recepção das pessoas quando você vai às igrejas?
Melhor do que eu poderia imaginar. Depois do que eu passei, fico meio instável acerca de como vai ser esse relacionamento. Mas a minha vinda ao Brasil me permitiu ver os verdadeiros intercessores do meu ministério – foram os pequenos, os simples, aqueles que fazem parte do povo; aqueles que, quando me vêem, choram e me abraçam, agradecendo a Deus por eu estar de volta e pregando. O amor incondicional dessas pessoas foi como uma alavanca para me manter focalizada naquilo que o Senhor tem para a minha vida.
Durante o período que se seguiu ao que você mesmo define como queda, o que as pessoas lhe diziam?
Particularmente, depois de eu ter passado pelo meu fracasso matrimonial resultante do processo da minha queda, eu me sentia muito atingida com comentários de irmãos e de “profetas” que se diziam mensageiros da Palavra e do juízo de Deus sobre a minha vida. Houve quem me dissesse que Deus me mataria ou me colocaria numa cadeira de rodas, ou que iria me cobrar tirando a vida do meu filho. Enfim, foram diversas palavras de desgraça, destruição; mas ao invés disso, o que vi foi Deus cuidando de mim, sarando minhas feridas.
Quando você voltou a pregar?
Em julho de 2007, exatamente um ano depois do acidente em que Deus guardou minha vida e que serviu de sinal para que eu voltasse. Foi difícil?
Foi muito interessante, porque a primeira coisa que eu pensei foi que acreditava que estava no púlpito de novo, na posição de pregadora, até porque eu havia sido muito sincera quando disse para Deus que não queria voltar para o ministério. Então, quando eu me vi ali pregando a Palavra, eu tive absoluta certeza do meu processo de restauração e de que não estava ali porque eu queria, mas porque Deus o quis.
Afinal, você parou de pregar devido ao escândalo homossexual?
Depois do ocorrido, eu comuniquei ao meu marido o que aconteceu e a outra pessoa envolvida fez o mesmo com o marido dela. Então, nós duas fomos conversar com o pastor dela, Leon de Jesus, para resolver o que fazer. Só que eu já havia decidido parar de pregar, pois estava insatisfeita com minha vida pessoal e não queria viver numa farsa. Então, entreguei a minha credencial e disse que não estava mais disposta a exercer o meu ministério.
Na outra entrevista a ECLÉSIA (edição 97), você disse que foi aconselhada a agir como se nada tivesse acontecido e continuasse com o ministério. Confirma isso?
O ministério de Boston decidiu que deveríamos passar por uma disciplina, mas que a questão não fosse trazida a público para não causar um escândalo. Só que esses cuidados não eram com a minha alma, nem o de preservar o meu ministério – ou o da outra pessoa –, mas uma preocupação em evitar o escândalo que manchasse o nome da igreja. Isso era muito perceptível para mim. E eu já estava cansada de me sentir manipulada. Não falo isso especificamente em relação àquela igreja, mas de modo geral. Estava cansada de ser e fazer aquilo que as pessoas queriam que eu fosse e fizesse.
A Igreja Evangélica está preparada para tratar casos de homossexualismo entre seus membros?
Não. Aliás, quando falei sobre isso na primeira entrevista, minha fala foi usada até de maneira maldosa. Eu não disse, em 90% das igrejas por onde eu passava, como foi afirmado na matéria, as pessoas exerciam a homossexualidade ali dentro. O que eu disse foi que em 90% das igrejas por onde eu havia passado, encontrava pessoas com problemas de homossexualismo. Mas o que afirmei naquela entrevista, afirmo nesta: onde eu passo, é muito difícil que não haja pessoas que me procurem com problemas de homossexualidade, problemas que elas não sabem como resolver. Por mais que jejuem, por mais que orem, por mais que passem por processos de libertação, elas continuam sentindo as mesmas tendências, as mesmas encanações e as mesmas dificuldades. E falta confiança nos líderes, porque, se elas expõem as suas vidas, têm suas vidas expostas aos membros da igreja e a partir daí passam a sofrer discriminação, são colocadas de lado e impedidas de exercer qualquer cargo ministerial na igreja. Pessoas assim estão fadadas a morrer no último banco, porque para esses ministros e para essas igrejas elas não têm utilidade nenhuma. Então, o que eu percebo é que nós espiritualizamos demais o que precisa ser compreendido, ao invés de ser espiritualizado. Esse problema precisa ser conhecido para sabermos como pode ser tratado; mas nós fechamos a porta da graça, ao invés de abri-la.
Então, na sua opinião, qual seria a atitude correta da Igreja em relação ao homossexual ?
Não só falo da homossexualidade, mas do adultério, do vício da prostituição. Essas pessoas precisam de igrejas que as aceitem como elas são e que preguem a Palavra para elas, na expectativa e na certeza de que a libertação vai ocorrer de dentro pra fora. Não adianta pegar um homossexual e trocar suas vestes, fazendo dele uma personagem que passe a imagem de religioso, se por dentro ele está ferido, está machucado. A única coisa que a igreja pode fazer, se ela não tem respostas, é exercitar o amor. A homossexualidade não é pior do que o adultério, a prostituição ou a fornicação – para Deus, todos estão na mesma categoria.
Por que a Igreja é tão radical em relação aos pecados sexuais?
Eu te diria que é por causa dessa máscara de religiosidade. Nós condenamos os pecados sexuais, mas calamos a boca quando o assunto é a fofoca, a intriga. E nos calamos também em relação à falta de união entre pastores e ministérios e à busca incessante pelo poder. Não condenamos aqueles que usam o dinheiro que vem dos dízimos e das ofertas para suas vaidades pessoais., enquanto as igrejas estão limitadas a templos pobres e sem estrutura porque o dinheiro é totalmente utilizado de forma ilícita. Também não falamos contra a disputa que existe em nosso meio: quem é o melhor pregador, quem é o melhor cantor, quem é o que mais vende em igrejas. Isso tudo se tornou normal, mas o pecado sexual, não. É a mascara da religiosidade.
Você refere-se a esta nova fase do seu ministério como uma segunda etapa. O que mudou em relação à anterior?
As pessoas que já conheciam meu ministério, quando vão me ver pregar hoje, esperam aquela pregação bombástica, aquela característica que sempre foi vinculada ao ministério Lanna Holder – aquela pregação pentecostal, aquela palavra avivada, a necessidade de ver o povo pulando, recebendo o que nós usamos como a forma taxativa de poder. Hoje eu tenho muito mais preocupação em ter consciência, uma pregação com base na Palavra, sem aquela preocupação de que precisa haver manifestação de poder. Agora, minha maior preocupação é ministrar a Palavra, na certeza de que em cada igreja, de acordo com a unção e com a disposição do coração de Deus para me usar naquela ocasião, vai haver um mover diferente. Sei que, mesmo que as pessoas não tenham pulado ou não tenham caído, elas sairão dali com a Palavra semeada em seus corações e com suas vidas mudadas. Só a Palavra pode fazer isso.
Ao que me parece, devido a várias consultas pessoais a amigos adventistas, além da devida literatura, há uma certa variedade de pensamento a respeito do dom profético atribuído a Sra. White dentro do adventismo. Trata-se de um paradoxo muito interessante. Por um lado, nos é passada a ideia de que White foi profeta inspirada por Deus, e colocada por Ele como um tipo de “profeta do fim”, ou profeta para “o povo remanescente”. Tal entendimento é tão significativo, que o “povo remanescente” é identificado como aquele que possui “o espírito de profecia”, que por sua vez é atribuído ao dom profético de Ellen White. Segundo tal linha de raciocínio, conclui-se que a Igreja Adventista é o “povo remanescente”, e que a prova dessa alegação é Ellen White, ou seja, o “espírito de profecia”.
Entretanto, há outros lados nessa história. Em minhas consultas e debates com adventistas, já encontrei afirmações que tentam relativizar tais afirmações sobre “espírito de profecia” e “povo remanescente”. Já ouvi, inclusive, alguém me dizer que fazia uso das obras de Ellen White, do mesmo modo que eu, cristão reformado, faço uso dos escritos de João Calvino.
Me parece, todavia, tarefa hércula tentar relativizar afirmações que são feitas, em caráter oficial, a respeito da autoridade profética da Sra. White. A seguir listarei alguns exemplos:
“Ellen White morreu no dia 16 de julho de 1915. Por 70 anos ela apresentou fielmente as mensagens que Deus lhe deu para seu povo” (Quem foi Ellen White; do portal Ellen White Books).
Eis aqui uma afirmação impossível de se relativizar. A Sra. White é apresentada como “fiel mensageira” de Deus, tendo recebido dele a tarefa de entregar mensagens “para seu povo” - o que afirma-se ter sido feito integralmente. Se devemos levar tal afirmação a sério, implica que os adventistas admitem que os escritos de Ellen White são inspirados e fiéis ao que Deus lhe revelou e, portanto, infalíveis. Tal interpretação não é minha, mas assumida por grandes apologistas de Ellen White, como veremos na citação a seguir:
“O 'Espírito de Profecia' é o que, segundo as Escrituras, a par com a guarda dos mandamentos de Deus, seria o característico da igreja remanescente... Este dom consiste precipuamente em dar ao povo de Deus mensagens diretas e específicas, traçando-lhe normas e diretrizes, dando-lhe orientação e instruções especiais... Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preencem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreveu foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato” (CHRISTIANINI, Arnaldo B., Subtilezas do Erro, Casa Publicadora Brasileira).
E o senhor Christianini, seguro de suas convicções, e depois de afirmar que nenhuma critica jamais prevaleceu contra tais escritos, lança o desafio: “Os seus escritos, agora vertidos em quase todos os idiomas, aí estão a desafiar a critica honesta”.
Natural que, dada tais assertivas, todos os olhares se fixem na exatidão das revelações da Sra. White. Natural também que posições em conflito com tais assertivas, oriundas do próprio seio adventista, nos causem estranheza. Ainda mais quando tais “conflitos” nascem da pena de fervorosos apologistas do adventismo. É o caso de Samuele BacchiocChi, que nos diz: “Eu discordo de Ellen White, por exemplo, quanto a origem do Domingo. Ela ensina que nos primeiros séculos todos os cristãos observavam o Sábado, e que graças aos esforços de Constantino que a guarda do Domingo foi adotada pelos cristãos, já no Século IV. Minha pesquisa mostra o contrário... Eu situo a origem da guarda dominical no tempo do Imperador Adriano, em 135 d.C.” (BACCHIOCCHI, Samuele; em e-mail enviado ao “Catholic Free Maing List”, 08 de Fevereiro de 1997).
E, para que ninguém pense que o e-mail acima é forjado, citamos ainda as palavras de Alberto R. Timm, em estudo publicado no portal adventista Centro White: “A tese doutoral de Samuele Bacchiocchi,... demonstra “que a adoção do domingo em lugar não ocorreu na primitiva Igreja de Jerusalém, por virtude de autoridade apostólica, mas aproximadamente um século depois na Igreja de Roma” (Do Sábado para o Domingo, Centro White).
Acredito que Bacchiocche, por seu comprometimento com a causa adventista, nos serve como testemunha insuspeita contra a exatidão dos escritos da Sra. White; e, certamente, enquadra-se naquilo que o senhor Christianini queria dizer por “critica honesta”. Um critica honesta, que vai de encontro ao conteúdo da revelação dada a Sra. White. Ao relatar o que lhe fora revelado em uma visão ocorrida em 27 de Junho de 1850. Esta e outra visões estão registradas na obra “Primeiros Escritos”, disponível no Ellen White Books. Na visão que temos em mente, na qual, novamente junto a seu “anjo acompanhante”, ela diz “Roma mudou o dia de repouso do sétimo para o primeiro dia da semana. Ele imaginou mudar o próprio mandamento que foi dado para levar o homem a lembrar-se do seu Criador. Pensou em mudar o maior mandamento do Decálogo e assim fazer-se igual a Deus, ou mesmo exaltar-se acima de Deus... o Papa exaltou-se acima de Deus”.
Vale observar que tais palavras não são a opinião da Sra. White, mas sim, o conteúdo da revelação que lhe estava sendo dada; imediatamente após ele conta que suplicou “diante do anjo para que Deus salvasse seu povo que se havia desviado”. A tese de White é que, “nos primeiros séculos o verdadeiro sábado era guardado por todos os cristãos”, e que mesmo após o decreto de Constantino “muitos cristãos tementes a Deus... mantinham o verdadeiro sábado como o dia santo do Senhor, e observavam-no em obediência ao quarto mandamento” (WHITE; Ellen G.; 'O Grande Conflito', pg. 52, Ellen White Books). Como vimos, tal tese não pose ser sustentada, o que reconhece até mesmo afamados apologistas da causa adventista.
O registro bíblico e da história da Igreja facilmente nos mostra que a Igreja de Cristo adorava ao Senhor no “primeiro dia da semana”, tido como “o Dia do Senhor”, cuja escrita em grego originou o termo “domingo”.
“Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei as Igrejas da Galácia: no primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam coletas quando eu chegar” (I Coríntios 16.1,2). Os adventistas alegam que este texto ordena que tal coleta fosse feita “no primeiro dia da semana”, apenas visa evitar que Paulo perdesse tempo fazendo tais coletas ao chegar na cidade! Evidentemente Paulo queria evitar a perda de tempo com coletas feita em cima da hora, mas isso não explica a ordem de que tal coleta fosse feita no primeiro dia da semana, exatamente! Isso também não explica o fato de que, segundo Paulo, esta mesma ordem foi dada a todas as Igrejas da Galácia: “o mesmo que ordenei as Igrejas da Galácia”!
A única explicação possível aqui é, no primeiro dia da semana, a Igreja ajuntava-se, solenemente, para o culto prestado ao Senhor, no qual se realizava a comunhão eucarística: “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos PARA partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou a prática até a meia-noite” (Atos 20.7). Interessante observar, que na exegese adventista, o motivo de terem se reunido no “primeiro dia da Semana”, foi a viagem de Paulo, que aconteceria no dia seguinte. No entanto, o texto deixa bem claro que eles se reuniram para “partir o pão”, e que a viagem de Paulo é citação meramente acidental. Ou seja, estando todos reunidos, no primeiro dia da semana, PARA partir o pão, ficaram ouvindo o discurso prolongado de Paulo, que haveria de viajar no dia seguinte. Este é o claro sentido natural do texto, inaceitável para a exegese adventista.
Fora tão claro testemunho bíblico, a favor da observância do dia da Ressurreição de Cristo, a profetiza do movimento adventista ainda precisa lidar com o testemunho amplo presente na História da Igreja: Didaque, Barnabé, Plínio, Justino, Clemente, etc.
A inexatidão da revelação da Sra. White concernente a quem mudou o dia de guarda cristão, é apenas uma dentre as provas que poderíamos listar contra a alegação dela ter sido uma profeta inspirada, fiel. E ainda mais necessário dizer: sua inexatidão prova que o povo adventista, ainda que afirme apegar-se ao princípio do Sola Scriptura, perigosamente alinha-se ao que foi escrito por Ellen G. White, assumindo o pressuposto de que mesma é portadora de uma “mensagem fiel” para a igreja dos últimos dias.
Nota:para saber a visao protestante (reformada) sobre o Quarto Mandamento, clique aqui.
Não é por falta de criatividade que as igrejas deixarão de arrecadar
dinheiro dos seus fiéis. Maior exemplo de inovação é o missionário
R.R.Soares, líder da Igreja Internacional da Graça, que acaba de lançar
uma nova modalidade de coleta de dízimo, por meio de débito automático
em conta-corrente.
Segundo Soares divulgou em seu programa na Band, o membro da igreja
poderá fazer suas doações mensalmente de forma mais prática. Para isso o
fiel deve preencher um cadastro nos sites da igreja e passar seus
dados bancários.
É o doador, afirma Soares, quem decide quanto quer doar. Quem se
cadastrar, diz ele, ganha “um brinde de Jesus”, sem dizer o que é.
O missionário garante ainda que, se por acaso o doador não tiver
saldo num determinado mês para dar o dízimo automático, ele não será
debitado e “o fiel não será incluído no SPC ou no Serasa”. A doação
mensal voltará a ser debitada no mês seguinte, sem acumular a que não
foi paga.
Para criar o “dízimo em conta corrente”, a Igreja Internacional da Graça firmou parceria com Itaú, Banco do Brasil e Bradesco.
“Heaven Card”
Além do dízimo automático, o pastor R.R.Soares também lançou o cartão
de crédito da Igreja Internacional da Graça de Deus. Entre outras
vantagens, o cartão permite pagar as compras “em até 40 dias, financiar
no crédito rotativo e fazer saques de emergência no Brasil e exterior”.
Segundo a igreja, o cartão “é mais uma forma de você contribuir com
as ações e obras sociais da igreja”. Além da Internacional da Graça, a
Universal e a Mundial também aceitam o pagamento de dízimos e doações
por meio de cartão de crédito e débito. As operações são legais.
Romildo Ribeiro Soares, 64, é cunhado de Edir Macedo (casado com a
irmã de Macedo, Maria Magdalena) e co-fundador da Igreja Universal do
Reino de Deus. Deixou o parente por suposta divergência no final dos
anos 70 e criou sua própria igreja em 1980.
Sua igreja tem negócios com várias emissoras, de quem compra
horários, e também é proprietária de uma operadora de TV paga, cujos
pacotes não oferecem nenhum canal que exiba cenas de violência,
erotismo ou tenha linguajar chulo.
Nós aqui do Genizah achamos muito bacana esta iniciativa. Aliáis, acho que bom mesmo seria o débito de 10% direto na folha de pagamento do fiel neopentecostal. Não esquecendo que desempregado, aposentado, ladrão e prostitutas devem também pagar na fonte. No caso das prostitutas, a cobrança poderia ser feita direto na mão do gigolô e os ladrões, ao fazerem seu assalto, devem logo passar na Universal, Internacional ou Mundial e deixar os 10% com os gangsters. Igualzinho a filme de máfia. Afinal, ladrão que paga dízimo a apóstolo tem 100 anos de perdão!
Neste final de semana realizou-se mais uma Marcha para Jesus em Manaus, evento patrocinado por algumas igrejas ditas evangélicas, sob as bênçãos e o aval da OMEAM, uma das muitas “ordens de ministros protestantes” existentes no Brasil, embora não consiga ser uma CNBB. A OMEAN esta mais para um sindicato de pastores do que uma conferencia interdenominacional influente e atuante. Tanto é verdade, que fica estranho uma entidade como a OMEAN se associar a um evento que foi trazido ao Brasil pelo perigosíssimo “apóstolo” Estevan Hernandez (aquele que puxou cadeia pesada nos EUA por entrar naquele país com uma Bíblia recheada de dólares, entre outros crimes) e que usou a Marcha para Jesus como estratégia de marketing para fazer proselitismo, como tentam fazer agora os promotores da Marcha para Jesus em Manaus, na sua sanha político-proselitista. Se esse evento começou com o Estevan Hernandez, é sinal que já começou mal.
Estranha-se ainda o fato de a OMEAN ainda não perceber que a Marcha para Jesus em Manaus se tornou uma micareta protestante a serviço de certas denominações que querem demonstrar seu poder diante do catolicismo e de igrejas evangélicas “concorrentes”, ao “movimentar as massas” dóceis e obedientes em grandes passeatas ou “procissões” ao som de rock, axé e rebolation santo?
E se a Marcha para Jesus não é uma forma de provocar os católicos, porque ela acontece justamente próximo ao dia de Pentecostes, celebrado pelos católicos no Sambódromo?
E porque será que o pessoal de igrejas como a Deus é Amor, IURD e adventista não vão nessa marcha, nessa festa estranha com gente esquisita?
Que benefícios a OMEAN consegue na sua missão espiritual e representativa ao referendar esse carnaval fora de época que se tornou a Marcha para Jesus, com rapazes enfeminados e garotas em trajes sumários rebolando e gritando à frente da multidão?
Isso evangeliza ou atrai simpatia para a causa do evangelho?
Obvio que não. O que a Marcha para Jesus consegue é “infernizar” o trânsito, sujar as praças, fazer proliferar os vendilhões do templo (mercenários sem amor ao próximo cobram R$10 ou mais, pelo abadá oficial da Marcha. E na Marcha, até a água não saiu de graça e nem barata) e ainda conseguiu provar que o Estado nunca foi laico neste país, pois a Marcha para Jesus fez o poder publico (Estado e Prefeitura) gastar rios de dinheiro com garis, agentes de trânsito, policiamento, serviço de pronto atendimento, etc.
Quem pagou a conta da Marcha para Jesus foi o contribuinte, já castigado monetariamente pelos impostos e pelos comerciantes do Evangelho, como R.R. Soares, Silas Malafaia Edir Macedo e “famiglias” mafiosas que controlam igrejas a ferro e fogo.
Se fosse uma Marcha de umbandistas ou ateus, certamente os “cristãos” se insurgiriam contra o poder público com os argumentos do tal “estado laico”. Mas como a Marcha é um evento onde o governante de plantão tem interesse no voto dos cristãos, que se dane o estado laico.
Prosseguindo nessa reflexão, surge outro questionamento:
Não seria a Marcha para Jesus uma catarse para “cristãos” oprimidos nos seus costumes por pastores moralistas e que uma vez por ano, a pretexto de marchar para Jesus, dão vazão ao seu saudosismo do mundo carnal e pecaminoso ao participar dessa Saturnália Santa e abençoada em nome de Jesus?
Só um tolo não percebe que a Marcha há muito deixou de ser um evento de apologia ao Cristo para se tornar uma catarse carnavalesca gospel, juntada a apelos triunfalistas e de autoafirmação denominacional, com tudo que tem direito: do abadá ao rebolation santo. A Marcha virou o ópio do povo.
O que mais a Marcha para Jesus conseguiu produzir, além de vendilhões, sujeira, transito caótico, pseudocristãos em delírio, paqueras e ficadas hetero e homo, uso político do evento e a maioria comparecendo ao evento mais por causa do Cris Duran do que de Jesus Cristo?
Produziu a mais intrigante das perguntas: o que querem os “evangélicos”?
Uma hora pregam uma moral calvinista e dai a pouco saem atrás de um trio elétrico, como se fosse uma horda ensandecida seguindo o Chiclete com Banana. Aliás, não será estranho se ano que vem surja o Chiclete com Banana gospel na tal Marcha.
Falta muito pouco para termos a primeira escola de samba gospel, o primeiro concurso da rainha gay gospel e o primeiro concurso da camiseta molhada gospel. Se já temos DJ, baladas e raves gospel, não vai demorar muito que mais coisa apareça no universo dos “salvos”.
Os evangélicos confundem mais que explicam. E confundem mais ainda seus admiradores mundanos.
Há tempos muito das posturas típicas do modo de vida cristão foi abandonado pelos evangélicos. Uma nova moral, surgida a partir do relativismo pós-moderno associado aos modismos gerados dentro do protestantismo, fez parecer cafona e atrasado aquilo que era considerado um código de ética e um modo de vida do rebanho de Cristo. Na incerteza provocada pelo conflito e o descompasso entre a ética/moral vigente nas igrejas e o relativismo irresistível que dominava o mundo - exigindo um posicionamento e adequação do cristianismo, já que sua influencia entrou em declínio na sociedade por conta de escândalos, corrupção, disfunção e associação com as forças perversas da sociedade – surge o cristianismo de resultado e experimentalista típico do nossos dias.
Dele resulta esse protestantismo ininteligível, fanático, soberbo, triunfalista, midiático e curandeirista, de difícil compreensão até para ele mesmo.
A Marcha é um das representações dessa indefinição no cenário protestante.
E a ela não cabe o argumento de que “Davi dançou na presença de Deus”, conforme diz a Bíblia. Além de ser uma interpretação canhestra da Bíblia, os contextos são totalmente diferentes.
A Marcha para Jesus não se justifica nem se sustenta como um evento religioso. Uma procissão católica, com toda aquela repetição de mantras e suas estatuas de gesso, consegue ser mais inspiradora, evangelística, organizada e edificante do que a procissão gospel avalizada pela OMEAM.
Ano que vem tem outra Marcha, para terror de motoristas e facada no bolso do contribuinte.
Antonio Oliveira manda este artigo para o Genizah direto de Manaus, debaixo do desespero causado pela a micareta gospel realizada no último sábado na capital amazonense, sob os auspícios da trinca OMEAN, MIR e Assembléia de Deus da "famiglia" Câmara (A Cosa Nostra Pentecostal do Norte). Uma bandalha carnavalesca fora época.
A Igreja Católica aprovou um aplicativo para iPhone que ajuda fiéis a confessarem. O programa - chamado Confissão - foi colocado à venda semana passada pela loja virtual da Apple, iTunes, por US$ 1,99 (R$ 3,32).
Descrito como "a ajuda perfeita para todo penitente", o aplicativo dá ao usuário dicas e orientações sobre o ato da confissão.
Agora, membros do clero católico nos Estados Unidos deram sua aprovação oficial ao aplicativo, em um gesto da Igreja Católica que se acredita ser inédito.
O aplicativo guia os usuários através do sacramento da confissão - em que católicos admitem seus pecados - e permite que o fiel mantenha um registro de seus pecados.
O aplicativo também permite que os usuários façam um exame de consciência com base em fatores como idade, sexo e estado civil - mas afirma que não tem como objetivo substituir a confissão inteiramente.
Em vez disso, diz o aplicativo, a idéia é encorajar os usuários a compreender suas ações, e a buscar um padre para obter absolvição.
"Nosso desejo é convidar católicos a se envolverem com sua fé através da tecnologia digital", disse Patrick Leinen, da Little iApps.
O lançamento foi feito logo após o papa Bento 16 ter exortado católicos a usarem a comunicação digital e mostrarem-se presentes online.
Os arquitetos do aplicativo, baseados no estado americano de Indiana, disseram ter levado em conta as palavras do papa enquanto preparavam a ferramenta para consumo público.
"Nosso objetivo com esse projeto é oferecer um aplicativo digital que seja uma "verdadeira nova mídia a serviço da palavra", disse a empresa.
Segundo a Little iApps, o aplicativo foi desenvolvido com a ajuda de vários padres, e teve a aprovação do bispo Kevin Rhoades da diocese de Fort Wayne, em Indiana.
Essa seria a primeira vez que a Igreja aprovou um aplicativo para celular, embora a instituição não seja totalmente alheia ao mundo digital.
Em 2007, o Vaticano lançou seu próprio canal no YouTube.
Dois anos depois, um aplicativo para o Facebook foi criado, para que usuários pudessem enviar cartões postais digitais ao pontífice.
O Zé viu no Luis Nassif e trouxe direto para a redação do Genizah News
A maior parte dos problemas humanos estão contidos entre o ontem e o amanhã: sofremos pelo que já passou e ansiamos por aquilo que ainda virá. Não obstante isto, tudo o que Deus tem para nós é este dia chamado hoje.
Nesta mensagem, a partir da vida do profeta Habacuque, você vai aprender a lidar e vencer um dos principais desafios da humanidade em todos os tempos: a ansiedade.
Mensagem pregada pelo Rev. Carlos Moreira na Catedral da SS Trindade da Igreja Episcopal Carismática do Brasil em maio de 2011 - Recife/PE.
Acabou o mistério! Nada de cd de louvor, livro ou uma
nova mensagem em DVD, a Missionária Lanna Holder acaba de divulgar em
seu site oficial a inauguração de seu
ministério, a Comunidade Cristã Cidade de Refúgio. Como
já tínhamos adiantado e por pedido da Pastora Rosania Rocha, não tínhamos
revelado exatamente o que era.
Esse sem dúvida será o grande divisor de águas nas
vidas da Missionária Lanna Holder e de sua companheira Rosania Rocha e irá com
certeza impactar muitas vidas.
A
Cidade de Refúgio é uma comunidade cristã inclusiva fundada pela Missionária
Lanna Holder e que já possui até célula em Portugal, a inauguração será entre os
dias 03 e 05 de junho de 2011 na Avenida São João, 1600 - Centro, São Paulo. O site
oficial ainda não está totalmente pronto, mais já podemos ver algumas
informações: jesuscidadederefugio.com
Além da Cidade de Refúgio também
será inaugurada a ong Mãos em Ação que pretende estender as mãos a todos quanto sofrem ou sofreram todo
tipo de trauma, seja de ordem psíquica, física, mental e emocional, conseqüência
de maus tratos, rejeição, agressões físicas ou verbais e até ações de
cunhohomofóbicodevido a sua sexualidade.
Abaixo reproduzo o propósito da
Cidade de Refúgio por suas próprias fundadoras:
A
CIDADE DE REFÚGIO está pronta, chegamos ao fim das reformas e das obras,
os projetos que foram gerados no coração de Deus, nasceram em nossos corações, e
em tempo hábil para dizermos que foi um fruto concebido sob circunstâncias sobrenaturais.Alguns de nós passaram anos gerando, gerando
sonhos e enquanto gerávamos podíamos sentir a alegria de romper a esterilidade,
as impossibilidades de uma lei severa e desprovida de misericórdia,que trazia
consigo os maus presságios de um futuro sem esperança e uma eternidade sem
GRAÇA!
Este fim de reforma extrai agora
de todos nós envolvidos o urgente anseio de começar a reformar VIDAS! Fomos
concebidos sob essa expectativa e não vacilaremos em prosseguir para o ALVO que
nos está proposto pelos céus, sob todos os aspectos e circunstâncias nascemos
sob a irrefutável convicção de que este propósito é
inegociável.
Não nascemos com a perspectiva de
levantarmos uma bandeira, mas com a missão de termos a Ele como a nossa única
bandeira. Uma igreja que ama a todos e não exclui a ninguém,que anseia ser UM LUGAR AOS ESCOLHIDOS, pela convicção de que Deus não
faz acepção de pessoas.
Alguns de nós fomos achados nos
lixões. Abortados do seio das igrejas e das nossas casas, sufocando pela busca
das respostas que muitos de nós não tínhamos, mas incansavelmente ansiávamos,
pelo simples desejo de ADORÁ-LO.
É, somente cada um de nós pode
avaliar sua própria historia e sua própria dor. Cada um pode dizer quantos anos
durou sua esterilidade, e contar porque a pior dor não era a de ver os filhos
da outra nascer, mas a angustia de não gerar. Enfim,
que seus filhos nasçam, cresçam, sejam heróis, ostentem troféus, ergam cetros e
reinem desde que nossos filhos sejam ao menos ajudante de
sacerdote.
Que a falta de visão dos lideres
que cercam essa geração, não impute pecado aos sonhadores, que não enxerguem nos que sonham a embriagues dos que almejam apenas
uma vida de boemia e de ilusões, mas conheçam em nós a insistência de romper a
impossibilidade pelo compromisso de buscá-Lo insistentemente até
que
sejamos ouvidos.
Geramos durantemeses e porque não ousar dizer que estamos gerando há anos? A nossa hora chegou, e alguns de nós já sentem as dores de
parto, a tristeza já fez seu repouso, mas já veio de malas prontas porque a
alegria já selou sua morada permanente.
Que nasça a CIDADE DE REFÚGIO, e
que venham os outros REFÚGIOS, afinal na chegada de cada um deles damos a luz
aos nossos sonhos, rompemos as impossibilidades e a esterilidade. Que este ano
seja o ano dos que insistiram em sonhar, e que as lagrimas da perseverança hoje
sirvam pra regar os RAMOS NOVOS.
Nele em quem damos
frutos!
LannaHolder e Rosania
Rocha
Missionária Lanna Holder e Pastora Rosania Rocha na
construção da igreja.
Abaixo, assistam o convite feito por Lanna
Holder:
COMENTÁRIO DO PR. ANSELMO
MELO
Quem nunca ouviu falar de Lanna Holder, a queridinha de
vários “púlpitos famosos” no Brasil e no exterior.
A bomba agora explodiu
de vez, o reator da usina vazou deixando pasmados novamente seus admiradores e
fiéis seguidores. Centenas de pastores mundo afora terão de subir em seus
púlpitos para dar explicações as suas comunidades.
Ela fez fama e
conquistou admiradores com seu testemunho de conversão, onde afirma que era
lésbica e viciada em drogas. Conquistou dinheiro e fama aqui e em outros países.
Centenas de ministérios disputavam “a tapas” a presença da carismática Lanna em
seus púlpitos. Em pouco tempo ela se transformou numa espécie de “avatar da
sorte” para quem queria manter sua congregação lotada.
Em 2002 ela
abandonou o marido e envolveu-se em uma relação homossexual com a dirigente de
louvor da World Revival Church – Assembléia de Deus de Boston, nos Estados
Unidos.
A multidão de fiéis que consumiam com voracidade fitas e vídeos
com pregações da missionária assistiram atônitas sua derrocada
espiritual.
Lanna ganhou muito dinheiro comercializando seu falso
testemunho
Exatamente ela que fez fama com o testemunho de ex parece
agora protagonizar aquele versículo que diz: “Deste modo sobreveio-lhes o que
por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a
porca lavada ao espojadouro de lama”.2 Pedro 2:22.
Lanna Holder se afastou
dos púlpitos, sofreu um seríssimo acidente de carro que quase ceifou sua vida,
fez um voto ao Senhor e foi curada de uma lesão grave no coração.
Após
seis anos de reclusão voltou aos púlpitos, os convites logo chegaram de todas as
partes, do Brasil, dos EUA e da Europa. Tudo parecia ir bem até pouco
tempo.
Não demorou e a desconfiança de alguns veio a revelar-se
verdadeira. Lanna Holder , a ex lésbica e viciada, depois convertida e
restaurada, (segundo seu próprio testemunho), volta a prática do
homossexualismo, envolve a Igreja de Cristo em um terrível escândalo, se
arrepende , faz votos ao Senhor, tem seu ministério restaurado e, agora,
novamente volta as mesmas práticas.
Isso mesmo meus irmãos, a ex,ex,ex
alguma coisa, agora assumiu de vez sua opção pelo pecado do homossexualismo.
Juntamente com a “pastora” Rosania Rocha ela acaba de inaugurar em São Paulo a
“Comunidade Cristã Cidade de Refúgio”, uma espécie de “igreja arcabouço” para
gays e lésbicas praticarem sua espiritualidade, agora com a consciência
anestesiada pelas pregações de Lanna.
[...]
Um armário com porta giratória
Segue a matéria com a
reportagem completa do caso Lanna Holder publicada na revista Eclésia de janeiro
de 2009 feita após a sua segunda recaida e nova retomada. Ou seja, atual re-re-re-caída já é rotina. E sua atual companheira é a mesma Pastora Rosania que a mesma conheceu nos Estados Unidos, esta por sua vez, casada na época.
A volta, depois da queda
Marcos Stefano Jornalista da revista Eclésia Matéria de 2009
A
missionária Lanna Holder, afastada do ministério de pregadora
itinerante por um escândalo homossexual, está de volta aos púlpitos e se
considera restaurada pelo Senhor
No
fim de 2002, a Igreja Evangélica foi sacudida por rumores de um caso
que tinha todos os ingredientes para se transformar em mais um
escândalo. E foi. A história envolvia a missionária pernambucana Lanna
Holder, uma das pregadoras mais conhecidas do meio pentecostal
brasileiro. As notícias davam conta de que Lanna se envolvera com a
dirigente do louvor da World Revival Church – Assembléia de Deus de
Boston, nos Estados Unidos, e estava mantendo um relacionamento
homossexual. O incidente caiu como uma bomba e se transformou em um
choque para muita gente, sobretudo as multidões que lotavam os eventos
onde ela pregava e consumia vorazmente as fitas e vídeos com suas
mensagens.
A bem da verdade, o caso homossexual era uma recaída. Lanna tornou-se
famosa no Brasil e no exterior graças ao seu testemunho de conversão,
que incluía, justamente, a libertação de uma vida promíscua, marcada
pelo uso de drogas e pelo lesbianismo. Porém, àquela altura, a falta de
informações gerou uma profusão de boatos. Ferida e com o ministério
destruído, Lanna admitiu a queda e sumiu dos holofotes e dos púlpitos.
Seu nome virou assunto das rodinhas de porta de igreja depois dos
cultos. Abandonada pelos que a incensavam – inclusive, boa parte da
imprensa evangélica, que depois do ocorrido deixou seus leitores sem
notícias –, ela foi entrevistada por ECLÉSIA em janeiro de 2003 e abriu o
jogo, falando do caso, das dificuldades financeiras devido à
interrupção das ofertas, da insatisfação conjugal e da hipocrisia de
muitos pastores.
Passados seis anos de silêncio, Lanna Holder está de volta. Desde meados
de 2007, ela já havia retomado as pregações nos Estados Unidos e, nos
meses de setembro, outubro e novembro, esteve ministrando na Europa e no
Brasil, ocasião em que recebeu novamente a reportagem de ECLÉSIA.
Lembrou os problemas do passado, como a loucura de ter que pregar quase
todo dia para manter a viabilidade financeira do ministério e atender
aos interesses das lideranças que lhe franqueavam o púlpito. Admitiu
novamente o caso homossexual que durou cinco meses e pôs tudo a perder –
embora, como faz questão de dizer, tenha sido aconselhada por diversos
pastores a manter o bico fechado e continuar seu trabalho nas igrejas
como se nada tivesse acontecido. “Disseram que seria muita burrice minha
admitir tudo”, lembra.
Ela garante que, dos tempos dourados, nada lhe restou. O casamento com o
também missionário Samuel Davi de Souza acabou. O dinheiro também.
Sobraram apenas dívidas. E muitas. Lanna conta que sua prioridade passou
a ser o sustento do filho, Samuel David Holder de Souza, e o acerto com
os credores. Diferente do que foi dito na época, que ela teria fugido
do Brasil por causa das dívidas, garante que nunca foi esse seu
pensamento ao fixar residência nos Estados Unidos. “Mas não tinha clima
para ficar aqui. Além do mais, lá, ganharia mais”, explica. Trabalhou
durante um bom tempo com o que aparecia: limpeza, entrega de pizza,
serviços administrativos, pintura de paredes. Lanna Garante que já
acertou quase tudo com os credores.
Em busca do anonimato, a princípio ela decidiu não freqüentar mais
igrejas brasileiras nos Estados Unidos. Ia a cultos de americanos para
não ser reconhecida e para evitar “profetas” que lhe apontavam o dedo e
falavam que Deus ia matá-la ou levaria seu filho como uma espécie de
castigo pelo pecado cometido. Mas era preciso lutar contra os desejos,
que, reconhece, teimavam em lhe assaltar. Chegou a participar de
reuniões de cura interior e quebra de maldições, mas a inclinação
homossexual continuava latente. Conseguiu vencer os desejos aos poucos,
principalmente graças ao apoio da pastora Márcia Cunha e do pessoal da
Igreja Batista Emanuel, que foram bombardeados por terem acolhido Lanna.
“Disseram que era uma igreja de gays porque estavam me ajudando”, diz
ela.
Lanna Holder diz que havia decidido não pregar mais. Manteve a decisão
até 28 de julho de 2006, quando um acidente de carro quase lhe tirou a
vida. Passou 42 dias internada e sofreu nove cirurgias. Entre os muitos
ferimentos, teve o peito esmagado, perfurações nos pulmões e no fígado e
hemorragias internas causadas pela fratura das costelas, além de um
trauma cardíaco. O coração passou a funcionar com apenas 20% da
capacidade. A previsão dos médicos não era nada boa: no mínimo, ela
precisaria colocar um marca passo. Naquele momento, conta, percebeu que
Deus queria chamar sua atenção. “Falei com o Senhor que faria sua
vontade, e não a minha. E pedi que, caso fosse do seu agrado que eu
voltasse a pregar, que meu coração se recuperasse e eu não precisasse
passar pela operação. Em quatro meses, o coração estava perfeito”, conta
a missionária.
Exatamente um ano após o acidente, portas se abriram e Lanna Holder
voltou aos púlpitos. Mas, como diz, eram novas portas. As antigas
continuaram fechadas para ela. O ministério voltou com força. No segundo
semestre de 2008, em pouco mais de 70 dias, Lanna passou por oito
países da Europa, além de fazer um périplo pelas cinco regiões do
Brasil. Aos 33 anos de idade, a obreira continua com o sorriso esperto
de menina e o jeito divertido que sempre marcaram suas pregações. Mas
agora está bem mais madura. Já não se preocupa tanto em levantar o
público ou gerar comoção com frases de efeito ou histórias escabrosas de
outros tempos. Algumas vezes, prefere mensagens tranqüilas, mais
voltadas para o ensino da Palavra e que primem pelo ensino.
Nesta entrevista, Lanna fala sobre essas mudanças e sobre seus planos
para o futuro. “Sei que foi o Senhor quem me chamou. Por isso, não posso
parar, mesmo com tantas críticas que venho sofrendo. Sei que a glória
desse segundo momento será muito maior”, garante. Os objetivos
ministeriais incluem a abertura de uma base na Europa ou nos EUA e outra
no Rio de Janeiro. “Depois, começar um trabalho para auxiliar pessoas
que enfrentem o mesmo problema que eu, ao da homossexualidade.” Ao lado
dela, a mãe, Elizabeth Marinho, que também se define como missionária,
admite as dificuldades. “Fico impressionada com tantas mulheres que vêm e
dão em cima dela na cara dura”, espanta-se. “Os homens, não; são todas
mulheres, até irmãs. Parece algo feito para tentá-la mesmo”, reclama.
Depois de tudo o que passou, Lanna parece mais compreensiva em relação a
quem enfrenta problemas nesta área, um dos maiores tabus do segmento
evangélico. “Sempre me perguntam se estou ‘curada’ de vez, como se a
homossexualidade fosse alguma doença”, comenta. “Sou completamente
honesta quando me indagam sobre cura ou libertação neste aspecto: estou
em processo de cura. Algumas pessoas conseguem ser libertas de uma vez
de tudo. Outras, não; permanecem com trejeitos e vontades, como se fosse
uma compulsão que precisam vencer diariamente”, diz, numa honestidade
que deixaria desconcertados muitos de seus admiradores. “É o meu caso –
não me sinto mais vulnerável, mas se fosse esperar toda inclinação
desaparecer completamente, nunca voltaria a ministrar.” Para ela, as
lideranças das igrejas não sabem lidar com o problema e espiritualizam
demais o assunto. Afinal, como pessoas batizadas no Espírito Santo podem
estar endemoninhadas?”, questiona. “Mas é mais fácil ferir as pessoas e
fechar as portas da graça do que abri-las”, encerra, em tom grave.
ECLÉSIA – Como você define sua situação espiritual hoje?
LANNA HOLDER – Hoje eu vejo que tudo colaborou para que eu crescesse
espiritualmente e aprendesse com Deus. O que me aconteceu serviu para
que eu descobrisse os verdadeiros amigos que eu tinha, para que eu
conseguisse rever os meus conceitos a nível de integridade, de caráter,
de valores pessoais e aquilo que realmente atraía as pessoas até mim.
Quando nos estamos no alto do monte, todos são amigos – e muitos dizem
que são nossos amigos mesmo sem nos conhecer, só porque temos um nome.
Desci ao vale, e lá descobri os verdadeiros amigos, os verdadeiros
valores, e me tornei uma pessoa melhor do que era. O Senhor transformou
as maldições em bênçãos; hoje, sou uma pessoa mais madura, tenho mais
consciência do que quero e estou com os pés firmados em um propósito. Eu
estou vivendo à luz da Palavra e caminhando no propósito que Deus tem
para a minha vida.
E qual é esse seu propósito?
O mesmo que eu tinha desde que recebi o meu chamado, após a minha
conversão – o propósito de ganhar almas para o Senhor. Deus me deu o dom
da palavra, é o que eu sei e faço com prazer e alegria. Pregar o
Evangelho satisfaz e preenche a minha alma e alegra o meu espírito,
dando-me um sentimento de satisfação espiritual. E o meu propósito é
independente de qualquer coisa; eu não vou abrir mão do meu ministério,
daquilo que o Senhor me concedeu. Ainda que as igrejas e os ministérios
fechem suas portas para mim, vou seguir até o fim esse propósito, que é o
de pregar a Palavra de Deus.
Onde você está morando?
Moro numa cidade chamada Rollingstone, perto de Boston, Massachussets,
nos Estados Unidos. Preciso agora legalizar minha situação perante a
Imigração americana para fixar minha residência. Mas tenho um desejo de
também manter residência na Europa, abrindo as portas para um ministério
lá. Mas estou na certeza de que vai ser Deus que vai prover; não sei
agora definir para onde irei. Acabo de passar uma temporada de 40 dias
na Europa, onde, na companhia de minha mãe, Elizabeth Marinho, estive em
oito países.
Como tem sido a recepção das pessoas quando você vai às igrejas?
Melhor do que eu poderia imaginar. Depois do que eu passei, fico meio
instável acerca de como vai ser esse relacionamento. Mas a minha vinda
ao Brasil me permitiu ver os verdadeiros intercessores do meu ministério
– foram os pequenos, os simples, aqueles que fazem parte do povo;
aqueles que, quando me vêem, choram e me abraçam, agradecendo a Deus por
eu estar de volta e pregando. O amor incondicional dessas pessoas foi
como uma alavanca para me manter focalizada naquilo que o Senhor tem
para a minha vida.
Durante o período que se seguiu ao que você mesmo define como queda, o que as pessoas lhe diziam?
Particularmente, depois de eu ter passado pelo meu fracasso matrimonial
resultante do processo da minha queda, eu me sentia muito atingida com
comentários de irmãos e de “profetas” que se diziam mensageiros da
Palavra e do juízo de Deus sobre a minha vida. Houve quem me dissesse
que Deus me mataria ou me colocaria numa cadeira de rodas, ou que iria
me cobrar tirando a vida do meu filho. Enfim, foram diversas palavras de
desgraça, destruição; mas ao invés disso, o que vi foi Deus cuidando de
mim, sarando minhas feridas.
Quando você voltou a pregar?
Em julho de 2007, exatamente um ano depois do acidente em que Deus
guardou minha vida e que serviu de sinal para que eu voltasse. Foi
difícil?
Foi muito interessante, porque a primeira coisa que eu pensei foi que
acreditava que estava no púlpito de novo, na posição de pregadora, até
porque eu havia sido muito sincera quando disse para Deus que não queria
voltar para o ministério. Então, quando eu me vi ali pregando a
Palavra, eu tive absoluta certeza do meu processo de restauração e de
que não estava ali porque eu queria, mas porque Deus o quis.
Com quem você vive atualmente?
Antes de eu sair dos Estados Unidos, eu estava dividindo uma casa com
duas irmãs, uma de 56 anos e outra de 36, ambas da igreja. Ou seja,
éramos nós três mais o meu menino. Agora, voltando para lá, eu pretendo
ter o meu apartamento sozinha, para que eu possa cuidar do meu filho e
que tenhamos mais privacidade. Essa é a minha prioridade.
Apesar de sua agenda, você consegue acompanhá-lo?
Ele veio comigo, porque já fazia cerca de um ano e meio que não via o
pai e até porque eu não tenho nenhum parente nos Estados Unidos com quem
pudesse deixá-lo. Estava previsto o retorno dele para lá comigo agora
em novembro, mas eu e meu ex-marido estamos resolvendo questões de
guarda e é possível que ele permaneça com o pai durante algum tempo no
Brasil. Isso é algo que temos deixado à escolha dele, apesar de ser uma
criança de sete anos de idade apenas. Talvez algumas pessoas achem que
ele não tenha condição de escolher, de fazer essa opção, mas eu não
posso levá-lo se ele não quiser ir – e não posso deixá-lo se ele não
quiser ficar. Então, isso fica a critério dele. Eu e o pai acreditamos
que a decisão dele será a melhor.
Como é seu relacionamento com seu ex-marido?
Nosso relacionamento é muito superficial. Limita-se a questões a
respeito de nosso filho. Já estamos separados há mais de quatro anos, e
não há nenhuma mágoa no meu coração. Ele já está até envolvido com outro
relacionamento e pretende se casar novamente. O que eu mais zelo é pela
verdade, integridade e transparência. Muitas vezes, tem lugares por
onde passo, as pessoas perguntam por ele, e eu faço questão de confirmar
o meu divórcio e relatar que nós não estamos mais juntos há quatro
anos. Eu não quero vender a imagem de boa menina, de boa moça; a imagem
que eu vendo é a minha verdade e a minha realidade. E é a Deus que eu
quero impressionar, e não aos homens.
Afinal, você parou de pregar devido ao escândalo homossexual?
Depois do
ocorrido, eu comuniquei ao meu marido o que aconteceu e a outra pessoa
envolvida fez o mesmo com o marido dela. Então, nós duas fomos conversar
com o pastor dela, Leon de Jesus, para resolver o que fazer. Só que eu
já havia decidido parar de pregar, pois estava insatisfeita com minha
vida pessoal e não queria viver numa farsa. Então, entreguei a minha
credencial e disse que não estava mais disposta a exercer o meu
ministério.
Na outra entrevista a ECLÉSIA (edição 97), você disse que foi
aconselhada a agir como se nada tivesse acontecido e continuasse com o
ministério. Confirma isso?
O ministério de Boston decidiu que deveríamos passar por uma disciplina,
mas que a questão não fosse trazida a público para não causar um
escândalo. Só que esses cuidados não eram com a minha alma, nem o de
preservar o meu ministério – ou o da outra pessoa –, mas uma preocupação
em evitar o escândalo que manchasse o nome da igreja. Isso era muito
perceptível para mim. E eu já estava cansada de me sentir manipulada.
Não falo isso especificamente em relação àquela igreja, mas de modo
geral. Estava cansada de ser e fazer aquilo que as pessoas queriam que
eu fosse e fizesse.
A Igreja Evangélica está preparada para tratar casos de homossexualismo entre seus membros?
Não. Aliás, quando falei sobre isso na primeira entrevista, minha fala
foi usada até de maneira maldosa. Eu não disse, em 90% das igrejas por
onde eu passava, como foi afirmado na matéria, as pessoas exerciam a
homossexualidade ali dentro. O que eu disse foi que em 90% das igrejas
por onde eu havia passado, encontrava pessoas com problemas de
homossexualismo. Mas o que afirmei naquela entrevista, afirmo nesta:
onde eu passo, é muito difícil que não haja pessoas que me procurem com
problemas de homossexualidade, problemas que elas não sabem como
resolver. Por mais que jejuem, por mais que orem, por mais que passem
por processos de libertação, elas continuam sentindo as mesmas
tendências, as mesmas encanações e as mesmas dificuldades. E falta
confiança nos líderes, porque, se elas expõem as suas vidas, têm suas
vidas expostas aos membros da igreja e a partir daí passam a sofrer
discriminação, são colocadas de lado e impedidas de exercer qualquer
cargo ministerial na igreja. Pessoas assim estão fadadas a morrer no
último banco, porque para esses ministros e para essas igrejas elas não
têm utilidade nenhuma. Então, o que eu percebo é que nós
espiritualizamos demais o que precisa ser compreendido, ao invés de ser
espiritualizado. Esse problema precisa ser conhecido para sabermos como
pode ser tratado; mas nós fechamos a porta da graça, ao invés de
abri-la.
Então, na sua opinião, qual seria a atitude correta da Igreja em relação ao homossexual ?
Não só falo da homossexualidade, mas do adultério, do vício da
prostituição. Essas pessoas precisam de igrejas que as aceitem como elas
são e que preguem a Palavra para elas, na expectativa e na certeza de
que a libertação vai ocorrer de dentro pra fora. Não adianta pegar um
homossexual e trocar suas vestes, fazendo dele uma personagem que passe a
imagem de religioso, se por dentro ele está ferido, está machucado. A
única coisa que a igreja pode fazer, se ela não tem respostas, é
exercitar o amor. A homossexualidade não é pior do que o adultério, a
prostituição ou a fornicação – para Deus, todos estão na mesma
categoria.
Por que a Igreja é tão radical em relação aos pecados sexuais?
Eu te diria que é por causa dessa máscara de religiosidade. Nós
condenamos os pecados sexuais, mas calamos a boca quando o assunto é a
fofoca, a intriga. E nos calamos também em relação à falta de união
entre pastores e ministérios e à busca incessante pelo poder. Não
condenamos aqueles que usam o dinheiro que vem dos dízimos e das ofertas
para suas vaidades pessoais., enquanto as igrejas estão limitadas a
templos pobres e sem estrutura porque o dinheiro é totalmente utilizado
de forma ilícita. Também não falamos contra a disputa que existe em
nosso meio: quem é o melhor pregador, quem é o melhor cantor, quem é o
que mais vende em igrejas. Isso tudo se tornou normal, mas o pecado
sexual, não. É a mascara da religiosidade.
Você refere-se a esta nova fase do seu ministério como uma segunda etapa. O que mudou em relação à anterior?
As pessoas que já conheciam meu ministério, quando vão me ver pregar
hoje, esperam aquela pregação bombástica, aquela característica que
sempre foi vinculada ao ministério Lanna Holder – aquela pregação
pentecostal, aquela palavra avivada, a necessidade de ver o povo
pulando, recebendo o que nós usamos como a forma taxativa de poder. Hoje
eu tenho muito mais preocupação em ter consciência, uma pregação com
base na Palavra, sem aquela preocupação de que precisa haver
manifestação de poder. Agora, minha maior preocupação é ministrar a
Palavra, na certeza de que em cada igreja, de acordo com a unção e com a
disposição do coração de Deus para me usar naquela ocasião, vai haver
um mover diferente. Sei que, mesmo que as pessoas não tenham pulado ou
não tenham caído, elas sairão dali com a Palavra semeada em seus
corações e com suas vidas mudadas. Só a Palavra pode fazer isso.
No
segmento evangélico, obreiros casados são mais respeitados. Você
enfrenta alguma dificuldades por estar solteira? E tem planos para um
novo casamento?
Olha, eu não tenho planos no momento, nem tenho pensado nisso. Na
realidade, até costumo dizer que os meus planos não são os planos do
Senhor. Embora eu continue sentindo que isso seja uma exigência do
público, não vou me deixar levar por essas exigências. Eu vou viver
minha vida, vou exercer o meu ministério. Quero criar o meu filho. Eu
tenho muito desejo, sim, de ter outros filhos, mas quando associo esse
sonho com a questão de um outro matrimônio, automaticamente já sinto um
desejo de permanecer solteira. Então, eu diria que essa é uma questão
que está à disposição do Senhor.
Você virou uma celebridade evangélica quando era muito jovem, com
menos de 25 anos. Agora, sente-se mais preparada para o ministério?
Com certeza. Agora tenho muito mais maturidade e senso de
responsabilidade. Eu acredito que isso é um fator determinante para que,
com a bênção do Senhor, possa continuar essa obra.