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Rotary e Maçonaria: existe alguma relação?






Johnny T. Bernardo




Entre a metade do século XIX e os primeiros anos do século XX vários grupos de ajuda humanitária surgiram em todo o mundo. Em torno deles, a polêmica: seriam clubes de serviço ou sociedade secretas? São muitas as opiniões a esse respeito. Elks (1868), Rotary (1905), Kiwanis (1915) e Lions (1917) entraram em evidência. Foram os precursores de uma nova modalidade de clube, onde ao invés de lazer prega-se a "ajuda humanitária". Os membros se reúnem semanalmente com o objetivo de unir esforços e recursos financeiros a fim de financiar projetos de ajuda a pessoas carentes e comunidades necessitadas. No entanto, para alguns pesquisadores a "ajuda humanitária" seria apenas uma fachada para esconder sua verdadeira identidade.

Entre os clubes de serviço, o Rotary é o que mais se destacou e em cuja organização estão a maioria dos maçons de nosso país. Apesar de negar qualquer relação com a maçonaria, existem evidências que comprovam seu envolvimento. Na verdade, o Rotary é apenas mais um dos muitos braços da Maçonaria.

O que é o Rotary?

Segundo nos informa o site oficial da organização, o Rotary é uma rede mundial de voluntários dedicados à prestação de serviço social. Fundado em 13/2/1905, em Chicago, EUA, a instituição tem como lema "dar tudo de si sem pensar em si". Suas metas são "melhorar a qualidade de vida da humanidade reduzindo disparidades mundiais em áreas como saúde, educação, agricultura, saneamento, recursos hídricos e pequenos negócios", assim como promover a paz e a harmonia entre os homens. Não sectários e apolíticos, os Rotary Clubs são abertas a todas as raças, culturas e credos, e estão espalhados por diversas partes do Brasil e do mundo. Homens, mulheres, jovens e adolescentes integram os diversos programas da ong. Para os jovens de 14 a 18 anos, o INTERACT. Para os universitários formadas entre 18 e 30 anos, o ROTORACT. Após os 30 anos, o cidadão pode ser membro efetivo do Rotary.

Como tudo começou

Nascido em Racine, Wisconsen (EUA), no dia 19/5/1868, Paul Percy Herris foi o segundo dos seis filhos de Gerg N. Herris e Cornélia Bryan Herris. Aos três anos de idade foi morar em Wallingford, Vermont, com seus avós paternos, que o criaram. Casou-se com Jean Thompson (1881-1963), mas não tiveram filhos. Formou-se em Direito pela universidade de Iowa e obteve o título honorário da universidade de Vermont.

Paul Herris trabalhou como repórter de um jornal, foi professor de economia, ator e caubói. Em 1896 decidiu advogar em Chicago. Certa noite, durante uma caminhada após jantar na casa de outro advogado, Paul Herris, depois de ser apresentado a alguns amigos do seu colega que eram proprietários de casas comerciais naquele bairro residencial de Chicago se lembrou da vida na cidade de New England onde cresceu. Esse episódio inspirou Harris a organizar um clube, sem "restrições políticas ou religiosas", para que executivos e profissionais liberais tivessem a oportunidade de desfrutar de companheirismo e estabelecer novas amizades.

Juntamente com Silvester Shile, comerciante de carvão, Gustavus Loehn, engenheiro de minas e Hiram Shorey, alfaiate, Harris formou o primeiro clube. O clube recebeu o nome de "Rotary" devido ao fato de que seus membros se reuniam em rodízio nos respectivos locais de trabalho. No terceiro ano do clube, Harris assumiu a presidência e decidiu que a idéia do Rotary deveria ser expandida para outras cidades e países. Em 1912, após a formação de clubs no Canadá e Inglaterra, a organização passou a se chamar "Associação Internacional dos Rotary Clubs". Com o passar do tempo, abriram-se filiais na Europa, América do Sul, África e Ásia. Em 27 de janeiro de 1947, por ocasião da morte o Presidente Emérito do Rotary Internacional, Paul Herris, havia cerca de 6000 rotary clubs pelo mundo todo.

Uma entidade filantrópica?

Usando a mesma estratégia da Maçonaria e de outras sociedades secretas, o Rotary Club afirma ser apenas uma "entidade filantrópica", não sectária e apolítica. Entretanto, sabemos que isso não é verdade. Além de algumas semelhanças com a Maçonaria, os rotarianos estão profundamente envolvidos com a política. Em algumas cidades do Brasil, como em Cotia e Ribeirão Pires (SP), ao lado do logotipo da cidade pode ser ver o símbolo do Rotary Club. A maioria dos rotarianos são políticos e muitos deles estão envolvidos na administração de várias cidades e estados do Brasil.

Provas documentais

A relação entre o Rotary Club e a Maçonaria é algo incontestável. Prova disso é que lojas maçônicas amplamente divulgas na Internet destacam ambos os fundados do Rotary e Lions, Paul Herris e Melvin Jones, como maçons. É o que encontramos no site brasilmaçon.com.br.

"Maçons famosos fundaram entidades que prestam serviços a humanidade, como Os Escoteiros, por Robert Power; o Rotary, por Paul Herris; o Lions, por Melvin Jones; o grupo de jovens de Demolay, por Frank Sherman Lan."

É praticamente impossível desassociar a imagem do Rotary da Maçonaria, até porque existem muitas evidências entre uma e outra sociedade. As características comuns a essas organizações como a composição, exclusivamente masculina, do seu quadro de membros efetivos e o método de ingresso dos novos sócios, isto é, previamente selecionados por uma comissão eletiva, são evidências que demonstram a ligação entre as sociedades.

Recentemente, objetos confirmando as suspeitas de que algumas lojas maçônicas eram compostas, exclusivamente, por rotarianos, vieram à tona. Um dos casos é da loja Rotaria número 4195 de Londres, cujas correspondências destacavam carimbos da ong e os típicos compassos com a letra "G" em evidência, símbolo internacional do Rito Escocês.

Entre os anos de 1928 e 29 houve uma campanha internacional contra o Rotary liderado pelo jornal La Civilla, de Roma, que destacava que o"código de ética do Rotary apregoava princípios semelhantes ao da Maçonaria, e que os ensinamentos filosóficos e morais tinham cunho religioso". Distribuído em vários países, o jornal defendia a ideia que o clube era "demasiadamente amigo dos maçons" e "perigosamente inclinado ao erro de tratar todas as religiões de igual valor".

A loja maçonica Paul Herris

Em São Paulo funciona desde 1981 a "Loja Maçônica Paul Herris", em uma referência ao fundador do Rotary. Organizada por Maurice Alfred Sommer, a sociedade se diz ser herdeira dos ensinos de Paul Herris. Vejamos o que diz um dos panfletos da organização.

"A história da loja maçônica Paul Herris começa com o Rotary, já que Paul Herris, seu fundador, era maçon, conforme consta nos arquivos, e por isso existem muitos pontos em comum entre o Rotary e a Maçonia, como o combate ao egoísmo, o respeito a igualdade absoluta de direitos e a todas as crenças religiosas e que cada um seja feliz com sua crença.

No ano de 1981, o irmão Maurice Alfrede Sommer, na época membro do Rotary de Sumaré (SP), sabedor que o fundador do Rotary fora maçon, convocou alguns rotarianos para prestarem uma homenagem póstuma a Paul Herris, outorgando-lhe o patronato da loja que pretendia fundar. Em uma reunião realizada no restaurante Don Ciccilo, na Água Branca, com a presença de cinco rotarianos (Maurice Sommer, João Forte, Gilberto Leite, Justino de Matos, Victor Kothe) e mais dois iniciados (Romão Gomes e José Gouveia), expôs suas ideias.

Aos 29 de junho de 1981 após um trabalho incansável do irmão Maurice, reunindo quinze irmãos, consegui instalar a loja, que é subordinada ao Grande Oriente de São Paulo e federada ao Grande Oriente do Brasil, sendo o venerável da fundação o irmão José Caparroz Sallas. A primeira reunião foi realziada no templo da Unificação, sito na Av. Fagundes Filho, 671, Oriente de São Paulo, sob a presidência do venerável Sallas. O estandarte da loja é descrito obedecendo os seguintes princípios.


a) em veículo azul claro;
b) no centro a engrenagem do Rotary em suas cores originais, substituindo-se os raios pelo esquadro e o compasso na cor dourada contendo no centro a letra "G" em vermelho;
c) abaixo da engrenagem colocar-se-á o nome Paul Herris e abaixo do nome a data de fundação.

Dos 15 irmãos que fundaram a Loja Maçônica Paul Herris, sete eram rotarianos e outros três foram admitidos no Rotary Club de Sumaré.

A Maçonaria caminha com o Rotary, em busca de FRATERNIDADE, RESPEITO E TOLERÂNCIA. A liberdade de ação e a igualdade de direitos, não poderiam, por isto, deixar de orientar a conduta de seus membros na luta por ideais elevados.

Traçando este paralelo, a Ordem Maçônica palude a existência do Rotary, que chegamos a apelidar de ‘Maçonaria Branca', já que acreditamos que Paul Herris tenha se baseado na Maçonaria para elaborar o manual de procedimentos rotários, e isto facilmente poderá ser comparador por qualquer rotariano observando uma sessão branca maçônica" (Nossa História).


Johnny T. Bernardo é apologista e colabora com o Genizah






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