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O CASAMENTO DO PRÍNCIPE WILLIAM E CATHERINE MIDDLETON - Um Sermão para o casal e para a humanidade



Danilo Fernandes


Recentemente, fui surpreendido por um e-mail do Arcebispo William Mikler me indicando o Sermão de Casamento do bispo de Londres para as bodas do Príncipe William & Catherine Middleton. 

Segundo o bispo Bill, este sermão, além de ótimo, validava a ótima fama do bispo de Londres, o Reverendissimo Dr. Dom Richard Chartres, de pessoa amorosa, piedosa e cristocêntrica.

Recebi o sermão, na língua em que foi escrito, e fiquei surpreso com o que li. Uma peça maravilhosa, que usou um momento de tanta atenção das multidões, para levar esperança, conforto e verdade. Tudo sem perder o seu propósito central – unir um casal em Amor, diante do Senhor.

Sempre que ouço um sermão de casamento, está lá a fonte. O fundamental. Contudo, é tão difícil ouvir algo relevante. A maioria faz do fundamento o lugar comum.

O casamento é o primeiro passo do projeto de Deus para a humanidade. Não à toa, está entre as primeiras direções de Deus ao homem. É o formato santo de onde tudo se fará mais perfeito. É o sacramento primordial, pois é a ordenança divina primordial aos homens. É o início da família.

A oportunidade aberta pela celebração de um casamento “global”, como o enlace do herdeiro do trono da Inglaterra, foi fielmente empregada em prol do Reino de Deus, acima dos interesses e do fascínio da monarquia e do conto de fadas de príncipes e princesas.

Em outras palavras, o autor elevou o discurso da celebração, para além da majestade do trono Britânico, na direção da Majestade de Cristo e do amor de um casal, para o vislumbrar do Amor ágape.

Confesso a minha insegurança nesta tradução. São tantos detalhes em cada frase, que me senti em uma cristaleira cercado de objetos muito preciosos.

O bispo Chartres, transmitiu a sua mensagem em múltiplas ondas de compreensão, como em um rádio, ondas: curtas, médias e longas e fez chegar o Evangelho do Senhor a todos os ouvintes, na sua diversidade, segundo a presença do Espírito e do crescimento pessoal. Fez mais: Lembrou a todo cristão, na sua condição de imitador de Jesus Cristo, das obrigações de sua santa existência neste planeta.

Espero ter, miseravelmente, levado a vocês algumas destas muitas frequências. 




Abadia de Westminster — 29 de abril de 2011. 

O CASAMENTO DO PRÍNCIPE WILLIAM E CATHERINE MIDDLETON 

O sermão do bispo de Londres 



“Seja quem Deus quis que você fosse e você irá inflamar o mundo”.


Assim disse Santa Catarina de Siena, cujo dia o festivo se comemora hoje. O casamento deve ser o caminho no qual o homem e a mulher se ajudam mutualmente a ser aquilo que o Senhor planejou para cada um, na expressão mais profunda e verdadeira do ser.

Muitos vivem temerosos pelas perspectivas futuras deste nosso mundo, mas a mensagem desta celebração para o país e para além das nossas fronteiras é a correta. Este é um dia de alegria! E é muito bom que as pessoas de todos os continentes possam compartilhar da alegria destas celebrações, pois este é, como todos os casamentos deveriam ser, um dia de esperança.

De certo modo, todo o casamento é um casamento real, onde a noiva e o noivo, como rei e rainha da criação, constroem juntos uma nova vida, para que através deles, a vida possa fluir para o futuro.

William e Catherine, vocês escolheram se casar na presença de um Deus generoso que amou o mundo de tal maneira que Se deu a nós na pessoa de Jesus Cristo.

E, no Espírito deste Deus generoso, marido e mulher estão prontos a se darem um ao outro.

Nossa existência espiritual evolui à medida que o amor encontra seu centro para além de nós mesmos.

Relacionamentos baseados no compromisso e na fé abrem uma porta para o mistério da vida espiritual, na qual descobrimos o seguinte:

Quanto mais doamos de nós mesmos, mais enriquecemos a nossa alma, mais nos superamos em amor, mais nos tornamos nosso verdadeiro ser e a nossa beleza espiritual é revelada por inteiro.

No casamento, procuramos levar, um ao outro, a uma vida mais plena. Claro que é muito difícil se afastar do egocentrismo. Podemos até sonhar em fazer isto, mas este desejo jamais será atendido, sem que haja uma decisão solene, não importando quais sejam as dificuldades, estaremos comprometidos com o caminho do amor generoso.

Vocês tomaram a sua decisão hoje – “Eu aceito” – e, ao iniciar este novo relacionamento, vocês se alinharam com o que acreditamos ser o caminho pelo qual a vida evolui espiritualmente e que conduzirá a raça humana a um futuro fecundo. Nós contemplamos à frente um século repleto de promessas e também de ameaças. A humanidade confronta a questão do uso sábio do poder que nos foi dado através das descobertas do último século.

Que o nosso engajamento com as oportunidades do futuro não se traduzam meramente na busca por mais conhecimento, se não antes pelo aumento da sabedoria amorosa e a reverência pela vida, pelo planeta e pelo próximo.

O casamento transforma, na medida em que marido e mulher fazem do outro a sua obra prima. A transformação é possível, desde que refreemos as nossas ambições para mudar o nosso parceiro. Se o Espírito flui, não deve haver coerção; cada qual dá ao outro espaço e liberdade. Chaucer, o poeta londrino, resume isto precisamente em uma frase (1):

Quando a preponderância entra, o deus do amor logo Bate as suas asas e adeus, ele se foi.

Á medida em que a existência de Deus se desvanece de tantas vidas no Ocidente, assistimos, em contrapartida, o aumento das expectativas colocadas sobre as relações pessoais e destas serem capazes, sozinhas, de proporcionar felicidade e sentido à vida.

Isto é depositar um fardo muito grande sobre os ombros de nossos conjugues. Nós somos todos incompletos: Nós todos precisamos do amor que é segurança, em vez de opressão. Precisamos nos perdoar mutuamente para florescer.

Na medida em que nos movemos na direção de nosso parceiro no amor, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, o Espírito Santo é vivificado em nós preenchendo nossas vidas com luz. Isso conduz a uma vida familiar oferecendo as melhores condições para próxima geração receber e trocar os presentes capazes de superar o medo e a divisão e nutrir o mundo vindouro do Espírito, cujos frutos são o amor e alegria e a paz.

Eu oro para que todos nós, aqui presentes, e os muitos milhões que estão nos assistindo hoje, compartilhando da alegria da nossa celebração, façam tudo ao seu alcance para apoiá-los e sustentá-los em sua nova vida. E peço a Deus que vos abençoe, neste caminho de vida que vocês escolheram. Caminho este, expresso na oração que ambos fizeram em preparação a este dia:

Deus, nosso pai, nós Lhe agradecemos por nossas famílias; pelo amor que partilhamos e pela alegria de nosso casamento. Mantenha na ordem de cada um de nossos dias, nossos olhos fixados naquilo que é verdadeiramente importante na vida e nos ajude a sermos generosos com o nosso tempo, amor e energia. Reforçados pela nossa União, ajuda-nos a servir e consolar aqueles que sofrem. A Isto Te pedimos, no Espírito de Jesus Cristo. Amém.



(1) Traduzido do Inglês medieval: "Whan maistrie comth, the God of Love anon, Beteth his wynges, and farewell, he is gon."






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