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Login do mal: a maldição da pornografia digital


Alan Brizotti


Vivemos na era dos encontros. Um dos mais devastadores para a cultura moral em nossos tempos é aquele que acontece todos os dias em muitas casas e escritórios – o encontro entre a pornografia e o ciberespaço. Esse “abraço” tecno-sexual liberou uma gigantesca onda de atrativos sexuais por meio da pornografia da internet. É a sacanagem cibernética. É muito difícil avaliar corretamente os estragos que esse voyeurismo – a observação do sexo como objeto de prazer pessoal – fará na alma moral da nossa cultura.

Antigamente era preciso correr o risco de deixar o conforto (e a segurança) da casa para ir até à zona de prostituição das cidades. Hoje, a internet – esse gigolô digital – traz a zona até sua casa. É uma espécie de pornô-delivery. No conforto de casa, “protegido” pelo silêncio da madrugada (eufemismo para “oculto atrás do anonimato”), muitos crentes (para ficarmos no âmbito do nosso público-alvo) dão vazão aos delírios mais lascivos de suas almas.

A pesquisa “O crente e o sexo” mostra resultados alarmantes quando o assunto é a pornografia na internet, no chamado “meio cristão” (sem trocadilhos, por favor!). A masturbação, a desconstrução do sexo e o apelo desesperado pelas fantasias levam para a cama dos crentes o dualismo dos amantes imaginários: o marido sonhando com a dançarina do site; a mulher, com o galã na novela.

Internet é território “livre”. Uma espécie de “terra” de todos e de ninguém. Na expressão de Edgar Morin, “No Place” (um não-lugar). O filósofo pós-moderno Mark Taylor declarou: “A terra sem lei de um povo falível, que está eternamente acima do bem e do mal, é o mundo de Dionísio, o Anticristo, que chama todo vagabundo para o carnaval, a comédia e a carnalidade”. Nessa “terra” tecnológica e sensual, ninguém censura nada. “É proibido proibir”, velho slogan, velhos pecados. Não há limites. É a terra en-cantada – ou pior – o reino des-encantado da sedução digital.

Chegamos a um nível de facilitação lasciva admirável, qualquer lugar, hora e aparelho serve como porta de entrada ao reino do lingerie: celular, iPad, iPhone, notebook, PC, TV, revistas e afins... A lista é grande, feia, suja, provocante e ilusória (o Photoshop que o diga...). A indústria, há tempos, rendeu-se à pornografia da internet. Milhões são investidos em propaganda, acessórios e mentiras. As mulheres são, cada vez mais, negociadas como mercadorias de sex shop. Trocou-se a poesia do romance pela pegação atordoante. Do MSN ao Youtube, das redes (às vezes, de esgoto) sociais ao Google (o avatar da deusa Mídia), o “banquete” erótico está servido.

Só para lembrar: sexo na Bíblia só é celebração quando está dentro do casamento – seu lugar de origem e propósito – seu ambiente de amor. Sexo na Bíblia é bênção de Deus, não uma aventura fisiológica diante de uma tela com seus megapixels e suas garotas cibernéticas. Sexo na Bíblia é uma caminhada na história – a dois – compartilhando não apenas o que rola na cama, mas o que se constrói no chão da vida. É atestado quando se levanta da cama, e não apenas quando se deita.

Como dizia Erasmo (o teólogo, não o “Tremendão”): “O casamento da mente será maior que o casamento dos corpos”). Que a maldição da pornografia digital não destrua a abençoada realidade do sexo no casamento.

Não faça esse “login” do mal. 



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