Coisas que Deus nunca prometeu

Alan Brizotti

A lista das coisas que Deus nunca prometeu é enorme. A criatividade duvidosa dos vendedores da fé ultrapassa todos os limites. Prometem o que Deus nunca prometeu, vendem o que Ele nunca comprou e dizem - em nome de Deus - o que o próprio jamais disse. Esse é o estelionato religioso, produto mercadológico dos "irmãos Metralhas" da celestialidade bandida.

Quantas vezes você já ouviu um pregador prometer milhões de coisas antes de pregar? Aí pergunto: e se Deus não quiser fazer nada naquela noite? Quem poderá forçá-lo a fazer? Por causa do surto milagromaníaco que invade as igrejas/empresas da autoajuda sagrada de hoje, esses camelôs eclesiásticos insistem em vender quinquilharias religiosas aos moribundos psicológicos que frequentam os shoppings/templos cotidianos.

Virou mania chamar para si prerrogativas divinas. Já não basta ser apenas um homem de Deus, é preciso ser uma espécie de super-herói, de quebra-galhos divino, um mágico celestial que confunde Deus com um gênio da lâmpada. Muitos preferem ser uma espécie de anjo Gabriel com surto de idiotice a ser gente de Deus andando na terra sobre o chão da humildade.

Deus nunca prometeu facilidades. A vida cristã é caminho de cruz. É andar nas trilhas íngremes das tribulações. É aprender a morrer. Jesus chama seus discípulos e avisa: "Vou rogar ao Pai e ele vai enviar outro Consolador" (Jo. 14. 16). Ora, consolo não é para quem está na festa, no shopping ou no parque de diversões, mas para quem está no luto, na crise, na dor. Essa é a promessa que Jesus fez: Preparem-se para as perdas! O Consolador é uma certeza!

Deus nunca prometeu sucesso em tudo. Principalmente o sucesso sob o ponto de vista da sociedade estranha de hoje. Sucesso para Deus é um retorcido numa cruz salvando o mundo de seus pecados! A lista das bem-aventuranças mostra o tipo de gente que Jesus abençoou com o adjetivo "Felizes": pobres de espírito, os que choram, mansos, famintos e sedentos por justiça, misericordiosos, puros de coração, pacificadores, sofredores e os injuriados e perseguidos pela causa de Cristo (Mt. 5. 3-11). Ou seja, dessa lista exclui-se grande parte dos líderes religiosos dessa igreja/circo da atualidade.

Deus nunca prometeu uma série de outras coisas que se inventam todos os dias nas igrejas. Por exemplo, ele nunca prometeu compensação imediata em troca das ofertas (o próprio termo "ofertar" já implica um doar desinteressado). Ofertas, na Bíblia, sempre vêm acompanhadas de sacrifício (viúva pobre, por exemplo (Lc. 21. 1-4)). Hoje, oferta-se não mais com a dor do sacrifício, mas com a ansiedade do retorno. Já não é oferta, mas investimento no banco da celestialidade.

Não quero as promessas dos empresários de deus. Quero permanecer firme nas promessas do meu salvador. Principalmente na maior de todas: "Eis que venho sem demora" (Ap. 22. 12).


Alan Brizotti toca subversão no Genizah



7 de setembro e a (in)dependência do Brasil


Não é de hoje que todo mundo sabe que a cena não foi tão linda quanto aquela pintada "às margens do Ipiranga". A gente até ama a nação, mas é um amor meio bandido, meio desconfiado, um tanto cafajeste. Mas, afinal, isso é Brasil: a eterna dança entre o belo e a desconfiança...

O Brasil ainda é dependente. Depende da Globo, por exemplo. A seleção brasileira de futebol é produto exclusivo da Globo. As pesquisas eleitorais seguem os padrões "Globais" do que José Arbex Jr. chama de "Showrnalismo", a notícia como espetáculo, a manipulação da massa - e engana-se muito quem acha que isso é bobagem - nas eleições presidenciais, por exemplo, a mídia insiste numa polarização à lá plebiscito: Dilma x Serra, como se Marina fosse apenas uma nota de rodapé na história (sem falar nos outros candidatos).

O Brasil ainda e dependente da xenomania. Em terras tupiniquins tudo que vem do "estrangeiro" é ótimo! Ainda percebemos aquele êxtase quando alguém apresenta um diploma estrangeiro, uma viagem internacional, um prato francês, um terno italiano, uma pimenta mexicana. Até nas igrejas, canta-se o sensualíssimo tango argentino, e demoniza-se o baião ou o frevo. Isso sem falar nas inúmeras expressões que adoramos utilizar dos outros idomas, capiche?


O Brasil ainda é dependente das fórmulas mágicas. Ainda não sabemos fazer uma leitura crítica sem odiar o escritor. Não sabemos compreender as expressões lidas dentro de seus respectivos contextos, e criamos heresias monstruosas com base em frases isoladas. Não sabemos discordar sem destruir. Ainda dependemos da famosa fórmula: mostre o erro, mas mostre a solução! Ou seja, quero ter a receitinha básica desse analgésico teológico. Por que pensar por si, se o escritor é obrigado a dizer por mim???


O Brasil ainda é dependente da malandragem. O imaginário popular brasileiro ainda convive com o "jeitinho". É a habilitação comprada, o farol vermelho avançado, a "carteirada" para cortar fila ("sabe com quem você está falando?"), o famoso QI (Quem Indica), artifício safado para ganhar vantagens, e a lista é extraordinariamente grande. Ainda dependemos da ginga que dribla a ética.


O Brasil ainda é dependente! É um país onde poucos têm milhões e milhões têm migalhas. Nosso país precisa de uma igreja forte, madura, de caráter. Uma igreja que sinalize a graça e o caminho da verdade. Uma igreja brasileira, firme e compromissada com Cristo.

Um abraço



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Alan Brizotti, colaborador do Genizah



QUANDO SOU JOIO E QUANDO SOU TRIGO


Por Levi Bronzeado


Graças a Deus, por Ele ter me permitido mesmo tardiamente, conhecer o “porquê” do preconceito que tinha contra os que não professavam a minha fé. Preconceito este, que durante muito tempo em minha vida encharcou-me a alma com a lama e o ranço da intolerância. Agora, aos meus sessenta e dois anos de idade, fazendo um retrospecto, cheguei à conclusão de que o meu coração foi preparado e adubado desde a mais tenra infância com um único propósito: o de conceber só as sementes do trigo. No resguardado campo do minha plantação, eu só podia admitir o trigo. Quanto ao joio eu aprendera a enxergá-lo só nos outros, concepção essa reforçada diuturnamente através dos alertas de minha mãe, que em tom ríspido falava: “Olhe, meu filho! Você é um crente ouviu? Não se misture em hipótese alguma com esses moleques de rua”.

Foi por esse tempo de minha formação juvenil, que de forma inconsciente, foi semeada no campo fértil do meu coração, uma sementezinha de joio, que fazia me ver como uma pessoa privilegiada, de primeira classe. Aprendi por essa época, como olhar as pessoas de classe inferior (os incrédulos) de soslaio, como quem enxerga um animal irracional. Enfim, era considerado pela minha comunidade religiosa como o trigo da parábola. No entanto, era junto aos moleques de ruas (tidos como joio) que eu fazia às escondidas, mil estripulias. A meu ver, secretamente, eu podia fazer de tudo junto à molecada. Contanto que os meus pais de nada soubessem, em minha imaginação, estava seguro do meu lugar no panteão das moradas celestes. A semente do joio representada pelo egoísmo, pela prepotência, pela estupidez, e pela mentira já tinha germinado em minha mente de criança, sem que eu e meus pais tivéssemos consciência. A santidade que diz: “separados do mundo”, vendara os meus olhos para não enxergar o óbvio. Assim como o apóstolo Pedro queria que os gentios se comportassem como judeus, quando ele mesmo às escondidas se servia de práticas pagãs, assim eu também me comportava. Na rua era um diabinho, e em casa um santinho da mamãe e do papai.

Lembro-me bem que entre meus “amiguinhos incrédulos” havia um “moleque” desbocado e de compleição física avantajada que acusávamos sempre de ser o culpado, quando nossas ações más eram descobertas pelos adultos. Ele era o nosso “bode expiatório”. Tudo que saia errado, dizíamos: é culpa daquele ali. E mandávamos o mesmo desaparecer desabaladamente, para não ter que dar satisfações ─, numa reedição daquilo que faziam os filhos de Israel na época de Moisés, quando transferiam os seus pecados para um bode que depois era solto para desaparecer sozinho pelo deserto inóspito.

Imaginem o que seria de muita gente graúda que hoje vive tirando onda de santinho, se não fosse o tal “bode expiatório?”. Só que essa gente se ilude ao pensar que o nosso semelhante escolhido para “bode expiatório”, tem o poder de retirar o joio de seus fingidos corações, deixando o trigo intacto.

Distante mais de meio século dos tempos de minha meninice, por incrível que pareça, ainda vejo pais e mestres (que no dizer de Paulo já deveriam se alimentar de sólidos) cantando a mesma ladainha: “Nós somos trigos, os outros são o joio”. Esse pressuposto foi explorado brilhantemente por Sartre ao cunhar a célebre frase: “O inferno são os outros”.

Eu perguntaria ao nobre leitor:

Por acaso, o nosso roçado de trigo cercado com muros aparentemente indevassáveis, são realmente só de trigo?

Deus parece estar dizendo: “Oh! Que triste engano homem! O trigo é muito parecido com o joio, e ao teu débil olhar, parecem ser a mesma coisa”.

Seríamos tão mais convincentes e sinceros se admitíssemos que em nossas atitudes e racionalizações, ora somos trigos, ora somos joios. Mas algum leitor poderá contra-argumentar:

─ Sendo assim, estou diante de uma contradição, pois a Bíblia revela que de uma mesma fonte não pode jorrar água doce e água amargosa.

Se em cada pessoa só existisse um tipo de fonte ─ o leitor estaria com a razão.

Só que essa assertiva não resiste a uma boa análise, pois na realidade existem duas fontes: uma é a fonte de vida e outra a de morte ─, cada uma com seu tipo de líquido.

A história registra que alguns antigos ao reconhecerem a dualidade existencial, simbolizada pelo joio(metáfora do mal) e pelo trigo (metáfora do bem), imaginavam que o ser humano fosse possuidor de duas almas: uma boa e outra má. Assim é que Xenofonte em sua obra: “A Vida de Ciro”, sobre certo nobre persa de nome Araspe, o qual teve conduta errônea para com Pantéia, uma bela escrava, assim declamou: “Ó Ciro, estou convencido que tenho duas almas; quando a alma boa domina passo a praticar ações nobres e virtuosas; mas quando a alma má predomina sou constrangido a praticar o mal. Tudo quanto posso dizer quanto ao momento é que minha alma boa é encorajada pela tua presença, tendo assim obtido o domínio sobre minha alma má”.

Uma versão cristã análoga a de Xenofonte, foi a que Paulo proferiu diante dos Romanos (7; 21): “Acho então esta lei em mim, que mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo”.

A respeito do “trigo” ─ como metáfora do bem, e do que é verdadeiro; e do “joio” ─ como metáfora do mal e do que é falso, podemos assegurar que: quanto mais profunda for a espiritualidade do crente, maior será a sua percepção para entender esse conflito humano que fez o apóstolo Paulo num momento de arrebatadora intuição, assim se definir: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?”(Rom 7: 24).


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Fonte:
Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira, 18 de fevereiro de 2008



Você conhece alguém que tenha mau hálito? Já contou pra ele?


Hermes C. Fernandes

Graça, por definição, é favor imerecido. Algo que recebemos sem o merecermos. Não apenas a salvação de nossa alma é pela graça, como também tudo o que nos é concedido pelo Pai. Dons espirituais, aptidões naturais, oportunidades, relacionamentos, bens materiais, saúde, idéias, sonhos, são todos expressões da multiforme graça de Deus.

Tiago afirma categoricamente: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg.1:17). Eu não tenho que tentar convencê-lO a me abençoar, ou mesmo tentar arrancar d'Ele algo à força. Não tenho que brigar ou argumentar com Deus. Ele está 100% propenso a nos acolher e atender aos anseios mais profundos de nossa alma. Na verdade, antes mesmo de pedirmos, Ele já nos abençoou com toda a sorte de bênçãos nos lugares celestiais (Ef.1:3).

Para que haja consciência da graça, temos que antes ter consciência de nosso demérito. A pergunta que deve insistir em nossa mente é: "o que foi que Deus viu em mim?". Chegamos mesmo a pensar: "Deve ter havido um engano! Isso não deve ser pra mim! Deus se confundiu!" Não que duvidemos da eficiência do serviço de entrega dos céus. Duvidamos, sim, é de que haja em nós algum coisa que nos faça merecedores de Sua benévola atenção.

Quando alcançamos tal consciência, somos invadidos pelo sentimento da gratidão.

A gratidão é o primeiro efeito produzido pela Graça em nossa vida.

Se existisse acaso, não haveria gratidão. Mas se o que chegou às minhas mãos veio da fonte da Graça, servindo ao Seu propósito eterno, logo, só me resta reconhecer e agradecer.

A ingratidão revela quem jamais teve um genuíno encontro com o Deus de toda Graça. Não há como ficar indiferente. A gratidão passa a ser a maior força propulsora da nossa vida. Nossas boas obras deixam de ser moeda de troca, ou tentativa de tornar-nos merecedores, e passam a ser expressões de nossa gratidão a Deus.

Como a Graça nos leva a refletir sobre nossas ações? Ora, um Deus que me acolhe graciosamente, independente dos meus méritos... o que Ele merece de mim? Assim, todas as nossas atitudes passam a ser recebidas por Deus como "ações de graça".
Passamos a enxergar a vida de um prisma totalmente diferente daquele que ainda não se conscientizou da graça.
E com isso, a vida recupera seu sabor original. Experimente assistir a um pôr-do-sol com o coração repleto de gratidão a Deus. Você terá a sensação de as cores do dégradé celestial parecerão mais vivas. Até um prato de arroz com ovo parecerá delicioso.

Abra um pouco mais o leque. Experimente ouvir uma bela canção, seja cristã ou secular, com seu coração enternecido de gratidão. Dificilmente você não se emocionará.

Pare de reclamar da vida, da sorte, dos filhos, do cônjuge, do emprego. Troque os óculos ultrapassados da ingratidão pelas lentes de contacto da gratidão.

Você vai aprender o que significa a instrução apostólica “em tudo dai graças” (1 Ts.5:18). Em qualquer situação, ainda que adversa, dê graças!

Acolha a existência com todas as suas demandas e implicações como uma EUCARISTIA. Esta palavra grega usada em alusão à Ceia do Senhor significa “ação de graça”. Paulo afirma que “tudo o que Deus criou é bom, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graça” (1 Tm.4:4).
Então, abra a janela de seu quarto, respire fundo, e solte um “obrigado, Senhor!”.

Aprenda a ser grato àqueles que foram os instrumentos da graça de Deus em sua vida. Seja com provisão material, ou com instrução, ou simplesmente com amizade. Agradeça a Deus até pelas pessoas que te são ingratas. Quem sabe um dia Deus lhes removerá as vendas dos olhos, para que caiam em si e vejam o mal que causa a ingratidão.

O ingrato é como o sujeito que tem mau hálito. Ele mesmo não percebe. Mas todos ao seu redor, principalmente os mais chegados, sabem que algo não vai bem em seu organismo. Não basta usar mentol, ou uma pastilha de hortelã; tem que cuidar da úlcera que está corroendo seu estômago. Assim também, não basta usar palavras bonitas, convincentes, tem que tratar com a ingratidão crônica que existe no profundo de sua alma.


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Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah




John Piper - Guerreiro Massai



Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Tradução e Legenda : canal Defesa pelo Evangelho
Em Voltemos ao Evangelho





Cachorra gospi quer ser deputada gospel


O funkeira Tati Quebra Barraco, conhecida por cantar músicas com letras proibidonas sobre sexo, começou a frequentar uma igreja evangélica há um ano e teria virado gospel.

Quando nós fizemos a graça de postar esta tão relevante notícia por aqui, as opiniões se dividiram e o debate enveredou para o bom e velho "golpe gospel na carreira decadente" versus "sinceridade da moça". O que definiu posições foi a declaração da artista que informou não se arrepender de seu passado e carreira e deixou claro o seu desejo de conciliar a fé com o seu estilo musical - incluindo as tais letras impróprias para menores...

Ou trocando em miúdos Tati seguiria gospel, contudo no seu-estilo-rebolativo-gordito-voziferando-letras-de-duplo-sentido-tudo-na-base-da-safadeza-inspirando-a-fornicação-generalizada; enfim: uma versão negra, funkeira e favelada de Genival Lacerda, é ou não é?

Seus pastores atestaram sua vida transformada em entrevista dada ao jornal EXTRA, mas nas rádios e nos bailes funk cariocas, Tati seguia cantando a superioridade da marca DAKO de fogões...

Se na disputa com Brastemp, DAKO é bom, DAKO é bom, eu não sei... Mas fiquei bem menos surpreso com a nova quinada na vida da quebra (antes barraco) apartamento duplex...

A funkeira de Gizuz é candidata a deputada federal com direito a plataforma, que não é sandália de salto e nem bota de chacrete, foto de lambe-lambe e atestado de maus antecedentes...


Agora sim, a autora do clássico "Me chama de cachorra" vai vencer na vida e, se vacilar, o Feliciano ainda discipula a moça no reteté...

E enquanto não sai o primeiro discurso, aproveitem ai o mega sucesso da moça... Vai tocar na festa da posse.






Postou o suspeito de sempre no Genizah.



Vidas Secas


Carlos Moreira


Ouvir pessoas tem sido um de meus “ofícios”. Abrindo o coração, elas dão a volta ao mundo sem sair do lugar, falam de seus dramas. De repente, embarco em “cenários”, torno-me parte de histórias, Sinto “dores de parto”; sofro...

Os dias são difíceis, nós já sabemos. Há um “espírito” pairando sobre nós – zeitgeist. Somos todos e não somos ninguém, nos commoditizamos, estamos em processo de desconstrução, pois tudo ao nosso redor é impermanente. Desumanizados, sem essência, sem substância, existimos sem a porção que nos torna gente.

Lembro de Graciliano Ramos, no seu livro “Vidas Secas”. É a história da mudança e da fuga. Produzido na década de 1930, “Vidas Secas” poderia ser a crônica de um jornal de hoje. Pessoas em fuga! De si mesmas, de lugares, de histórias, de “miséria” em “miséria”. Não se trata mais, como no romance, da busca pela subsistência, mas das premissas mínimas para a existência.

Ezequiel nos expõe esta mesma realidade no capítulo 37 quando fala do “Vale de Ossos Secos”. Ali ele é levado a um local ermo aonde Deus lhe faz uma surpreendente revelação. O cenário ganha contornos de uma “sala de cinema” e o profeta, transformado em “mídia”, torna-se o “projetor” do inconsciente coletivo – Jung – da nação de Israel. Diante dele está o holograma imaterial do que estava acontecendo no mundo da matéria, das coisas visíveis.

A “visão” de Ezequiel é fenomenológica, conforme Kant, pois está acontecendo no tempo e no espaço, mas também é consciência geral, comum a todos os sujeitos cognitivos, conforme Husserl. Neste cenário “ficcional”, ele vê diante de si um cemitério, um lugar onde a vida se extinguiu por completo. É o “mosaico” de “Vidas Secas” sob a pintura expressionista de Portinari.

De fato, aqueles eram dias difíceis... Israel, exilado na Babilônia, estava diante de uma cultura muito diferente da sua. Havia um forte sentimento de perda, pois Jeová os havia abandonado, e isso criara uma amargura incrustada na alma, um sentimento de revolta, de desespero e solidão. Foi à soma de toda esta energia psíquica que “produziu” a “visão” que Ezequiel, pelo Espírito, contemplou.

Ler o texto de forma consecutiva nos dá a impressão de que a “visão” do profeta não é “visão”, mas realidade, aquilo que está acontecendo naquele momento. Mas, na verdade, não é assim... Há algo no texto, ainda que sutil, que muda esse eixo de interpretação. Está no verso 11. Nele o autor faz a guinada na narrativa e, deixando o mundo espiritual “para trás”, retorna ao concreto, ao real. E é só a partir daí que Deus começa a esclarecer ao profeta o que ele havia visto: “11- Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a nação de Israel. Eles dizem: ‘Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados”.

Naquele momento, a “visão” já havia cumprido o seu propósito: construir no coração de Ezequiel as percepções necessárias para o desenvolvimento de sua missão. Dali por diante, não era mais preciso “olhar” para o “Vale de Ossos Secos”, pois ele representava apenas “EFEITOS”. O grande desafio era voltar-se para as pessoas, para o mundo cotidiano, pois ali estava as “CAUSAS”, o nascedouro dos fenômenos capaz de transformar Vidas Singulares em “Vidas Secas”.

E tudo começa com o que está dito no verso 11: “nossos ossos secaram”. Não é uma frase solta, um lamento despretensioso. É o gemido que sai do íntimo do ser, pois a sequidão da alma havia chegado até aos ossos. Aqui está uma das causas para a desconstrução de vidas: “ALIMENTAR” O MUNDO IMATERIAL COM AS PRODUÇÕES DO MUNDO REAL. Principados e potestades “comem” tudo aquilo que nós produzimos! Por isso nossa luta não é contra pessoas, mas contra seres do mundo espiritual. “A serpente se alimenta do pó da Terra”; demônios se banqueteiam com sentimentos como iras, ódio, inveja, amargura, rejeição, e constrói em torno de nós uma “engrenagem” que se retroalimenta de tudo isto.

A cura só se processa quando a alma é sarada pelo Espírito de Deus, através da pacificação interior, do perdão que é dispensado pela graça Divina. Isto fica perceptível no texto, pois a “reconstrução” do cenário de morte começa de dentro para fora; os ossos ganham nervos, tendões, carne e pele. A estrutura se ergue, fica de pé, mas ainda não tem fôlego, são autômatos, zumbis! Ainda se está diante de um cemitério. Só quando o Espírito é “soprado” sobre aquelas “carcaças” é que a vida recomeça e elas se tornam humanos.

O segundo ponto que percebo no texto, e que gera demolição em vidas, é a perda da esperança. Veja novamente o verso 11: “nossa esperança desvaneceu-se”. Trata-se do aprofundamento do estágio anterior; é A PAVIMENTAÇÃO DO CAMINHO PARA A DESARTICULAÇÃO DAS ESTRUTURAS DO PSIQUISMO. Quando a esperança se vai, a pessoa não acredita mais em nada. É o “esquematismo da miséria”. É Neste estágio que se instalam em nós doenças como a depressão, os distúrbios psicossomáticos e as síndromes – do pânico, por exemplo. A vida perde o apetite, o significado, a razão de ser.

Thomas Quincey diz que “as pegadas feitas na alma são indestrutíveis”. Ali estava um povo ferido, sem esperanças. Suas almas eram como masmorras sombrias, “esgotos” de desespero e agonia. Trancadas em si mesmas elas se revolviam em meio à dor e assim drenavam toda energia vital, toda alegria, tudo o que produz paz e bem. Tire os sonhos de um ser humano e você verá que ele não terá mais horizontes. Os Israelitas já não acreditavam que era possível sair daquela girândola da morte.

Aí entra Deus no descaminho humano! O verso 12 diz: “abrirei os seus túmulos e fá-los-ei sair”. Sim, há pessoas cujo interior tornou-se cova, lugar de morte. Ali está todo acúmulo de negatividade que a vida deixou. É como o sargaço trazido pela maré que fica na praia e apodrece. Mas Deu derrama luz nas nossas trevas! É a luz da confissão e do arrependimento que faz com que a poeira dos porões do ser saia pelas janelas da alma! É o resgate da vida! O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã!

Finalmente, ainda percebo um último “fenômeno” que destrói pessoas. Observe a fala final do verso 11: “fomos exterminados”. É uma afirmação conclusiva, definitiva, última. Viver agora é mero cumprimento de obrigação, é rotina, enfado e canseira. Este “sentir” representa o que considero A CONSTRUÇÃO DA LOGÍSTICA PARA ACOLHER AS SOMBRAS DA MORTE.

Ah, como tenho encontrado gente assim, com a “Vida Seca”, se arrastando existencialmente, amargando existir, na estação outonal, onde os pranteadores andam ao derredor, e as aves esperam a carniça para devorá-la. Em circunstâncias como esta, só um novo projeto pode trazer resultados. Aqui não adianta mudar hábitos, condicionamentos, ou até mesmo mudar de lugar, fugir, como fazia o Fabiano, do livro de Graciliano Ramos. Aqui é preciso uma nova perspectiva.

Por isso Deus – verso 12 – precisava semear entre eles um novo sonho: “trarei vocês de volta a terra de Israel”. Agora sim! Ele voltara a agir no meio do seu povo! O céu deixara de ser de bronze, impermeável, pois o tempo da visitação chegara novamente, o dia oportuno, o dia da salvação! A Babilônia ficaria para trás, com suas “simbologias” que representavam um tempo onde a “vida secou”. Mas o Espírito Dinâmico entendera que à hora do resgate havia chegado. Agora era só aguardar o livramento!

“Vidas Secas”... Como torná-las férteis novamente? Talvez analisar estes processos descritos anteriormente ajude a compreender algumas dinâmicas fenomenológicas e arquetípicas que se interpõe no caminhar dos humanos sobre a Terra.

De todo modo, em João, capítulo 7, Jesus nos apresenta uma perspectiva ainda melhor: “se alguém tem sede venha a mim e beba”. É uma metáfora em alusão a única coisa que pode gerar saciedade existencial: ir a Ele e, nEle, ser! Estais sedento? Venha e beba! Sua vida se dessignificou? Venha e beba! Tem existido com sombras no coração, com hálito de morte? Venha e beba! Perdeu a esperança? Venha e beba! O convite permite que se plante, no “jardim” do coração, sementes de misericórdia, as quais serão regadas diariamente com lágrimas de amor. Creia-me: você verá que, em pouco tempo, elas produzirão verdadeiros milagres; paz, saúde, vida e bem.

S O L A G R A T I A !

Carlos Moreira é mais um subversivo do Reino a colaborar aqui no Genizah




Jesus Cristo foi uma pessoa comunitária


Ariovaldo Ramos


Na sua primeira manifestação pública, em Caná da Galiléia, ele estava com os seus alunos. Jo 2.1-11

Seu primeiro milagre, que foi discreto, até onde um milagre pode ser discreto, provocou fé, primeiramente, em seus alunos. Jo 2.1-11

Andava sempre em comunidade. Lc 8.1-3

Apresentou, como sua família, a comunidade. Mt 12.47-49

Ele disse a Pedro que edificaria uma comunidade em torno da identidade dele, como Deus, que veio em carne e osso para nos salvar. Mt 16.18

Disse que era pela comunidade que formara, e que seria acrescida, que ele se separava para a cruz e a ressurreição, para que sua comunidade se separasse para viver segundo a palavra do Pai. Jo 17.17

Em seu último relatório ao Pai, fez questão de dizer que preservara a comunidade recebida do Pai. Jo 17.6-20

Pediu ao Pai que a comunidade que ele formara, e que seria acrescida, se tornasse uma comunidade perfeitamente unida. Jo 17.21

Vivia de ofertas. Lc 8.3

Ensinou que o Pai é da comunidade, e que é a partir da comunidade que devemos orar. Mt 6.9

Ensinou que o pão deve ser comunitário, e para a comunidade deve ser pedido. Mt 6.11

Reconhecia os que viviam em comunidade e os que não viviam, e rogava pelos que viviam em comunidade. Jo 17.9

Disse que ele seria anunciado quando, em comunidade, comêssemos do pão e bebêssemos do vinho, em memória dele. Lc 22.15-17

Se via como um pastor que queria reunir, em comunidade, as suas ovelhas. Jo 10.14-16

Muitos começaram a criticar a ênfase no uso da imagem do templo para designar o local de reunião da comunidade. Correto! O templo de Deus é a comunidade e não o lugar onde a comunidade se reúne. Agora, entretanto, muitos dos que fizeram a crítica primeira, começam a dizer da não necessidade de vida comunitária. Errado! Deus é uma comunidade, e é na vivência comunitária que expressamos sua imagem. O ser humano nasce da comunidade, na comunidade e para a comunidade. Jesus Cristo veio buscar e salvar o que se havia perdido: a unidade humana! É nesse propósito que cada ser humano, que crê, é salvo.


Um maravilhoso domingo de comunhão entre irmãos e junto ao Pai é o desejo da turma do Genizah a todos os nossos leitores!



Portas Abertas lança projeto para ajudar vítimas das enchentes no Paquistão

PAQUISTÃO (14º) - As enchentes no Paquistão afetaram 14 milhões de pessoas, deixando mais de 1.600 mortos – e os números não param de subir.

A Portas Abertas trabalha há alguns anos com os cristãos perseguidos da região, mas com grupos pequenos. Essa catástrofe, fruto da natureza, acabou por agravar a situação da Igreja, tornando-a mais vulnerável ainda à perseguição e à discriminação.

As mesquitas são os únicos abrigos disponíveis. Uma vez lá, os cristãos são pressionados a se converter ou a conviver com a possibilidade de serem acusados de blasfêmia.

A Igreja tem presença significativa em três áreas afetadas pelas enchentes: Pakhtunkhwa, sul de Punjab e Sindh. Há cerca de 1.500 famílias cristãs nesse território.

Ajuda emergencial

O objetivo da Portas Abertas é providenciar ajuda emergencial a curto prazo a fim de fortalecer a Igreja em longo prazo.

Portanto, uma equipe irá às áreas afetadas para suprir as necessidades básicas dos cristãos, demonstrando-lhes o amor de Cristo por meio de visita, atendimento médico e discipulado.

Nosso principal desafio é encontrar acesso às áreas afetadas mais remotas. Contaremos com a ajuda da comunidade local para isso.

Foi estimado um custo de R$ 312,58* para amparar uma família de 6 pessoas durante um mês. O objetivo da Portas Abertas Internacional é sustentar as 1.500 famílias da região durante três meses (de setembro a novembro).

Para fazer sua contribuição clique aqui.



A resposta do Genizah a Edir Macedo



Está circulando na internet um vídeo em que o Bispo Edir Macedo declara abertamente ser a favor do aborto. Segundo ele, sua mãe teve 33 filhos, dos quais 16 foram abortados, dez morreram, e apenas 7 sobreviveram, nem por isso ela teria deixado de estar com Deus. Portanto, Edir é sobrevivente de um tipo de roleta russa do aborto. Não sei quais eram os critérios que sua mãe usava para escolher qual filho deveria abortar. E se houvesse sido ele?

Imaginei que o fundador da Universal se pronunciaria favorável ao aborto em casos excepcionais, como numa gravidez fruto de um estupro, ou de um feto sem cérebro. Mas em vez disso, ele demonstrou simpatia por qualquer tipo de aborto, desde que a criança seja considerada um problema para a família.

Na próxima edição do Almanaque Genizah estaremos respondendo ao seu polêmico posicionamento na reestreia do "Cá entre nós..."

A blogosfera cristã vai tremer...



A seguir o vídeo com as declarações infames deste falso profeta e um anúncio veiculado no seu canal RECORD NEWS fazendo apologia ao aborto financiado com o dinheiro dos dízimos dos fiéis.










Pastores americanos querem fim da Teologia da Prosperidade nas igrejas


Um grupo de pastores negros está pensando em estratégias para espalhar os ensinamentos bíblicos e anular os ensinamentos do evangelho da prosperidade, que foram proliferados em suas igrejas.

Lance Lewis, pastor da Christ Fellowship na Filadélfia, diz que “o evangelho da saúde e da riqueza é uma ameaça tão grande para a igreja histórica negra como o liberalismo teológico foi para a igreja evangélica no início do século 20″, informou a revista americana Fé.

“Para o balanço do século 20 a igreja histórica negra, enquanto não reformada corretamente, defendeu a principais doutrinas da fé ortodoxa”, disse ele em uma carta aos líderes da Igreja Presbiteriana na América. “No entanto, no final do século passado, o evangelho da prosperidade (que, em suas diversas formas, sempre à espreita, está perto da igreja negra) esteve cada vez mais perto de se tornar a teologia central acreditada e praticada pela igreja negra”.

“As igrejas em que crescemos agora está doutrinando esta forma destrutiva de heresia”, disse Lewis, cuja igreja é apresentada como multi-étnicas.

Lewis está entre um grupo de pastores da Conferência de Pastores Africanos (APC) que estão se preparando para sediar um evento chamado Revival 2K10. Os organizadores da conferência a ser realizada do dia 4 a 6 de junho, em Baltimore, estado de Maryland (EUA), planejam lançar um movimento para combater a, segundo eles, “heresia” do evangelho da prosperidade.

“O objetivo deste evento é o impacto da igreja negra e com a comunidade negra histórica, o cristianismo redentor, que é biblicamente fundamentado, dirigido e centrado em Cristo”, explicou Lewis.

O evangelho da prosperidade é uma teologia muito criticada, que ensina que a riqueza e a boa saúde são um sinal da bênção de Deus. Nos últimos anos, um número de líderes cristãos negros saíram em oposição ao ensino e expressaram preocupação entre as igrejas africanas-americanas.
O dr. Robert M. Franklin, negro e presidente da Universidade Morehouse em Atlanta (EUA), escreveu que o evangelho da prosperidade era a maior ameaça às igrejas negras.
A maior organização americana da igreja africana, com 7,5 milhões de membros na Convenção Batista Nacional, denunciou o ensino da Teologia da Prosperidade, observando sua popularidade na África.

Lewis disse que “nosso desejo não é causar nenhum tipo de separação. Só esperamos ver a obra de Deus entre os nossos povos, que como sabemos, teve pouca exposição à teologia bíblica reformada há mais de cento e cinqüenta anos.”
Traduzido pelo Gospel+ da Christian Today

Um grupo de pastores negros está pensando em estratégias para espalhar os ensinamentos bíblicos e anular os ensinamentos do evangelho da prosperidade, que foram proliferados em suas igrejas.

Lance Lewis, pastor da Christ Fellowship na Filadélfia, diz que “o evangelho da saúde e da riqueza é uma ameaça tão grande para a igreja histórica negra como o liberalismo teológico foi para a igreja evangélica no início do século 20″, informou a revista americana Fé.

“Para o balanço do século 20 a igreja histórica negra, enquanto não reformada corretamente, defendeu a principais doutrinas da fé ortodoxa”, disse ele em uma carta aos líderes da Igreja Presbiteriana na América. “No entanto, no final do século passado, o evangelho da prosperidade (que, em suas diversas formas, sempre à espreita, está perto da igreja negra) esteve cada vez mais perto de se tornar a teologia central acreditada e praticada pela igreja negra”.

“As igrejas em que crescemos agora está doutrinando esta forma destrutiva de heresia”, disse Lewis, cuja igreja é apresentada como multi-étnicas.

Lewis está entre um grupo de pastores da Conferência de Pastores Africanos (APC) que estão se preparando para sediar um evento chamado Revival 2K10. Os organizadores da conferência a ser realizada do dia 4 a 6 de junho, em Baltimore, estado de Maryland (EUA), planejam lançar um movimento para combater a, segundo eles, “heresia” do evangelho da prosperidade.

“O objetivo deste evento é o impacto da igreja negra e com a comunidade negra histórica, o cristianismo redentor, que é biblicamente fundamentado, dirigido e centrado em Cristo”, explicou Lewis.

O evangelho da prosperidade é uma teologia muito criticada, que ensina que a riqueza e a boa saúde são um sinal da bênção de Deus. Nos últimos anos, um número de líderes cristãos negros saíram em oposição ao ensino e expressaram preocupação entre as igrejas africanas-americanas.

O dr. Robert M. Franklin, negro e presidente da Universidade Morehouse em Atlanta (EUA), escreveu que o evangelho da prosperidade era a maior ameaça às igrejas negras.

A maior organização americana da igreja africana, com 7,5 milhões de membros na Convenção Batista Nacional, denunciou o ensino da Teologia da Prosperidade, observando sua popularidade na África.

Lewis disse que “nosso desejo não é causar nenhum tipo de separação. Só esperamos ver a obra de Deus entre os nossos povos, que como sabemos, teve pouca exposição à teologia bíblica reformada há mais de cento e cinqüenta anos.”

Vi através do Gazeta de Cristo
Traduzido pelo Gospel+ da Christian Today



Palmada ou não Palmada?


Genizah quer propor um debate sobre a disciplina dos filhos, considerando: castigos físicos, restritivos e emocionais, palmadinhas, abusos, limites, etc. a luz das Sagradas Escrituras e diante da urgência da mudança legislativa que se avizinha.

A idéia é publicar neste espaço artigos, de boa qualidade, claro - com as diversas opiniões de cristãos sinceros sobre tópicos deste tema, em especial o castigo físico e a autoridade suprema dos pais na educação de seus filhos.

Achei este ótimo texto na blogosfera cristã com uma posição bem defendida. Gostaríamos de receber outras contribuições. Interessados usem o contato no final da coluna direita. Nossos comentaristas estão mais do que convidados a registrar a sua opinião. O convite é para cristãos, os demais se abstenham.


O Drama da Palmada

Pr Charles Melo

A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Pv 29.15)

As câmaras dos deputados e dos senadores aprovaram o projeto de lei que proíbe a “palmada”. Se os pais disciplinarem seus filhos através de palmadas, varadas e similares, a partir da sanção presidencial, e forem denunciados, poderão ser processados e condenados. Isso levanta uma série de questionamentos. Tem o governo direito de regular ou controlar a maneira como cada pai ou mãe resolvem governar sua casa e educar os filhos? De quem é a responsabilidade pelo descaso com os filhos? O que a Bíblia diz sobre a educação dos filhos através de punições com vara e palmadas?

“Disciplina” é a tradução do termo grego paidéia ou do hebraico mussar, e significa primordialmente “punição”, “castigo”, indicando claramente a correção com a vara. O objetivo da disciplina na criação dos filhos é moldar o caráter da criança ajudando-a a refrear seu desejo natural de rebeldia ou pecado. Pense: você ensinou seu filho a fazer birra, manha ou pirraça? Elas já nascem com essa tendência natural. É só questão de tempo, e a maldade se aflora sozinha. Uma criança não pode ficar entregue a si mesma, porque ela é pecadora. São terríveis as conseqüências quando os pais deixam os filhos à mercê de seus próprios desejos. Os pais devem necessariamente impor a ordem, a disciplina, o controle sobre os filhos, usando a vara para corrigir os desvios que ocorrem naturalmente. O texto de Provérbios 22.6 diz: “Ensina a criança no caminho que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Esse texto não é tanto uma promessa; ele é também uma advertência aos pais. Se os pais ensinarem desde cedo, a criança guardará os valores bíblicos quando crescer. Mas se eles deixarem a criança entregue a si mesma, quando ficar velha, não se apartará do estilo de vida adquirido. Pais que deixam os filhos decidirem o que comer e o que vestir, onde e quando ir passear, pais que permitem aos filhos fazer birra, mal-criação e desobedecer, também os verão mais tarde dando golpes no mercado, indo a bailes, bebendo, fumando, usando drogas, tendo relações sexuais ilícitas, tudo porque elas se acostumaram a um estilo de vida autônomo e não foram corrigidas enquanto crianças.

A nova medida revela o interesse do Estado de interferir no âmbito dos lares. Isso não é bom, pois a responsabilidade pela educação dos filhos não é do governo, mas dos pais. Cada progenitor sabe das características de cada filho e como cada um deve ser criado. A decisão de como educar tem que ficar para os pais. O governo ignora o fato de que a disciplina forma um caráter nobre e responsável. Se essa lei pegar, no futuro, a sociedade será mais perversa ainda, as cadeias estarão superlotadas, o número de adolescentes que ficarão grávidas será cada vez maior, o vandalismo se alastrará e o consumo de drogas baterá recorde nacional. Mas aí será tarde demais. E quem vai assumir a responsabilidade? O governo não poderá ser disciplinado; nem os pais! E temos de cogitar filhos ameaçando denunciar os pais na justiça.

Querido leitor, esse assunto é questão de obediência ou à Palavra ou aos homens com suas leis absurdas. Então escolham obedecer ao Senhor, porque importa antes obedecer a Deus do que aos homens. “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv 23.13,14). Mas cuidado! Não discipline na hora da raiva. Escolha uma varinha e a guarde longe do lugar onde você costuma disciplinar seus filhos. Até você buscá-la, a ira já passou e você disciplinará na medida certa. Vara também era instrumento de medida, o que nos ensina a não exceder em rigor. A disciplina tem que ser sempre em amor. E que nossos filhos cresçam em estatura e graça diante de Deus e dos homens! Amém!


Pr. Charles da 6ª IP de Belo Horizonte - MG. Em E a Bíblia com isto? Divulgação Genizah



Como tudo Começou, de Adauto Lourenço é dica do Genizah



Como Tudo Começou

Adauto Lourenço

Editora Fiel



Será que realmente somos resultados de um caldo primordial, que poderia ter existido a bilhões de anos atrás? Será que o Universo, que possui mais estrelas do que todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do nosso planeta Terra, com toda a sua beleza exuberante e leis precisas, teria sido apenas fruto de um acidente cósmico conhecido por big bang a 13,7 bilhões de anos atrás? Ao nos depararmos com a complexidade do código genético (DNA), contendo mais de três bilhões de letras perfeitamente organizadas, altamente codificado e eficientemente armazenado, capaz de criar sistemas com tamanha complexidade e design, como o corpo humano, seria concebível aceitar que tal codificação teria sido apenas fruto do acaso? Perguntas inquietantes que urgem por respostas. Aqui, você encontrará algumas delas.





Nova Pesquisa GENIZAH: RELIGIÃO E FÉ

Prezados leitores,


Segue mais uma pesquisa bacana que nos permitirá conhecer um pouco mais acerca de nossos leitores.

Pretendemos publicar os resultados, para que todos desfrutem deste perfil de frequentadores da blogosfera cristã.

Obrigado





Como o "não-evangélico" traduz o que diz os evangélicos... (3)





Verticontes Divulgação Genizah



A DIFERENÇA ENTRE SORTUDO E AMADO

A. Carlos Costa

Todos os crentes acreditam na predestinação. A palavra se encontra na Bíblia. A questão não é se ela existe ou não. Nunca se discutiu isto na história da teologia. O ponto é outro: qual a base da predestinação? Presciência divina, por meio da qual Deus anteviu quem iria se salvar e decretou salvá-lo? Soberania divina, por meio da qual Deus decretou vida para homens e mulheres que estavam completamente mortos?

Pense na sua experiência. Há alguma coisa que você tenha que possa atribuir exclusivamente a si mesmo? Você pode ver na sua vida passada alguma coisa que pudesse atrair o amor de Deus por você? Antes de se converter, você estava morto ou apenas sonolento? Quando você ora, atribui sua salvação a Deus ao a si mesmo?

Se a salvação resulta de uma mera escolha, com base na previsão divina de boas obras por parte do salvo, todo aquele que passou pela experiência de salvação, deve olhar com espanto para a baita sorte que teve na vida. Um inacreditável acaso, que culminou no nascimento de alguns seres humanos melhores do que outros.

Note bem: se as coisas são assim, o amor de Deus pela sua vida não é eterno. Deus está jogando dado, olhando para a vida, como olhamos para uma partida de futebol, ao torcermos para o nosso time ganhar. Ele olhou para você, viu que você aceitaria sua oferta de salvação, e então, o salvou. Puro acaso. Cristo poderia ter morrido na cruz inutilmente, pois a salvação não depende da vontade de Deus, mas do arbítrio humano. Todos poderiam rejeitá-lo.

Como nem todos serão salvos, nós não fomos todos predestinados para a salvação. Quando Deus escolheu Israel como povo de propriedade exclusiva sua, havia outras nações que poderiam ter sido escolhidas e não foram. A salvação não veio da China, Pérsia, Grécia ou Egito, mas do povo que levava o código genético do patriarca Abraão

Não há doutrina que mais possa nos comover, quando o assunto é o amor de Deus por nós. Não somos sortudos , somos amados.


Pastor Antônio Carlos Costa é colabora com a santa subversão do Genizah



Crente pode fumar? E beber?


por Zé Luís


Ed Renê Kivitz costuma dizer que, quem tem que pedir permissão para fazer tudo é criança, e portanto, inicialmente, não tem maturidade para compreender e não pode nada.

De antemão, claro: fumar ou beber não é pecado. Dizem os pastores, em um chavão muito conhecido que “fumar não manda ninguém para o inferno, mas deixa o fumante com o cheiro dos que lá estão.”

Eu, apesar de ter abandonado o tabagismo há quase 15 anos, assim como me abstenho de qualquer tipo de bebida alcoólica no mesmo período, não nutro nenhuma repulsa contra essas coisas. Creio que isso poderia confundir-me em relação a coisas e pessoas. As pessoas não são más por que bebem ou fumam, isso não é critério para análise, embora saiba que esse hábito não as “qualifique” como crentes evangélicas, o que pode também ser uma vantagem...risos. (vale a pena lembrar que o hábito de beber em algumas denominações cristãs evangélicas é perfeitamente normal, como os presbiterianos, por exemplo).

Lembro-me da história de um moço da igreja, já falecido. Contam que ele era meio estabanado nas suas explanações sobre o poder de Deus na vida do homem, deixando sorrisos na boca de quem as reconta.

Certa vez, um rapaz do serviço dele começou a caçoar, dizendo que ele, por ser crente, não podia fazer nada, e tirando um maço de cigarros do bolso, desafiou-o: “Você pode acender um cigarro desses e fumar tranquilamente como eu?”. Ele pegou o cigarro nas mãos, e após breves momentos olhando a fumaça dançar diante do rosto, pediu o maço ao colega. Ao pegá-lo, o Fábio disse: “Eu posso sim, fumar se quisesse, e você? Pode fazer isso?”

Dizendo isso, jogou o maço ao chão e o esmigalhou com o pé, pulando sobre o que sobrara dos cigarros, despertando a ira do colega. Ele olhou tranquilo para o fumante e completou:

Viu quem é o escravo? Eu posso ficar sem, mas você não. Tem que manter esse produto constantemente em seu corpo, e ficar sem te deixa nesse estado... Quem não pode nada é você!

Creio que essa é a essência: Não que um crente não possa fazer nada. Paulo dizia que podemos qualquer coisa (embora nem tudo convenha ao estilo de vida que adotamos quando nos declaramos cristãos). Deixei de fumar quando gostava demais do hábito, de um dia para o outro. Segundo o que estava sendo pregado, podia abandonar qualquer vício, e fiz questão de testar o poder libertador do Mestre. Êxito Dele e Nele.

Sei que posso voltar a beber, fumar e cometer muitos erros contra  mim mesmo. Mas desfruto das regalias de não sentir as dores de quem abdica de algo que preenchia as lacunas da alegria que me faltava, e mesmo assim, a alegria não te abandona.

Isso é liberdade.


Como o Mestre prometeu: se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. A porta fica escancarada, e se pode passar por ela, ficar ou sair, e ninguém mais é capaz de fechá-la: nem morte, nem vida, nem anjos ou principados, nem coisas do presente ou do porvir, nem poderes, nem alturas ou mesmo profundidade, ou qualquer outra criatura. Nada.



Postou o Zé Luís, no Genizah (por causa de textos como esse é chamado de confuso por gente que não consegue acreditar no poder de Deus para salvar).



A Réplica do Templo de Salomão da IURD vira chacota em Israel


Autoridades de Israel, em especial o Instituto de Estudos do templo de Jerusalem classificam o projeto da seita Universal de "piada de mal gosto" e um projeto para a "honra própria". Nos jornais de Israel e internacionais a obra já é motivo de gozação e chacota. A ausência de compreensão da maioria acerca da IURD e das igrejas evangélicas brasileiras mancha a todos com esta vergonha.

A Igreja Universal do Reino de Deus anunciou seus planos de construir uma réplica gigante do Templo de Salomão. A estimativa de custo é de R$360 milhões.

“Vai ser sensacional”, disse Macedo, “ Será lindo, lindo, lindo- a coisa mais bonita de todas. O lado de fora será exatamente igual o que foi construído em Jerusalém”.

Leia aqui sobre o projeto

Leia aqui sobre o propósito de Edir Macedo e a heresia do projeto


O Instituto do Templo em Jerusalém vê isso com outros olhos, para eles é “um ato de arrogância voltado para sua própria gloria. Esse plano é uma gozação que vai diretamente contra tudo aquilo que o Templo Santo de Jerusalém representa.”

O Rabino Chaim Richman do Instituto do Templo escreve, “Nós somos hoje testemunhas de um fenômeno que tenta tirar a legitimidade da relação de Israel com Jerusalém. Esse plano de construir uma mega igreja representa o próximo passo de tirar toda essa legitimidade de Jerusalém.”.

“A Bíblia ensina que a essência de Jerusalém é a presença de Deus”, disse o Rabino Richman, que continua citando uma profecia do livro de Isaias 2:2 : ”Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimos dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém.”

“A mega igreja planejada pelo Bispo Macedo”, diz o Rabino Richamn, “é uma usurpação e um abuso ao espaço sagrado e ao conceito de Templo Santo que é representado na Bíblia, e também é uma brusca forma de se apropriar de valores sagrados do Judaísmo. A Divina Presença de Deus não pode ser copiada ou simplesmente usurpada e transportada para outro lugar. Isso não é nada mais que uma tentativa sínica e manipuladora da Igreja Universal do Reino de Deus de encaixar a mensagem universal da Bíblia em sua própria agenda.”

O Instituto do Templo, uma organização religiosa e educacional sem fins lucrativos, é dedicada para cuidar de todos os aspectos dos mandamentos Bíblicos sobre a construção do Templo Santo de Deus no Monte Moriah em Jerusalém. Seu maior foco e esforço é reconstruir o Templo Santo em Jerusalém.


Fonte: IsraelNationalNews / Genizah



Nós e a Bíblia

Robinson Cavalcanti


Durante a infância e parte da adolescência eu ouvia as leituras na missa dominical, cuja liturgia era em latim, que sempre começavam com a expressão: “Naquele tempo”. E eu, naquela época, não entendia muito o que se lia. Chega minha prima, nas férias, engatinhando na alfabetização, com um Evangelho de Mateus que recebera de uma vizinha. Após o almoço, eu, mais velho, lia um capítulo por dia. Chega minha tia de um colégio de freiras. Verifica a edição da Sociedade Bíblica, versão João Ferreira de Almeida. Inquisitorial, pergunta sobre a autorização de alguma autoridade da Igreja de Roma: “Tem Imprimatur? Tem Reimprimatur? Tem Nihil Obstat? Não tem? Vai para o fogo". E, naqueles tempos pré-Concílio Vaticano II, rasga o livrinho e em um “ato de fé” o queima no fogão de carvão lá de casa, no interior de Alagoas. Não posso me esquecer das labaredas azuis.

Estou com 14 anos. Um marceneiro adventista, o Josué Clementino, me pede para recitar os Dez Mandamentos. Eu o fiz, segundo o que tinha estudado no Catecismo do Padre Álvaro Negromonto. Ele abre a Bíblia de edição católica Padre Figueiredo. Me manda ler o capítulo vinte do livro de Êxodo. Surpreso, vejo que não confere. Tinha saído um mandamento, e o outro desdobrado em dois para fechar em dez. “Como pode uma instituição alterar o texto dado por Deus nas Tábuas da Lei?” Josué me desafia a estudar a Bíblia, e por dois anos faço um curso bíblico por correspondência, escondido da minha mãe.

Vou completar 17 anos. Igreja Presbiteriana Central de Garanhuns, PE. Aula de escola bíblica dominical. Meu professor era o advogado Urbano Vitalino, meu avô. Tema: “As viagens de Paulo no livro dos Atos dos Apóstolos”. “Viajo” junto, empolgado.

E assim, aos poucos, a Bíblia foi chegando em minha vida. Do meu primeiro salário, dei o dízimo e comprei uma Bíblia. Meu primeiro sermão foi pregado no Dia da Bíblia, em 1963 (19 anos).

Hoje me alegro com o fato de que o Brasil é campeão em venda de Bíblias. Muito vendida, menos lida, pouco obedecida.

Estou em uma igreja (a Anglicana) que afirma a autoridade da Bíblia como Palavra de Deus!




Edward Robinson de Barros Cavalcanti é um teólogo, político e bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, comandando a diocese de Recife. Foi professor da Universidade Federal de Pernambuco e escreveu dez obras sobre religião. Em 1997 foi eleito bispo da diocese de Recife. Como bispo diocesano, ordenou 57 diáconos e 49 presbíteros. Nesses sete anos foram abertas 34 das presentes 44 comunidades da Diocese Anglicana do Recife.




Tipos de Crente (5)

genizah




Conheça outros esteriótipos!





Tipos de Crente (4)

genizah



Conheça outros esteriótipos!




Realidade Alternativa

Rev. Digão


Sou uma pessoa que gosta muito de ficção científica. Na verdade, sou um nerd, mesmo. Sei toda a cronologia de Star Trek, não admito que chamem Spock de “doutor”, pois no seriado antigo o tratamento dado era “senhor Spock”, sei a diferença entre vulcanos e romulanos, sei quem são os Maqui e sei que a maior ameaça à Federação não são os borgs, e sim o Dominion. Com certeza, papo de nerd.

Ultimamente setores da ciência, em especial a física, têm esbarrado nas fronteiras da ficção científica. Um exemplo: há teses defendendo a existência de realidades alternativas, ou seja, dimensões paralelas onde há uma cópia de tudo o que há em nossa realidade, mas com diferenças sutis. Então, caso isso se comprove (ainda está no campo da hipótese), há uma realidade em que há um Rodrigo magro; em outra, um Rodrigo flamenguista; talvez um Rodrigo bom em matemática; e por aí vai.

O Reino de Deus é uma boa aplicação do conceito de “realidade alternativa”. O Reino não é deste mundo, prega valores completamente diferentes dos daqui, há metas e alvos específicos, que só servem de zombaria e escárnio de acordo com os padrões vigentes. Ora, essa história de alguém abrir mão de tudo em nome de um Deus que não vê e resolve partir para a África, a Ásia, ou mesmo o Haiti pregando a Palavra desse mesmo Deus invisível só pode ser coisa de gente lunática. Ou de gente convicta.

Mas fico cá pensando se, à parte do Reino, não vivemos também uma terceira realidade alternativa, ou seja, é uma realidade alternativa à alternativa (espero não ter sido confuso…), mas que teima em se afirmar diferente da realidade palpável do mundo. Vivemos nessa terceira realidade através de uma religiosidade cada vez mais esquisita. Uma religiosidade que prega o ódio, a intolerância, o preconceito. Que considera a ganância um dom espiritual e a soberba, uma característica ministerial. Mas que também prega a tolerância irrestrita com tudo e com todos, aceitando as mais aberrantes posições e condutas, chamando o pecado de “erro”, “falha”, mas nunca por seu nome real. Uma religiosidade que avacalha com o catolicismo, mas lhe toma emprestado o culto aos santos e a estrutura eclesial hierarquizada. Que afirma que o terremoto no Haiti é fruto de macumba, esquecendo-se de dizer que não houve terremotos na Bahia, Estado brasileiro onde as religiões afro são fortes e bem conhecidas de todos. Uma religiosidade que afirma que Deus não sabia previamente dos acontecimentos do tsunami, mas que recusa-se a ser instrumento da presença de Deus nas vidas de gente que sofre tsunamis de miséria, rejeição e injustiça em nosso país. Uma religiosidade que olha com microscópio eletrônico cada palavra, ato ou pensamento seu para ver se corresponde aos seus próprios conceitos pré-concebidos, se esquecendo de agir com a misericórdia do Crucificado. Uma religiosidade que explode, com palavras, a instituição religiosa para, no momento seguinte, se aproveitar dela.

Sim, parece enredo de ficção científica, mas é a realidade. O que me mantém em pé é saber que essa realidade vai esmaecer, até virar uma simples penumbra, quando vai eclodir a verdadeira realidade do Crucificado. Até lá, vamos continuar em nossa batalha, buscando mais pessoas para despertarem dessa realidade alternativa nefasta, oferecendo-lhes a pílula vermelha do sangue de Cristo, que nos liberta e nos abre os olhos.


Digão e Hermes são sócios do clubinho de SFI aqui do Genizah. Dois nerds!



Um duro golpe na indústria religiosa

Hermes C. Fernandes

Por que despertamos o ódio de tanta gente quando expomos a Verdade em contraposição dos métodos e estratégias usadas pela igreja atual? Basta um artigo sobre assuntos polêmicos como o G12, a Teologia da Prosperidade, e outros, para que o ânimo de alguns que se dizem irmãos se altere. Quando comentam em nossos artigos, em vez de exporem seus pensamentos com base nas Escrituras, preferem os ataques pessoais, tentando minar nossa credibilidade e pôr em xeque nossas motivações.

Por incrível que pareça, este não é um fenômeno recente. A igreja primitiva teve que lidar com as mesmas reações, ora por parte dos judeus, ora por parte dos gentios.

Um episódio que pode atestar o que estamos afirmando é o que lemos em Atos 19, e que nos mostra o efeito causado pela atuação do ministério de Paulo em Éfeso. À medida que as pessoas iam se convertendo à Fé, elas abandonavam suas superstições e crendices. O texto diz que “muitos dos que tinham praticado artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos” (v.19). Até aí, tudo bem. Cada um faz o que quer com o que é seu. Quer rasgar, queimar, quebrar, dar fim, o problema é dele. Mas alguém que assistia resolveu calcular o prejuízo: “Feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil moedas de prata”. Uau! Se Judas traiu Jesus por trinta moedas de prata, e isso já era uma quanta considerável, imagine o que representava uma quantia tão vultuosa: cinqüenta mil moedas de prata!
Pra se ter uma idéia do montante, as trinta moedas recebidas por Judas foram suficientes para adquirir um campo. Isso significa que as 50 mil moedas de prata daria pra comprar cerca de 1666 campos! Tudo isso em livros. O mercado editorial de Éfeso entrou em colapso. Aquelas pessoas que dispuseram seus livros para a fogueira, jamais voltariam a consumir tal literatura.

Devemos estar cientes que a pregação do genuíno Evangelho sempre fere interesses. Alguém vai ter que arcar com o prejuízo.

Não bastasse a quebra do mercado editorial, sobrou também para a indústria religiosa. O texto diz que “por esse tempo houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Ele os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem a nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram” (At.19:23-27).

Em outras palavras, a mensagem pregada por Paulo doía no bolso e ainda maculava a reputação deles, colocando-os em descrédito perante a opinião popular. Portanto era uma questão que envolvia dinheiro e reputação, avareza e vaidade. Para disfarçar, eles alegavam que Diana, sua deusa, estava sendo ultrajada, dando assim um ar de piedade religiosa às suas reivindicações. Foi o suficiente para que houvesse uma manifestação popular. – Grande é Diana dos Efésios! Bradava a turba.

No fundo, no fundo, o que os incomodava não era o culto à deusa. Se o templo de Diana fosse reputado em nada, o que fariam os que viviam da venda de miniaturas dele? Imagine se convencêssemos as pessoas que a Arca da Aliança (tão em voga no meio evangélico hoje em dia) não passava de uma figura de Cristo, e que já não serve pra nada. O que fariam os pastores que distribuem miniaturas da Arca por uma oferta módica de 100 reais?

O que seria daquela cidade se o culto a Diana foi exterminado? E os milhares de romeiros que vinham de todas as partes do mundo para ver de perto da imagem que, segundo o dogma, havia caído de Júpiter?
A pregação do Evangelho causou tamanho impacto que bagunçou o coreto daquela sociedade. Todos os esquemas foram desarmados. Era como se a correia dentada do motor que a mantinha em movimento se arrebentasse. De repente, todas as engrenagens pararam.

Alguma providência tinha que ser tomada! Tomaram dois dos companheiros de Paulo e os levaram ao teatro para apresentá-los à turba enfurecida.Paulo quis se apresentar, mas foi dissuadido por algumas autoridades que lhe eram simpáticas. No meio do tumulto, “uns clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso. A maioria não sabia por que se tinha reunido”(v.32). Eis o retrato fiel de um povo “Maria-vai-com-as-outras”, que só serve de massa de manobra nas mãos dos poderosos. A maioria sequer sabia o que estava acontecendo. Mas não hesitavam em unir suas vozes aos demais em protesto gratuito e desprovido de sentido.

Quando Alexandre se apresentou diante do povo, acenando com a mão como quem queria apresentar uma defesa, “todos unanimemente levantaram a voz, clamando por quase duas horas: Grande é a Diana dos Efésios!” (v.34). Repare nisso: Diana era considerada deusa em todo o império romano. Mas em Éfeso, seu culto tomou um vulto inédito. Ela não era apenas “Diana”, e sim “Diana dos Efésios”. Algo parecido com o apego que muita gente tem à sua denominação. Cristo deixa de ser Cristo, para ser o “Cristo dos Batistas”, o “Cristo dos Presbiterianos”, o “Cristo dos Pentecostais”, o "Cristo dos Católicos", e assim por diante.

Finalmente, o escrivão da cidade (provavelmente um figurão da sociedade efésia), conseguiu apaziguar a multidão, dizendo: “Efésios, quem é que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana, e da imagem que caiu de Júpiter? Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos aquieteis e nada façais precipitadamente” (vv.35-36).

Para tentar controlar o manifesto, o tal escrivão apelou ao dogma religioso. Dogma é aquilo que não se pode contestar. É tabu. Está acima do bem e do mal. Por isso, não se discute. É isso e tá acabado. A igreja evangélica também tem seus dogmas. Ninguém se dá o trabalho bereiano de averiguar se o que está sendo pregado bate ou não com as Escrituras. Se o líder falou, está dito. E se alguém se atreve a questionar, é logo taxado de herege, e acusado de estar tocando no ungido do Senhor.

Alguém viu quando a estátua caiu de Júpiter? De onde provinha tal certeza? Quem anunciou o fato Provavelmente foram os sacerdotes do templo de Júpiter, que queriam atrair o público de volta ao templo a qualquer custo.

Há uma indústria religiosa que se alimenta de mentiras, de dogmas inquestionáveis, e de superstições baratas.
É esta indústria que corre o risco de quebrar se a verdade do Evangelho for anunciada, e suas mentiras desmascaradas.

Os fiéis não passam de papagaios de pirata, repetindo o que ouvem sem ao menos refletir. Se dissermos que não há mais maldição a ser quebrada, o que será daqueles cuja prosperidade advém desta mentira? Como poderão cobrar para que as pessoas participem de um Encontro num sítio, a fim de que vejam a Deus cara a cara, e assim, sejam libertas de suas maldições?

Veja: compromissos são feitos em cima desses argumentos chulos. A prestação da propriedade adquirida pela igreja. O programa de rádio. O material de propaganda. O salário do pastor. Tudo isso tem que ser garantido pelo esquema montado. É um ciclo retro-alimentado. Se alguém chega pregando algo que contrarie o esquema, é logo taxado de herege, falso profeta, etc., pois interrompe o ciclo, produzindo um colapso na estrutura.

É isto que o Evangelho faz! Todas as estruturas injustas entram em colapso, para que um novo sistema, com engrenagens justas, se erga, tendo como centro o Trono da Graça de Deus.

Acorde, povo de Deus! Voltemos para as Escrituras! Abandonemos a mentira, o argumento falso, o estelionato, e voltemos à prática do primeiro amor. Caso contrário, Deus nos julgará, e reduzirá nossa indústria religiosa (que chamamos carinhosamente de “igreja”) aos escombros.

Não ficará pedra sobre pedra!

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Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah