
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
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Hermes C. Fernandes
AUDITORIA ESPIRITUAL
Até que ponto nossa avaliação é confiável? Ou ainda: até que ponto a avaliação de outros é honesta? Haveria alguma outra instância a qual deveríamos nos submeter à constante avaliação? É claro que sim! Temos que estar abertos à avaliação de Deus.
O fato é que não poucas vezes somos enganados por nossa própria avaliação, e tornamo-nos insensíveis ao escrutínio do Espírito Santo. Nem sempre nossa avaliação coincide com a de Cristo. Somos tentados a seremos condescendentes com nossos erros, ao passo em que somos rigorosos com os erros alheios. Realçamos nossas virtudes, e disfarçamos nossos vícios. Nasce daí a necessidade de passarmos por uma espécie de auditoria espiritual d'Aquele cujos olhos são como chamas de fogo capazes de perscrutar os recônditos de nosso ser.
Veja, por exemplo, a diferença entre a avaliação que os cristãos laodicenses faziam de si mesmos e a feita por Cristo.
“Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17).
Enquanto os crentes de Laodicéia declaravam ser ricos, Jesus diz que eram coitados. Enquanto se diziam enriquecidos, Jesus os chamava de miseráveis. Enquanto afirmavam não terem falta de nada, Jesus os chamava de pobres, cegos e nus. Eles estavam cegos ao seu próprio estado de lástima e miséria. A soberba os cegou. Portanto, sua auto-avaliação estava comprometida.
Só lhes havia uma esperança: abrirem-se para um balanço feito por Cristo.
“Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20).
Quando abrimos a porta para Ele, somos convidados a uma ceia de mão-dupla. Repare no que Jesus diz: Com ele cearei, e ele comigo. Pode até parecer redundante, mas não é. Cear com Ele é permitir que Ele perscrute as entranhas do nosso ser, numa comunhão íntima e profunda. Cear com Ele é submeter-nos inteiramente à sua avaliação. Mas quando Ele diz que ceará conosco, está dizendo que Ele mesmo endossará nossa auto-avaliação, pois esta condirá com a Sua. Poderemos examinar-nos a nós mesmos sem medo de errar, pois este auto-exame será conduzido pela luz do Espírito Santo em nós.
Às vezes as pessoas que nos avaliam também não o fazem com justiça. Julgam-nos segundo seus interesses e não com retidão. Mesmo sujeitos a isso, não podemos nos fechar. Temos que estar sempre abertos à avaliação de outros. Porém, se formos injustiçados, Deus sempre sairá em nossa defesa.
A antítese da igreja de Laodicéia é a igreja de Esmirna. Veja o que Jesus diz a esta igreja em Apocalipse:
“Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são da sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que estás para sofrer. Escutai: o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais provados, e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:9-10).
Aos olhos humanos, aquela era uma igreja pobre, desprovida de qualquer ostentação. Porém, na avaliação de Cristo, ela era rica. Não importava as blasfêmias com as quais os falsos judeus a atacavam. Deus comprara sua briga. Mesmo que fossem provados por uma tribulação aguda, o que os esperava do outro lado era a coroa da vida.
Jamais se esqueça que a corrida se dá aqui, na pista da vida, mas o podium é na eternidade. É lá que receberemos o grande prêmio, o galardão eterno. Deixe que digam o que quiserem. Deixe que te julguem e até te sentenciem. Mas jamais te esqueças de que tens um advogado no céu. É Ele quem pleiteia nossas causas, e que por fim, nos fará justiça. A morte não tem a última palavra. Ela é apenas a linha de chegada que separa a pista do podium. O que nos espera não pode ser comparado a nada que soframos nesta vida. O que representa uma década em comparação à eternidade?
Deixe ecoar em seu peito a garantia encontrada na Palavra:
“Pois a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Co.4:17).
Um dia todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo para o balanço final, “para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou o mal” (2 Co.5:10). Não há o que temer! Se Aquele que em nós houver começado a boa obra, enfim a tiver terminado, poderemos então fitar n’Ele nossos olhos em plena confiança. O mesmo Cristo que nos justificou pelo Seu sangue, também nos transformou pelo Seu Espírito. E foi este Espírito que derramou em nós o Amor de Deus (Rm.5:5), fazendo-nos amados, e fazendo-nos amar. Como diz João: “Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” (1 Jo.4:17).
A obra finalmente terá sido concluída. Estaremos aperfeiçoados no amor. O Espírito Santo terá cumprido Sua missão em nós, transformando-nos segundo a imagem de Cristo. No balanço final, só haverá prejuízo para aqueles que insistiram em viver para si mesmos, gastando todos os recursos para seu aprazimento. Os que amaram sua própria vida, perdê-la-ão, mas os que a desprezaram por amor de Cristo, a receberão com juros e correção monetária, para gastá-la por toda a eternidade (Jo.12:25). Numa total subversão da contabilidade humana, no balanço de Deus quem gasta aqui, poupa lá. Quem se poupa aqui, desperdiça para sempre. Foi sabendo disso que Paulo declarou aos Coríntios: "Eu de muita boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado" (2 Co.12:15).
Nos balancetes de Deus em nossa vida, o que importa não é sair ganhando, ficar no lucro, levar vantagem. Prejuízos momentâneos podem representar ganhos eternos. Há uma total inversão dos valores impostos pelo mundo. Daí Paulo ser enfático ao dizer: "Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo" (Fp.3:7).
Portanto, deixe-se gastar. Não poupe energias! Ame intensamente a todos ao seu redor sem esperar qualquer retorno. Viva por eles e para eles. Que eles reconheçam Cristo transpirando por seus poros.
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Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah


Hermes C. Fernandes
Abertos à avaliação de outros
O segundo tipo de avaliação é a feita pelos outros. Quem disse que não devemos nos submeter a ela?
Temos que estar abertos constantemente à avaliação dos que nos cercam. E isto inclui, principalmente, aqueles que nos precederam na fé, ou que exercem autoridade espiritual sobre nós. Às vezes precisamos até de um avalista que dê testemunho de nossa transformação diante dos demais.
Confira comigo o episódio que narra a primeira viagem de Paulo a Jerusalém para encontrar-se com os apóstolos, três anos depois de sua conversão:
“Quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava juntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo. Então Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como no caminho ele vira o Senhor, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus. Andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo, e pregando ousadamente em nome do Senhor...” (Atos 9:26-29a).
Barnabé foi o avalista de Paulo perante os apóstolos veteranos. Ninguém se sentia confortável diante de um homem que fora cúmplice no assassinato do primeiro mártir da igreja. As pessoas o olhavam com desconfiança. Mas quando Barnabé prestou testemunho de sua conversão, Paulo foi convidado a acompanhar os apóstolos por algum tempo. Isso lhe rendeu credibilidade diante dos demais cristãos. Não é em vão que a sabedoria popular diz: Diga-me com quem tu andas, e direi quem tu és. Os apóstolos fizeram questão que todos vissem Paulo caminhando ao lado deles,e desta maneira, abonaram sua conduta.
Quatorze anos se passaram. Paulo já desfrutava de total credibilidade entre as igrejas. Mas mesmo assim, voltou a Jerusalém para prestar contas aos demais apóstolos. Confira:
“Depois, passados quatorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo a Tito. E subi por causa de uma revelação, e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios. Mas particularmente aos que pareciam ter maior destaque, para que de maneira alguma não corresse, ou não tivesse corrido em vão” (Gl.2:1-2).
Repare que a preocupação do apóstolo era não ter corrido em vão. Uma vida ministerial, ou mesmo uma vida cristã regular, poderá ser um completo desperdício de tempo e de energias, se não estivermos dispostos a prestar contas com outros.
Paulo já não era um novato. Pelo contrário. Sozinho já havia feito mais do que todos os apóstolos juntos. Mas isso não lhe dava o direito de levar uma vida autônoma, fazendo o que lhe desse na gana.
Líderes também devem prestar contas a outros líderes. Ninguém pode isolar-se dos demais. Nossa experiência não nos isenta da prestação de contas.
Lucas nos oferece outra narrativa desta segunda prestação de contas de Paulo: “Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos anciãos, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles.” (Atos 15:4).
Se não quisermos desperdiçar uma década inteira de nossa vida, estejamos prontos para prestar contas, expondo-nos à avaliação de nossos líderes e companheiros de jornada. Lembremo-nos que, enquanto estamos na pista, estamos cercados por uma nuvem de testemunhas. Portanto,“deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus” (Hb.12:1-2).
Continua amanhã...
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Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah

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