681818171876702
Loading...

O homem que descobriu o dia da volta de Jesus

Marcelo Lemos


Tenho vivenciando um fato inconteste: a escatologia é uma área extremamente controversa. Aos que me acompanham em lugares como o blog Olhar Reformado, não é revelação saber que sou um apaixonado pós-milenista, e também um preterista convicto. Saberão também que, apesar das defesas veementes, busco manter uma atitude de tolerância e de humildade para com aqueles que pensam diferente de mim nesta área, não me precipitando a lançar sobre este ou aquele pensamento, por mais ingênuo que seja, o estigma de heresia.

Com efeito, não creio que uma pessoa possa ser condenada por sua Escatologia. Existem aqueles que excluiriam de suas Igrejas alguém que descobrissem negar, por exemplo, a doutrina do “Arrebatamento Secreto”, mesmo que tal doutrina seja recente, e não tenha surgido no cristianismo até os estudos de John Darby, há menos de 200 anos. Outros, numa inconsciente confissão de desconhecimento teológico, tendem a taxar os pós-milenistas de liberais, apostadas, e mancomunados com o Reino do 666 - ainda que nossa teologia já tenha identificado a identidade da besta a milhares de anos.

Uma pessoa não é salva por sua Escatologia, nem condenada por ela; exceto, claro, se sua Escatologia a levar a negar doutrinas fundamentais do Cristianismo. Fora isso, tudo se resume a detalhes interpretativos, os quais devemos julgar, e descobrir o quanto estão próximos da mensagem bíblica. Tenho minha cota de aversão a conceitos como Dispensacionalismo, Amilenismo, Pré-tribulacionsimo, e algumas outras visões sobre o futuro da humanidade; porém, longe de mim taxar os irmãos que defendem qualquer uma delas de hereges e apostatas.

Ainda assim, os hereges existem e, dentre eles, alguns há que suas heresias se tornam ainda mais evidentes por sua Escatologia. Tenho em mente um falso profeta americano de nome Harold Camping, popular apresentador de programas de rádio e televisão dos Estados Unidos, que dentre suas palavras sobre doutrina cristã, tem também o costume de ensinar que o retorno de Cristo está marcado para o dia 21 de Maio de 2011.

A demência de se marcar uma data para o retorno de Cristo, a despeito da advertência de S. Mateus 24.36, não é exclusividade do Sr. Camping. Antes dele, muitos outros tentaram o mesmo feito, dando ao mundo as mesmas garantias, e, claro, caindo todos na zombaria da História quando fatalmente o Tempo provou que eram falsos profetas. O mesmo acontecerá com Camping e seus seguidores daqui a alguns meses. Quem viver, verá.

Talvez os dois maiores embustes escatológicos da História estejam ligados a dois movimentos controversos, o jeovismo e o adventismo do sétimo dia. Estes dois movimentos religiosos, sectários, convivem há anos com a mancha de terem nascido com previsões falhas sobre datas para o retorno de Cristo.

As Testemunhas de Jeová já publicaram diversas datas, não cumpridas, e que foram reeditadas, ou reinterpretadas com “nova luz” recebida pelo Corpo Governante da seita, sediada em Nova York.

Os adventistas, por sua vez, carregam o estigma de Guilherme Miller, um pregador que ensinava a volta de Cristo para 22 de Outubro de 1844. Uma grande multidão acreditou nas previsões de Miller, chegando ao ponto de venderem tudo o que tinham para aguardar a grande data. Como nada aconteceu, os adventistas passaram a chamar a data de “O Grande Desapontamento”, que interpretam como sendo a vontade de Deus, que queria provar o seu povo, enfim. Hoje, reinterpretam a data, alegando que o que de fato ocorreu em 1844 foi a “volta de Cristo ao Templo celestial”. Tem-se aqui, a origem de sua doutrina sobre um “juízo investigativo”.

Todos os que predizem uma data para o retorno de Cristo estão marcados para o fracasso inevitável. Vejam o caso de nossa maior profeta brasileira, Valnice Milhomens que, no ano de 1991, numa palestra na televisão, predisse que Jesus retornaria em um Sábado do já finado ano de 2007. Ou então, qualquer outro falso profeta, como a americana Marilyn Agee que afirmou: “O arrebatamento acontecerá em 20 de Junho de 2000”. E que tal o paranoico Byrons Weeks, que declarou: “O Presidente Clinton declarará a Lei Marcial entre Setembro e Outubro de 2000...”? O que me assusta é essa gente continuar gozando de credibilidade, como se nas Escrituras nunca nos tivesse advertido:

“Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18.20-22).

As predições dos verdadeiros profetas, como se conclui do texto citado no parágrafo anterior, jamais falhavam. E havia outro marco importante na verdadeira profecia: ela jamais conduzia o povo ao pecado, ao engano. Este distintivo do verdadeiro profeta pode ser visto em textos como Deuteronômio 13. 1-3, onde se adverte:

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos”. O falso profeta, invariavelmente, conduz o povo ao pecado, a exemplo de Balaão (Apocalipse 2.14).

O mais novo descobridor para a data do Retorno de Cristo é Harold Camping, um velhote espertinho, de boa fala, que dentre suas heresias, tem a autoria dos seguintes ensinos:

• O Retorno de Jesus Cristo aconteceria em 1994, tendo, inclusive, publicado um livro chamado “1994?”, que foi muito bem vendido na época.

• O Retorno de Cristo acontecerá em 21 de Maio de 2011.

• A Era da Igreja acabou em 1944.

• O Espírito Santo não está mais atuando na Igreja.

• Que toda Igreja na face da Terra é apostada e abominável.

• Que os verdadeiros crentes devem abandonar suas congregações.

Infelizmente, relatos da organização de Camping afirmam que estes ensinos estão sendo espalhados por todo o mundo, e com relativa aceitação por parte dos ignorantes das Escrituras. Aqui no Brasil, muito esforço tem sido feito pelos hereges, que mantém até uma versão em português do site da organização. Para a sorte dos brasileiros, um dos maiores defensores da causa em nosso País não tem conseguido emplacar o novo vento de doutrina.

Observem, contudo, que, apesar de estar ao meu alcance, e ao alcance de qualquer criança catequizada no cristianismo, não estou aqui para refutar a Escatologia demente do Sr. Camping. Na verdade, quero terminar mostrando a ele, e a seus eventuais seguidores, algumas passagens bíblicas que deveriam lhes conduzir ao arrependimento, dado o seu pecado de blasfemar contra a Igreja do Senhor Jesus Cristo:


“... sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).
“E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e ás boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns...” (Hebreus 10. 24,25).

É aqui, penso, que a Escatologia corre seu maior risco de ser tornar ensino de perdição: o sectarismo. Não é verdade que muitos colocam sua Escatologia como um divisor de águas entre “salvos” e “perdidos”? Não é verdade que hoje, a exemplo do Sr. Camping, existem outros ditos 'professores bíblicos', expertos em “escatologia”, que andam intimando o Povo de Deus a abandonarem suas Igrejas locais? É mera reprise dos erros jeovistas e adventistas que, uma vez separados da comunidade universal dos crentes, advogam para si o status de povo remanescente.

E assim caminha o cristianismo, a ponto de se transformar nossa maior mensagem de Esperança, num compêndio teológico de apologia ao medo, e a paranoia.



Marcelo Lemos é colaborador do Genizah





A seguir um vídeo tupiniquim de uns iluminados que já compraram a idéia do Camping:


religião 6422132624142961958

Postar um comentário

Página inicial item

Siga por e-mail