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Atos proféticos?


Responde: Alan Brizotti

Uma das grandes marcas do nosso tempo é o avanço da mediocridade. No âmbito teológico não é diferente. Algumas mentes “ungidas” criaram um híbrido de “unção” junto com pouquíssimo bom senso batizado de “ato profético”. A culpa é de Ezequiel e os ossos secos (Ez. 37) e alguns outros movimentos baseados nessa “inspiração profética”.

Hoje quase tudo é “profético”. É oração profética, louvor profético, oferta profética, abraço profético, raiva profética e até blog profético! O problema é que se tudo é profético, qual é o objeto da profecia? A quem profetizo?

A Bíblia tem um padrão definido: Deus fala a um profeta, e esse profeta fala ao povo! Agora, se todo mundo é profeta, onde está o povo? Com quem Deus está falando? Na Bíblia, quando um profeta “profetizou” a outro profeta – e não ao povo – deu problema: o profeta velho de I Reis 13.

O abracadabra gospel é viciado em fórmulas mágicas, óleos ungidos e apetrechos sagrados. É a veia animista nunca curada. O vocábulo “profético” tem se tornado numa espécie de senha divina para conferir legitimidade aos atos dos líderes. É a versão pós-moderna horripilante dos “Atos dos Paipóstolos”.

O apelido profético é perigoso, pois tira da palavra seu verdadeiro significado: o coração de Deus. Joshua Abraham Heschel, um dos maiores teólogos judeus, define o profeta como aquele que comunga do pathos de Deus (palavra grega para “sentimento”, “paixão”). Ser profeta é carregar o peso do coração de Deus. É sentir suas dores. Muito mais do que levantar as mãos na direção de uma parede e “dar um passe” evangélico.

Quanto a Ezequiel, seu contexto histórico é exatamente o que Heschel coloca: o profeta estava, literalmente, vivendo o mesmo exílio que seu povo. Não estava “profetizando” bênçãos irresponsáveis de uma fuga do mundo, mas uma transformação de mentalidade, da morte para a vida.

Não sei quanto a você, mas eu prefiro os “Atos dos Apóstolos” – o original – aquele que mostra uma apaixonante (pathos) igreja, cheia do Espírito de Deus, não profetizando o fim das perseguições, mas regozijando-se por ser digna de sofrer pelo nome de Cristo. Aí está um profetismo que poucos querem.


Alan Brizotti é conspirador do Reino aqui no Genizah
Teologia 1795271412668474762

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