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Entre o lixo e o Sagrado


por Zé Luís
- Olha este blog!
- Certeza que eles são crentes? - comentou ela, após uma quase prolongada olhada nos vídeos e textos.
- Claro que são...
- Eu não gostei... eles estão criticando os ungidos do Senhor...

E assim começou minha primeira visita a este blog. Eu mostrei a outro crente e ele me respondeu assim. Confesso que não me senti confortável diante dos questionamentos aqui postados. Estava condicionado a respeitar pessoas quando apresentavam credenciais de cunho religioso, independente de sua postura moral e ética.

Embora tenha crescido – literalmente – dentro de um templo de Umbanda, e ciente que não existe essa “vida religiosa ininterrupta”, seja o mal ou o bem(diga-se de passagem, o espiritismo não se vê como praticante do mal, muito pelo contrário), vi na vivência cristã uma possibilidade.

Quando encontrei o Mestre há quase duas décadas, vi no cristianismo a única forma de existência, onde não dependeria de templos ou cerimoniais para ser um discípulo ou adorador legítimo.

Gradativamente, aconteceu algo no meu paraíso: os templos suntuosos passaram a ser sinal de êxito espiritual (prioridade então), artimanhas neurolinguísticas de auto-ajuda e hipnose – que conheço tão bem – começaram a arrebatar multidões, e o resultado financeiramente compensador destas campanhas as tornaram cada vez mais populares, ou se preferir, “de deus”.

Tentei conversar com alguns líderes, alertá-los sobre a semelhança, informando que aquilo não era o Evangelho que me converteu: aquilo era o lixo no qual havia me livrado: era isolado, olhado com desdém, e posteriormente, como uma voz a ser calada e ridicularizada.

Seria incorreto dizer que estava só nesta batalha, mas gradativamente, os ventos mudavam até eu estar cercado de líderes ungidos, inquestionáveis, intocáveis em seus argumentos, por mais esdrúxulos que fossem (e ainda são).

Passeando pela net, encontrei outros loucos reunidos num lugar só, cercado de loucos por todos os lados. Gente que compartilhava a tristeza nas gargalhadas de ver o ridículo das situações em que estavam inseridos, sem poder perguntar: “Que raio isso significa? Deus está nesse negócio?”

“Não toqueis nos meus úngidos...” foi revelado: ESTÁ FORA DO CONTEXTO nas argumentações de certos pilantras que dão “carteirada” com suas credenciais eclesiásticas.

Confesso; me senti em casa. Genizah é o local onde a letra sagrada é escondida entre o lixo do templo em dias de destruição. Bom: a minha parte, na maioria das vezes, é produzir lixo (talvez você já tenha se divertido com ele). Sou bom nisso, o transcrevo de vários lugares onde vivo.


Postou Zé Luís, em mais um esdrúxulo tristemunho no Genizah.
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