681818171876702
Loading...

DIA D: Como ovelhas destinadas ao matadouro



Por Hermes C. Fernandes


Hoje todos os principais jornais do Brasil noticiavam a façanha da Igreja Universal do Reino de Deus, que reuniu ontem entre 8 a 10 milhões de pessoas nas principais capitais do Brasil, numa demonstração ímpar de força e… capital político.

Em São Paulo, o evento reuniu cerca de 2 milhões de fiéis, e recebeu a presença do prefeito Kassab.

Enquanto isso, a Igreja Renascer já entra em contagem regressiva para mais uma Marcha pra Jesus, agora com total apoio do governo federal que sancionou o projeto de lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus, com a assinatura do presidente Lula.

Estevam Hernandes não vai querer ficar por baixo. Se a IURD reuniu dois milhões em SP, a Renascer quer reunir o dobro. Para isso, está convocando seu povo para 40 dias de jejum e oração que terminarão no dia do evento.

A pergunta que não quer calar é: Por quê? Ou melhor: Pra quê?

Ora, em ano de eleições, qualquer igreja que demonstre ter capital político será cortejada pelos candidatos.

Depois da vergonha que a IURD passou nas últimas eleições, sem conseguir eleger a maioria dos seus candidatos, tinha que aproveitar o momento para promover a maior demonstração de força de sua história.

Pena que as pessoas sejam tão ingênuas. Assisti à fala do Bispo Macedo no evento, publicada em seu blog pessoal, e, sinceramente, não o vi falar do Evangelho de Cristo uma única vez. Pelo contrário, sua mensagem terminou com a admoestação de que as pessoas precisam acreditar em Deus e nelas próprias. Chegou mesmo a dizer que crer em Deus não é suficiente.

As mega-denominações neopentecostais já se mobilizam para outros grandes eventos até Outubro. Ninguém quer ficar de fora. Todos querem uma fatia do bolo: a Igreja da Graça, a Mundial, a Bola de Neve (que acaba de inaugurar sua sede paulistana no Olímpia), a Casa da Bênção, a Sara Nossa Terra, bem como algumas rádios evangélicas como a 93 FM e a Melodia, ambas do Rio de Janeiro.

Infelizmente, o assunto na maioria desses eventos não é Cristo, nem Sua Cruz, ou Seu Evangelho transformador. O assunto, ainda que não confessado, é a busca pelo poder temporal.

Com capital político comprovado, o líder da denominação tem condição de barganhar o apoio de sua igreja a qualquer candidatura. Como diria Boris Casói: Isso é uma vergonha!

Será que esta mesma multidão que se reúne em busca de milagres seria capaz de reunir-se numa marcha pela ética, pela justiça, pela transformação social? Duvido muito.

Que diferença entre tais aglomerações e aquela promovida por Martin Luther King Jr. pelos direitos civis em Washington! Está na hora da igreja cristã ser menos provinciana e corporativista e mais engajada em questões que digam respeito a todos e não apenas às que interessam à denominação.

Em meio a este caos, Deus está levantando um povo consciente, que não se deixa manipular. Está em andamento o que costumo chamar de “Subversão do Reino”. Pessoas de todas as denominações, pentecostais, reformados, emergentes, carismáticos, unem-se em torno do bem comum, numa marcha silenciosa e discreta que acontece cotidianamente, seja no ambiente profissional, acadêmico, doméstico ou até virtual. Toda essa gente está finalmente descobrindo que o reino de Deus é muito mais do que seus líderes lhe contaram.

Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah

Postar um comentário

Página inicial item