Em Sacrópolis a norma é romper com as formas pré-estabelecidas, onde cada um dá seu testemunho de sua tocante fidelidade aos suspeitos métodos de reinvenção para se olhar o Sagrado através de lentes caleidoscópicas.
Em Sacrópolis o anacronismo é a regra, onde os conceitos de épocas diferentes cruzam-se, colidem-se, e se desintegram. Lá o presente é condicional, e o futuro é um passado em mutação. A cada congresso ou concílio, o passado ganha um novo sentido pelo trabalho de reinterpretação do REAL. É uma região edênica onde é impossível abarcar toda a realidade. É de lá que saem as idéias à procura de corpos para se encarnar nos corpos dos homens científicos, filosóficos e religiosos. É pouco recomendável morar nessa cidade, a menos que se deseje andar a margem de si mesmo, como fazem os loucos e os poetas.
Lá em Sacrópolis não existe muitos deuses, mas inúmeras faces de Deus. Deus para o Físico desse Reino é massa e força; para o Químico é composto molecular; para o Psicanalista é o inconsciente; para o Teólogo é a transcendência. Em Sacrópolis a Ciência faz e não pensa, a Filosofia pensa e não faz; a Arte pensa fazer, e, todas juntas fazem pensar. Dizem que foi lá que Adão passou a sua infância, onde disse: “faça-se o queijo e o queijo se fez”. As fatias desse queijo, ainda hoje, produzem pensamentos, emoção viva e afetos brutos em seus habitantes.
Lá o Livro Sagrado tem multiplicidade de traduções, e ultimamente está em processo de destradução, para dar sentido ao que não tem sentido. É lá que se satisfaz o imperioso desejo de rechear as palavras com o vazio das traduções teísticas e ateísticas. É lá que as fábulas têm a moral de suas histórias abertas para qualquer interpretação.
Sacrópolis, por conseguinte, é uma força de expressão que designa o lugar concreto onde o pensamento e as idéias se criam, se renovam e se extinguem. Os seus habitantes são híbridos de carne e métodos. Nela se concentra o que se perdeu na realidade comum, ou que nem chegou a haver. Nela nada se cria, apenas se redescobre e se reinventa, num processo infinito de reencarnação conceitual daquilo que, nos primórdios já existia com outra roupagem.
Em Sacrópolis se vive o hoje, sem que ninguém saiba como vai acordar amanhã.




























3 Comentários
Muito interessante a sua página na net. Vou aparecer por aqui mais vezes, pois tem muita coisa boa.
Parabéns!
O pior de Sacrópolis é viver sob o comando de Terra Nova, Feliciano e cia (i)ltda.
Levi, como posso chegar a esta cidade? Não seria ela a mesma apresentada por um tal João, confinado numa ilha do Mediterrâneo? Não seria ela aquela cidade que não tem templos, mas tem praças?
Se é esta, acho que sei como chegar lá... basta ser criança outra vez e perder o medo de ousar imaginar.
Que texto esplêndido! Parabéns!
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http://www.genizahvirtual.com/2010/07/criticos-quantas-almas-voces-ja.html
Querendo aprender sobre o direito de julgar, leia este artigo:
http://www.genizahvirtual.com/2009/07/devemos-julgar.html
De resto, faça como os irmãos de Beréia e vá ver se o que lhe foi dito está na Palavra Deus!