Sobreviventes de Peniel, voltem a Betel!


Hermes Fernandes

Quando somos encontrados por Deus

Amado por sua mãe, abençoado por seu pai, e odiado por seu irmão, Jacó fugiu para tentar salvar sua pele. Esaú, seu irmão gêmeo estava enfurecido depois de ter sido passado pra trás duas vezes.

Por haver saído apressadamente da casa de seus pais, não teve tempo de preparar sua bagagem. Talvez tenha saído só com a roupa do corpo e alguns poucos mantimentos preparados de última hora por sua mãe. Depois de caminhar por horas, Jacó chega a uma cidadezinha chamada Luz. Já era noite. Todos já estavam dormindo. Não querendo chamar a atenção, Jacó preferiu dormir a relento. Tomando uma pedra, improvisou um travesseiro (Gn.28:11).

Talvez não se desse conta de que naquele mesmo lugar seu avô Abraão havia tido seu segundo encontro de Deus. Foi lá que Abraão edificou seu primeiro altar (Gn.12:7-8).

Enquanto buscava uma posição confortável pra dormir, Jacó apagou. “E sonhou: Eis que uma escada estava posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela” (v.12).

Não há como ler esta passagem sem conectá-la às palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo. 1:51).

A escada vista por Jacó representava o próprio Cristo, Seu mais importante Descendente, o Mediador entre o céu e a terra. Através d’Ele os anjos tiveram acesso ao Mundo dos homens, e através d’Ele os homens teriam acesso Àquele que estava no topo da escada: Deus.

“Por cima dela estava o Senhor, que lhe disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás ao ocidente, ao oriente, ao norte e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (vv.13-14).

Até aquele momento, Jacó não passava de um fugitivo, sem eira nem beira. Seu objetivo era poupar sua vida das ameaças de seu enfurecido irmão, de quem roubara a bênção da primogenitura.

Parar em Luz era apenas mais um contratempo. Ele jamais imaginaria a experiência que teria com o Deus de seus antepassados naquele lugar.

Por mais longe que estivesse de casa, ele ainda pisava a terra destinada à sua descendência. O lugar onde estava havia sido prometido por Deus ao seu avô Abraão. Bem próximo daquele lugar Deus aparecera pela segunda vez ao patriarca hebreu, prometendo-lhe dar aquela terra por herança à sua descendência.

Aquela experiência lhe proporcionou uma visão quadridimensional da realidade, uma visão espacial e temporal. Através dela, Jacó se situou no tempo e no espaço.

Embora fugitivo, Deus o via como aquele que daria continuidade à saga de Abraão e de seu pai Isaque. A promessa de Deus não havia expirado.

Ele é convidado a olhar para trás e conferir a História, sentindo-se parte dela. E é desafiado a vislumbrar o futuro, no qual não apenas sua descendência seria abençoada, mas também serviria de bênção para todas as famílias da terra.

Quem diria... uma família desajustada como a de Jacó servindo de canal de bênção para todas as famílias do mundo! Coisas de Deus...

Jacó sabia que tinha a simpatia da mãe, e que finalmente conquistara a simpatia do velho pai, mas também sabia que isso lhe custara a inimizade de seu irmão gêmeo Esaú. Restava saber de que lado Deus estava.

“Estou contigo”, disse o Deus de seus pais, “e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra. Não te deixarei até que tenha cumprido aquilo que te tenho dito” (v.15).

Ufa! Isso era tudo que ele precisava ouvir. Ele deve ter pensado: Esta foi por pouco!

Jacó pensando em se salvar, e Deus pensando em salvar o mundo. Isso te lembra alguma coisa?

Hora de acordar!

“Despertando Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (v.16).

Não há nada pior do que perder a consciência da presença de Deus. Antes de Jacó chegar ali, Deus já estava. Ele não habita em templos feitos por mãos humanas. Ele não cabe dentro dos limites geográficos de uma região. Nem mesmo o Céu dos céus é capaz de contê-Lo. Ele também não é exclusividade de religião alguma. Ele não é católico, nem evangélico, nem mesmo cristão. Ele é Deus! E não há lugar no Universo onde Ele não esteja. O problema está em nossa consciência afetada por nosso estado pecaminoso.

É Sua presença que santifica tudo à Sua volta. Pergunte ao salmista se há algum lugar de onde possamos fugir da presença de Deus (Sl.139).

Assim que percebeu a presença de Deus naquele lugar, Jacó exclamou: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus” (v.17).

Casa de Deus não é onde Deus mora, mas onde percebemos Sua presença. Não importa se dentro de uma caverna, ou no cume do Everest. Onde quer que a consciência humana se desperte, ali é a Casa de Deus, o lugar de Sua manifestação. Todos os lugares deste vasto Universo são potencialmente Casa de Deus. Neil Armstrong a sentiu quando pisou em solo lunar. Naquele momento, a Lua se tornou Casa de Deus. Deus também está em Marte! Mas lá não é Sua casa, até que a consciência chegue àquele planeta, e perceba lá a presença do Criador.

Atravessar a porta dos céus é o mesmo que ser tocado pela transcendência, adquirindo a consciência de Sua presença. Do lado de lá, do topo da escada, encontramos a grande síntese espaço/temporal. Passado, presente e futuro; aqui, ali e acolá, tudo se integra em Deus. N’Ele não há ‘agora’ e ‘depois’, nem ‘aqui’ e ‘lá’. Tudo está perfeitamente integrado n’Ele.

Foi esta experiência de transcendência que marcou o início da caminhada de Jacó.

O texto diz que Jacó se levantou ainda de madrugada, antes do sol nascer, “tomou a pedra que tinha posto por travesseiro, erigiu-a em coluna e derramou azeite em cima dela. E chamou aquele lugar Betel...” (vv.18-19a).

Para que uma pedra sirva de travesseiro, ela tem que estar deitada, isto é, na posição horizontal. Ainda que não tenha a mesma maciez e conforto, ela tem quer ter, no mínimo, o formato que lembre um travesseiro. Para que ela se torne uma coluna, terá que mudar de posição. Em vez de deitada, será posta em pé. Em vez de horizontal, será erguida na vertical. E é isso que acontece quando somos encontrados por Deus! Travesseiros se tornam colunas! Tudo o que nos traz algum tipo de conforto, oferecemos a Ele em louvor.

Aquele não era um dia como outro qualquer. Merecia um monumento, algo que expressasse a grandiosidade daquela experiência. Uma espécie de marco.

Enquanto os egípcios e outros povos levantavam obeliscos (chamados na Bíblia de “postes-ídolos”), os hebreus tinham o costume de levantar altares. Um obelisco é um monumento à vaidade humana. Um altar é um monumento à glória de Deus.

Talvez por conta da pressa em fugir de seu irmão, Jacó não tenha terminado ali sua obra. Em vez de um altar completo, deixou apenas uma coluna.

Vinte anos se passariam, até que Jacó ouvisse de Deus: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali, e faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (Gn.35:1).

Deus sabia que levantar um altar demandaria mais tempo do que erigir uma coluna. Por isso, Sua ordem a Jacó foi para que habitasse em Betel por algum tempo, até que o altar fosse concluído.

Embora à esta época Jacó já houvesse tido outra experiência com Deus em Peniel, a ponto de ter seu nome mudado, ele não poderia jamais se esquecer daquele primeiro encontro. Jamais poderia esquecer que quando fugia de seu irmão, Deus o encontrou e lhe fez promessas. Portanto, aquele marco teria que ser revisitado. Voltar a Betel equivaleria voltar ao primeiro amor.

Betel representa Deus saindo ao encontro de Jacó, enquanto Peniel representa Jacó saindo ao encontro de Deus. Quando Deus vem ao encontro do homem, há comunhão. Mas quando é o homem que sai ao encontro de Deus, há colisão. Ele sempre sai machucado! De Betel Jacó saiu tão inspirado, que foi capaz de remover sozinho uma pedra que tapava um poço, que precisava de pelo menos quatro homens para remover, a fim de saciar a sede das ovelhas. Mas de Peniel Jacó saiu mancando de uma perna. Toda vez que o homem se acha no direito de tomar qualquer iniciativa, chegando ao ponto de agendar um encontro com Deus, ele sai machucado, senão fisicamente, pelo menos emocionalmente. Tenho visto muitos casos... Gente que nunca mais se recuperou de algo que se apresentava como 'cura interior', mas que se revelou depois como uma chaga incurável.

Betel representa o homem acolhendo o dom de Deus, dado espontaneamente. Peniel representa o homem tentando arrancar algo de Deus à força. Betel representa a Graça, Peniel representa a Lei. Betel representa o reino entre nós, Peniel representa o reino tomado à força.

Se Peniel tivesse maior importância do que Betel na vida de Jacó, Deus lhe teria enviado de volta a Peniel para edificar um altar, não a Betel.

Talvez alguém diga: Mas não foi em Peniel que Jacó foi abençoado? Não! Em Peniel ele teve seu nome mudado. O lugar onde ele finalmente foi abençoado diretamente por Deus foi em Betel, quando para lá voltou e edificou o altar. Confira:

“Edificou ali um altar, e chamou àquele lugar El-Betel, porque ali Deus se lhe tinha manifestado, quando fugia de seu irmão (...) Deus lhe apareceu de novo, e o ABENÇOOU.. Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó, mas não te chamarás mais Jacó; Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel” (35:7,9-10).

O lugar da bênção foi o mesmo lugar onde lhe fora feita a promessa.

Deus está chamando Seu povo de volta a Betel!

Continua...

***
Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah



I Copa Apóstata do Futebol Gospel



Levi Bronzeado

Já se constituiu uma regra em nosso meio, dizer que Deus é brasileiro, afirmação essa corroborada pela ajuda que Ele tem dado a nossa Seleção Canarinha que por cinco vezes foi campeã do mundo.

Ora, se Deus é um torcedor fanático do Brasil, porque não usar os recursos futebolísticos como estratégia para propaganda evangelística gospel?

Sabendo que o brasileiro adora ouvir uma transmissão de partida de futebol, porque não mudar a rotina enfadonha e insossa dos cultos de domingo à noite, e passar a executá-la com o sensacionalismo e a emoção dos locutores esportivos. A TV Record (é claro), caberia a exclusividade na transmissão das partidas. Já pensou no golpe mortal que a TV Globo levaria?

Se a Record já conseguiu levar grande parte dos atores para sua emissora, com certeza a contratação do maior locutor esportivo da televisão seria ‘favas contadas’.

Transmitir um culto como quem transmite um jogo de futebol, é muito mais eletrizante, tendo a grande vantagem de não permitir que ninguém venha cochilar durante o duelo entre os meliantes de Belial e os meliantes dos exércitos da salvação.

O campeonato seria de pontos corridos, e creio que não faltariam times para se inscrever na Confederação Brasileira Gospel de Esportes. Acho até que devido ao grande número de denominações evangélicas, o campeonato deveria ter uma série A (a principal), e uma chave B (de acesso).

Você caro leitor(a), poderá experimentar agora, um novo e emocionante estilo de culto neo-pentecostal domingueiro.

Segure-se bem em sua poltrona, pegue seu saco de pipocas bem quentinhas e com reverência, clique no vídeo abaixo, para assistir uma amostra desse deslumbrante e sensacional culto, narrado por um locutor esportivo divinamente inspirado:




***
Prosa por Levi B.Santos
Guarabira, 07 de setembro de 2009
Em
Ensaios & Prosas



A fé que multiplica pizzas e remove culotes...



Por Maurício de Almeida
& pitacos do Danilo Fernandes


Depois de ganhar umas gordurinhas na pizzaria gospel, o negócio é malhar na academia evangélica. Esta ai da foto é nos Estados Unidos, mas não demora muito e nossos “artistas” abrem uma por aqui. Agora imagine se o proprietário fosse:


1 – O Erra Erra Soares

O logo da academia teria o desenho de um irmãozinho segurando sua barriguinha saliente e dizendo “Eu rejeito isso”.

Os sócios seriam chamados de patrocinadores. Nem precisariam ir à academia; poderiam fazer os exercícios em casa, em frente à TV (bebendo bastante água), e a mensalidade seria paga por boleto bancário.

O marketing seria na base do testemunhal, com irmãos “contando a benção” na TV.

Mas se o patrocinador quisesse, poderia ir malhar ao vivo no Show (da fé) e aproveitar a viagem para ser “desencapetado” por um personal exorcista. Já pensou?


2 – O Valdesua Caipirago

Não tem aparelhos. Mas a sauna é muito boa e não faltam toalhas, lencinhos, etc. Cada gota de suor (ungido) derramado seria aproveitada.

O lema seria: “Queremos um milhão de sócios. E não importa se você já é membro de outra academia, você pode malhar lá e pagar a mensalidade aqui”


3 – Pedir Maiscedo:

O contador da academia receberia a ajuda dos fiscais da Receita Federal para conferir as contas.

A segurança da academia contaria com o apoio da Polícia Federal (que ficaria observando a movimentação).

A academia contaria com uma lavanderia completa, que lava de tudo: à seco, molhado, terno... dinheiro...

A taxa não seria chamada de mensalidade; seria “minutualidade” (cobrada a todo instante); mas o sócio fiel receberia uma infinidade de brindes a um precinho simbólico, como: rosas ungidas, pulseiras, sal grosso, etc.

O programa de treinamento seria chamado de “Sessão do descarrego”, para queimar o "encosto" (entenda-se: gordura localizada)
O lema seria o mesmo: “Meu amigo, minha amiga, pare de sofrer”.


4 – Paitóspolo Dolarnandes e a Bispa Perua

Os sócios malhariam com as roupas da grife própria da academia.

Perdendo a barriguinha, o sócio teria a vantagem de sobrar mais espaço nas calças para transportar valores (o que é muito útil em caso de viagens aos EUA).

A propaganda da academia seria toda na base da publicidade gratuita, sempre nos maiores jornais do Brasil (nas páginas policiais).

Duas desvantagens: A manutenção do prédio da academia (o teto tenderia a desabar) e a ausência das tornozeleiras com peso das aulas de aeróbica (a Bispa traumatizou com as do FBI...). Muda o assunto, não se fala mais nisto!

5 – Clodovil Falaciano:

O sócio receberia um calendário do mundo espiritual com os nomes das potestades que causam as gorduras localizadas para que pudesse destroná-las.


6 – Silas Malacheia :

Não teria mensalidade; mas se quisesse receber a benção o sócio teria que fazer uma oferta voluntária de R$ 900,00 (a oferta é voluntária, mas se não pagar, nada feito).


***
Maurício de Almeida Soares é ministro da Igreja Presbiteriana.



Deus em cinco (outras) palavras



Alan Brizotti

Deus gosta de palavras. Ele sempre trabalhou com elas. É um caso de amor com essa coisa do verbo. Deus é um apaixonado pelo verbo, tanto que chega a "brincar" com isso. A Babel (Gn. 11) é uma licença poética divina promovendo o espetáculo dolorido da perdição/salvação do vernáculo. Em seu passo mais ousado - Encarnação - ele próprio se denomina "o verbo" (Jo. 1). Como um simples escritor, acredito poder captar um pouco desse prazer...

Tenho buscado Deus em palavras outras. Tenho procurado por ele em palavras que, quase por definição, afastam-nos dele. Encontrar Deus nas palavras exige saber dançar nesse eterno baile dos dois: de um lado, palavras propondo encontro, do outro, uma brincadeira de se esconder pra se revelar. Como dizia Karl Barth, Deus é "totalmente outro".

Deixe-me mostra algumas das palavras onde Deus gosta de se esconder:

Angústia: Por que será que a angústia sempre me leva a pensar em Deus? Seria sua estranha forma de me convidar para a vida? Seria uma espécie de eco divino do Getsêmani? (Lc. 22. 39-46). Gosto da angústia. Quem têm asas gosta de abismos. Por ela poemas brotam, ela me impede de assumir prerrogativas divinas. Através dela sei que sou apenas humano. Benditas sejam minhas angústias... (Sl. 18.6)

Ódio: Há coisas que preciso odiar. Odeio a injustiça, pois ela afirma a falta de amor e enobrece espíritos de porco. Odeio a malandragem dos que tentam levar vantagem em tudo - o câncer do jeitinho. Odeio igrejas onde as pessoas são violentadas em seu desespero, vistas como "caixas eletrônicos existenciais", esvaziadas de seu conteúdo humano, transformadas em matéria-prima dos canalhas da celestialidade bandida (Sl. 139. 21, 22).

Preto: Eu vejo tudo na cor preta. No evangelicalismo abobalhado de hoje tudo que tem a cor preta ganha conotações diabólicas, menos o olhar de quem assim o enxerga. Vejo no preto a beleza magistral da noite e a consequente esperança do dia. Alguém disse que o preto é "o acúmulo dos azuis". O preto dos escravos compõe orgulhosamente meu DNA. Amo o fato indiscutível de ser fruto da mistura humana desse caldeirão cultural chamado Brasil. Quando fecho os olhos, e tudo fica preto, a oração que brota não tem cor... (At. 8. 36-38)

Ateu: Nietzsche dizia que "somente aquele que tem uma fé profunda pode se dar o luxo do ceticismo". Na verdade, Deus não existe, quem existe sou eu. Deus é! Ele criou a existência, portanto, é maior do que sua criação. Aqui surge algo interessante: tanto aqueles que afirmam ardorosamente a existência de Deus, quanto aqueles que ferrenhamente a negam são ateus! Ateus abraçados ao próprio delírio. (Sl. 14)

Eu: Deus está em mim? Eu estou em Deus? Costumamos pregar, cantar e escrever sobre a presença de Deus, mas e sua ausência? Eu revelo Deus? Pelo menos uma certeza absoluta eu tenho: eu não sou Deus! Não sou apóstolo, profeta, Ph'Deus ou vidente, eu sou apenas eu... (I Co. 15.10).





O conselho de Gamaliel representa o pensamento cristão?



Por Leonardo Gonçalves


Em nosso Brasil hodierno, as seitas pseudo-cristãs tem se multiplicado com tal rapidez, que é possivel presenciar diariamente o surgimento de diversas instituições eclesiásticas que, apesar de exibirem a alcunha de “cristãs” ou “evangélicas”, pouca semelhança têm com Cristo e seu evangelho. Tais movimentos, apesar de falarem no nome de Deus, trazem em seu bojo doutrinário uma série de preceitos alheios à Palavra de Deus. Correntes de libertação, pregações triunfalistas com ênfase em prosperidade financeira e muitos milagres são exibidos pelos apóstolos do momento. Estas lideranças costumam valer-se dos milagres para autenticar seus ministérios e amedrontar aqueles que lhes são contrários.

A intimidação espiritual e a falta de exegese autêntica são as marcas destes ministérios emergentes. Certo tele-apóstolo, aquele que cura as pessoas com a sua “sudorese santa”, costuma respaldar-se nos milagres que produz. “Olha o milagre aí igreja! Quero ver dizer agora que eu não sou homem de Deus.” – reverbera Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. “Se essa obra não for de Deus, vai acabar; mas se ela for de Deus, ninguém vai nos parar” - diz o apóstolo, supostamente respaldado pelo conselho de Gamaliel, em At 5.34-39:

“Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos; e disse-lhes:

Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens.Porque, antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.

E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la, para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus”.

O argumento apresentado por Gamaliel, famoso rabino da seita dos Fariseus, tem sido perpetuado como sendo um conselho verdadeiro e inspirado. Muitos defensores dos novos movimentos de fé também se valem deste argumento quando dizem:

“Não fale do bispo tal, porque ele é ungido de Deus. Aliás, se ele não é de Deus, como a igreja dele cresce tanto? Deixa ele, pois se essa obra for de Deus, você estará lutando contra Deus!”


Onde está o problema com o conselho de Gamaliel?

Em primeiro lugar, devemos reconhecer que na Bíblia há registros inspirados e mandamentos inspirados. Ela é descritiva e prescritiva. Por exemplo: A Bíblia descreve algumas das mentiras de Satanás, mas ela não ensina a mentira. As mentiras do diabo, portanto, são descrições e não prescrições. Ela também descreve o adultério de Davi, mas não prescreve o adúltério. Ela descreve a traição de Judas, mas isso não quer dizer que o cristão deve trair a confiança dos seus amigos. A boa heremenêutica nos exorta a reconhecer que nem tudo o que está na Bíblia é um mandamento para o cristão.

O mesmo acontece com o conselho de Gamaliel. A Bíblia o descreve, mas não prescreve sua atitude como correta. Ora, Gamaliel sequer era cristão; muito pelo contrário: Ele era membro da seita que mais se opôs ao cristianismo durante os primeiros anos da sua existência. Além disso, a premissa de Gamaliel não resiste à prova da história: A experiência humana tem se encarregado de provar que o argumento deste rabino judeu não passa de uma grande falácia. Quantas seitas que surgiram desde antes do advento do cristianismo, e que perduram até hoje?

Tomemos como exemplo o budismo. A seita fundada por Sidharta Gautama mais de 500 anos antes do nacimento de Cristo perdura até hoje, tendo milhares de adeptos ao redor do mundo. Ora, se o argumento de Gamaliel estiver correto, então serei forçado a crer que o budismo, religião que ensina a reencarnação, animismo e tantas outras abstrações, também é de Deus! Lembre-se que passaram mais de dois milênios e a religião contina crescendo em número de adeptos, inclusive no Brasil. O mesmo pode ser dito do Confucionismo, Jainísmo e Taoísmo, todas com mais de quatro séculos antes do cristianismo! Numa tradição mais recente está o maometismo (islamismo), com cerca de quinze séculos de história, o que segundo o conselho de Gamaliel, é mais do que suficiente para justificar a fé terrorista que se impõe por meio da espada.


Gamaliel versus Paulo de Tarso

Apesar de ter sido instruído aos pés de Gamaliel, o ex-fariseu Paulo de Tarso não se deixava enganar pelo seu estranho pressuposto do antigo mestre. O apelo à “tolerância” de Gamaliel fora abandonado tão logo o cristianismo começou a ser bombardeado pelas doutrinas dos falsos mestres. Diferente de Gamaliel e seu apelo à conivência, o apóstolo dos gentios se opôs a tudo aquilo que pusesse tropeço a obra de Deus:

* Repreendeu a Pedro na cara, por sua dissimulação – Gl 2.11-14
* Mandou Tito “tapar a boca” dos falsos mestres – Tt 1.10-11
* Chamou os falsos obreiros de cães – Fp 3.2
* Citava nomes, quando julgava preciso – 2 Tm 2.17; 2Tm 4.10

Paulo não estava disposto a seguir o conselho de Gamaliel. Ele já não estava submisso ao antigo rabi. Seu mestre agora era outro, o Cristo.


Gamaliel versus Jesus Cristo

Penso sinceramente que estes que se respaldam em Gamaliel estão em franca oposição ao evangelho. Ora, diferente do rabino fariseu, que em sua “extrema prudência” nos conclama a abrir mão do sublime dom de discernir, crendo que Deus dará aos falsos mestres o mesmo destino de Teudas e Judas Galileu (At 5.36-37), ordenando sobre eles perseguição e matando-os à espada (bem ao estilo dos fariseus!), Cristo nos ensina a discernir a conduta dos falsos mestres, julgando-os à luz dos seus frutos:

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? [...] Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” – Mt 7.15-19

Jesus ensinou que não devemos nos deixar seduzir por milagres, pois, diferente do que diz o teleapóstolo da Igreja Mundial do Poder de Deus, os milagres não autenticam o ministério de ninguém:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” – Mt 7.21-23


Ora, ainda sobre milagres, cabe dizer que João Batista não realizou nenhum milagre (Jo 10.41), mas Jesus testificou dele dizendo que ele foi o maior entre os homens (Mt 11.11). Por outro lado, o ministério de Judas foi seguido por sinais (Mt 10.1), mas Jesus testificou contra ele chamando-o de diabo! (Jo 6.70)



***

Esclarecimento:

Texto em resposta à centena de anônimos que, possuídos de uma ignorância sincera, ou por uma intencional vontade de criticar os críticos e julgar os juízes, mencionam o conselho de Gamaliel como refutação às denuncias, exortações e elucidações apologéticas do Púlpito Cristão e do Genizah.

Consideramos injusto que, por causa de alguns, todo o evangelho seja escandalizado. Poremos à prova os que dizem ser apóstolos (Ap 2.2), quando na verdade são sinagoga de Satanás (Ap 2.9). Demonstraremos, à luz das Escrituras, que estes mercadores da fé não servem a Deus, não são evangélicos nem mesmo cristãos. Seguiremos firmes na defesa do evangelho, apontando o verdadeiro caminho e opondo-nos a tudo aquilo que seja tropeço à fé.

Aos anônimos, pedimos que saiam de suas moitas, assumam suas verdadeiras identidades, pois não parece atitude cristã omitir-se da responsabilidade pelo que diz. Além do mais, o anonimato é proibido por lei, e os que assim procedem são criminosos aos olhos da Constituição Federal.

Quanto aos vendedores de milagres, como o telepastor que recentemente nos ameaçou de processo por calúnia e difamação, que provem o que disseram, pois nós e mesmos e muitos crentes tupiniquins são testemunhas do vosso comércio de milagres, prometendo bençãos mediante o sacrifício (sempre financeiro) do fiel, e dissimulando de cristianismo a vossa avareza.

Temos nossa mente limpa, purificada pelo Sangue de Cristo, e o coração sincero. Temos plena convicção de que como cristãos, fomos chamados para a defesa do evangelho (Fp 1.16).

Novamente dirijo-me ao telepastor que tem nos ameaçado: Tome vergonha na cara e mude de atitude, pois a tua soberba, caso incontrita, te levará à ruína (Pv 16.18).


***
Postado por Leonardo Gonçalves, colaborador do Genizah e editor do Púlpito Cristão



Marco Feliciano defende seus compadres na TV



Tharsis Kedsonni


Marco Feliciano ameaçou, disse que ia deixar de ser bonzinho e até prometeu fazer a tampa de chaleira voar. Na hora H, a única coisa que fez hoje, no seu programa da Rede TV!, Tempo de Avivamento, foi defender os "líderes perseguidos" da mídia gospel.

Colocando a culpa em Satanás, Marco Feliciano fez seu rápido discurso dizendo que os grandes homens evangélicos que o povo está acostumado a ver na TV estão sofrendo perseguições por serem "diferentes" e que a igreja estava sendo "fofoqueira" por rejeitar seus abusos.

Para Feliciano, não importa se Edir Macedo está abusando, desviando, lavando, lucrando. O que importa é que ele está sendo perseguido por ser "o maior líder desse país".

Para Feliciano, não importa se Silas Malafaia oferece Bíblia por R$ 900, se RR Soares pede muito patrocínio, se Davi Miranda diz que Deus só opera na sua igreja, se os Hernandes da Renascer escondem dinheiro na Bíblia, se o evangelho de Valdomiro Santiago vive de milagre , etc. O que importa é que são "líderes que sofrem inveja da mídia". Aliás, "toca nas vestes desses homens para ver o que acontece..." já diria Marco.

Deu para que ver que justificar os desvios dos televangelistas colocando a culpa em Satanás ou na "igreja fofoqueira" é mais fácil do que admoestá-los.

No fim das contas, Marco Feliciano só se coadunou com o que se vê na mídia gospel: abuso de poder, rios de dinheiro, exploração de fiéis, mercantilização da fé. Enquanto isso, ele vai seguir sendo o mesmo Feliciano, com seu jeito de maquiar, suas campanhas, seus patrocínios, seu público... e suas mesmas palavras para defender as falcatruas dos seus compadres: perseguição, culpa de Satanás...

***
FONTE: A-BD


Comentários de Danilo

Vou falar não! Só ilustrei a reportagem do irmão Tharsis com esta foto maneira ai para ficar o gostinho! Prá semana falo! Hoje não vai dar... Almocei no Juca Pato e o filé com páprika não desceu bem... A comida é ótima lá! Eu é que ando enjoado mesmo... desde que vi aquela gira de exu com a dilma, os hernadez, crivella, rodovalho, etc. lá em Brasília. E por falar em Pato: Qui refresquis rabolus patus laguna est. Já dizia meu professor de latim aos alunos deletérios no dia da prova final.



No compasso do coração de Deus, mas sensível ao coração dos homens


Hermes Fernandes

Creio que a Igreja deve aprender a ouvir o coração do Mundo, isto é, se compadecer e discernir os anseios da alma humana, buscando correspondê-los.

Mas para discerni-los, temos que estar atentos, não apenas àquilo que seus lábios e atitudes dizem, mas também à sua produção cultural. Muito daquilo que o ser humano não consegue exprimir através de palavras, é comunicado através da arte e da cultura de um modo geral.

A igreja contemporânea se afastou da realidade. Parece que a forte ênfase nos carismas fez com que nos especializássemos na língua dos anjos, e desaprendêssemos a língua dos homens. Precisamos de uma espécie de tecla SAP, para discernirmos o que se passa na alma humana.

Mesmo conhecendo a fundo o vernáculo celestial, Jesus discerniu o anseio do coração de um ancião chamado Nicodemos, e falou-lhe usando sua própria linguagem. O tal “novo nascimento” foi a metáfora escolhida por Jesus para falar-lhe de uma realidade tão profunda que não encontra palavras em nenhum idioma terreno. Surpreso pela incapacidade do mestre fariseu em entender a metáfora, Jesus questionou: “Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo.3:12).

Jamais foi intenção de Jesus impressionar a quem quer que fosse com Seus discursos. Suas parábolas visavam facilitar a compreensão, trazer a realidade celestial para dentro da linguagem humana. Embora nossas Bíblias usem linguagem rebuscada, os textos mais próximos dos originais foram escritos no grego koiné, isto é, na linguagem das ruas.

Hoje, a igreja cristã peca por querer impressionar o mundo com uma linguagem pra lá de espiritual.

Tornamo-nos um gueto com nossos próprios jargões e clichês. Achamos que nos aproximamos do coração de Deus, mas ao mesmo tempo nos distanciamos do coração do Mundo.

Para sermos, de fato, igreja do futuro, temos que ter um coração no compasso do coração de Deus, ao mesmo tempo sensível aos anseios do coração dos homens.

Como profetas, trazemos a Palavra de Deus na linguagem dos homens. Como sacerdotes, apresentamos a Deus os anseios humanos na linguagem do céu.

Comunicação é isso: uma via de mão-dupla.

Se quisermos ser ouvidos, temos que aprender a ouvir.

Quero tomar dois exemplos bíblicos, um do Antigo e outro do Novo Testamento.

Em Daniel 2, lemos que Nabucodonosor, rei da Babilônia, teve um sonho e ninguém conseguiu interpretá-lo. Depois de recorrer inutilmente aos magos e sábios do seu reino, chegou a vez de Daniel. O rei sequer se lembrava do sonho que tivera. Sem dúvida, interpretar aquele sonho foi um dos maiores desafios enfrentados pelo profeta. Sua vida estava em jogo, juntamente com a de todos os sábios e magos da Babilônia.

Veja aonde Daniel foi buscar orientação e discernimento:

“Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; é quem muda os tempos e as horas, remove reis e estabelece reis; ela dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. Ó Deus de meus pais, eu te louvo e celebro, porque me deste sabedoria e força; agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei” (Dn. 2:20-23).

Estaríamos buscando em Deus o discernimento para compreendermos os anseios dos corações?Estaríamos nos interessando o suficiente por assuntos que aparentemente não nos dizem respeito?

Não há assunto ou matéria que não interesse à igreja do futuro. Tudo o que diz respeito à humanidade e seus anseios, também diz respeito a nós.

Do Novo Testamento tiramos o exemplo de Filipe e o Eunuco Etíope.

Filipe estava desfrutando daquilo que hoje seria considerado o maior sucesso que um ministério poderia alcançar. Uma cidade inteira, antes contrário a qualquer coisa que viesse dos judeus, rendera-se ao amor de Cristo através da pregação de Filipe. De repente, o Espírito Santo o envia a um lugar deserto. “No caminho viu um etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adorar. Regressava, e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. Correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e perguntou: Entendes tu o que lês?” (At.8:27-30).

Filipe teve que deixar seu gueto, seu nicho, e ir para um lugar inóspito, deserto, para encontrar-se com um estrangeiro, negro e efeminado. Seus preconceitos foram postos à prova. Ao avistar o carro do Eunuco, o Espírito ordenou que se aparelhasse a ele. Pelo que tudo indica, o carro estava em movimento, e Filipe teve que correr para alcançá-lo.

Estaríamos dispostos a deixar nosso gueto religioso, nosso mundinho gospel, para ir ao encontro de gente totalmente diferente de nós?

Ao se aproximar, a primeira coisa que Filipe notou é que aquele homem estava lendo. O que nossa sociedade tem lido ultimamente? Que filmes tem assistido? Que música tem ouvido? Ora, se não prestarmos atenção, jamais saberemos.

O Eunuco lia as Escrituras. E isso certamente facilitou o processo de evangelização. Porém, hoje o Mundo à nossa volta está repleto de todo tipo de literatura. O que é que nossos jovens estão consumindo em termos de cultura em nossos dias?

A resposta a esta pergunta nos ajudará a compreender os anseios de seu coração.

Por isso, os componentes da igreja do futuro precisam se interar e se inserir na cultura popular. Em vez de ouvir música secular apenas para criticar ou mesmo , para se entreter, devemos ouvi-la em busca desses anseios.

Precisamos ser leitores vorazes. Ler de tudo, e não apenas literatura cristã. Ainda que não sejamos cinéfilos, devemos acompanhar o lançamento de filmes, bem como os programas televisivos, as peças teatrais, etc.

A cultura é uma das principais maneiras do homem expressar o que há em seu coração. E não temos que temer nos expor a ela. Lembre-se da admoestação de Paulo: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts.5:21). Você vai se impressionar quando se der conta de que a graça comum tem habilitado homens comuns a produzirem coisas maravilhosas. Particularmente, tenho encontrado verdadeiras pérolas em músicas seculares, que expressam não apenas o que está no coração dos homens, mas também o que está no coração de Deus.

Quando Filipe viu que o Eunuco lia Isaías, perguntou: “Entendes tu o que lês? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse, e com ele se assentasse” (vv.30-31).

Não basta correr para alcançar o carro, é necessário entrar nele. Não adianta brincar de apostar corrida com a cultura, temos que nos inserir nela.

O mundo necessita de tutores dispostos a assentar-se e explicar. E este é um dos papéis atribuídos à igreja de Cristo.

De que adianta distribuirmos Bíblias e literatura cristã, se não houver quem explique?

E para lograrmos êxito nessa empreitada, temos que reaprender a língua dos homens.

Veja o que diz Paulo:

“Assim também vós. Se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele a quem falo, e o que fala será estrangeiro para mim” (1 Co.14:9-11).

Ninguém falava mais em línguas angelicais do que os cristãos coríntios. Paulo teve que tratar com isso, pois transformaram o dom de línguas numa espécie de aferidor de espiritualidade. Apesar de ser tão abundante nos dons, a igreja de Corinto era também considerada a mais carnal. O que nos torna espirituais não é a abundância de dons, e sim a abundância de amor.

Tristemente, a igreja contemporânea está muito parecida com a de Corinto. O dom de línguas tornou-se coqueluche. E quem não fala em línguas é logo taxado de carnal, ou de crente de segunda classe. Usam as línguas para impressionarem e passarem uma imagem de espiritualidade.

Paulo arremata:

“Dou graças ao meu Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Todavia, eu antes quero falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas” (1 Co.14:18-19).

Paulo parece recomendar uma economia de línguas espirituais em público, substituindo-a pelo uso de idiomas inteligíveis. Cabe aqui esclarecer que o dom de línguas recebido no dia de Pentecostes visava promover o entendimento, e não dificultá-lo.

A língua falada pelos cristãos no cenáculo não era de anjos, mas de homens. Repare no relato de Lucas:

“Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. Correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At.2:4-6).

Portanto, falar a língua dos homens é mais importante do que falar a língua dos anjos.

Paulo diz ainda que quando profetizamos, isto é, falamos das coisas de cima mas na linguagem aqui de baixo, os segredos do coração dos homens “ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto”, adorarão a Deus, “declarando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Co. 14: 25).

É disso que precisamos: profetas! Gente que profira a palavra de Deus de maneira inteligível, e que vá de encontro aos anseios mais profundos da alma humana.

Gente como Daniel, que embora transite pelos corredores dos palácios da Babilônia, não come dos seus manjares, não negocie seus princípios, mas é capaz de discernir segredos do coração do rei, que nem mesmo ele discerne.

Nas palavras de Paulo, o espiritual não é aquele que se isola da cultura, que vive a falar em línguas angelicais, mas sim aquele que “discerne bem a tudo” (1 Co.2:15). O espiritual de Paulo equivale ao cristão maduro de Hebreus, “que pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hb. 5:14). O instrumento que ele usa para tal alcançar tal discernimento é a Palavra de Deus, “viva e eficaz (...) apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb.4:12).

Que tenhamos um coração que consiga, ao mesmo tempo, bater no compasso do coração de Deus, e estar atendo e sensível aos anseios do coração dos homens.

***
Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah



Amor heavy metal


Rubinho Pirola


"Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e se lhe atirasse ao mar." Mt 18:6

Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.

Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.

Pois foi ai, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.

Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido.

Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.

Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...

Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.

Na hora, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"

Tai ai. Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.

Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.

Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.

Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.

Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.

Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.

Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?

Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.

Nada mais radical e maluco!


***
Rubinho Pirola é procurado em 12 países, mas vive solto em Portugal e tem "aparelho" no Genizah.



SER OU NÃO SER PEDRO ─ EIS A QUESTÃO



Levi Bronzeado

Momentos antes de sua prisão, e logo após a sua última ceia, Cristo presenciou uma forte bate-boca entre os discípulos, que discutiam quem entre eles seria o maior. Foi nessa ocasião que o Mestre deu uma grande lição aos seus pupilos, ao dizer: “o maior entre vós, seja como o menor; e quem governa seja como quem serve”.

Os últimos instantes do Mestre junto aos seus discípulos, narrados por Lucas, nos dá a impressão de que Pedro estava meio alheio ante a gravidade dos fatos que estavam prestes a acontecer, quando Cristo, veementemente, o chamou por duas vezes para transmitir-lhe uma notícia não muito boa. Disse Cristo: “Simão, Simão, Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu quando te converterdes, fortalece os teus irmãos” (Lucas 22: 31 – 32)

O quanto se torna difícil entender que Pedro não era um convertido, quando se sabe que lá no começo de sua caminhada cristã ele tinha dado provas de sua extraordinária convicção, ao responder enfaticamente diante do Mestre dos mestres: “Tu És o Cristo, Filho do Deus vivo!” (Mateus 16: 16)

Quem poderá imaginar o que deve ter passado pela cabeça de Pedro ao ouvir da boca do Mestre (lá atrás no começo de Seu Ministério) essa grandiloquente declaração: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus” (Mateus 16: 19). Um presente como esse, para quem não era ainda um convertido, no mínimo deve ter levado o EGO desse apóstolo às alturas, e ao mesmo tempo deve ter deixado os outros discípulos em um conflito interno movido por pitadas de inveja. Ao serem tomados por este sorrateiro e sutil sentimento, quem sabe, se os outros apóstolos não confabularam entre si, dizendo o correspondente a frase comumente usada hoje: "Esse é o cara?"

À primeira vista, a confrontação das passagens de Mateus com as de Lucas, pode nos levar, racionalmente, a entender que Pedro era um convencido e não um convertido.

Mas afinal: Quem somos nós? Somos ou não somos convertidos?

Isto nos leva a refletir sobre o dilema de Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”.

Mas, os pressupostos do cristianismo sinalizam que o “ser” ou “não ser” não é uma questão. Se, somos seres em movimento e não entidades estáticas, podemos “ser” e “não ser”. Em nossa caminhada diuturna, a luz do sol clareia pela manhã um lado do nosso corpo, parte do corpo que mais tarde, será tomado pela escuridão da sombra. É impossível fugir da rotina fatigante, que é o mal de cada dia.

O meu eu transcendental que diz que sou um convertido, ignora o sol de minha individualidade e de minha realidade. Tenho momentos de fé e de contemplação, mas, também, tenho momentos de dúvidas e de descrenças.

Sobre a noção de que o SER é uma substância intemporal e imutável como pensava Parmênides e Platão, eu contraponho o conceito de Heráclito e Hegel de que a vida é um processo e não algo determinado, como uma substância. A vida é um eterno “transformar-se” e isto implica mudanças, em que o que temos como a verdade de hoje, não necessariamente, será a verdade de amanhã. A renovação do nosso entendimento implica transformações (é Bíblico). As notas musicais são as mesmas, apenas mudamos a posição das mesmas na pauta, para que se possa solfejar um cântico novo.

Sou humano, por isso, não nego que ora em minha caminhada tenho sido o "Pedro "de Mateus 16: 16, e em outros momentos tenho me sentido como o "Pedro" de Lucas 22: 31. Às vezes, sinto-me resplandecente ante a glória dos céus, como ocorreu com Pedro lá no monte da transfiguração; outras vezes, sinto-me triste e acabrunhado quando Cristo sussurra ao meu ouvido, dizendo que ainda não sou um convertido, como aconteceu com o Pedro narrado em Lucas.

Quem me livrará desse terrível paradoxo, que me faz, às vezes, ser o Pedro com as chaves do reino dos céus nas mãos, e outras vezes ser o Pedro envergonhado por negar a Cristo, três vezes seguidas, mesmo tendo sido alertado antes, que o diabo queria com ele cirandar.

Não! Decididamente, não posso aplicar aqui, o conceito Shakespeareano do “Ser ou não ser, eis a questão”

Fico com o filósofo Paulo de Tarso que disse: “pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. No momento em que digo: “sou” fraco, Ele diz és forte. No momento que penso “ser” forte, Ele me mostra o contrário.

Que me perdoe Shakespeare, mas com o advento de Cristo não há mais questão a ser resolvida, pois o ideal do “ser” é sustentado pela esperança de vida eterna. Quanto ao “espinho na carne”, símbolo da fraqueza do “querer ser” quando não se “pode ser” ─ a Graça Divina me basta, pois é ela que preenche a lacuna do meu vazio existencial. É justamente ela, que me faz entender que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza do “não poder ser”.

Sendo assim, o “ser convertido” e o não “ser convertido” são apenas instâncias ou momentos na vida do crente; são as faces opostas de uma daquelas monumentais pedras a que Cristo se referiu, quando falou que sobre ela construiria a sua Igreja. Em outras palavras, Ele quis dizer que, sobre as vicissitudes e faces paradoxais do homem (loucura para os sábios), se assentariam as bases da mensagem Divina, que busca incessantemente, através da Graça, o “que não é”, para confundir o que “é”.

Porque não dizer que nós somos este Pedro paradoxal?

Porque negar o Pedro que temos dentro de nós, quando sabemos que a pedra (com suas faces opostas) a que Cristo se referiu, é uma das maiores metáforas existenciais que, indubitavelmente, simboliza o nosso ser ambivalente com todo o seu corolário de afetos contraditórios?

Sofreremos muito enquanto não atentarmos para essa grande verdade: a de que as faces da PEDRA que habita em nós, jamais poderão estar do mesmo lado. Esta pedra tem faces que apontam para cima, para baixo e para as laterais. O grande espinho na nossa carne é o não querer carregar esta cruz de muitos lados.


“E foi me dado um espinho na carne [...] afim de não me exaltar” II Coríntios 12: 7

***
Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira, 05 de setembro de 2009



Sinal dos tempos...



Uma charge, mas muito verdadeira! Reflete uma inversão completa de valores em apenas uma geração. Mais um exemplo do resultado deste processo maligno de que trata o livro o Marketing do Mal, cuja resenha publiquei neste blog. Se ainda não leu, não perca o embalo. Se não gostar, devolvo o link. Risos.

***
Fonte: Vi em Pastor Afonso



Oferta desbancada!


Hermes Fernandes


A lista contida na galeria dos heróis da fé é encabeçada por Abel.

É interessante notar que Abel é o único da lista a quem não se atribui qualquer proeza. Enoque foi arrebatado ao céu; Noé salvou o mundo com sua arca; Abraão e Sara tiveram um filho depois de velhos, etc. Mas Abel, o que fez de tão importante para figurar ali?

O texto diz que “pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas ofertas, e por meio dela, depois de morto, ainda fala” (Hb.11:4).

Embora as proezas dos demais heróis tenham alcançado enorme repercussão neste mundo, a oferta de Abel repercutiu na Eternidade.

A queda das muralhas de Jericó, por exemplo, foi testemunhada por milhares de hebreus. Mas a oferta de Abel foi testemunhada única e exclusivamente por Deus.

E por alguns milênios, seu sacrifício foi um referencial de excelência. Sua fé, expressada em suas ofertas, não perdeu a eloqüência, nem depois de sua morte.

Seu sangue, ao ser derramado na terra, misturou-se ao sangue de todos os seus sacrifícios, elevando a Deus um clamor por justiça.

Ao argüir Caim, o assassino de Abel, disse Deus: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra” (Gn.4:10).

E o sangue de todas as vítimas inocentes da maldade humana, uniu-se ao sangue de Abel neste clamor.

Jesus advertiu aos Seus contemporâneos:

“Portanto desta geração será requerido o sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a fundação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Assim, vos digo, será requerido desta geração” (Lc.11:50-51).

Desde Abel, a humanidade estava presa a um tipo de carma. O que seria capaz de romper com ele?

Aquele velho mundo com seu interminável carma tinha que acabar, para dar lugar a um novo mundo, onde prevalecesse a Graça em vez da vingança.

Embora a fé de Abel o projetasse para o futuro, razão pela qual oferecia a Deus sacrifícios que prefiguravam o sacrifício do próprio Cristo, seu sangue, uma vez derramado sobre a terra, prendeu-nos nesse ciclo de “dente por dente”, “olho por olho”.

O clamor do sangue de Abel nos aprisionava ao passado.

Precisaríamos de alguém cujo sangue falasse melhor do que o de Abel, a fim de nos libertar para o futuro. Alguém cujo sacrifício de Sua própria vida exterminasse o carma, e estabelecesse a pedra fundamental de um novo mundo.

O término da lista da galeria da fé, o escritor sagrado arremata:

“E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa. Deus havia provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb.11:39-40).

Que “coisa superior” seria esta?

A resposta vem logo em seguida:

“Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todos embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).

Todos os heróis do passado formam agora a platéia que nos assiste, porém, nossa nova referência é Cristo, que nos desafia a deixar o embaraço, isto é, aquilo que nos prende ao passado, e o pecado que tenta nos acorrentar ao presente, e correr em direção ao futuro que Seu sacrifício nos garantiu.

Os heróis da Antiga Aliança viveram sob o eco do clamor do sangue de Abel.

Enquanto os antigos heróis “morreram na fé, não alcançaram as promessas, apenas viram-nas de longe, e as saudaram” (11:13), nós, que vivemos sob a égide da Nova Aliança, já as alcançamos n’Ele. Paulo declara: “Pois quantas promessas há de Deus, têm nele o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por nosso intermédio” (2 Co.1:20-21).

Enquanto eles estavam “buscando uma pátria” (Hb.11:14), nós somos aqueles que finalmente chegaram “à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial” (Hb.12:22).

Mas tudo isso porque o sangue de Jesus, derramado no madeiro, “fala melhor do que o de Abel” (Hb.12:24).

Se o sangue de Abel clamava por justiça, o sangue de Jesus clama por misericórdia. E “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13).

Se o sangue de Abel continuou a falar, mesmo depois de morto, qual seria o alcance do clamor do sangue do Ressuscitado?


***
Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah



Cana ou Yoga? Qualquer bebo faz melhor....


Savasana
É uma posição de total relaxamento.










Balasana
Posição que traz uma sensação de paz e tranquilidade.






Setu Bandha Sarvangasana
Esta posição acalma o cérebro e recupera pernas cansadas.






Halasana
Posição do arado.
Ótima para dor nas costas e para insônia.






Dolphin
Ótimo para os ombros. Também fortalece o torax, pernas e braços.







Salambhasana
Uma forma efetiva de fortalecer os músculos lombares, pernas e braços.








Ananda Balasana
Esta posição faz uma boa massagem na área dos quadris.






Malasana
Esta posição estira os tornozelos e músculos das costas.







Pigeon
Tonifica seu corpo, aumenta a flexibilidade e desestressa sua mente.



Caio Fábio chuta geral! O Padin Ciço Ceroullas toma logo a primeira!












Estou tão cansado desta treta toda... Mas a minha esperança não se abala! Fiquemos firmes no evangelismo e no Amor. Vamos nos encher de nossa responsabilidade de ser o sal e vamos manter a luta por um mundo melhor e mais justo! Vamos parar de olhar para homens e vamos manter nossos olhos na Cruz. Há um Evangelho que Salva e Liberta e não tem nada relacionado com esta coisa toda... Olhar para a Cruz nos diminui e assim somos fortes! Vamos ouvir mensagens da Cruz. O que vem desta gente, não procede de Deus!


Ou como pregou hoje para mim, meu amado Pastor Pedrão, por e-mail, acerca do ponto central da mensagem que levará domingo à CBRIO:

Danilo, lembre-se sempre, NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO, veja Atos 13:8 :

Mas o mágico Elimas (este é o nome dele em grego) era contra os apóstolos. Ele não queria que o Governador aceitasse a fé cristã. Então Saulo, também conhecido como Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse:

— Filho do Diabo! Inimigo de tudo o que é bom! Homem mau e mentiroso! Por que é que você não pára de torcer o verdadeiro ensinamento do Senhor?

Paulo não fraqueja ou é político quando está diante de um falso profeta, ele chama BarJesus (que significa filho de Jesus) de “Filho do Diabo”.


Postado por Danilo Fernandes



Telemarketing de Gizuz

Clique para ampliar


***
Afanado do blog da esposa do autor. Passa por lá que é bom! Ah! Ela é Bê Pirola.



POBRES PELO ESPÍRITO


(Leitura não recomendável a pobres de mente, correm o risco de não entender, risos)


Julio Zamparetti


“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:3

A melhor versão que encontrei para este versículo, dentre as Bíblias mais usadas nos dias de hoje, é a versão Ave Maria, que assim diz: “Bem-aventurados os que tem coração de pobre”. Assim, essa versão se aproxima mais do texto da vulgata latina e do texto grego do primeiro século que trazem a expressão “pobres pelo espírito”. No grego, a expressão tô pneumati é dativa, não genitiva. Configura um adjetivo, não substantivo. O mesmo ocorre ao latin spiritu. Portanto, não se trata de uma espiritualidade pobre, mas de uma pobreza segundo o espírito.

A expressão “pobres de espírito” caracteriza uma adulteração das escrituras ocorrida nas traduções que se deram ao longo do tempo. A mesma gera uma contradição, já que o próprio Espírito das Escrituras nos conduz a um enriquecimento, e não empobrecimento, espiritual.

Quanto mais se cresce espiritualmente, mais o coração se desapega das coisas materiais. Doutra forma, é exatamente a pobreza espiritual que leva o homem a tentar preencher seu vazio existencial na ilusão do materialismo. A despeito de toda riqueza que possa ter, aquele que cresce no espírito, também pelo espírito obtém um coração humilde, capaz de refugar sua riqueza e identificar-se com os mais miseráveis, tal qual Cristo, mesmo sendo Deus, identificara-se com os pecadores ao ponto de morrer por eles.

Veja o que disse São Paulo, a esse respeito: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Filipenses 3:8,9).

Considerar todas as coisas como refugo denota um coração de pobre, desapegado, empobrecido pelo espírito. Não implica, necessariamente, que o cristão tenha que perder todas as coisas, mas sim que todas as coisas percam o domínio sobre o cristão. Quando isso acontece, todas as coisas se tornam secundárias e o reino de Deus toma o primeiro lugar na vida do homem. “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

Em casos extremos, é necessário o rompimento radical com os bens materiais. O empobrecimento literal, a fim de que, pelo espírito, haja o desapego material. Foi num desses casos em que Cristo disse a um jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me” (Mateus 10:21).

A mesma necessidade de erradicação ocorre em relação ao status social. Ou seja, o neo-converso, em certos casos, necessitará exilar-se de todo envolvimento com o mundo até que esteja devidamente fortalecido para voltar a integrar-se ao mundo com novo viver.

Ser pobre pelo espírito, ou ter um coração de pobre significa encontrar a felicidade independentemente dos bens materiais ou status sociais.

O rico não é pobre pelo espírito quando seu coração é apegado ao que tem.

Até mesmo o pobre não é pobre pelo espírito quando seu coração é apegado ao que não tem.

Quem não é pobre pelo espírito não conhece a Cristo, nem pode ter seu reino. São Paulo teve que considerar tudo perda e refugo para poder conhecer e ganhar a Cristo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8).

Quem não é pobre pelo espírito não pode servir a Deus. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mateus 6:24).

O mais impressionante nisso tudo é ver tantos crentes servindo-se de Deus para servir às riquezas! Esses são ricos pelo espírito (de Mamom).

***
Fonte: Julio Zamparetti Fernandes



O Evangelho dos Teletubbies



Rev. Digão


Todos conhecem um programa importado da Inglaterra, que, ao menos por lá, faz o maior sucesso entre a criançada: é Teletubbies, onde quatro personagens – que eu diria que são no mínimo esquisitos – levam a vida brincando em um cenário lisérgico, onde um sol com um rosto de criança sempre os ilumina.

No mundo dos Teletubbies, tudo é festa, tudo é alegre, tudo é descontração. Sempre riem, sempre brincam, sempre se divertem. Não tem nenhuma outra responsabilidade do que esta: não ter absolutamente nenhuma responsabilidade.

Como é boa a vida dos Teletubbies! Não tem canseira, não tem preocupação, não pensam em outra coisa que não os seus próprios prazeres… Você já ouviu isso antes?

Tiago nos alerta para não sermos pessoas que vivem um Evangelho dos Teletubbies. Ele diz: Cobiçais, e nada tendes; matais e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus (Tg 3.2-4).

O Evangelho dos Teletubbies é o prazer humano como fim último de nossa existência. O Evangelho dos Teletubbies não se importa em amar ao próximo como a nós mesmos e amar a Deus sobre todas as coisas – afinal, esta é a maior de todas as renúncias – mas se importa em arrancar de Deus tudo aquilo que Ele puder dar. O Evangelho dos Teletubbies prima pela não-observância dos mandamentos de Deus, mas observa os “direitos inexoráveis do homem”. Assim, quando alguém, de forma deliberada e consciente, transgride aquilo que a Palavra normatiza, ele está abandonando o Evangelho de Cristo e abraçando o Evangelho dos Teletubbies. O mesmo acontece quando alguém deixa de amar a Deus, ou deixa de amar ao próximo, ou ainda, deixa de amar a obra de Deus, negando-se, inclusive, a contribuir (afinal, diria um teletubbie, se Deus é dono do ouro e da prata, Ele que se arranje!).

Somos desafiados a rejeitar o Evangelho dos Teletubbies e vivenciar única e exclusivamente o Evangelho de Cristo, sendo Seus imitadores. Abandonemos, portanto, tudo aquilo que não pertence ao SENHOR, abraçando Sua cruz, crucificando, inclusive, nossa carne.

***
Fonte: Blog do Rev. Digão



Feliciano processa pai de santo!


Após repetidas investidas de Arnapio que insiste em fazer "ponto" nas redondezas de seus shows (ops! Pregações. Ops! Reuniões), Marco Feliciano entra com processo contra o pai de santo por concorrência desleal.


***
Por Danilo Fernandes - Redação Genizah



W / BRASIL GOSPEL (8) Toma a botija!





Óleo Sagrado da Unção 60 ml
por: R$ 89,90

"PRESENTEIE SEU PASTOR E LIDER"
Botija de Porcelana acondicionada em embalagem para presente. Óleo Sagrado da Unção (60 ml).





- Pronto! Tava sem saber o que presentear o Leo, o Rubinho, a Glaucia, o Hermes, a Dianne acerca da nova fase de Genizah... Pronto! Resolvido! Vou untar a turma toda!


***
Dica da Meire do Pensar e Orar, que agora deu para isso de ficar caçando absurdo gospel. kkkk



Missão QUASE cumprida!


Hermes Fernandes

Fico imaginando o quanto deve ser difícil para um âncora de telejornal transmitir uma notícia triste. Recentemente, estava assistindo a um telejornal matutino, quando a âncora (uma das mais prestigiadas do Brasil) teve que dar uma notícia triste, seguida de uma alegre. Além de jornalista, ela teve que ser uma ótima atriz. Seu semblante e tonalidade de voz mudaram drasticamente, para que as notícias fossem transmitidas com credibilidade.

Somos portadores da mais importante notícia de todos os tempos: as boas-novas do Reino de Deus. Anunciamos ao Mundo que o Filho de Deus entregou Sua vida por nossos pecados, ressuscitou e está, agora mesmo, reinando soberanamente sobre toda a Criação. Não se trata de uma notícia simples de ser dada, porque envolve aspectos positivos e negativos. A Cruz de Cristo revela, ao mesmo tempo, nossa malignidade e a bondade de Deus.

Olhando para a Cruz, vemos o que a sociedade humana é capaz de fazer a alguém que só falava de amor, o mais perfeito ser que passou por este mundo. Tal notícia deveria corar nossa face de vergonha. A Cruz denuncia nosso grau de perversividade.

Mas ela também nos revela o mais elevado amor. Deus não desistiu de nós! Vejam do que Ele foi capaz para demonstrar o quanto nos ama e Se importa com nossas dores e sofrimento.

Pela Cruz, nossa dívida foi paga. Nossa comunhão com Deus foi reatada. Tem notícia melhor do que esta?

Quem estaria apto a transmitir uma notícia tão poderosa e subversiva quanto esta?

Davi havia eleito Aimaás, filho do sacerdote Zadoque, para ser quem lhe traria notícias do campo de batalha (2 Sm.15:36).

Quando Absalão, o filho usurpador de Davi, morreu pelas mãos de Joabe enquanto estava preso pelos cabelos em uma árvore, Aimaás se ofereceu para levar a notícia ao Rei. Porém, não era uma notícia comum. Era, ao mesmo tempo, uma boa e uma má notícia. Boa, porque o inimigo do rei morrera. Ruim, porque o tal inimigo do rei era ninguém menos que seu próprio filho.

Como transmitir esta notícia?

Pelo que o texto indica, Aimaás não estava muito preocupado com isso. Pra ele, bastava dizer: “O Senhor te livrou do poder dos teus inimigos”.

Mas Joabe sabia que não era tão simples assim. Percebendo a inaptidão de Aimaás, Joabe sentenciou: “Tu não serás hoje o portador das novas. Outro dia as levarás, mas hoje não darás a nova, porque é morto o filho do rei” (2 Sm.18:20).

Somos comissionados por Deus a anunciar a Morte do Filho de Deus até que Ele venha (1 Co. 11:26). A morte de Cristo é o cerne do Evangelho. Paulo tinha consciência da seriedade disso: “Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1 Co.2:2-3).

Anunciar a morte do Filho do Rei deve ser encarado com a devida seriedade.

Em vez Aimaás, Joabe preferiu comissionar um etíope anônimo. Deve ter sido uma ofensa para alguém tão importante como Aimaás, filho do sacerdote, ser preterido por um etíope.

“Disse Joabe a um etíope: Vai tu, e dize ao rei o que viste. O etíope se inclinou diante de Joabe, e saiu correndo” (2 Sm.18:21).

Deus tem seus critérios de escolha. Ele não está preso às convenções sociais. De acordo com Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante ele” (1 Co.1:27-29).

Quando o etíope se viu comissionado, a primeira coisa que fez foi se inclinar, humilhando-se diante daquele que lhe confiou tão nobre missão. Em seguida, saiu em disparada.

Aimaás não aceitou ser preterido. Como um humilde e insignificante etíope poderia substituí-lo? E todos os anos gastos no tabernáculo? E a educação primorosa que recebera? A seu ver, tudo quanto vivera até aquele instante, preparou-o para ser portador daquela mensagem. Ele não podia deixar barato.

“Insistiu Aimaás, filho de Zadoque: Seja o que for, deixa-me também correr após o etíope. Mas Joabe respondeu: Por que correrias tu, meu filho? Não receberás nenhuma recompensa pelas notícias?” (v. 22).

A questão agora não era se seria ou não recompensado. O que o incomodava era ter sido substituído por alguém que ele considerava desqualificado. Portanto, era uma questão de honra. Olhando firmemente para Joabe, respondeu: “Seja o que for, disse Aimaás, correrei. Disse-lhe Joabe: Corre. Aimaás correu pelo caminho da planície, e passou adiante do etíope” (v. 23).

- Ok, Aimaás. Você venceu! Se quer ir, vá!

- Deixa comigo! Você não vai se arrepender! Ninguém melhor do que eu para cumprir esta missão.

Por causa de sua insistência, Joabe fez uma concessão.

Comissão x Concessão

Enquanto o etíope tinha uma comissão, Aimaás recebera uma concessão. Ser comissionado é receber uma missão, um propósito. Já a concessão é uma permissão.

Cabe aqui uma reflexão acerca das atividades com as quais estamos envolvidos em nosso dia-a-dia. Estaríamos nelas por comissão ou por concessão? Se fomos comissionados, nossa trabalho nos proporcionará prazer. Mas se entramos em algo apenas por uma concessão divina, sem termos sido vocacionados para aquilo, aos poucos o prazer se transformará em enfado.

Nossa existência precisa servir a um propósito, que nos servirá de motivação até o cumprimento de nossa missão.

Até hoje, os etíopes são famosos por sua habilidade atlética. Muitos dos campeões olímpicos de atletismo são etíopes. Imagino que para alcançar e ultrapassar aquele atleta africano, Aimaás deve ter se esforçado ao máximo. Ele tinha que provar pra todo mundo, inclusive para si mesmo, que era capaz de dar conta daquela missão.

Pra ele, tudo não passava de uma competição. Era isso que o estimulava a correr.

Ele sequer teve tempo de pensar em como daria aquela notícia ao Rei Davi.

“Davi estava assentado entre as duas portas, e a sentinela subiu ao terraço da porta junto ao muro e, levantando os olhos, viu um homem que corria só. Gritou a sentinela, e o disse ao rei. O rei respondeu: Se vem só, deve trazer boas notícias. E o mensageiro aproximava-se cada vez mais. Então a sentinela viu outro homem que corria, e gritou ao porteiro, e disse: Olha, lá vem outro homem correndo só. Disse o rei: Também esse traz boas notícias” (vv.24-26).

Davi estava apreensivo. Que notícia o rei esperava receber?

Só havia duas hipóteses:

• Seu filho vive! Portanto, seu reino ainda está ameaçado.
• Seu reino já não sofre qualquer ameaça. Seus inimigos foram liquidados! Portanto, seu filho está morto.

“Disse a sentinela: Vejo o correr do primeiro, que parece ser o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Disse o rei: Este é homem de bem, e virá com boas novas” (v.27).

Pelo jeito, Aimaás tinha uma maneira característica de correr que o distinguia dos demais. De longe foi reconhecido pela sentinela. O rei respirou fundo e disse: Se é Aimaás, a notícia deve ser boa. Ele não viria me trazer más notícias. Ele é um garoto educado entre os sacerdotes. Joabe não o enviaria com notícias ruins.

Ademais, quem se atreveria a correr sozinho para dar uma notícia ruim? Qualquer mensageiro sabia que seu pescoço estava em jogo. Se o rei não gostasse do que ouvisse, poderia ordenar a sua execução ali mesmo.

Convém recordar que Jesus orientou aos Seus discípulos a irem de dois em dois. Correr sozinho não é recomendável.

Quando se viu diante do rei, Aimaás o saudou gritando: “Paz. Inclinou-se ao rei com o rosto em terra, e disse: Bendito seja o Senhor teu Deus, que entregou os homens que levantaram a mão conta o rei meu senhor” (v.28).

Repare que ele foi bem evasivo. Não quis entrar em detalhes. Talvez tenha pensado: - Deixarei o rei tirar suas próprias conclusões.

Mas o rei não se deu por satisfeito com uma notícia tão genérica.

“Perguntou o rei: Vai bem o jovem Absalão? Respondeu Aimaás: Vi um grande alvoroço, quando Joabe mandou o servo do rei, e a mim, teu servo, porém não sei o que era” (v.29).

Covarde! Cadê o valente que se sentiu desonrado por ter sido preterido por um etíope? Por que não diz o que foi enviado a dizer? Por que esconde o jogo?

O que Aimaás queria era apenas fazer uma média com o rei.

Há muitos Aimaás em nossos dias. Gente preocupada em resguardar sua posição, em ser vista, elogiada, mas que não cumpre cabalmente a sua missão.

Já nos tempos de Paulo verificamos o mesmo fenômeno. O apóstolo denuncia aqueles que “pregam a Cristo por inveja e porfia”, que “anunciam a Cristo por contenda, não sinceramente” (Fp.1:15,17).

Aimaás estava tão preocupado com sua performance como atleta, em chegar primeiro que o etíope, que não se preocupou em dar a notícia com precisão.

É melhor chegar em segundo, mas cumprir a missão, do que chegar em primeiro e deixar a desejar.

O texto que Davi ordenou que Aimaás se colocasse ao seu lado, enquanto esperava a chegada do outro mensageiro. A mesma coisa se sucede à igreja, quando perde a credibilidade e sua mensagem deixa de ser pertinente. Ela é posta de lado do processo histórico. Deixa de ser protagonista, para ser expectadora.

Enquanto Aimaás se colocava ao lado de Davi achando que cumprira sua missão, “chegou o etíope, e disse: Ouve, senhor meu rei, a boa notícia. Hoje o Senhor te livrou do poder de todos os que se levantaram contra ti. Perguntou o rei ao etíope: Vai bem o jovem Absalão? Respondeu o etíope: Sejam como aquele jovem os inimigos do rei meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazerem mal. Então o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou: E andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” (vv.31-33).

A coragem que faltou em Aimaás, sobrou no etíope.

Ainda que perdesse a vida, pelo menos cumprira a sua missão. É com gente assim que a causa do reino necessita. "Homens que já expuseram as suas vidas pelo de nosso Senhor Jesus Cristo" (At.15:26); que amem mais sua missão do que sua própria existência (At.20:24).

A notícia que trazia ao rei era tanto boa, quanto ruim, pois anunciava, ao mesmo tempo, a derrota dos inimigos do rei, e a morte de seu filho. O etíope foi sábio ao partilhá-la. Soube usar as palavras de maneira tal, que o rei não lhe fez mal algum.

Qual foi a reação de Davi? Ele se angustiou, e andando de um lado para o outro, sentiu-se culpado pelo triste destino que teve seu filho.

E qual tem sido a reação do Mundo à nossa mensagem? Tem havido arrependimento? As pessoas se sentem culpadas por haver morrido o Filho do Rei? Elas se sentem responsabilizadas pela Cruz? Sentem que fora seu pecado que expusera o Filho de Deus ao vitupério?

Ora, se não houver arrependimento, tristeza, vergonha, culpa, também não haverá conversão.

O objetivo de nossa mensagem não é fazer com que as pessoas se sintam bem consigo mesmas, mas despertá-las em sua consciência, para que se convertam a Deus. Como disse Paulo: "A tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação" (2 Co.7:10a).

Assim como Absalão, Cristo foi morto em uma árvore, levantado entre o céu e a terra, não por haver se rebelado como ele, mas por obediência ao Pai, a fim de que nossos pecados fossem devidamente tratados e perdoados.

Quando olhamos para Cruz e vemos nossa maldade exposta, nos arrependemos. E quando vemos a bondade de Deus, nos convertemos.

***
Hermes Fernandes é um dos mentores desta subversão aqui no Genizah