
Nesse mundo de fobias, uma me preocupa: a Homem-fobia.
Esse é o medo de envolvermo-nos com os outros. Mantermos distância de tudo o que não me diz respeito. E isso contamina.
Pergunta-se nos passos cruzados pelas ruas: "Como vai, bem?" Correndo o máximo, para não ouvir a resposta.
O mais importante para a imagem de civilizado é a pergunta, não a resposta. Vai que dizem: "Não, está tudo mal....".
Santidade, para nós crentes, significa toda espécie de exercícios - pretensamente - espirituais, que no frigir dos ovos, têm tudo a ver com o afastarmos-nos do semelhante.
Santidade já não é o tanto que luto contra mim mesmo para que os outros sejam salvos, mas o quanto luto com todas as minhas forças contra os outros para garantir a minha própria salvação.
Salvação, já é o livrar-me dos outros. Não de nós mesmos e dessa prisão do ego.
A Europa vive isso com intensidade, mais do que em outra parte.
"O que não é meu, não me diz respeito" é a máxima, uma afirmação que pode parecer lógica e que vem na direção da honestidade e probidade com o que é propriedade alheia, mas esconde na verdade uma determinação firme para se guardar os limites de cada um e preservar a nossa individualidade. Assim, uma pessoa caída na calçada, é coisa para os razoáveis serviços sociais e de emergência médica e não do meu braço - que tinha de ser - solidário.
O caso do sujeito assaltado e desfalecido à estrada do samaritano, já é caso para o governo e para os serviços oficiais, não meu. Vê-se, vira-se para o outro lado e já está. No máximo, no ultrapassar da média da cidadania, liga-se para o telefone da emergência.
Nas comunidades cristãs, cada dia menos digna desse nome "comunidade" (e, se calhar, também do "cristã"), busca-se o que é nosso e o resto, que Deus mesmo, Se encarregue de cuidar.
Pagam-se as obrigações (dízimos, ofertas, etc...) e os problemas, foram pagos e confiados a quem de direito.
Os décimos do meu rendimento foram pagos? Então os outros noventímos são meus. Nem Deus lhes toca.
A minha casa? É a minha fortaleza. Entra quem quer, quando, afinal, eu decidir.
Cantamos na congregação: "Somos uma família..." e, no Natal (ai, já bem próximo), encontramos pessoas sem mesa, irmãos sem casa e sem gente com quem comemorar a data maior dos cristãos e ainda nos desculpamos: "Sabe como é, essa comemoração, é a comemoração só da família", para justificar a nossa casa fechada. É sério! Isso faz-me rir (para controlar-me e não cair no choro!). E essa palhaçada litúrgica continua e ainda admiramos-nos quando, pouco a pouco, o povo começa a esfriar e a entender tudo isso como uma imensa enganação (já vivi muito isso, minha gente, nem conto!).
Quando Jesus veio, veio para quebrar as cadeias. Todas elas, inclusive as trancas dos nossos corações. Ou então, não deixei quebrar nada, nem uma, nem outra coisa. Por isso, pedimos: "Perdoa, Senhor, como eu tenho perdoado". Só podemos fazer isso, sabendo que já recebemos o perdão e este, contaminou-nos. Não há outro jeito.
A Palavra de Deus afirma que Ele já quebrou o muro da inimizade. Mas nós insisitimos em levantá-lo.
Ah!... O quanto lamento pelo meu pre-conceito que me afastou de quem nem cheguei a considerar... O quanto podia ter sido abençoado abençoando, ligando-me a alguém com outra parte do imenso puzzle humano posto por Deus em cada um, que só faz sentido quando juntado...
Aprendido, interagido, relacionado, compartilhado... Isso é o que Deus deve chamar de vida. Quanto mais nos guardamos dos outros, menos vivemos, menos provamos do seu significado, menor é a nossa experimentação daquilo que Deus preparou para nós.
Enfrentamos problemas e nos escondemos. E ainda dizemos: "Não quero ver ninguém, quero esperar por Deus!" E Ele está ali, justamente na palavra, no abraço, na exortação, ou seja lá o que for, pela boca, pelas mãos, pela presença de um igual. E nem os consideramos e o que podem ter de Deus, porque não os enxergamos segundo a carne, o natural, e não por aquilo que Deus pode fazer neles e através deles.
Quanta estupidez a nossa...
Tenho aprendido e sido lembrado de uma verdade: Quanto mais somos de Deus, tanto mais somos dos outros. Ou... não sendo dos outros, também não somos Dele. É matemático. Pode ver.
Rubinho Pirola é parte do Genizah e vive refugiado na Europa
































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http://www.genizahvirtual.com/2010/07/criticos-quantas-almas-voces-ja.html
Querendo aprender sobre o direito de julgar, leia este artigo:
http://www.genizahvirtual.com/2009/07/devemos-julgar.html
De resto, faça como os irmãos de Beréia e vá ver se o que lhe foi dito está na Palavra Deus!