
Recentemente publiquei um artigo criticando a motivação e a adequação de certos ritmos ao emprego no louvor.
Por conta deste artigo recebi duas criticas negativas onde fui acusado de preconceito contra o uso de ritmos modernos, em especial cadenciados e, ainda, pela postura legalista e ultra conservadora em relação ao culto e ao louvor.
Uma das críticas foi muito educada e devidamente respondida no Púlpito Cristão, onde o artigo foi também publicado. Já a outra, função do tom absolutamente pejorativo e grosseiro, decidi não publicar. Trata-se da crítica do leitor anônimo (sempre!) de codinome “Atalaia”. Apesar disto vou respondê-lo, pois imagino que o debate sobre o assunto se faz necessário.
Inicialmente quero deixar claro que não tenho nenhum preconceito em relação a qualquer ritmo musical. Tenho uma coleção de CDS e vinil considerável. Ouço de tudo. Tenho um “chip” na cachola que foi Jesus quem botou e que me avisa quando é para trocar de faixa. Funciona bem comigo e para muitos que conheço!
Fui dono de casa de espetáculos e boate (em vida passada, risos) posso dizer ao “atalaia” que não sou o neófito “tapado”, jeca, “ouvidor” de hinos e harpa como ele me acusou. Mas se por acaso o fosse, mais feliz seria! Jesus permitiu minhas veredas até aqui e, sejam quais fossem elas, a mim me alegrariam, tanto mais, se soubesse que lhe são agradáveis.
Provavelmente, ao contrário da presunção de “atalaia”, conheço os artistas da MPB sobre os quais ele dissertou não apenas melhor do que ele, mas provavelmente conheço a maioria pessoalmente, por força do ofício anterior.
A questão principal do artigo citado não era o estilo musical apenas. Mas a origem e o propósito do que se presta ao "louvor".
Minha implicância não foi genérica, mas específica: Axé e samba de roda, bem como a mensagem, nem sequer subliminar, mas óbvia do cartaz a seguir. Axé é palavra de origem no candomblé - de uso exclusivo na língua africana original - significando receba a luz dos deuses. A palavra não tem outro emprego na origem, mas virou expressão dominante fora dos terreiros, mediante os processos que bem conhecemos.
Ou, como lembrou o Alex nos comentários feitos no Púlpito Cristão:
Axé é a força sagrada de cada orixá, que se revigora, no candomblé, com as oferendas dos fiéis e os sacrifícios rituais. Uso de preceito entre os adeptos do candomblé no Brasil.
Axé music é a mistura de samba e ritmos caribenhos. O ritmo é apenas questão secundária aqui. Saiba logo, que não tenho nada contra alguém que goste de RAP, por exemplo, e queira louvar a Deus em um evento ou show desta forma. Ao contrário! Se vocês observarem no Genizah encontrarão um banner apontando para o site de um RAPPER. Gente! Tudo depende de onde está seu coração. E a reverência devida a Jesus!
Mesmo sabendo que 90% das canções de RAP tratam de violência nas ruas e que este é um ritmo de origem na rebeldia dos guetos, não tenho preconceito algum. “Noventa por cento” não faz mais parte do meu grupo neste mundo. Eu faço parte dos 10% que são cristãos e creio, dos 0,01% que renasceram em Cristo. Portanto, as estatísticas do mundo não são as minhas. Nem são as da maioria dos que me lêem agora, não é mesmo amados? Estamos acima disto tudo! Sentamos, bebemos e comemos com quem queremos e nos levantamos puros, não é assim?
Se os jovens querem se expressar com Rock, Rap, Hip Hop, etc. e se o fazem com Amor a Deus, muito que bem! Se não estão apenas querendo moldar a torpeza dos seus desejos mundanos a um formato gospel forçado, tudo bem! Se o fazem adequando a expressão da arte à reverência a Deus e não queiram fazer o contrário e impor os valores do mundo à igreja, que mal poderia haver?
O cuidado é prestar atenção naquilo que é cantado e na postura e comportamento, evitando o risco de uma armadilha como esta tratada neste artigo. Portanto, a questão não é ritmo.
Então vamos ao ponto expresso no artigo que é muito sutil no enlace do maligno. Como você acha que se comporta quem ouve AXE GOSPEL em um show? Irá dançar, certo? Eu escuto gospel contemporâneo e danço! Se isto se faz na igreja ou no culto, nem entro neste mérito agora, vamos seguir. No caso do AXE, como seria? Como se dança Axé, o ritmo: Dança da garrafa, do crocodilo, do bonde... TODAS ERÓTICAS. Não há outra forma de dançar! Complicado, não?
Agora pense na origem do nome. Não é uma infelicidade propor um louvor a Deus com uma palavra com esta origem? Ou você pode ver alguma "luz" possível no candomblé? Você vai querer ofertar axé a Deus, “atalaia”? Deus receberia agradavelmente algo que se oferta ao inimigo?
Como disse a Gláucia Carneiro, em crítica ao mesmo artigo, o emprego da palavra axé no contexto do louvor não perde a inadequação apenas porque a força da palavra não é mais a mesma ou porque a pronúncia dela se tornou branda. (sendo uma generalização desvinculada do uso original). As conseqüências de seu emprego não podem ser reduzidas a uma questão de semântica, sem importância. Quando estudamos as palavras seja dentro da semântica ou dentro da semiótica, elas não perdem o sentido original só porque estão sendo utilizadas fora do seu local e contexto de origem.
Devemos cuidar para o que sai de nossas bocas!
Finalmente, falemos da questão do layout do cartaz. Observe a clara e descarada formação da RODA. O samba de roda origina o chamado partido alto, depois pagode, fundo de quintal e outros, cujo ritmo nem me agrada muito, gosto mais de um samba canção, coisas do Chico Buarque ou do Cartola, por exemplo! Mas tudo tem hora, não é mesmo?
O que é a RODA e de onde se origina o samba de roda?
O samba de roda tem origem no terreiro de umbanda e candomblé. Não falo de qualquer tipo de samba, mas do especifico que nasce da origem do “pré-samba” com o toque das entidades. O samba que coloca os instrumentistas em RODA, no ritmo cadenciado das palmas (pratos, caixa de fósforos, etc.). O mesmo que na origem coloca os instrumentos em roda e os médiuns idem, batendo palmas para a entidade dançando no meio. Ou seja, sendo adorada!
Fora do terreiro, no samba de roda, quem passou a dançar no meio da roda foi a mulher, igualmente reverenciada em sua cadência e gingado. A referência da roda é clara! Passa do demônio ao sexo. Mantém-se em sintonia com a origem, percebe? Procurem um bom livro de referencia e vão confirmar o que digo.
Eu não quis no artigo original nem entrar neste mérito, pois imaginei que estaria sendo quase arrogante por falar o que a maioria já sabe. Foquei no humor, como faço quase sempre. Errei. Nem todos perceberam que é Jesus quem está na RODA, neste cartaz. Tão pouco se atentaram para a origem da RODA, que remete não apenas ao terreiro, mas a Baal, aos celtas pagãos em Stonehenge... Enfim, é a forma de exaltação demoníaca, desde sempre!
Eu não conheço nenhum dos conjuntos ou bandas apresentados do cartaz, tão pouco as suas musicas. Imagino até, que o pessoal do Axé com Graça nem tenha se atentado para os fatos aqui tratados. Mas convenhamos, e os pastores desta gente? São tão neófitos assim?
Portanto, "atalaia", você descartando o Axé, o samba de roda gospel e, principalmente, tirando Jesus da roda, podemos começar a conversar!
Em Cristo,
Danilo Fernandes






























6 Comentários. Faça um blogueiro feliz, comente!:
Danilo, realmente estamos em consonância!
Estou preparando um estudo que vai abordar este tema e muito do que você registrou vai ser de extrema utilidade! Pode deixar que nunca deixo de citar a fonte!!
Parabéns pela abordagem apropriada e a exortação esclarecida!
O Senhor continue te abençoando!!!
Parabens pela resposta esclarescedora e educada.
"Axé é a força sagrada de cada orixá, que se revigora, no candomblé, com as oferendas dos fiéis e os sacrifícios rituais. Uso de preceito entre os adeptos do candomblé no Brasil."
Então pensa, cada orixá precisa de axé pra se revigorar, tornar a ter vigor, ou seja, para se alimentar; daí os fiéis trazem oferendas e sacrifícios rituais.
Orixás são forças espirituais da maudade que se alimentam de explosões ou manifestações provocadas durante o ritual.
Quantos têm consciência de que no momento em que está executando aquela dança, está na verdade realizando um ritual e um ritual de entrega?
Quando o axé tomou conta dos shows abertos, eu nem sabia o que era, mas não conseguia dançar; quando tomou conta das boites, eu vivia nelas, era uma viciada em dança, também nunca consegui dançar e pior, ainda tinha visões espirituais no momento em que estava passando axé, visões das trevas.
Quando JESUS me encontrou, me esclareceu sobre estes movimentos, músicas, batidas e danças que nunca soaram bem aos meus ouvidos, nem me fizeram sentir bem.
Por exemplo, não gosto de samambaia por causa de uma música do Martinho da Vila (Isabel) que diz que "vestimenta de caboclo é samambaia".
As músicas do Martinho da Vila são pontos de marcação de um terreiro de macumba, umbanda, etc.
É muito séria a questão da música dentro da igreja, principalmente da música secular que foi criada mesmo para adoração de deidades, de trevas.
Não adianta pegar "Hotel Califórnia" e colocar uma letra gospel, não vai virar um hino de louvor e adoração a DEUS, pois não foi para isso que foi criada.
Olá Danilo,talvez eu consiga me fazer entender,veja bem,o apóstolo Paulo ao passar e observar os objetos de culto dos atenienses,encontrou também um altar com as inscrições:AO DEUS DESCONHECIDO.Interessante que Paulo não repudiou verbalmente este altar pagão nem orientou que fosse destruído,antes disse que era este "precisamente" o Deus que ele pregava,o Deus Desconhecido.Vemos que Paulo se utilizou de um altar pagão e de uma divindade pagã, para evangelizar os atenienses.Se Paulo fosse uma textemunha de Jeová,certamente não aceitaria o tal Deus DESCONHECIDO, pois o nome de deus é Jeová e não "DESCONHECIDO",entende? Assim do mesmo modo que a divindade pagã ateniense "Deus Desconhecido"combinava com Deus,o Pai,assim também entendo que axé pode combinar com graça,desde que seja para honra e glória de Jesus Cristo.
Não acho que os pastores do evento "ressurreisamba" fossem neófitos não,acho que na verdade eles não são é muito religiosos.
Concluo com a seguinte observação, o argumento místico da Glaucia é totalmente,inaceitável.Não se faz doutrina com experiências místicas, de visões, revelações,arrebatamentos,etc.Devemos fundamentar nossa fé, na Palavra escrita somente;aliás, extremamente tosca a sua experiência,pois numa "boite",somente quando tocava axé music é que ela tinha "visões das trevas",e quase não dá para acreditar que ela deixou de gostar de samambaia por causa de uma frase de uma música que atribui a planta às vestimentas dos caboclos.É de doer.
Paulo tinha razão de proibir que as mulheres ensinassem na igreja.
Atalaia,
Já ouvi este mesmo argumento de Paulo no Campo de Marte com enfase em um entedimento exatamente oposto ao seu.
Existem diversos bons sermões tratando da questão de pregar a judeus e a gregos - que á o foco da discussão sobre como levar o evangelho a uma sociedade culturalmente tão diferente da base judaico-cristã.
Eu recomendo R.C. Sproll. No site dele há um sermão belissimo, em ingles, sobre o assunto. Basta procurar por Paul + Mars.
Vou encurtar, do contrário este post vira série.
Não consegui chegar ao sermão do Sprou sugerido,você poderia fazer o obséquio de ir até o mesmo e copiar e depois colar aqui o endereço ???
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http://www.genizahvirtual.com/2009/07/devemos-julgar.html
De resto, faça como os irmãos de Beréia e vá ver se o que lhe foi dito está na Palavra Deus!
E, se ainda assim, você continuar achando que a atitude diante de um falso profeta é uma admoestação "política" e/ou o silêncio constrito, devo lembrá-lo que os personagens aqui retratados já foram muitas vezes admoestados, em particular, e não se emendaram. Considere Atos 13:8:
Mas o mágico Elimas (este é o nome dele em grego) era contra os apóstolos. Ele não queria que o Governador aceitasse a fé cristã. Então Saulo, também conhecido como Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse:
— Filho do Diabo! Inimigo de tudo o que é bom! Homem mau e mentiroso! Por que é que você não pára de torcer o verdadeiro ensinamento do Senhor?
Paulo não fraqueja quando está diante de um falso profeta, ele chama BarJesus (que significa filho de Jesus) de “Filho do Diabo”.