quarta-feira, 10 de março de 2010


Encontro às escuras com Deus


Hermes C. Fernandes


Recentemente o filho de um grande amigo meu aqui nos Estados Unidos marcou um encontro às escuras (Blind Date, em Inglês). Nesse tipo de encontro (geralmente arranjado por um amigo, um familiar ou uma agência de encontros), a pessoa "dá um tiro nos escuro", isto é, sai para um encontro romântico com alguém desconhecido. Às vezes os amigos querem pregar-lhe uma peça, e dizem: Encontramos alguém que é a sua cara! Tomamos a liberdade de marcarmos um encontro entre vocês. E lá vai o coitado, acreditando que achará sua alma gêmea. Não sabe como é a aparência da pessoa, nem o que eles têm em comum. Se der certo, deu. Se não der, desse. Um fato agravante para o filho de meu amigo é que o tal encontro foi marcado num país do outro lado do mundo.

Qualquer coisa pode acontecer. Nem sempre as expectativas são alcançadas... Algumas agências fornecem fotos dos pretendentes acompanhadas de seus respectivos perfis. Porém muitas dessas fotos são retocadas em photoshop (do tipo, contra FOTOS não há argumentos, percebe?), e alguns dos perfis não expressam a verdade. Por isso, o risco de se comprar gato por lebre é enorme. Acho que as pessoas só aceitam esse tipo de encontro por causa da adrenalina, do tal "friozinho na barriga" que envolve a expectativa.

Surge, então, uma questão: até que ponto a igreja não tem se tornado uma espécie de agência promotora de "encontros às escuras" com Deus?

"Deus" tem se tornado numa mercadoria altamente rentável. Antes se oferecia milagres em Seu nome, solução de problemas do mais variados, mas agora, descobriu-se que nada é mais atraente do que o próprio Deus. Então, por que não agenciar um blind date com Ele? Basta apresentá-Lo de uma forma atraente, como Aquele que é capaz de provocar sensações indescritíveis, emoções inesquecíveis... Você vai ficar apaixonado por Ele! Esse "deus" tá mais pra Dom Juan do que para o Deus das Escrituras.

Mas fique despreocupado, dizem eles. Garantimos sigilo absoluto. Aliás, você é que terá que garantir tal sigilo. Você não vai poder contar pra ninguém o que passou lá (Porque se contar, estraga o marketing por trás da coisa, entende?) A única coisa que permitimos é que você use frases de efeito do tipo "foi tremendo!"

De fato, a curiosidade é a principal mantenedora desta indústria de encontros às escuras com Deus.

Veja a diferença entre esse "deus" Dom Juan, que apela ao sentimentalismo, e o Deus revelado em Jesus Cristo. Veja o que Ele diz diante das autoridades judaicas que O prenderam:

"Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. NADA DISSE EM OCULTO. Para que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram. Certamente que eles sabem o que eu disse" (Jo.18:20-21).

Em outra oportunidade, Jesus declarou aos Seus discípulos:

"...Nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo no escuro, dizei-o na luz; e o que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os telhados"(Mt.10:26-27).

Portanto, o Deus das Escrituras não tem nada a ver com o "deus" desses encontros às escuras.

Paulo, o apóstolo dos gentios, reverbera o ensino de Jesus acerca do caráter claro e público exercido pelo ministério da Igreja de Cristo:

"...Rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam; não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Antes, recomendamo-nos à consciência de TODOS OS HOMENS, na presença de Deus, pela manifestação da verdade" (2 Co.4:2).

Já naquela época havia se introduzido no meio da igreja alguns mestres com heresias perniciosas que arrebanharam muitos incautos. Tal conjunto de heresias ficou conhecido como Gnosticismo. Todos os apóstolos combateram-no arduamente. Tais seitas eram cheias de mistérios, de encontros às escuras, com seus rituais de quebra de maldição, de cura interior, visões angelicais, ritos de iniciação, etc. Os gnósticos eram extremamente "espirituais", mas por trás de toda aquela fachada de espiritualidade havia lobos vorazes cheios de intenções inescrupulosas e inconfessáveis.

Havia também os judaizantes que queriam levar os cristãos de volta para os rudimentos da Lei. Esses queriam exercer domínio sobre os demais, proibindo-os de certas coisas, regulando suas vidas privadas. A esses Paulo diz: "Se estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, como : não toques, não proves, não manuseies? Todas estas coisas estão fadadas ao desaparecimento pelo uso, porque são baseadas em preceitos e ensinamentos dos homens. Têm, na verdade, APARÊNCIA de sabedoria, em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum contra a satisfação da carne" (Col.2:20-23). Na versão moderna deste tipo de legalismo, as pessoas são proibidas até entrarem na internet, às vezes sob o pretexto de se fazer um "jejum de internet", para que elas não tenham acesso à verdade e questionem tais práticas. Aos poucos, o jugo vai ficando insuportável. Até que, de duas uma, ou a pessoas cai fora e volta pro mundo, ou procura uma igreja séria, comprometida com a verdade, sem retoques.

Aquele "deus" apresentado como atraente, sedutor da alma, incomparável, vai se revelando um déspota, estraga prazeres, que só está preocupado em manter o controle. No início é só alegria, oba-oba, depois vêm as decepções. Jesus os denunciou dizendo: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Percorreis o mar e a terra para fazer um convertido, e depois de o terdes feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós" (Mt.23:15). O jugo colocado por esses mestres sobre os ombros dos seus seguidores é duas vezes mais pesados do que o jugo que trouxeram do mundo.

Pedro diz que esses mestres introduzem "encobertamente" heresias destruidoras. Por isso preferem o ambiente reservado, fora da igreja, onde tudo conspire em favor de suas dissoluções. E o pior é que "muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade" (2 Pe.2:1-2). Pedro, então, desmascara suas reais intenções: "Por GANÂNCIA farão de vós negócio, com PALAVRAS FINGIDAS. Para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme"(v.3).

Uma coisa ninguém pode negar: a coisa dá certo! E sabe quem mais ganha com isso? É só reparar bem... Pena que haja tanta gente cega! Recomendo que leiam o capítulo inteiro de 2 Pedro 2. Você descobrirá, entre muitas coisas, que estes "desprezam as autoridades", são"atrevidos, arrogantes, não receiam blasfemar das dignidades" (v.10); "têm o coração exercitado na ganância"(v.14) e que eles "deixaram o caminho direito, desviaram-se" atrás do lucro (v.15); "proferem palavras arrogantes de vaidade, e nas concupiscências da carne engodam com dissoluções aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro. Prometem-lhes liberdade, sendo eles mesmo escravos da corrupção"(v.19).

Para os pastores que se sentem pressionados a adotar esse malévolo esquema de controle e lucro, recomendo que leiam a advertência de Pedro:

"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por TORPE GANÂNCIA, mas de boa vontade; não como DOMINADORES dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho" (1 Pe.5:2-3).

O rebanho não necessita de quem lhes prive da liberdade. O aprisco não pode ser uma prisão. Os trabalhos promovidos pela igreja não devem ser uma arapuca, uma armadilha para os desavisados. Temos que "jogar limpo", revelando o caráter amoroso e justo do nosso Deus desde o começo, sem meias-palavras, sem emocionalismo barato e danoso à saúde mental.


Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah

Cartas de STN & Associados aos seus aprendizes (4)


Estava indo em direção a um camelódromo quando achei mais um dos misteriosos bilhetinhos. Aquilo já tinha virado teoria da conspiração! Chamem os caça-fantasmas!

Rev. Digão


Querido V,

Como você tem se saído bem! Até os reveses que acontecem a todo ser humano, mas que alguns dos seus seguidores atribuem à nossa empresa, você está usando a seu favor! Aquele seu chorinho sem lágrimas foi engraçadíssimo, e muito eficiente, pois mobilizou mais crédulos para encher sua burra e trouxe para seu lado gente boa, como o meu associado S, que saiu em sua defesa.

Você tem uma imaginação fertilíssima. O que você usa como xampu? É redinha, é cobrança tripla, é cimento untado, garrafão de água energizado, tudo usando o nome do nosso Concorrente, mas com benefícios diretos exclusivos para a STN & Associados! Genial! Você consegue arrancar dinheiro desses incautos de toda maneira possível, com seu jeitão bronco, e o povo ainda aceita! Nem meu departamento de marketing ministerial pensaria em algo tão bizarro e tão bom para nossos intentos! O povo te idolatra, acha que seu suor cura e faz milagres! Você está conseguindo apagar qualquer vestígio do Cordeiro na lembrança desse povo aí!

Outro dia eu estava conversando aqui com meu assessor de assuntos estratégicos, João Tetzel. Você não o conhece, mas ele sofreu um bocado na unha daquele alemão agostiniano doido. Pois então, o Teté, como carinhosamente o chamamos aqui (somos muito carinhosos uns com os outros, você vai gostar), me disse que você está conseguindo evoluir suas ideias daquele tempo. É que, naquele tempo, o máximo que Teté conseguia dizer era que, mesmo que se alguém tivesse estuprado a mãe do Cordeiro, conseguiria perdão através de uma singela ofertinha. Hoje em dia, quem é que se lembra do Cordeiro, e quem é que aqui conhece a mãe dEle? E, mesmo assim, o dinheirinho continua entrando no cofrinho, ou cofrão! Através de seus esforços, vocês estão conseguindo resgatar tudo aquilo de bom que semeei por aí, mas que alguns rotularam como “medieval”.

Mas não se enfureça por causa daquele prefeitinho. Ele também é meu, assim como o chefe dele, o Nosferatu da Mooca. Tudo vai se resolver. Afinal, se aquela escopeta no portamala passou despercebida da maioria do povo, por que se preocupar, não é mesmo?


Um caloroso abraço,

Sá.




Reverendo Digão é pastor presbiteriano e conluiado no crime de Genizah

Aberto vagas para pastor da Universal: salários acima de 8 mil!

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) abrirá o primeiro concurso para pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo representante da Universal, o concurso público tem a intenção de recrutar profissionais qualificados para participarem do que chamam de “a grande expansão da Palavra” e a “cultura popular de Deus”. “-Já conquistamos nosso espaço em 172 países. Temos obras sociais espalhadas nos quatro cantos do globo. Precisamos de profissionais não apenas ungidos pelo Espírito Santo e preparados no fogo do Pai das Luzes para cumprir nossa missão evangelizadora, mas também de pastores com conhecimento técnicos para darem continuidade a essa obra tremenda.”, explica, empolgado, o pastor Ricardo Ibrahim, responsável interno da IURD pela organização do concurso.

Adavilson dos Santos, de 23 anos, morador de Guarulhos, pensa em fazer o concurso: “-Estou muito ansioso, sou pastor desde os meus 18 anos e obreiro da minha igreja desde os 11. Colei grau em Teologia ano passado. Sempre estudei bastante. Esta é uma oportunidade muito grande na carreira de qualquer pastor e não vou perdê-la”, vibra o jovem.

As vagas serão abertas para candidatos do sexo masculino com curso superior em quaisquer áreas. Candidatos com Bacharelado em Administração Eclesiástica ou Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Adminstração de Igrejas e disciplinas afins ganham pontos na prova de títulos. O número de vagas não foi divulgado. O salário inicial na investidura do cargo é de R$ 8.234,82 mais benefícios.


Postou Zé Luís no Genizah, aguardando abrirem vagas para apóstolo: salário deve ser melhor!

Danilo pergunta: Será que eles aceitam crente?

Prefeitura do Rio renova convênio com Caboclo Cobra Coral.






O prefeito Eduardo Paes (PMDB), do Rio, renovou hoje convênio com o espírito Cacique Cobra Coral para que ele, o desencarnado, controle as nuvens de modo a livrar a cidade das enchentes.

Como o espírito não se materializa e só se incorpora na médium Adelaide Scritori (na figura acima), a renovação do contrato – sem custos para a prefeitura – foi assinada por Osmar Santos, representante da Fundação Cacique Cobra Coral.

Santos falou que, se o convênio com a prefeitura tivesse sido retomado antes, o espírito do Cacique poderia ter evitado o temporal que caiu sobre o Rio no sábado.

Disse que, além disso, a fundação não foi solicitada pela Defesa Civil do Estado, embora haja uma parceria com o governo do Estado. “Infelizmente, a fundação não foi acionada”, afirmou Santos, conforme relato de O Globo.

O espírito teria sido o responsável pelo bom tempo nas praias do Rio na passagem do ano. Antes e depois do dia 31 de dezembro, choveu muito.

Numa demonstração de quem ninguém é perfeito, nem sequer um espírito, o Cacique só não previu a tragédia no começo do ano de Angra dos Reis, onde, por causa das chuvas, desmoronamentos causaram a morte de dezenas de pessoas.

A fundação também tem convênio com a prefeitura de São Paulo, onde a quantidade de água que tem caído é recorde nas últimas décadas. Órgãos da esfera federal, como o Ministério da Saúde, já utilizaram os serviços do representante do além.

A fundação sustenta que o Cacique Cobra Coral se encarnou em pessoas como Abraham Lincoln (1809-1865), presidente dos Estados Unidos, e Galileu Galilei (1564-1642), que foi um dos responsáveis pela revolução da ciência.

Talvez seja o mesmo espírito que se incorpora em um dos personagens do X-Men, a Tempestade.

A médium Adelaide já tem um sucessor: é o seu filho Jorge. Por enquanto, o departamento dele, na fundação, é o de pessoas desaparecidas.

Quando está tomado pelo espírito que atende pelo nome de Doum, Jorge diz ser capaz de localizar um desaparecido e saber se está vivo ou morto, após tocar em uma roupa dele. Ou seja, a dobradinha Jorge-Doum supera os melhores cães farejadores.

O tal de espírito teria ajudado a achar a evangélica Patrícia Abravanel, 33, filha de Sílvio Santos, quando foi sequestrada em 2001.

Considerando o número crescente de sequestros no Brasil, até um prosaico ser vivo pode prever que a fundação tem futuro.

Postou Zé Luís no Genizah, que não crê que dinheiro público,
num estado que se diz laico, pode ser empregado nesse tipo de "benefício".
Via Paulopes Weblog


Danilo comenta: O resumo do despacho é que o IPTU do carioca agora banca a farofa de dendê do capiroto. Pode esperar que nas próximas eleições o cara de pau aparece nas igrejas para arrumar uns votos e vai ter gente se vendendo... Agora, ao menos, saberá a quem.

Uma Aliança Eterna



Um sermão rico da lavra de C. H. Spurgeon. A Nova Aliança é Infalível - Os filhos de Deus seguirão firmes até o Céu.






Parabens pelo projeto Josemar. Visite o blog do tradutor e produtor deste vídeo.

terça-feira, 9 de março de 2010


Extasiado diante do espetáculo da Criação


Hermes C. Fernandes


"Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas." Salmos 104:24

Hoje levantei bem cedo para levar meus filhos à escola. Geralmente, eles vão de ônibus escolar. Só quando atrasam, me chamam para que eu os leve. Porém hoje, eles estavam muito nervosos e ansiosos. Tudo por conta de uma prova chamada F-Cat, onde todos os alunos do High School, da nona e da décima série são submetidos a testes de até quatro horas. O futuro deles, inclusive o ingresso numa boa faculdade, depende do resultado deste exame. Durante a semana, a escola nos contactou pedindo que eles fossem dormir mais cedo na noite anterior, e que tomassem um reforçado breakfast (café da manhã ). Já havia passado da meia-noite, e Rhuan ainda não conseguira dormir, embora tenha ido pra cama antes das dez. Quando acordei por volta das 6h., Tânia, minha esposa, já estava na cozinha preparando o café tipicamente americano: ovos mexidos, bacon e french toast. Duro foi resistir ao cheiro do bacon sem quebrar minha dieta. rs Só não resisti ao french toast. Pedi que Tânia fizesse pra mim usando pão integral. Também tomei uma boa xícara de mocha (um tipo de café com leite). Depois de deixar as crianças na escola, decidi deixar o carro no estacionamento de uma loja de departamento e sair pra caminhar numa trilha ecológica próxima de casa. Foram 50 minutos de caminhada matinal.

Tenho caminhado praticamente todos os dias, desde que tive um baque em minha saúde. Às vezes bem cedo, às vezes no cair da tarde, e algumas vezes de noitinha. Mas a caminhada que tive ontem à noite e a de hoje pela manhã foram diferentes.

Costumo orar enquanto caminho. Ontem, porém, fui tomado por uma espécie de êxtase espiritual. Sorte a minha que a rua estava deserta, caso contrário alguém poderia me achar louco. Chorei compulsivamente enquanto adorava ao Senhor. Senti algo profundo, que dificilmente poderia explicar.

Hoje pela manhã aquela experiência se repetiu. Porém de maneira diferente. Senti a presença de Deus nitidamente através da criação. A Flórida tem uma fauna extraordinária. Só encontrei uma fauna tão rica no pantanal matogrossense. Enquanto caminhava naquela trilha ecológica, avistei várias espécies de animais, entre elas, pássaros de cores extravagantes (azul, vermelho, laranja), um falcão pousado que parecia ignorar minha presença, uma tartaruga, pelicanos, gansos que voavam em formação de V, e muitos esquilos. Fiquei extasiado e comecei a glorificar a Deus por todas as coisas que Ele criou. Veio à minha mente o salmo que cito no início deste artigo: "Quão variadas são as tuas obras!"

Agradeci a Deus pelo espetáculo da vida. Por me permitir assisti-lo de tão perto. Pedi que o avanço tecnológico não prive as próximas gerações de assisti-lo também.

Fiquei imaginando como Deus trouxe tudo isso à vida. Que variedade incrível! Que grande artista é o nosso Deus!

Ele poderia tê-las criado de uma só vez. Num abrir e fechar de olhos. Mas como todo artista, Deus aprecia o processo de criação. As coisas vão surgindo de acordo com a necessidade. Todos os seres são absolutamente imprescindíveis na ordem natural. Não são frutos da contingência, nem acidentes de percurso. Não surgiram a partir de uma evolução cega e desprovida de propósito. Em vez disso, emergiram na criação para suprir lacunas deixadas pelo próprio Deus. Veja o exemplo da criação da mulher. Deus poderia tê-la criado juntamente com o homem. Mas preferiu deixar que o homem se sentisse só, e assim aprendesse a valorizar esta maravilhosa e surpreendente obra de Deus que é a mulher. Esta narrativa bíblica está muito além da literalidade. Ela expressa o modus operandi de Deus em se tratando da criação. Tudo está interligado. A perpetuação da raça humana depende da preservação das demais espécieis. Se não fosse assim, em vez de uma arca, Deus teria ordenado que Noé construísse um bote suficiente para salvar sua família apenas.

Não sou literalista. Prefiro enxergar no texto aquela exatidão poética/profética que vai muito além do literalismo cru. Creio que Deus pode ter usado mecanismos descobertos pela ciência para trazer à existências todas as espécies. Não entro em crise por causa disso. Pra mim não importa se em seis dias literais ou em milhões de anos. Mesmo porque o tempo jamais foi problema para o Eterno. O que sei é que o Supremo Artesão usou a roda do tempo para esculpir Suas obras de arte. Cada uma surgiu no tempo certo para complementar o que faltava às outras. Tudo feito do barro, isto é, de um mesmo material, DNA. Cada criatura é, por assim dizer, um rearranjo na seqüência dos genes. Se homem é a imagem e semelhança de Deus, as demais criaturas são aquelas através das quais todos os Seus eternos atributos são manifestos (Rm.1:20). Ainda que com traços diferentes, Ele usou o mesmo pincel e a mesma tinta para pintar tanto o homem quanto o resto de Sua criação.

Não precisamos ver anjos e querubins para perceber a presença de Deus. Basta que O vejamos nas coisas ordinárias da vida, que na maioria das vezes passam despercebidas.

Que Deus abra nossos olhos para as cores da vida, e nossos ouvidos para ouvir o canto de cada criatura (Ap.5:13). E que possamos somar nossas vozes a este imenso coral que exalta Aquele que vive, reina e cria para sempre. O Criador não Se aposentou. Ele continua a criar...

Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah


O BANHO DE PIPOCA DOS EVANGÉLICOS E "PASSE" GOSPEL.

PERGUNTE AO PASTOR:

Uma conhecida passa por crise no casamento. Está deprimida, pois foi traída pelo marido. Procurou a umbanda para solucionar seus problemas. Lá, 'rezou' o Pai- Nosso, tomou banho de pipoca e disse ter saído se sentindo ótima. O que dizer a ela?


Rev. Antônio Carlos Costa

Fazer teologia em cima de experiência é um erro. Teologia é uma ciência que deve ser elaborada com base em doutrina revelada nas Escrituras Sagradas, jamais na experiência humana. O conhecimento da verdade deve ter como fundamento, a solidez do ensino dos profetas e apóstolos - o Antigo e o Novo Testamento -; em hipótese alguma, a areia movediça das experiências humanas.

Uma pergunta como essa é ótima, porque lança grande quantidade de luz sobre a qualidade do cristianismo que vivemos em nossas igrejas. Para o evangélico comum, é óbvio que essa pessoa não teve uma experiência com Deus, pois Deus jamais haveria de se revelar ao homem numa sessão de macumba, através de crendice pagã -banho de pipoca, verdadeiro ultraje à dignidade humana -, e com sua Palavra sendo usada sem entendimento algum. O fato de a moça se sentir melhor, não quer dizer nada, em razão do fato de seu alívio psicológico não ter como causa uma real apreensão intelectual da verdade, capaz de atingir o coração e mover a vontade. Bom, pelo relato tão sucinto da experiência, essa seria também a minha conclusão.

Aquilo em que difiro do que em geral é capaz de fazer a leitura supracitada, é na certeza que tenho de que esse tipo de experiência acontece dentro das nossas igrejas. O ritual é outro. Sabemos, bem diferente. Mas, o engano é o mesmo.

Nas igrejas do nosso país, milhares têm passado por experiências sem a mínima relação com a verdade. O argumento usado para defender o que é feito nessas igrejas em nome do cristianismo, é da mesma natureza das justificativas usadas para se defender as experiências que um número infindável de pessoas têm nas seitas. Elas relatam haver experimentando grande paz e alívio.

Esse é o ponto. Se formos fazer teologia em cima de experiência, não teremos nada a dizer para aqueles que buscam socorro na religião pagã. Nas igrejas brasileiras, afirmamos que o fato de uma pessoa haver dito que se sentiu bem num culto evangélico, só pode significar que a natureza da experiência foi estritamente obra do Espírito Santo. Porém, é fato que para cada obra verdadeira do Espírito Santo, há uma falsificação espiritual de natureza maligna.

Sabemos que, no Brasil, cultos com características do paganismo -sem pregação do evangelho libertador de Cristo-, onde são incorporados, levianamente, aspectos da cultura religiosa brasileira - naquilo que ela tem de pagã, tolo e indigno da majestade de um Deus que não pede tolices do homem -, pessoas levantam as mãos dizendo-se convertidas, sem revelarem nenhum entendimento espiritual da verdade e consequente transformação de caráter.

Isso significa que os espíritos têm que ser testados. Quando saber que o Espírito Santo está agindo numa igreja? Primeiro, há um forte senso de pecado e dependência da graça de Deus para ser salvo. Segundo, um grande amor por Cristo e gratidão pelo seu sacrifício na cruz. Terceiro, um profundo interesse pela verdade revelada nas Escrituras. Quarto, um real amor pelos irmãos na fé. Quinto, uma real percepção das grandes verdades da vida, como por exemplo: que a nossa vida é curta, dura e incerta; que todos teremos um dia que comparecer diante de tribunal de Deus; que nossas afeições não podem ser postas nesse mundo, mas naquela pátria onde todas as expectativas humanas que este mundo não consegue realizar, haverão de ser satisfeitas por um Deus que não pode mentir naquilo que prometeu.

Que não separemos a experiência espiritual da luz da Palavra Deus. As Escrituras não apenas revelam a doutrina, como também nos ajudam a saber se nossas experiências espirituais se deram nos termos estabelecidos pelo Espírito que se revela na Palavra. Caso contrário, vamos sair das nossa reuniões, com o mesmo sentimento de alívio de quem experimentou uma droga qualquer, que sanou a dor, mas não curou a doença.

Rev. Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra e presidente do Rio de Paz
 
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